Malévola Narrando Respirei fundo antes de falar. Meu coração tava acelerado de um jeito estranho, como se eu estivesse prestes a atravessar uma linha invisível. — Filho, esse aqui é o Mateus — eu disse, me abaixando um pouco pra ficar na altura dele. — Um amigo da mamãe… lá do Rio de Janeiro. Quando falei isso, senti o peso do silêncio cair no quarto. O Mateus ficou parado, olhando fixo pro Matias, como se tivesse visto um fantasma. Já o meu filho… encarou ele sem medo nenhum, curioso, do jeitinho dele. Mateus me olhou rápido, e eu só mexi a sobrancelha, num aviso silencioso: se controla. Ele entendeu. Ele chegou mais perto devagar, se abaixou na frente do Matias e fez aquele cumprimento estranho de punho fechado, todo respeitoso. — E aí, garotão… como é que tu tá? Matias pensou um

