Capítulo 08

2732 Words
Donna McNight Dezessete anos A celebração foi maravilhosa e Bella estava linda, apesar do medo que estava estampado em seu rosto no começo da cerimônia. Sigo para o banheiro, preciso respirar e tirar Pietro da minha cabeça, e ficar sozinha parecia a melhor solução naquele momento, então aproveito que Teffo tinha me deixado de lado devido a um r**o de saia. Isso me fazia sentir pena da mulher que se casar com ele, se aos dezessete anos já é assim, imagina quando tiver a idade do nosso cunhado! Empurro a enorme porta marrom seguindo para uma das cabines e me sentando na privada que está com a tampa abaixada, aproveitando para tirar meus saltos e massageio meus pés. Em seguida, encosto minha cabeça na parede. Eu estava exausta e a festa acabara de começar, pego meu celular de dentro da minha bolsa e tem uma notificação da minha melhor amiga. Isso faz com que eu me arrependesse de não ter insistido que me acompanhasse. Minutos depois, saio da cabine me apoiando na pia esculpida de mármore preto, me encaro no enorme espelho com detalhes em preto e quando me viro para sair, sinto meu corpo se chocando com algo duro. No momento em que julguei que iria para ao chão, sinto mãos quentes me segurando pela cintura, olho para cima e o par de olhos azuis está me encarando com um sorriso safado nos lábios. — Piccola… — sussurra, me trazendo para mais perto do seu corpo. — O que faz aqui? — pergunto tentando me equilibrar e sair dos seus braços. O que diabos ele estava pensando? — Precisamos conversar — confessa enquanto eu finalmente conseguia me afastar, então, dando passos largos em minha direção, ele me fez recuar até que sinto minha b***a batendo na pia. — Conversar? — Tento não gaguejar. — Isso — fala com a voz rouca e sexy. Sinto meu corpo todo se arrepiar, o seu cheiro amadeirado predomina o lugar e fecho meus olhos para aproveitar aquele momento. — Não temos nada para conversar — sussurro ainda de olhos fechados. — Oh, mia piccola… — Sinto a ponta do seu nariz roçar de leve em meu pescoço. — Você não imagina o quanto estava ansioso para te ver novamente. Abri meus olhos com aquela revelação. Será que Pietro estava se apaixonando por mim? Uma fagulha dentro de mim se acendeu, pois Pietro tinha o dom de me deixar desconcertada e com um turbilhão de sentimentos que não conseguia explicar. Fazia pouco que nos conhecíamos, e seu efeito sobre mim era inexplicável. — Pietro... — sussurro seu nome. — Acho melhor... — Minha voz falha e quando seus olhos me fitaram com tanta intensidade poderia jurar que Pietro Kuhn está lendo minha alma. — Piccola... preciso provar uma coisa — sussurra de olhos fechados. — Mas preciso da sua permissão. — Faz uma pausa abrindo os olhos novamente. — Não quero avançar o sinal vermelho. — Nossas respirações estavam pesadas. Sem dizer uma palavra, apenas assinto com um leve movimento, estava curiosa com o que ele tinha para me oferecer. Meu corpo todo estava tremendo por medo e ansiedade. Suas mãos grandes e ágeis me seguram pela cintura, me colocando sentada em cima da pia. Por instinto seguro seus braços grandes e fortes, minhas mãos percorrem até os seus ombros e quando encaro seus lábios, sua boca encontra a minha... sua língua pedindo passagem se entrelaçando a minha, uma das suas mãos suba até a minha nuca, nos aproximando mais ainda, o nosso beijo é urgente e desesperador. Volto a mim quando sinto uma das suas mãos encostando na minha perna através da a******a do meu vestido. — Não! — esbravejo, o empurrando. — O que aconteceu? — pergunta aturdido. — Estamos indo longe demais — murmuro, sentindo todo o meu corpo tremer. Que tipo de idiotice eu estava fazendo? Apaixonado... Deus, não. Ele não estava apaixonado por mim, estava? — Me desculpa... — Pietro dá um passo em minha direção e me encara, analisando-me. — Tudo bem, podemos ir? — Salto da pia, encarando o espelho, notando que meu batom está um pouco borrado. Abro minha bolsa, pegando o batom e em seguida um papel do banheiro e limpando meus lábios. Pietro apenas fica me observando com cautela. — Vou te esperar do lado de fora, pois alguém pode querer entrar — ele diz e eu assinto com a cabeça. Observo ele se afastando lentamente e quando ele sai, posso soltar o ar dos pulmões, sentindo um alívio imenso e começo a imaginar o que poderia ter acontecido se eu não o parasse. Guardo o batom na bolsa, ajeito o meu vestido e sigo para fora do banheiro. — Podemos ir? — Pietro pergunta quando me vê fechando a porta atrás de mim. — Claro — murmuro receosa. Por que ele tinha me esperado? Eu não conseguia entender Pietro Kuhn. Percorremos o caminho até o salão lado a lado, alguns dos convidados estavam dançando, outros sentados à mesa comendo ou a pena observando o local. — Donna... — Saio do meu devaneio quando ouço a voz do loiro. — Oi? — Me viro em sua direção. — O que você acha de sairmos amanhã? — Dá de ombros, colocando uma das mãos dentro do bolso da calça e com a outra pegando uma taça de champanhe quando o garçom passou ao nosso lado. — Sair? — Sim, sair... — Me encara com dúvida. — Por quê? Não podemos sair? — Eu não disse que não podemos. Ficamos frente a frente, parados próximo a mesa dos noivos. — Amanhã passo para pegá-la em sua casa. — Não, em minha casa, não — suplico. — Me encontra na praça central. — No final da tarde estarei à sua espera. — Seus olhos brilham ao dizer isso e uma parte minha vacila. — Pode ser... — afirmo olhando ao redor para ter a certeza que ninguém estava nos escutando. — Agora preciso ir — profiro quando vejo Brian se aproximando de nós. *** Olho para o relógio que estava pendurado em uma das paredes da sala de estar, eu estava ansiosa para encontrar com Pietro, mesmo que algo dentro de mim me dissesse para não o fazer. Mesmo assim, eu disse aos meus pais que sairia com Jenny e Brian, e minha prima alimentou a mentira quando passou em nossa casa para me buscar. Fiquei feliz por Brian estar junto, pois assim Jenny não me encheria de perguntas. O beijo da noite anterior ficou repassando em minha mente por toda a noite, foi impossível dormir, sempre que fechava meus olhos era como se sentisse seus lábios sobre os meus. Precisava contar para Alicia, mas tinha que ser pessoalmente, mas como estávamos de férias, precisava esperar até que nos encontrássemos, mesmo eu sabendo que me envolver com Pietro era um problema. — Donna... Donna... — Estava absorta em meus pensamentos quando sinto as mãos de Jenny tocando minha perna. — Chegamos — avisa quando nossos olhares se encontraram. — Está tudo bem? — Está sim. — Respiro fundo, olhando pela janela do carro. Pego minha bolsa e meu celular e já passava um pouco mais das 18h. — Me ligue quando quiser ir para casa, ok? — Jenny parece um gavião observando seu alvo. — Tá! — Dou de ombros, encarando-a. Abro a porta do carro, em seguida agradeço minha prima e seu ficante pela ajuda. Me sento em um dos bancos e fico observando os casais, famílias e crianças brincando no parque. Lentamente o anoitecer estava chegando. Algum tempo depois olho para o visor do meu celular e havia uma notificação, uma mensagem da Alicia. [Alicia Amiga, venha pra minha casa agora! [Você]: O que está fazendo, dando uma festa? [Alicia Sabe que não gosto de dar festas em pleno domingo, mas meu irmão não se importa com o dia da semana [Você]: Isso significa que seus pais não estão em casa [Alicia Não, foram para o Brasil [Alicia Mas não foi por esse motivo que estou exigindo sua presença! É que o cunhado da sua irmã está aqui Sinto meu coração gelar com a sua última mensagem. Alicia estava se confundindo, Pietro tinha me chamado para sair, ele queria me ver e não poderia estar numa festa. Não hoje, não agora. Foi nesse momento que constatei que já se passavam um pouco mais das 20h e sinto meus olhos lacrimejarem. [Você]: Você tem certeza? [Alicia Sim. Por que iria mentir justamente pra você? [Você]: Vou pegar um Uber, em menos de dez minutos estou aí Eu mando aquela mensagem e aquilo foi exatamente o que eu fiz. Os nove minutos que levei até a casa da minha melhor amiga, pareceram horas. Quando o carro para em frente da enorme mansão, conseguia ouvir a música alta e os vários carros parados na rua e alguns na entrada da garagem. Respiro fundo fechando a porta do automóvel, encaro a fachada espelhada e percebo que tinha algumas pessoas encostadas no parapeito. Caminho em passos largos passando pela entrada principal, a porta estava aberta, a música estava estourando e conforme andava entre as pessoas, observo alguns casal se beijando encostados na parede do corredor, outros no começo da escada, sentados no sofá. Há garrafas de cerveja, uísque e energéticos espalhadas por toda a casa, sem contar o cheiro forte de cigarro. Quando chego na cozinha, dou graças pelo som estar um pouco mais baixo do que nos outros cômodos. Encontro Alicia olhando dentro da geladeira, minha amiga está trajando um vestido na altura dos joelhos, curto de alcinhas, o tecido era de seda e a cor azul bebe, seu cabelo está preso num r**o de cavalo, pois estava quente. — Donna! — a loira grita quando fecha a porta da geladeira e me vê. — Isso não é roupa para uma festa — afirmou me olhando da cabeça aos pés e em seguida me puxa para um abraço, me fazendo sentir o cheiro de álcool. Ao contrário dela, eu estava usando uma calça jeans surrada, uma camiseta baby look branca e meu velho e bom all star preto, meu cabelo estava solto. — Não tive tempo para me vestir — minto. — Venha! O bonitão está na piscina. — Segurando meu braço, nos guia para os fundos. Meu coração palpitava cada vez mais rápido. Eu estava muito nervosa, pois Pietro tinha me convidado para sair e simplesmente esqueceu de mim. Eu até mesmo tentei me convencer de que Thomas tinha um outro irmão e eu não sabia ainda, mas no fundo... eu sabia da verdade. Quando passamos pela porta da edícula, meus olhos procuraram atentamente o loiro, mas não o encontrei. — Donna, que surpresa. — Me viro em direção a voz do Edward. — Sabe que Donna não é pro seu bico — Alicia repreende o irmão, que sorri. — Isso é ela que precisa me dizer. — Me encara com sorriso malicioso. — Já estou indo... — Finjo. — Quer uma carona? — Ed, eu já disse! — Minha amiga estava ficando furiosa com a insistência do irmão — Já entendi, minha foquinha — Edward diz para a irmã. — Ed, cadê aquele seu amigo? — O Pietro? — Sua irmã apenas assente com um leve aceno. — Ele está ali. Quando olhamos na direção em que Ed aponta, sinto minhas pernas vacilam e meus olhos marejam. Não era aquilo que eu esperava. — Amiga... — Alicia me encara e segura forte minha mão. Ela sempre soube o meu interesse pelo cunhado da minha irmã, mas não tinha dito a ela que ele havia me chamado para sair e que me deixou plantada. — Alguém está se divertindo... — murmuro para mim mesma. O integrante da família Kuhn está sentado em uma das cadeiras e uma moça ruiva estava sentada no seu colo aos beijos. — Me desculpa... — Alicia, não precisa se desculpar, sei que tinha boas intenções — declaro. — Vou pedir um Uber e ir para casa. — Eu te levo — Ed anuncia. — Obrigada, mas não precisa. — Deixa que o nosso motorista te leve, está tarde. — Olho no visor do meu celular e já se passava um pouco mais das 22h. — Aceito. — Meus pais não ficariam felizes ao me ver chegando em casa com um carro do APP a essas horas, ainda mais que tinha saído com Jenny e Brian, e não poderia metê-los em encrenca por minha causa. — Foquinha, chame o Anderson, ainda falta um pouco mais de meia hora para terminar o expediente dele — Ed avisa. — Me espera na frente da garagem — Alicia pede, voltando para dentro da casa. — Obrigada, Ed. — Imagina, Donna. — Sorri novamente. — Saiba que sempre estarei a sua disposição. — Pude sentir o duplo sentido das suas palavras. — Avisa minha irmã que o Anderson pode usar o meu carro que está na rua, acredito que ele não consiga tirar o seu carro para fora, ainda mais nesse horário — comenta olhando o seu relógio de pulso — Ok. Até mais. Dou uma última olhada na direção do Pietro, e ele ainda estava ao os amassos. — Já entendi — Ed diz com um sorriso e eu me viro, pigarreando. — O quê? — Tinha me esquecido que Ed ainda estava ali. — Pietro não é homem para você, Donna, ele é meu melhor amigo e também um Don Juan barato. — Suspira fundo. — Sei que sou um cachorro, mas sempre deixo isso bem claro para as mulheres que me envolvo, mas o meu amigo gosta de pegar todas e não se apega. E a pior parte? Ele não larga o osso — concluiu. — Obrigada por me avisar, ele esqueceu desse pequeno detalhe. — Você ainda é jovem, não merece sofrer por amor, ainda mais pelo Pietro. Dou um sorriso amarelo para o melhor amigo do meu crush e quando ameaço me virar para esperar o motorista no lugar que minha havia me dito, percebo que Pietro está me encarando. — Tchau. — Não espero por uma resposta de Ed e caminho em passos largos em direção a entrada da casa. — Donna! — Ouço a voz do Pietro quando a música para, mas o ignoro. Passo feito um furacão pela casa até chegar à entrada. — Donna? Donna? — insiste. Respiro fundo, com o dorso da mão seco a lágrima que insistia em cair e me viro lentamente. — Donna... me desculpa — pede, me analisando. — Desculpas? — Sim, acabei me perdendo no horário... — fala baixo. — E sua boca também acabou se perdendo na boca daquela garota? — Minha voz tem o tom de sarcasmo. — Que saber, não precisa me responder, você não me deve satisfação nenhuma. — Donna, sei que errei, acabei me distraindo com os horários, não pensa que me esqueci de você — suplica. — Vai me dizer que já estava indo para a praça? — Sim, estava pronto para sair daqui e... — Você é um canalha mentiroso! — ralho. — Me fez esperar mais de 2h, já olhou no seu relógio? Já passam das 22h da noite, e ainda sim, não tem a vergonha na cara de admitir a verdade, de admitir que me esqueceu — brado. — Sei que errei... — Donna, o Anderson já está vindo. — Ouço a voz da Alicia se aproximando. — Por que você está chorando? — Minha amiga me abraça, é quando me dou conta que as lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto. — Sai daqui, Pietro, volta lá pra sua amiguinha e deixa a Donna em paz. — Você não fala por ela, Alicia! — grita. — Cala a boca e me deixa em paz! Faça de conta que não existo para você — eu digo entredentes. — Você pode fazer o que quiser, Pietro Kuhn, mas não pense que pode sair e brincar com uma McNight, eu destruo a sua vida. — Amiga, vou com você. Anderson está ali. — Donna? Piccola… Donna? Pietro continua me chamando, mas o ignoro e sigo com Alicia para o carro. Seguimos o percurso da minha casa em silêncio. Eu estava desmoronando, me sentia traída antes mesmo de ter começado um relacionamento, isso apenas alimentou a minha vontade de não me casar.
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