Daniel Ortega VII

1311 Words
Acabo de ficar apaixonada. Meus olhos começam a brilhar enquanto olho para ele. Tem algo dentro de mim que diz que ele é maravilhoso. Sinto algo fraternal por ele, bem forte. E é por esse sentimento de encontro que acabo de me apaixonar. O jeito que ele brincou conosco agora a pouco foi com tanta sinceridade nos olhos. Ele realmente gostou da nossa amizade. Não é algo fingido, feito só para tentar ser simpático. Acabo tocando o pulso dele enquanto sorrio, pregada com Elisa. O agito uma vez. ─ Como você se chama mesmo? - pergunto, suplicante. É que eu sempre esqueço nomes. Na primeira vez em que sou apresentada a alguém novo, eu só finjo que ouvi, que estava interessada. Quando volto a perguntar, é porque há interesse real. ─ AN. - ele faz uma pausa. ─ DRÉ! - exclama, irônico, e logo cai na gargalhada. ─ Que charmoso! Amei! - rio também, com Elisa, enquanto a olho nos olhos buscando cumplicidade para minha opinião. ─ Ih, amiga... Não empolga não... Não se empolgue não! - A loira começa a me zombar, fazendo vários gestos com as mãos e com os lábios. ─ Que foi?! - rio desentendida. Vejo Elisa gesticulando com a boca para que André lesse enquanto aponta para mim. Seus lábios diziam: "essa aqui é uma p**a". Olha, que desgraçada. Agilmente, ela começa a deixar a voz sair da garganta de novo e me diz: ─ O André é gay. Bichona. Bichona louca! - Ela vai enfatizando os insultos cada vez mais, mais e mais exageradamente. Eu e André não conseguimos levar a m*l, no entanto. É cômico demais. ─ Ahhh... - parece que ele vai morrer de rir. ─ Aiah. - Ele suspira e sua cara fica séria de repente. - Vai, chega. - Ele exclama, fazendo um gesto de "chega de palhaçada" para nós duas com uma das mãos, enquanto apoia o cotovelo na mesa e nos fita com autoridade. - Já entendi que vocês são duas bad bitches que precisam de um amigo gay. - Ele se penteia de um lado, sensualmente, olhando para cima com desprezo e fazendo alguns b***s. ─ E eu vou ajudar vocês. Hm? - André se gira e pisca um olho. ─ Eu vou deixar vocês entrarem no meu bando. - Ele enfatiza "vocês" e ergue o mindinho com o cotovelo no centro da mesa. ─ Amigas? - ele olha para mim e para Elisa de um jeito desafiante. ─ Claro! - exclamamos nós duas, como siamesas. Os três rimos juntos. ─ Ui! - André lambe o seu mindinho, e toca um dos seus m*****s enquanto ri. Meu Deus! Fico gargalhando. Ele já é assim no primeiro dia em que nos conhecemos. Quem dirá... Quando os três levarmos um ano... sendo amigos. Acabo abrindo um sorriso bobo, viajando. ─ Ih, olha... - diz André. - Ela ficou perdida. - Ele ri sacana enquanto fala com Elisa. ─ Deve estar pensando no p*u do bofinho. - Segue André, fazendo uma voz sussurrada de ASMR de propósito. Ia começar a gargalhar, mas decidi seguir me fazendo de perdida, apenas para que o show continuasse. ─ Hm, p*u. p*u de bofinho jovem. Hm, delícia. Yes, yes. Yes?! Yes! - ele bate na mesa. Acabamos gargalhando muito alto de novo. Uma sombra vem e nos tira da nuvem de gargalhadas na que estávamos metidos. ─ Shh! Vocês vão incomodar os outros clientes. - a garçonete repreende, tocando um dos ombros de André. ─ Shh... - começo a imita-la, quando ela vai embora. - Vocês vão incomodar os outros clientes. - Sussurro, sensualmente, de um jeito dominante enquanto seguro a mesa com as duas mãos, com os braços meio abertos. Meus amigos acabam rindo de novo, e começam a sussurrar mais coisas absurdas, zoando a represália. Acabamos nos levantando quando o sinal tocou indicando que já deveríamos era estar lá dentro da Escola de Arte. Onde as pessoas fazem arte, e umas artes. Fomos caminhando, gargalhando, como se já fossemos amigos de uma vida inteira, para qualquer um que observasse a cena do lado de fora. Que alegria. ─ O meu armário vai ser o mais fashion, sem dúvidas. - André solta de repente, olhando para frente, como se estivesse pensando alto. ─ Você vai redecorá-lo? - pergunto, com um sorriso ladeado. ─ Obviamente, querida. - Ele revira os olhos. - Obviamente. As coisas do André devem ser sublimes, originais. Elisa tampa a boca e ri abafado. Chegamos no meio do corredor. André está agarrando Elisa pelo ombro e os dois estão indo para a esquerda, sem notar que eu parei de andar. ─ Ei, vocês nem se despedem? - repreendo, um pouco alto, segurando minha mochila nas costas. ─ Hm? - os dois se giram juntos, como se houvessem feito um passo de bailão. Foi superexagerado. ─ Eu tenho a minha primeira aula de Desenho Gráfico. Não vou com vocês. - Digo, para André. Logo coloco a mão na frente do rosto da Elisa e aceno. - Hello-ow?! - zombo, a chamando para a terra. Ela não tem desculpas para pensar que eu faço Moda com ela. ─ Eu sei, eu sei! Boa sorte. - Minha amiga agarra as minhas bochechas, uma em cada mão e abre um grande sorriso. Logo me rouba um beijo na ponta do nariz. ─ Desenho Gráfico?! - exclama André. - Rá! - ele burla, e ainda não entendo o porquê. - Você vai estudar com o desastrado do meu irmão. - Ele contrai o canto de um dos lados dos seus lábios, e faz uma expressão similar a de quando você prova um limão. Sei que é pura zoeira, no entanto. ─ Ui, você tem um irmão? - ergo uma sobrancelha, sorrindo, e sendo maliciosa de um jeito engraçado e descarado. ─ Tenho sim. - diz André, erguendo suas costas e passando uma palma da mão na outra. ─ E sim, é exatamente o que você mais desejava. Ele não é gay. Nada gay. - André ri, bem-humorado. Que menino bobo. ─ E ainda por cima... - ele põe a mão na cintura. ─ Somos gêmeos. - André sorri, sedutor. ─ Claro que eu sou mais engraçado. E mais simpático. Mas bom... Foi isso. Somos tão lindos que Deus dobrou a receita. Armando e André para as fêmeas e para os machos! Hahaha. Foi entre muitos risos que nós três nos separamos. E, Graças a Elisa e André, foi assim, com um sorriso de ponta a ponta, e de olhos brilhando, que eu entrei para dentro da minha primeira classe do dia, e do ano. Me sentei numa carteira vazia, no meio da sala. Muito corada. "Não conheço ninguém..." "Todos devem estar me olh..." ─ Mas essa merda não acende! Todos os anos a mesma merda! Todos os anos esses computadores de merda! Isso é uma vergonha! - Diz a professora, nervosíssima, me acordando das minhas paranoias. Ela grita, quase se descabela. O mais engraçado de tudo, é que tem uns caras bobos bem na minha frente que gargalham bem alto a medida em que ela vai ficando mais e mais louca de raiva. Minha visão começa a desembaçar. Começo a prestar atenção neles, realmente, agora. Tem um garoto assim da minha altura, na minha frente, de cabelo curto e castanho, bem forte. Do lado dele há outro, moreno. Meu Deus. Que filho da p**a gostoso. De onde que isso saiu? Quando ele ri aparecem uns dentes de dar inveja na Angelina Jolie. Tem duas pedras azuis vivíssimas nisso que ele chama de olhos. Ele tem umas sobrancelhas pretas, selvagens, arqueadas, que lhe dão um ar maligno. Parece que ele gosta de tudo o que for malfeito. Sinto como começo a tocar um lado do meu cabelo e fico toda amolecida. Mais corada que antes. E quanto mais eu sinto que estou corando, mais vergonha me dá.
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