─ (...) E aí nós quase nos beijamos, mas não deu em nada (...)
─ Não acredito! - Exclama Elisa, arregalando os olhos, assim que acabo o relato. André mostra surpresa no rosto.
─ Acho que temos que ajudar a nossa pequena Lynn, Elisa.
Ambos me olham com um sorriso malicioso.
─ O quê?! ─ Eles seguem me olhando. ─ Ei, ei, o que vocês acham que vão fazer?
─ Nada. - Responde Elisa, sorrindo e escondendo o jogo.
─ Mmhum. - Ri André. ─ Bom, Lynn, como eu também sou um homem, apesar de que às vezes vocês duas se esquecem, eu sei exatamente o que fazer para solucionar isto. Se você quiser, claro. - Seu sorriso malicioso permanecia em seu rosto. Eu não acreditava nele nem um pouco.
─ André, por favor, não fale com ele. Ele vai rir de mim!
─ Nós não vamos falar com ele, querida. - diz Elisa.
─ Ah, é? E então, o que vocês vão fazer? - Ambos se olham, quase rindo.
─ Nada! - eles respondem em uníssono. - Bufo, pois não acredito muito neles.
Nossa primeira aula é de Artes Plásticas. É uma matéria comum que os alunos de Confecção de Vestuário, Desenho Gráfico e Ilustração temos.
Decido deixar essa conspiração passar batida e relaxo um pouco. Afinal, enquanto eu os tivesse baixo controle estava tudo bem. Ambos, bem embaixo do meu campo de visão!
Quando o sinal toca e começo a guardar minhas coisas, não consigo encontrar o meu celular.
De repente, sinto Elisa aparecer do meu lado. Ela sussurra:
─ Está sentindo falta disso, Lynn? – ela me entrega o smartphone e suspiro de alívio.
─ Cara! Já achei que eu, cabeça de vento, tinha perdido o celular! ─ Elisa solta uma leve risadinha. ─ Como eu sou atrapalhada!
─ A sua senha é a data do seu aniversário - Elisa ri.
Fico séria. Quê?
─ Ué... Você mexeu no meu celular? - fico vermelha, lembrando de todas as fotos sexys que tenho na galeria.
─ Talvez tenha sido eu! - completa André, invadindo a conversa, e logo dando de ombros, enquanto segura o riso. Ele está defendendo a Elisa.
Suspiro e meu peito começa a queimar com a confusão. Não entendo mais nada. Desbloqueio o meu celular - com a maldita data do meu aniversário - agoniada. Vai saber, né.
─ Olha as suas mensagens enviadas. - diz André, apoiando a cabeça nas duas mãos e os dois cotovelos sobre a mesa. ─ Por favor, não fique nervosa com a gente. - Completa meu amigo. Então levanto uma sobrancelha, desconfiada.
─ Ai, meu Deus. O que vocês fizeram?! Em?!?! - pergunto, me deixando levar por uma onda de ansiedade e desconfiança.
Abro a mensagem que havia sido enviada às 10:25. Pro Casandro! Está escrito:
"Te espero no banheiro da biblioteca na hora da pausa para o almoço."
─ Meninos! Eu vou matar vocês! - toco meu rosto, sentindo uma espécie de queda de pressão. ─ Sério! - começo a olhá-los furiosamente.
─ Calma, relaxa!!! - pede André, colocando os braços na minha frente, e fazendo sinal de calma com as palmas das mãos abertas.
─ Não vou relaxar p***a nenhuma! - cruzo os meus braços e lhe mostro um olhar de fúria. ─ Vocês são dois idiotas. Aff... Por que mandaram isso para ele? Ele é um o****o convencido... Agora vai ficar me zoando dia e noite. - Digo, olhando pro teto, preocupada e envergonhada.
─ Enfim. - Elisa me ignora. ─ Olhe a resposta que ele te mandou, apenas três minutos depois.
Suspiro.
Nós três ficamos bem unidos na mesa, ao redor do meu celular. A mensagem dele diz:
Casandro: "Mhmmm... No banheiro da biblioteca? Eu e você?"
Casandro: "Sim? Não? Responde agora, com um sim ou um não. Sim, Cass... Eu tenho certeza... Não, Cass, é só brincadeira. Porque eu não me atrevo."
Lynn: "É claro que eu me atrevo."
Casandro: "Haha. Ah, é? Pensa bem. Se ficarmos sozinhos de novo, onde for, eu não vou deixar você fugir."
─ Ui! - Elisa e André exclamam em uníssono. Os três começamos a rir.
Minhas bochechas queimam enquanto o meu coração ainda está acelerado. Olho os meus amigos. Elisa e André também estão corados enquanto releem as respostas do Casandro.
─ Meninos, vocês estão loucos. - Digo aos meus amigos, que sorriem. ─ Tenho que mudar a senha do meu celular! - os três começamos a rir do meu veredito. ─ Será que ele vai ir?
Elisa afirma com a cabeça, freneticamente.
─ Você parece retardada, Lynn! Não vê que ele quer o mesmo que você? - ela me recrimina, perdendo a paciência. Mordo meu lábio inferior com suavidade, ainda assim nervosa. ─ Você é linda, p***a. Deixa de insegurança, vai! Hoje na hora do almoço você já tem o seu encontro com o bad-boy. E tudo graças ao André, que escolheu um cenário irresistível para os homens. Ou ao menos é isso o que ele diz! - Elisa dá de ombros.
─ Claro... Vocês não precisam entender o porquê, apenas sigam a minha sabedoria. O banheiro é um lugar muito sexy.
Elisa coloca cara de nojo.
─ Cheira m*l e vive sujo... - diz ela.
─ Ai, Elisa... mas não é bem por aí a essência da coisa... - rebate André.
Eu sorrio maliciosamente.
─ Então qual é a "essência da coisa", André? - pergunto, me esquecendo por um momento do quanto eu estou tensa.
André ri de mim.
─ Você vai ver, queridinha. Não tenha pressa. - Ele me olha, com malícia. ─ Tente evitá-lo até o almoço agora, para que vocês não conversem... E você acabe estragando tudo.
Elisa ri e dou um tapa leve na cabeça do meu amigo, revirando os meus olhos.
─ E não mande mais nenhuma mensagem. - Ele completa. ─ Senão você vai parecer desesperada e estranha.
Dou uma risada leve.
─ Está bom... Já sei... - minhas bochechas ficam vermelhas de vergonha. ─ Conquanto que vocês fiquem pertinho de mim, eu estarei segura. - Os agarro pelos braços, no meio dos dois. Os três sorrimos.
─ Então você já nos perdoou? - Elisa levanta uma sobrancelha.
─ Acho que sim. - Sorrio.
* * *