─ Hm... Você trouxe algo para beber... - ele diz lentamente. ─ Não precisava. - Casandro sorri. ─ Então vamos ficar aqui tempo suficiente para que cada um tome duas latas? - Ele entreabre um sorriso sedutor, acompanhado por sua voz propositalmente suavizada. O olho, vendo alguns fios vermelhos do seu cabelo liso caindo por seu rosto em perfeita harmonia.
Abro um sorriso pequeno, e me sento no sofá, ao lado da poltrona onde ele está. Não sei se a pergunta dele é retórica ou não, mas antes que eu pudesse pensar numa resposta, Casandro tomou a fala.
─ Eu também tenho algumas cortesias. - Casandro se levanta e destranca um armário muito pequeno de cor branca que está no chão, debaixo do espaço que há numa estante que contém alguns arquivos velhos da Escola, e materiais de limpeza.
Ele deixa a porta do armário aberta e eu vejo a tampa de algumas garrafas de vidro que estão deitadas. Ele tira duas delas.
─ Uísque com cola? Ou Ron com cola?
─ Ron. - Respondo, hesitante. Agachado para pegar a garrafa, ele gira a cabeça e me olha, mantendo seu pequeno sorriso.
Casandro pega também uns copos de vidro que estão escondidos no fundo deste armário. É, parece que ele e o Luíz fazem muitas coisas aqui neste lugar além de ensaiar.
─ Ai! - Exclamo, assustada. O sofá se moveu, quando me mexi um pouco. Casandro ri, como se eu fosse retardada.
─ Isto é um sofá-cama. Se você o forçar mais, acabará deitada.
Minha saia havia se levantado levemente com o movimento do sofá. Observo os olhos dele fitando minhas coxas discretamente e o brilho que apareceu em suas pupilas. Hm.
─ Acabo de notar. - Respondo, com certa timidez, enquanto ele assente.
Casandro traz tudo para a mesa. De pé, ele começa a dosar quatro dedos de Ron em cada copo, e logo despeja o refrigerante. Por último ele coloca um cinzeiro no centro da mesa e o seu maço de cigarros, sorrindo para mim.
Seu rosto é bastante sensual. Eu o olho enquanto ele não repara.
─ Hm... Tudo pronto. - Ele murmura e pisca um olho.
Ok. Supostamente, nós viemos aqui para isso, não é?
Ele se senta na poltrona e sobe o pano dela, que vai até o chão, revelando um aparelho de som que está ali escondido. Ele aperta um botão, deixando o pano cair de novo no lugar e esconder o aparelho. Uma instrumental, que eu diria ser de gênero rock industrial, começa a soar, ambientando o porão.
─ Você gosta dessa música? - ele me pergunta, se espalhando na poltrona após pegar um dos copos. Apoia o cotovelo no braço do assento e abre as pernas, sem flexionar muito os joelhos. Sou capaz de ver a sola de uma das suas botas afiveladas. Ele parece até exibi-la. Minhas fantasias sexuais sobre dominação e submissão tomam conta do meu cérebro neste instante.
─ Sim, eu adoro rock. Não só o clássico, mas também o moderno como este. Leva a gente para outro lado, você não se sente assim? - Casandro sorri simpaticamente.
─ Sim, com certeza. Além disso... O que você está escutando fui eu que compus com o Luíz.
─ Ah, sério? - me inclino um pouco. Ele me dá o outro copo, antes que eu pudesse pensar em fazê-lo por mim mesma. Dou um gole largo e pego um cigarro do maço, deixando-o apagado de momento. ─ Ei... E como é que vocês ensaiam aqui?
─ Sim, sério. O que você acha? Bom, nós ensaiamos escondidos. - Casandro dá um risinho.
─ Soa bem! Bem legal mesmo. - Exclamo. "Escondidos..." Penso dentro de mim. ─ Ou seja, a administração não sabe?
─ Hm. Eu já sabia, mas é sempre bom ouvir a opinião de outra pessoa.
Ai, que convencido. Cheio de confiança.
─ Eles sabem. O que acontece é que temos permissão para vir alguns dias na semana, mas nós ensaiamos aqui quase todos os dias. É disso que eles não sabem. - Ele ri um pouquinho. ─ Também não podemos contar para todo mundo sobre este privilégio, se não mais gente ia querer usar o porão para ensaiar. E aqui não está feito para isso. Só nos deixam porque um dos professores é bem amigo nosso, e quer nos ajudar a praticar. Ele acha que somos talentosos. - Casandro sorri. ─ Você quer o meu isqueiro?
─ Sim. - Coloco o cigarro nos lábios.
─ E um autógrafo também? - Ele pergunta com um sorriso nos lábios. Bufo timidamente.
Casandro se levanta e para na minha frente, tirando um isqueiro preto do bolso da sua jaqueta. Ele o gira de pé. Se eu quero acender o cigarro, tenho que me levantar.
Me ergo, ficando na altura da chama e perto dele. Ele leva o fogo até o cigarro que eu tenho na boca, protegendo a chama com a sua mão ao redor. Casandro me olha nos olhos, com os lábios entreabertos, durante todo o processo.
Ouço um suspiro seu e, momentaneamente, como se estivesse sendo traído por seus próprios hormônios, vejo como ele morde suavemente parte de seu lábio inferior. Esse movimento não foi muito evidente, foi suave, discreto, não durou muito tempo. Acho que ele mesmo não se deu conta do detalhe.
Eu seguro o cigarro e dou a primeira aspirada, dando combustão. Ele deixa o isqueiro cair no sofá, e segura o meu pulso, suavemente. Seus olhos começam a penetrar os meus. Meu coração se acelera, e entreabro os lábios.
─ Espera... Espera... - Ele abre um sorriso malicioso. ─ Você já tem idade para fumar, menininha? - Casandro solta um leve risinho.
Fico tão paralisada, vendo-o tomar a iniciativa, que arregalo os olhos. Como ele sempre se gaba dizendo que eu gosto dele, nunca esperaria que ele fizesse isso.
─ Ei... Ok. - Ele me solta. ─ Calma, Lynn. - Casandro abre um sorriso malicioso. ─ Eu não ia te engolir.
Merda. Que cara que eu devo ter posto? É incrível como o corpo nos trai negativamente quando gostamos de alguém.
Dou uma risada suave, envergonhada, meu rosto inteiro está vermelho. Sinto ele afrouxar a mão no meu pulso.
─ Ainda assim... ─ Ele tira o cigarro da minha mão e aspira algumas vezes com as sobrancelhas franzidas e uma expressão dura, soltando a fumaça depois ─ Eu não sei se você deveria fumar, você tem cara de criancinha.
─ Acende um para você, seu chato! E eu não sou criancinha. - Exclamo chorosamente e ele o devolve. ─ Tenho 20 anos que nem você.
─ Não, não. Eu tenho 22. - Ele responde de imediato, me corrigindo.
Grande bosta.
Me sento de forma lenta, vendo o rosto dele desde esse ponto, para evitar olhar o seu cinto de couro que estava bem na altura do meu rosto.
Ai, que t***o.
Casandro dá uma risada curta e se senta do meu lado, voltando a pegar o copo e dando outro sorvo. Ele o pousa e acende um cigarro para si mesmo.
E já não parece interessado em mim.
─ É bem relaxante estar aqui sozinhos, por fim. - Digo, puxando um assunto t**o, como quem fala do clima no elevador com um desconhecido. Nem sequer o olho no rosto. Apesar disso, vejo sua cabeça se girar. Ele abre o braço, esticando-o na parte de cima do sofá, "invadindo" o meu espaço. ─ Longe do barulho de todo mundo, não é? - completo.
─Hm... - ele murmura. ─ Sim, sobretudo se a companhia é boa. - O olho e encontro seus olhos postos em mim. Seu olhar contém um ar desafiante. Ele nunca teve medo de me enfrentar, na verdade. Ele vai abrindo um sorriso ladeado.
─ Casandro... - murmuro, como se isto fosse resolver algo, acalmar o meu medo ou o que fosse.
─ Estou falando de mim, obviamente. - Casandro ri.
─ Quer dizer que eu não sou uma boa companhia? - pergunto, indignada.
Casandro fica em silêncio, e logo em seguida ri com suavidade.
─ Quem cala consente. - Retruco. ─ Estou ofendida, sabia?!
Ele ergue as sobrancelhas, como se estivesse me desprezando. Cada vez estou mais convencida de que a oportunidade de beijá-lo passou por mim quando ele segurou o meu pulso e eu não fui capaz de fazer nada. Agora ele deve estar pensando que eu sou mesmo uma trouxa.
* * *