Casandro Díaz II

1100 Words
Por sorte, Elisa é sempre assim mandona. Nenhum dos dois vai suspeitar de que se trata de um plano. Me sento ao lado do Casandro, ladeada para olhá-lo. Ele abre um dos braços e o estende sobre o banco do pátio e me fita. ─ Nossa... - ele diz sensualmente, de forma lenta, e com certa ironia. ─ Parece até que a Elisa levou o Luíz daqui de propósito. - O ruivo começa a segurar o riso. ─ Em??? - Fico nervosa. Ele já está me sacaneando. Este cara... Como eu disse... Ele adora me dizer que eu morro de vontade de ficar com ele, sempre. Durante o primeiro mês de aula ele deu a entender isto várias vezes. Por exemplo, certa vez eu deixei uma moeda cair no chão e me agachei para pegar. Ele disse que era de propósito, para ele olhar minha b***a. E coisas do tipo. Ele não perde nenhuma chance. O problema é que ele nunca, nunca, dá a entender que ele quer o mesmo. Dou uma risada, me recuperando. ─ Muito engraçado. - Murmuro de forma meiga. Minhas bochechas queimam. Será que eu consigo convencê-lo de que não há nenhum plano? Casandro ri curtamente. ─ E então, você não vai para casa? - o ruivo pergunta, com malícia. ─ Eu... Eu vou, por quê? - dou de ombros levemente. - O ruivo ri de mim de novo. ─ Eu poderia te perguntar o mesmo. - Começo a ficar muito mais nervosa, minha testa esquenta. ─ Eu estou esperando o Luíz. - Ele sorri. ─ E você, o que está fazendo? - Casandro ri. Ele está insinuando que eu estou aqui com ele, porque quero algo a mais, de novo. Respiro um pouco e o encaro, ainda com vergonha, mas decidindo ser valente. Olho bem para cada parte do seu rosto. Vejo que a expressão do Casandro denuncia êxtase e desfrute. Ele, realmente, obtém algum prazer me incomodando assim. Eu posso agora lhe dizer que estou esperando a Elisa também. Mas já estou cansada desse joguinho. O que tiver que ser será. ─ Pois eu acho que o Luíz vai ir diretamente para casa. ─ Ah, sim? - ele pergunta, com muita malícia. ─ A Elisa tinha algo realmente importante e pessoal para falar com ele. - Finjo que não entendi o seu tom de voz e que não me dei conta de que por um momento tínhamos flertado. ─ Mm... E você sabe o que é? - seu timbre se normaliza. ─ Ela não quis me dizer. Porém, me deu a sensação de que a conversa ia ser longa. - contenho um risinho, e me mantenho séria. ─ Ah... Espero que não seja nada grave. - Casandro cruza os braços. Já não nos encaramos. Por um momento, foi até incômodo. Eu começo a ficar tensa, pensando no que falar. ─ E ent... ─ Você quer... - Nós dois falamos ao mesmo tempo, nossas palavras se embaraçaram. Minha expressão denuncia o quanto fiquei surpresa por isso: ele também estava pensando o que dizer. ─ O quê? Fala você. - diz Casandro, ansioso e entusiasmado, me acurralando com o olhar. ─ Eu ia te perguntar se você quer fumar um cigarro comigo no porão. - Digo, agarrando minhas mãos sobre minha saia. ─ No porão, é? - Casandro sorri, com malícia, e fala arrastadamente. ─ É. - quase tartamudo, mas mantenho a voz firme. O olho de soslaio, quase derretendo de vergonha. Ele tem mesmo razão quando diz que eu morro de vontade de ficar com ele. Afinal, poderíamos fumar no parque, não? E se eu quero mesmo só fumar, por que não lhe peço um cigarro e fumo sozinha? ─ Mm... Mm... - Aperto meus dedos, ouvindo seus murmúrios, que demonstram o quanto ele se diverte se fazendo de pensativo. ─ Vamos ou não? - pergunto, sem aguentar mais. Surpreendentemente, ele me olha com respeito depois disso. O seu habitual sorriso sarcástico agora é um esboço, bem menor. ─ Vamos... Afinal, você precisa de mim para abrir o porão, sim ou sim. - Ele sorri, após dizer a frase com sensualidade. ─ Certo. - Respondo, com um sorriso contido. ─ Vamos separados para não chamar a atenção. - diz Casandro. — Eu vou subir até o segundo andar, o de Escultura, enquanto você me espera na cantina ou na biblioteca. Se estiver tudo limpo eu desço as escadas e abro o porão. Se você ficar perto da porta da biblioteca ou da cantina você vai ouvir quando eu estiver abrindo. Eu não sei se é proposital por parte dele. Mas o plano soa erótico demais vindo da sua boca. Desta vez ele parece nem se dar conta de que evidencia o seu desejo, ele quer que o encontro dê certo tanto como eu quero. ─ Sem problemas. - Assinto. Nós dois nos levantamos e nos distanciamos um do outro, fazendo o planejado. Já não tem quase ninguém na Escola. Eu decido ir para a cantina e aproveito para pegar quatro refrigerantes na máquina. Isso faria com que fosse mais obvio ainda que eu queria passar tempo com ele, mas f**a-se. Pouco tempo depois, ouço a pesada porta do porão fazer um barulho irritante de arraste. Saio da cantina com dois refrescos de cola em cada mão e olho o corredor para ver se não havia ninguém por perto, com um sentimento de euforia envolvendo meu sistema nervoso e peito. Desço as escadas, onde desde o primeiro degrau já era capaz de ver a porta preta pesada entreaberta. Ao chegar no último, a empurro com o pé e Casandro aparece, acabando de arrastá-la até eu passar. Entro. O ruivo a fecha de imediato, e tranca. ─ Bem-vinda à casa. Hehe. - Ele ri gostoso e rouco, me contagiando. ─ Aqui é onde eu e o Luiz ensaiamos. - Ele informa, apesar de que eu já sabia. Escuto o barulho das chaves girando na mão dele e logo após indo parar dentro do bolso da sua calça. Ele acende um abajur de cor azul e a luz ilumina a maior parte do ambiente, sem tirar a atmosfera escura e incluso acolhedora que o porão tem. Por outro lado, essa falta de janelas, ao mesmo tempo em que fornece um ambiente privado e tranquilo, também traz uma aura perigosa, já que a porta está trancada e estamos sozinhos. Vejo Casandro se sentar numa poltrona branca que está distribuída pelo porão junto com outra, e um sofá. Coloco os refrigerantes na mesinha de centro e começo a tirar a minha mochila, e a afrouxar a gravata do meu uniforme.
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