C A P Í T U L O 2
CASANDRO DÍAZ
Estamos na hora do recreio, dentro da Escola de Arte. Estou tentando justificar para a Elisa porque o Casandro revoluciona todos os meus hormônios enquanto minhas bochechas queimam.
─ Eu sei bem que você gosta dele, Lynn. Não adianta negar. - Ela ri, tampando os lábios, enquanto sua pele também se pigmenta.
O tipo de personalidade do ruivo não parece nem de longe com o que ela aprovaria - basta compará-lo com Luigi, seu namorado, que é um "cavalheiro". A Elisa é bem mais delicada e romântica do que eu, só que ela ainda não sabe.
─ Meu Deus! Não pensei que fosse tão óbvio assim. - Elisa ergue uma sobrancelha ao me escutar. ─ Certo... Foi você quem pediu para saber, em? Depois não diga que não avisei.
─ Vai, conta logo, chega de baboseira. Até parece que algo me surpreende nessa vida. - Ela diz, convencida, cruzando os braços, e bebo um gole de água para começar o discurso.
─ Eu poderia fazer uma lista! - exclamo. ─ Primeiro, ele tem muita confiança em si mesmo. Isso é bem sexy. Segundo, não tem papas na língua... - "E uma pessoa assim deve ser bem descarada na cama", penso.
─ Quê?! Você está dizendo que você gosta da franqueza dele? E com "franqueza" me refiro a sua tremenda falta de educação, óbvio. - Ela me interrompe.
Dou uma risada.
─ Sim, Elisa. Eu gosto do jeito que ele é sincero, e diz as coisas sem filtro. - Defendo-o.
─ Ah, sim? - Elisa ri. ─ Você gosta quando ele te xinga? É mesmo? Gosta da sinceridade dele sobre o tamanho do seu peito? - ela ergue a sobrancelha, maliciosamente.
─ Ele diz isso para me provocar, eu tenho certeza. - Abro um sorriso malicioso. ─ Afinal, meu peito é normal. Não tem cabimento o que ele diz.
Elisa leva a cabeça até o meu decote, destampa meu peito, e dá uma boa e descarada olhada. Neste momento coro e me tampo um pouco, olhando para outro lado.
─ É... Você é muito gotosa mesmo, amiguinha. Mesmo eles tendo um tamanho médio. - Ela ladeia o rosto, concordando e assentindo. ─ Ele é absurdo, isso sim. Ou gay. - Elisa conclui, tomando suco pelo canudinho e dando alguns risinhos.
Ignoro tudo o que ela acaba de dizer.
─ Às vezes eu fico pensando... - Apoio o meu cotovelo na mesa, com o olhar perdido e um sorriso de pervertida sonhadora. ─... Eu acho que ele quer que eu o provoque de volta. Eu tenho certeza de que ele ficaria e******o. - Elisa se engasga com o suco e dá risada, assim que acabo de falar.
─ Não imagino você fazendo isso. Você se atrapalha inteira quando ele aparece.
─ É verdade. - Abro um pequeno sorriso, minhas bochechas ficam ainda mais rosadas. ─ Mas sabe, ele sempre põe uma cara de sacana quando eu digo que vou bater nele. Acho mesmo que ele fica e******o.
─ Ui! É o jogo de sedução do Casandro, então? Sei lá. Nunca prestei atenção nele, na verdade.
─ Possivelmente seja o jogo dele... Ele te provoca. Você fica nervosa. Ele ri de você. Você bate nele. E então ele segura o seu pulso, te encara com firmeza, e te diz... "Calma, pirralha. Para imobilizar você, eu só tenho que te agarrar assim. Cuidado comigo". Meu tom de voz ficou baixo e e******o dizendo tudo isso.
─ Nossa, Lynn... Vejo que é grave.
─ O quê?
─ A situação! - Exclama Elisa. ─ Você morre de t***o por ele. Até sonha acordada com o Casandro. - Ela ri levemente, cruza os braços, e logo me mostra uma expressão empática. Fico em silêncio por alguns segundos, corando mais e mais.
─ Na cama ele deve ser bem dominante. - Falo sem pensar, revelando o motivo pelo qual o meu rosto tinha ficado tão vermelho.
─ Hm... E você... É "submissa"? Tipo em Cinquenta Tons de Cinza? - Elisa ri com malícia.
─ Hm... Eu nem li esse livro, dizem que é r**m. – rio. — Para falar a verdade eu nunca experimentei. Mas queria achar alguém que entendesse de b**m.
Tenho a intuição de que o Casandro pode ser um dos poucos caras daqui que saiba sobre esses assuntos.
Além disso, apesar das contínuas brincadeiras sarcásticas que ele fez comigo este mês, acredito que ele não seja o tipo de cara que violaria a minha privacidade caso transássemos.
─ Eu tenho certeza de que ele gostaria disso. Ele ama se sentir no poder. - diz Elisa. Nós duas olhamo-nos de um jeito maléfico.
Mas foi no final da aula que tramamos de tomar uma atitude.
Juntas, no pátio, vimos o meu querido ruivo sentado com seu melhor amigo Luíz. Os dois estão conversando.
Eu pego o meu celular e envio uma mensagem para a Elisa. "Distrai o Luíz, p**a. Eu quero conversar com o Casandro sozinha."
Elisa escuta a notificação e olha o smartphone logo depois. Ela lê o texto, e ri do meu lado, empolgada, apertando o meu braço. Minha amiga assente.
─ Vamos lá falar com eles. - A loira recupera a compostura, e fica séria. Nós caminhamos até os dois. A cada passo, sinto o meu corpo todo se encolhendo e eu quero sumir de novo.
─ Olá, meninos! - diz Elisa, simpatiquíssima.
─ Oi. - Eles respondem juntos, e eu coro.
─ Como vai, Elisa? - Casandro pergunta para a minha amiga, com um leve sorriso. No entanto, ele olha para mim pelo canto do olho. Ao mesmo tempo, Luíz me observa com sua aura pacífica e sensual.
É como uma saudação pessoal, como se ele estivesse dizendo "oi" para mim também. Fico ainda mais nervosa e descolocada. Não gosto dessa ideia dele ser o ex-namorado da Elisa então quando ele me olha assim fico muito vermelha.
─ Bem. E você, Casandro? O que vocês estão fazendo? Vocês estão muito ocupados? - ela pergunta.
─ Nós estávamos escrevendo. - Responde Luíz, fechando lentamente o seu caderninho de couro. Como de praxe, ele não quer que ninguém bisbilhote suas letras e poemas, além do Casandro.
─ Estavam, no passado?! - Elisa sorri. ─ Porque eu preciso falar urgentemente com você, Luíz. Vem comigo, por favor! - exclama Elisa e logo segura Luíz pelo braço. Vejo uma expressão assustada e desentendida se formar no rosto deste loiro, enquanto ele se deixa levar por ela, para longe. Ele é tão branco! Sua pele e cabelos parecem não conter pigmento. Apesar disso, acho que se um artista fizesse um desenho do anjo Lúcifer, teria a aparência do Luíz.
Elisa não para de retrucar com empolgação. Ela conversa sem parar de propósito, para me ajudar, e conversa tanto, que suas frases não têm nenhum sentido.