Preguiça

4316 Words
“Pegue o que quiser, quando quiser. Eu faço isso.” Yoongi doce-amargo PREGUIÇA: rendição à falta de vontade para a realização dos próprios deveres e para a superação das próprias limitações prejudiciais. Nada melhorou quando as portas do inferno se fecharam, uma escuridão incomum engoliu o lugar, e Jimin se sentiu levemente sufocado, até que a voz calma e arrastada de Yoongi veio de algum lugar a direita. – Para que Taehyung não seja um biltre, eu sei que nessa sala há duas portas. – A primeira dá para meu trono, a segunda para um dos sete infernos. Se escolherem meu trono eu os levarei de lá, direto até os quatro cavaleiros, e dessa forma cada um de vocês deverá a mim um favor, caso optem pela segunda porta, os sete reinos serão passados um a um. O tempo tá correndo. — Taehyung parecia usar a língua para simular o tic tac do relógio ou produzirá um relógio apenas para que a indecisão e a pressa os fizesse tomar a decisão errada. Passado alguns minutos tensos Seokjin falou muito baixo, mais ecoou na sala como dez vozes, como se um oco sem fim estivesse naquela sala, embora a voz de satanás tenha soado como sempre, sempre parece que satan fala em mil vozes demoníaca ou uma rouca e sedosa, sedutora ao ponto de levá-lo a insanidade: – Nenhuma é convidativa, mais a última coisa que quero é dever algo a satanás. Sem ofensas Taehyung. – Verdade? — Jimin praticamente podia ver o desdém no rosto de Yoongi. – Decerto não pensava assim quando ele se ofereceu para ajudar sua amiga humana. – Amor e gratidão à alguém que foi minha mãe e pai quando fui jogado fora como lixo, você não entenderia tais sentimentos Yoongi. — Rebateu Seokjin em tom de preleção, e sua voz tornou a ecoar ameacadoramente. Ninguém pôde responder afinal, com um rangido a segunda porta abriu, um feixe de luz surgiu no meio do breu, Yoongi abriu-a totalmente e juntos eles passaram por ela que fechou com um estrondo alto. – Que inferno vem primeiro? — Questionou Namjoon com os olhos atentos esquadrinhado o nada, que era ao mesmo tempo um campo aberto com manchas de queimadura no solo e céu vermelho. – Eis a questão. — Divertiu-se Taehyung e Jimin estava pronto para algo terrível, nada mais deixaria o tinhoso explodido de felicidade prazerosa. – Não há um mapa, não há uma ordem. Veja como seu inferno pessoal, ele vira até você, não busque por ele. – Se eu mudasse de ideia, que tipo de favor deveria a você? — Perguntou Natureza e todos olharam Taehyung, cuja resposta veio como uma piada perversa, que Namjoon negou antes mesmo de ouvir tudo: – De você, controle sobre parte de seus animais e ervas. As propriedades mágicas de muitos deles podem me render bebidas que até anjos cederá ao vício. – Lúcifer, traficante? — Namjoon ria com gosto, mais os olhos do citado flamejaram e o inferno gritou diante de sua fúria, aquele não era o nome que deu a si mesmo quando tornou-se o indesejável número um, o caído, o imperador do inferno que levou consigo uma horda de anjos, que travara uma batalha milenar, que era travada até hoje dentro de cada ser humano na terra. Quando Taehyung respondeu foi com uma doçura que Jimin associava a almas torturadas e homicídio: "Não gosto de me limitar." – Responder para o que devemos nos preparar também nos deixaria em dívida com você Taehyung? — Perguntou Hoseok, não lembrava de outrora senti-se triste, mais a falta de vida ao seu redor descontrolava suas emoções de forma alarmante. Só lhe restava se apoiar nas únicas criaturas de fato vivas, que irônico que precisasse de Yoongi ou de Taehyung. Prefiria ser torturado antes de permitir que Yoongi soubesse que naquele momento a vida estava se apoiando na Morte para manter a sanidade. – Há nove círculos no inferno, sete dos quais vocês devem se preocupar, o oitavo é onde os quatro cavaleiros foram jogados, o último é história para outro dia. Passarão juntos pelo sete ou jamais se encontrarão novamente aqui dentro. Não sou seu guia, não sou seu assistente, estou aqui apenas para meu bel prazer. – Vai sabotar nossa viagem? — Seokjin o fitava desconfiado. – Espere e verás. — E caminhou elegantemente, sendo seguido de perto pelos seis, que permaneciam em silêncio ouvindo o demônio cantarolar uma música fúnebre. Jimin não sabia a quanto tempo caminhava, até que o cenário mudou como uma cena de filme, de repente havia almas empurrando pedras e rochas gigantes, gemendo e se arrastando com desgosto. Não era possível ver o fim do Vale, mais até onde os olhos podiam alcançar se via almas trabalhando incansavelmente, sem pausas, e embora Jimin esperasse algo muito pior no inferno, os rostos indicavam que para aquelas almas nada poderia ser tão c***l. Havia uma elevação no centro do Vale, nele alguma criatura olhava para baixo, e ria prazerosamete, um riso frio e grutal. Ao notar que já não estava sozinho a ciatura saltou de onde estava, pousando com um estrondo diante dos sete. Devia ter dois metros de puro músculo e sorriso c***l, chifres grossos saiam da cabeleira loira. Príncipe da Preguiça e Rei do Primeiro Círculo. Seus olhos carregados de desprezo notaram que diante de si estava o próprio santan, e imediatamente seu corpo se curvou respeitosamente, embora sua boca rangese como se aquilo o desagradasse imensamente. – Uma honra, meu senhor, meu rei. — Ele sibilava, a voz fazendo as almas presas em seus castigos por seres preguiçosos se encolheram como se esperasse que o espeto que o demônio segurava fosse atravessar suas peles, aqui suas almas não eram indolentes. Deus havia dado o trabalho aos humanos como um presente, um convite a participar da sua criação, dá continuidade ao seu trabalho, n**a-se a trabalhar era negar dar continuidade à criação de Deus, por essa razão ser preguiçoso era o primeiro pecado capital. – Faz meio século que tentou me apunhalar com essa mesma arma que tens em mãos agora Reyes, não se de o trabalho de fingir que não é um revés me ver. — Embora Taehyung fosse menor e perto do demônio da preguiça parecesse descarnado, seu poder era supremo e superior: o ar ao seu redor mudou, e o demônio que Jimin sabia se chamar também Belfegor — cada crença dava a eles um nome, mais os próprios escolhiam a forma como seriam chamados no inferno — se encolheu estranhamente para seu tamanho. – Deixemos de lado desentendimentos passados. Em que posso ajudar, nunca veio ao meu reino antes. – Meus acompanhantes desejam passar para o próximo reino, indique a eles a forma certa. — O olhar que ambos os demônios trocaram deixara evidente que Taehyung queria que o demônio não facilitasse, o que foi atendido com um sorriso malicioso de Belfegor. – Algum de vocês atraiu o reino da preguiça, e quando souberem quem foi, precisam supera-la para passar. Não há uma porta, nunca vi uma, se houver saída apenas quem superou a preguiça encontrará. — Jimin notou com um arrepiou que Belfegor não achava ser possível sair dali. – Diligência. — Falou Jungkook de repente, e Belfegor saltou para trás ao notar que não muito longe dele, havia um anjo. – É a virtude oposta à preguiça. Agora, aqui deve ter algo que possamos fazer, poderia nos ajudar, por favor? Horror assumiu o rosto de Belfegor, que perdeu as palavras por um tempo até sussurrar, evitando olhar ou cantato com a pureza do anjo: – Um livro, lá em cima, não sei o que está escrito, tem mil páginas e está na língua dos mortos. — Antes mesmo que seus dedos de unhas sujas apontassem, os seis já estavam lá, abrindo o maior livro que Jimin já viu, capa grossa e dura como pedra. Jimin falava todos os idiomas conhecidos e desconhecidos, mais não reconheceu os traços no livro, não se parecia em nada com qualquer letra que já vira, ele duvidou que fosse realmente possível ler. Mais Yoongi assumiu o mexer de página, correndo os olhos castanhos claros pelas palavras. – Posso ler o livro. — Disse por fim. – Quando alguém morre, perde o idioma que aprendeu, porque não faz diferença, seu idioma não vem gravado na alma, depende do lugar em que nasce. Eles não notam que falam uma língua diferente, e quando atravessam o véu voltam ao idioma ao qual foi acostumado. – Você pode traduzir o livro então? Se não houver nada ai, não nos restará opção se não aceitar ajuda de Taehyung. — Ao falar Namjoon olhou para Taehyung que estava ao lado de Belfegor, parecendo se divertir com o desagrado que causava no demônio. Jimin reparou que os dois estavam parados defronte a um ninho de serpentes onde outras almas eram envolvidas e mordidas. O movimento frenético das cobras causou a Jimin uma ânsia que o fez desviar os olhos em outra direção, e encontrou Yoongi que agora estava sentado diante do livro, o dedo indicador correndo pelos lábios delicados, pensativo. Ele estalou a língua de repente, e sorriu sem de fato achar graça. – É claro, eu atraí o reino da preguiça, esse seria meu inferno se eu não fosse quem sou. – Como tem tanta certeza? Eu sou preguiçoso também. — Comentou Seokjin, mais parecia aliviado que não fosse pra ele. – Porque acha que criei e comecei a recrutar almas para ser ceifadores? Eu sentia e sinto preguiça e tédio em levar as almas dos mortos, tenho preguiça de um trabalho que foi escolhido para mim pelo próprio Deus. — O inferno tremeu ao som daquele nome, como se sentisse dor, mais Yoongi ignorou como ignorava os olhares de Hoseok. – Buscarei no livro um meio de passar, se eu fosse vocês, procuraria um lugar para repousar, isso certamente levará tempo, o livro é uma espécie de teste para preguiçosos. Foi o que fizeram, improvisando cadeiras em cima da rocha que era o único lugar longe das almas. Passando um tempo o tédio pegou Jimin, e ele se viu atrás de Yoongi, o queixo no ombro da morte que lia em silêncio, ficou supreso com o aroma que sentiu na Morte. – Você tem cheiro de flores. — Ele ouviu a resposta baixa de Yoongi "hum" — Por que? — "Remorso" — Não entendi. – Você sempre vai sentir em mim o cheiro da última emoção que a alma que levei sentiu, e as vezes o remorso dos viventes é tão inteso que resultam nas almas e por fim em mim. Flores são dadas aos mortos não por gratidão ou saudade, mais por remorso. Há sempre um motivo de arrependimento, culpa, ou ironia, até os assassinos jogam flores as suas vítimas. – Você as criou como um símbolo? As flores, quero dizer. – Não, Namjoon as criou, e Eva e Adão adoravam. Havia uma roseira de rosas brancas ao lado da árvore do fruto proibido, quando Eva o comeu foi como apunhalar seu criador, as rosas se tornaram vermelhas e como para Deus eles agora estavam mortos e eu acabara de ser criado, eu escolhi as flores como meu símbolo naquele dia. Elas também significam que a uma beleza oculta na Morte. – Por que havia um fruto que não podia comer? — Rompeu Jin de repente, Jimin sequer notará que ele prestava atenção a conversa. – Eles tinham outros milhares para comer Seokjin. — Yoongi virou a página indiferente. — Exatamente, não era necessário acrescentar mais um, sendo ele um fruto que colocaria o pecado no mundo, nada disso teria acontecido. Houve um silêncio prolongado seguido das palavras de Seokjin, silêncio esse que deu tempo para Yoongi virar as páginas mais duas vezes, então ele levantou os olhos do livro pela primeira vez, e eles estavam fixos em Hoseok a poucos metros ao lado de Jungkook, embora Hoseok olhasse uma alma empurrando pedra, Jimin teve certeza que ele absorvia cada palavra. – Sempre haverá algo belo, encantador, atraente, que nos causa curiosidade, sussurra nosso nome a noite, até o cheiro o destrai, parece certo, simplesmente certo, mais não é. Escolhas erradas podem trazer consequências que pesarão por uma vida Jin, e no nosso caso essa vida pode não ter fim, lembre-se disso. — Hoseok olhou para Yoongi nesse momento, e ambos se perderam no olhar um do outro. – Ainda estamos falando da tolice da Eva? — Naquele silêncio faiscante Jimin se voltou novamente pra Taehyung, se lembrando de repente quem fez Eva comer o fruto. Por que? Qual motivo real levou Taehyung a causar a maior rebelião da história e incentivar Eva a cometer um erro com consequências épicas? Lá embaixo os olhos de Taehyung estavam em Jimin. O silêncio os cobriu novamente, e dessa vez quando foi quebrado todos se juntaram em volta de Yoongi que jogava o livro de lado como se não pudesse suportar olha-lo nem mais um minuto. – Acho que fui muito diligente lendo esse livro, mais agradeço o apoio de todos. — Aquelas palavras não pareciam certas. – Dessa forma posso passar, mas o livro diz que o inferno se abriu para mim a saída também abrirá, vocês não podem ir comigo. – Vai passar sozinho?! — Parte de Jin era preocupação, a outra parte já se imaginava correndo as farvas, jurando por Deus e todos o deuses jamais por os pés ali novamente. – Não haja como um imberbe Seokjin, só pode passar um, mas não vim aqui para atravessar sete infernos sozinho, precisamos pensar como um para sair, juntos. – Isso não será problema, vocês estalam o dedo e buum! — Seokjin fez uma imitação de explosão. – Vai levar meros segundos. – Um poder como o de vocês vai alertar todo o inferno de sua presença, os cavaleiros do apocalipse saberão que estão aqui e porque. — Taehyung deixará Belfegor para se juntar a eles na pedra, infeliz que eles não tivessem perdido a cabeça e ficado para sempre presos e condenados. – Não é sensato perder a lei da surpresa. Namjoon estalou os dedos e olhou para Jimin com um sorriso lunático. – Seremos um, não sete, é isto! Jimin é capaz de invadir um corpo, uma alma, talvez possa fazer o oposto com os que não podem passar, em seguida ele se deixa ser sugado por Yoongi, acredito eu, que pode dar certo, passaremos como um. Por um milésimo de segundo pareceu que Yoongi pegaria o livro e partiria pra cima de Namjoon e suas ideias insanas, mais então ele revirou os olhos como se a inteligência de natureza o causasse tédio, o canto de seus lábios se contorceram no que poderia ser um sorriso. – Se eu não achasse que nossos poderes unidos em um único corpo pudesse causar uma explosão que faria uma bomba nuclear parecer fogos de artifício, a ideia poderia ser verossímil. – Antes talvez, mais fizemos um pacto não? Unimos sangue, alma e destino, somos um em sangue, por essa razão a união não será um risco. Yoongi passaria pelo portão carregando todos nós dentro de si. — Afirmou Namjoon. – Só resta saber se Jimin pode fazer isso e se quer. Parecia que cada par de olho no Vale estava em Jimin naquele momento, aguardando a resposta. Ele nunca tentará nada assim antes, mais não podia ficar preso no inferno para sempre ou arriscar tudo avisando aos demônios de sua presença. – Certamente posso tentar, mais não posso garantir mais do que um. — Ele olhou para Hoseok, então se aproximou a passos leves. Os olhos da vida mudaram de cor assim que a mão de Jimin tocou seu peito, um azul anil que Jimin amava, o azul que decorava boa parte de sua casa e que ele usava no selo das cartas que enderecava a seu padrinho. Hoseok transformou-se em luz prateada e desapareceu no peito do inferme. Jimin foi levado do chão, flutuando graciosamente, os fios loiros dos cabelos voando muito lentamente. Parte de seu corpo foi jogado para trás, e gradualmente ele pode sentir a vida em seu cerne, na parte mais funda de seu ser, ele era a vida, mais não era. As emoções de Hoseok invadiram Jimin como veneno se espalhando na corrente sanguínea. Naquele momento ele sabia tudo sobre Hoseok, cada passo que deu durante suas eras de existência, cada alegria que levou, cada sorriso que conseguiu ser especial ao ponto de ficar gravado na alma da Vida. A felicidade e energia correu por suas veias, ele estava ciente de cada criatura viva no planeta e fora dele, seus olhos brilhavam azuais como um farol no meio da tempestade e seu corpo, o corpo de Hoseok despencou bruscamente, mais nunca atingiu o chão, Namjoon estava lá para toma-los nos braços. Ele não sabia se fora ele ou Hoseok quem tocou Namjoon, que trouxe Namjoon para dentro de si numa lufada de brisa do mar, sons de chuva, sensação de terra, água, ar, fogo, animais, florestas e tantas outras formas de vida que pertencia a natureza que Jimin não sabia até o presente momento. Jimin sentiu a fúria, o mar estava poluído, as florestas queimavam, o animais morriam, ele estava morrendo, os primatas o estavam matando lentamente. Mais havia certa satisfação, porque os humanos precisavam da natureza e morreriam sem ela, a diferença é que a natureza nascerá de novo. Jimin sentiu o sorriso crescer em seu rosto, uma gargalhada sair de sua boca, mais o som era o riso nasal de Namjoon. Sua boca registrou o gosto salgada de suas lágrimas, ele ria e chorava, chorava porque a morte da natureza ainda doía, cada pedaço de terra queimada e cada morte de animais inocente eram sentidas. Quando a carga de emoções passou, Jimin se viu de pé, pares de olhos coloridos o observando. – Venha Jungkook. — Falou Hoseok pela boca de Jimin, e Jungkook se aproximou como se não estivesse certo dos riscos. Ele pegou a mão estendida de Jimin, que olhada com mais atenção mudava de forma, se tornando os dedos longos de Namjoon ou Hoseok. Jungkook não era nada a não ser paz absoluta, a busca pelos cuidados das almas, a bondade que ele esperava que cada humano fada ou criaturas por piores que fossem tivesse. Jimin quase não sentiu a inocência de Jungkook, era o que tinham de mais parecido. Havia também outras pequenas emoções, como curiosidade, mais eram pequenas fagulhas recém acessas, mas que um dia se tornariam uma imensa fogueira. Seokjin precisou de um empurrãozinho de Yoongi para se aproximar de Jimin. A maioria deles — Namjoon principalmente — esperava um vendaval de emoções conturbadas e perguntas como: "qual é o sentido da vida? Deus é homem ou mulher? e devo gastar meu dinheiro com comida ou economizar?" Mais Seokjin era provavelmente o ser humano mais são da terra, dentro dele havia calma, sagacidade, humor, muita vontade de viver, muito narcisismo e uma leveza, ele vivia um dia de cada vez e era feliz assim. Vagarosamente Jimin foi se acostumando a sensação, conseguia deixar de lado as emoções que não lhe pertencia, não era de todo r**m, mais certamente diferente, ele podia sentir todos eles sem perder a si mesmo. – Tenho sabe-se lá quantas contas de existência, mais nunca vi algo tão curioso. — Apontou Yoongi. – É o Jimin, mais de certos ângulos é o Seokjin ou o Jungkook, e os olhos mudam de cor toda hora. A sensação é tipo Power Rangers no megazord? Jimin riu, era seu riso doce e quase angelical. – Viu Power Rangers Yoongi? A morte tem tempo pra isso? Não, estamos todos juntos, os Power Rangers ficam separados no megazod. É mais como...possessão, possessão demoníaca. – Não gostei da comparação Jimin, poderia por favor mudar? — Yoongi ergueu a sobrancelha ao som da voz angelical de Jungkook, podia ouvir as vozes diferentes embora fosse Jimin quem falará. – É curioso, quase assustador, mais ao mesmo tempo é lindo, vocês se encaixam bem, talvez o pacto das doze cordas fosse útil afinal. Agora se aproximem, não há tempo a perder. Jimin flutuou até Yoongi que ainda mostrava espanto. Jimin tocou o peito de Yoongi e dessa vez foi puxado para dentro, como um imã. Estar no cerne da morte não era r**m, ou bom, a sensação era o silêncio depois que o coração para de bater, o sangue não flui mais e as pupilas se dilatam pela última vez, o silêncio da morte. – Se eu beijasse um, todos sentiriam? — Questionou Taehyung a si mesmo, ele esteve todo o tempo observando em silêncio. Yoongi olhou pra ele, Jimin podia ver através do olhos da morte, podia sentir o corpo de Yoongi como o seu. – Aproxime-se Taehyung, e fatio você inteiro. — Avisou Yoongi já puxando um cutelo, mais a sensação que Jimin experimentou vindo de Yoongi não era desagrado. – Naturalmente. Mais desta forma Yoongi, se permanecer amargo assim passará mais milênios sozinho. Chamarei você de Yoongi doce-amargo até que tenha um namorado. — Um sorriso travesso brincou nos lábios de Taehyung, ele caminhou com a elegância de um felino pelas almas que abriam caminho pra ele passar, embora não soubessem que aquele era o senhor do inferno, podiam sentir tamanha maldade pulsando. — Quem te fizestes pensar que prefiro homens? As fontes na sua cabeça? — Provocou Yoongi, mas Jimin notou ser apenas uma distração enquanto atravessavam o vale em busca da porta que os levaria ao próximo inferno. — Só estas aqui agora porque fiz Eva provar o fruto, isso de certa forma nos ligou, não haveria morte se não houvesse pecado, certo, certo, agradecimentos depois. — A porta surgiu a três metros deles, um feixe de luz azul na porta entreaberta. – Nós dois temos um pendor a rebeldia "Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher" tolices, do catolicismo só gosto do vindo e do pecado. Jimin não soube quem estava rindo, mais certamente não era Jungkook. Eles atravessaram a porta para o vazio, não havia nada a se ver, sentir, eles estavam de pé, mais não existia um chão que se pudesse ver. Yoongi caminhou por alguns minutos até notar que ainda carregava dentro de si cinco diferentes crituras. A saída fora tão cansativa para Jimin que a entrada, e Hoseok se ofereceu a carrega-lo até que ganhasse forças novamente. Eles voltaram a caminhar, um silêncio confortável, até Seokjin falar: – Foi fácil, nem Belfegor se opôs à nos deixar passar. – Ótimo primata, experimente ler um livro de mil páginas em um idioma difícil como a língua dos mortos, e sendo preguiçoso, então volte aqui e verei se terá coragem de repetir tamanho absurdo. – Ah, certo, lamento Yoongi doce-amargo. Você foi competente, leu aquele livro terrível em busca de resposta de como passar, não serei obtuso novamente. – Ah, disso eu duvido, vocês homosapiens são todos iguais, ingratos é o que são. Mais já faz tempo que aprendi, estampidos e fumaça eram, em geral, marcas de inépcia e não de capacidade. Seokjin olhou Yoongi, como se estivesse pronto para uma sanguinária discussão, mais Taehyung parou bruscamente na frente e em fila eles foram colidindo um com o outro. Taehyung não pareceu notar ou ignorou, deu uns passos a frente sorrindo malevolamente. Então Jimin viu o que ele observava. Quatro caldeirões ferviam em fogo baixo, todos contendo um líquido azul anil brilhante, o cheiro era inebriante. – O quê é isso? — Perguntou Namjoon a ninguém em particular. – Um tipo de veneno disfarçado de poção? – É uma poção de fato, nada de veneno. O cheiro é diferente para cada um. Qual cheiro vocês estão sentido? — A satisfação na voz de Taehyung fez a maioria deles se afastarem, mais Seokjin já falava: – Aquele cheiro de terra molhada depois da chuva, e doces, do mais variados e um outro difícil de descrever. Sabe aqueles vilões muito, muito cruéis mais totalmente lindos e cheirosos, parece isso. – Eu também sinto esse! — Gritou Jungkook animado, ele estava perto do último caldeirão, inalado o cheiro como um viciado. – Tem o cheiro do Rio no céu, coisas boas e calmas. E também algo delicado, tipo flores e aquele chocolate incrível que as fadas fazem. Jimin mordeu a própria língua a fim de evitar responder, havia sentido a maioria daqueles cheiros também, e vários outros igualmente bons, mais a percepção do que estava acontecendo o fez cala-se em absoluto, se obrigando a não pensar sobre. – O pecado da luxúria é representado pela cor azul. Sexe blue. — Sussurrou o capiroto. – Isso é uma poção do amor, e não qualquer uma, a mais poderosa já criada. O cheiro que cada um sente é diferente porque é aquilo que sua alma deseja a anseia, embora nem mesmo você saiba. Acabaram de descrever o que mais gostam, isso inclui paixões. Suas palavras foram recebidas com horror, e Seokjin corou tanto que escondeu as orelhas. – Uma poção do amor no inferno? O que faríamos com isso? – O próximo pecado é o da luxúria, alguém precisa beber a poção, é o único meio de entrar. – Isso é um plano maligno seu Taehyung, não tivemos problemas em entrar no inferno anterior. — Acusou Namjoon, o cheiro da poção para ele, aparentemente não trouxe informações boas. – Nem mesmo eu posso arrastar seis criaturas virgens para o inferno da luxúria. Alguém terá que beber a poção. É isso ou podem começar a t*****r. – Essa ideia de vir ao inferno foi totalmente estúpida, insana, suicida e perigosa... — Seokjin andava de um lado a outro, repetindo que se opôs à ideia desde o início, enquanto isso Taehyung sussurrava pra si mesmo: – Estou muito interessado em saber de quem é o inferno da luxúria.
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