Noites frias na floresta Nefasta II

3991 Words
Embora deixado de lado temporariamente, o assunto da cidade sem noite não foi de fato esquecido. Aquela cidade fora claramente muito próspera no passado, não era possível que alguém massacrou a população sem deixar rastros. Yoongi estava principalmente interessado, ele não gostava de assuntos incompletos, portanto quando a cidade sem noite foi mencionada ele liberou a entrada do casal e Sebastian os giou até a sala. O casal ocupou um pequeno sofá diante dos sete que se espalharam do outro lado em sofás e poltronas altas. Essa pequena elevação e a distância que a posição das cadeiras deixavam, dava aos visitantes um ar inferior, e sob o olhar das sete figuras tão misteriosas os dois desconhecidos estremeceram. Hoseok começou como sempre com seu tom gentil: – Você disse ser da cidade sem luz. – Sim meu lorde supremo, fui a única sobrevivente... Yoongi interrompeu impaciente: – Quem foi o responsável pelo m******e na cidade sem luz? – Quem mais se não os malditos deuses? – Conte-nos mais sobre isso. – A cidade sem luz era a cidade das plantações no início, a terra era muito próspera então plantavamos de tudo e vendiamos em feiras semanais. Éramos uma aldeia de humanos mais acreditávamos nos deuses, então rezavamos para Apolo deus do sol. Até que recebemos a visita de um jovem homem, ele sugeriu a nos que plantassemos uvas e investisse no vinho, se fizéssemos isso ele abencoaria nossa terra ainda mais. No início estávamos relutantes, o investimento em vários alimentos lucrava muito. Mais aquele jovem nos mostrou que era capaz de transformar água em vinho, não era outro senão o deus do vinho, Dionísio. "Tudo foi mudado imediatamente, a cidade das plantações passou a ser a cidade do vinho e rezavamos pra Apolo mais principalmente pra Dionísio. Até outros deuses como Ártemis nos visitava, não havia cidade mais próspera. Até que um dia o clima que era ameno mudou bruscamente, o sol parecia mais quente a cada dia, como se tivesse se aproximando da cidade. Perdemos as plantações recentes e os anciãos morreram por não suportar o calor. Rezamos para Apolo o dia inteiro sem parar mais nada adiantava, então pedimos ajuda a Dionísio, até mesmo a água estava evaporando e os vinhos ainda não vendidos. Nada adiantou, claramente fomos abandonados pelos deuses. Duas semanas e muitas mortes depois o sol voltou a temperatura habitual. Hoseok perguntou: – Foi assim que sua cidade foi destruída? – Não, tudo só piora. O calor foi embora mais não tínhamos mais uvas pra fazer o vinho, e sem o vinho pra vender não tinha dinheiro. O solo estava morto. Boa parte da comida foi consumida nas duas semanas, quando as pessoas notaram que tinha gente demais e comida de menos... Sempre fomos pacíficos e dividimos tudo, mais a fome e a necessidade de sobrevivência mudam as pessoas, não seria diferentes para nós. A comida acabava e pessoas perdiam a cabeça, assassinatos começaram a acontecer com frequência, menos comida e mais morte. Da minha família só restou minha mãe e eu e sabíamos que logo a comida chegaria ao fim e eles teriam que matar a fome de outra forma... Jimin não pôde mais aguentar: – Me desculpa interromper, mais se não havia comida porque seu povo não foi embora em busca de ajuda, ou rezou pra outro deus? – Tentamos, ninguém parecia ouvir ou simplesmente nos ignorou. Mais não seja ingênuo meu lorde supremo, a verdade é que Dionísio ou Apolo selou a cidade não nos permitindo sair ou rezar. Jimin se questionou porque eles aceitariam isso, mais então se lembrou que eram um povo antigo sem muita capacidade intelectual e sem forma de lutar contra um deus. Ela continou: – Só restou um grupo pequeno no fim que não tinha mais sanidade, caçando a mim e minha mãe. Ela se sacrificou pra que eu conseguisse fugir. Os espiritos ressentidos das mortes miseráveis dominaram a cidade impedindo a luz do sol de entrar como uma forma de vingança a Apolo, e assim ela se tornou a cidade sem luz. Hoseok pareceu confuso: – Como você saiu se a cidade estava selada? – Eu não sei pra ser sincera. Mais pensando nisso, talvez depois que todos morreram a magia simplesmente desapareceu. Então foi isso que aconteceu afinal. Hoseok perguntou de sua cadeira: – Se vocês não pararam de rezar porque Dionísio os deixaria? Na verdade não faz sentido. Hana refutou: – Os deuses são egoístas e orgulhosos, qualquer coisa pode machucar o ego deles, como saber o que fizemos de errado se é que fizemos algo? Hoseok insistiu ficando de pé, enquanto dava voltas na sala suas roupas lentamente se tornaram vermelho escuro, acentuando sua beleza e olhos amertiza. Yoongi o olhou de cima a baixo antes de desviar o olhar apressadamente. Hoseok falou: – Conheço Apolo e posso dizer que ele é entre todos os deuses, o menos preocupado. Ele não castigaria alguém por parar de rezar a ele, tampouco uma cidade que sequer parou de lhes adorar. Hana pareceu muito ofendida: – Eu não menti meu lorde supremo, só paramos de rezar a Apolo e Dionísio depois de muitas mortes, nunca antes! Hoseok acenou com as mãos: – Acredito em você, mais quero chegar a raiz da questão. O que de fato aconteceu? Namjoon já havia pensado e repensado nisso enquanto mantinha o silêncio, portanto ele já tinha uma resposta: – O mais lógico é que alguém impediu que as orações chegasse a Apolo e Dionísio, e ambos pensando que o povo os esqueceu não se deu ao trabalho de voltar a cidade para verificar. Hana e seu namorado ficaram chocados: – Mais meus lordes, quem faria algo assim e porque? Hoseok se virou pra responder, mais neste momento Yoongi ficou de pé de repente, falando grosseiramente com o casal: – Vocês podem ir agora, temos as informações e por ora basta. O namorado que manteve-se em um silêncio respeitoso até o momento falou: – Meu lorde, me desculpe mais queremos respostas. Yoongi olhou para janela enquanto respondia: – E terão, mais não ainda. Vá, nos veremos em breve. Hana empalideceu, mesmo que poucas pessoas tenham visto de fato a Morte, todos sabiam que o mesmo era um homem de porcelana, desde sua pele pálida a sua atitude fria e distante. – Meu lorde é a Morte, isso não seria um aviso, seria? Yoongi não respondeu, a porta no outro cômodo se abriu em um convite silencioso de retirada. Hana olhou o rosto dos outros seis, enquanto Jimin, Hoseok, Jungkook e Seokjin oferecerem um sorriso cortes, Namjoon manteve-se impassível e Taehyung sequer parecia prestar a atenção nos meros mortais. Ninguém ofereceu apoio então eles entenderão que deveriam partir e seguiram Sebastian. Após a porta fechar Hoseok tirou o sorriso e se voltou pra Yoongi: – Yoongi doce-amargo, que atitude rude, não pode fazer isso só porque é muito muito lindo. Seokjin sussurrou: – Eu faço muita coisa só porque sou muito muito lindo. Yoongi os ignorou como sempre fazia: – Falando do que importa, alguém matou todas as pessoas da cidade sem luz e deixou o caso para Apolo e Dionísio. Seokjin perguntou: – Quem poderia fazer isso? Namjoon respondeu: – Qualquer um de nós sete, mais como não somos nós, ainda tem uma lista longa. Taehyung? – Pelos fogos do inferno. Eu gosto de mostrar meus planos, se fosse eu você saberia sem precisar perguntar. De fato Taehyung nunca escondeu as coisas que fazia, ele se mantinha na linha tênue entre a mentira maliciosa e a sinceridade brutal totalmente sem empatia. Yoongi refletiu: – A lista é limitada, poucos poderiam impedir um deus de ouvir orações específicas. Jimin complementou: – Os deuses são os principais suspeitos afinal Dionísio e Apolo foram afetados. Um deus teria poder pra bloquear orações, qualquer um deles. Seokjin entendia um pouco da mitologia grega que era muito conhecida no mundo humano: – Podemos descartar Zeus, Apolo e Dionísio são filho dele, e Apolo é o preferido. Jimin concordou: – Podemos começar outra lista a partir daí, Hades e Poseidon são praticamente inimigos de Zeus. Mais eles nunca usaram os filhos como arma, porque seria diferente agora? Seokjin expressou sua confusão com uma expressão perdida: – Devemos tirar os três deuses da lista de suspeitos? Yoongi respondeu desta vez: — Não, os deuses são imprevisíveis. Na dúvida todos são suspeitos. O tom vermelho de preocupação das roupas de Hoseok suavizara para um rosa muito parecido com o de seus olhos: – Invocamos Apolo e Dionísio para perguntar de uma única vez. Chamarei Apolo. Sebastian, traga uma taça de um bom vinho e um cacho fartos de uva vermelha. Jimin é bom com magia portanto sua invocação chegará a Dionísio como um grito, faça isso. Hoseok era rápido, decidido e conclusivo em todas as situações, então após terminar sua sentença ele deixou a casa para convocar Apolo lá fora. Sebastian era tão eficiente quanto e imediatamente voltou com uma bandeja de ouro com uvas frescas e uma taça de vinho. Ele os colocou acima do piano da cauda branco. Jimin se ergeu de onde estava e se aproximou, tanto a uva quanto o vinho eram extremamente convidativos, mais Dionísio era um deus afinal, se uma única uva do cacho fosse comida por alguém antes dele, então ele ignoraria o chamado como se as uvas estivessem todas podres. Como os humanos acreditavam que os deuses eram apenas mitologia, havia diferentes versões de cada um, então não se podia confiar nas crenças deles sobre como invocar um deus. Seokjin não conhecia a maneira certa e se aproximou do piano, suspirando com o cheiro do vinho. O rosto de Taehyung se manteve sombrio durante a conversa, mais ele seguiu Jimin até o piano, se sentado e tocando notas aleatórias antes de roubar uma uva descaradamente. Jimin o repreendeu: – Taehyung! Taehyung mordeu muito lentamente a uva, lambendo os lábios antes de sorri e colocar na boca de Jimin o outro pecado da uva. Sorrindo descarado ele falou: – Não passe vontade Jimin, pegue tudo que quiser e sabe que merece ter. Jimin engoliu a uva de uma vez antes de engasgar um pouco. Tossindo e disfarçando a vermelhidão das bochechas Jimin olhou para a bandeja. O ritual era extremamente simples: era oferecido a Dionísio o melhor vinho e as uvas mais saborosas, se ele aceitasse o vinho da taça desapareceria, se negasse o vinho desapareceria de qualquer forma, no fim das contas ele beberiam tudo para decidir se viria. Ao lado de Jimin, Taehyung tocou uma música fúnebre no piano enquanto Jimin circulava a borda do copo com o dedo do meio, sussurrando o nome de Dionísio. Ele havia feito ao longo de seus duzentos anos mais de mil rituais, não havia mais simples que esse. Ele jogou uma uva na taça, depois outra e outras, o vinho dançando e engolindo as uvas. Jimin jogou mais de dez uvas e esperava ter que jogar muitas mais pra chamar a atenção do deus do vinho, mais rapidamente o vinho da taça e as uvas lá dentro sumiram no exato segundo que um raio de sol atravessou a janela, desaparecendo no mesmo instante. Isso era uma surpresa. Hoseok voltou para dentro deixando a porta aberta ao passar, seus cabelos loiros e roupas brancas. Ele olhou a taça vazia e o cacho de uva quase completo e fez uma leve careta. Taehyung pegou as uvas restantes e jogou em Seokjin, que ao invés de reclamar, tentou pegar com a boca. Os dois dividiram o cacho com Taehyung levando a maioria, ele puxou Jimin para poltrona, deixou que ele sentasse antes de colocar sobre seu colo a bandeja e assumir seu lugar no braços da poltra, deixando Jimin comer uvas escondidos atrás da cortina n***a que seu belo cabelo fazia. O som de dois pares de botas foram ouvidos antes de dois homens entrarem na sala. Ambos absurdamente belos, sua aura celestial dominando a sala. Dionísio com folhas de louro nas orelhas, cabelos castanhos avermelhado, alto e com traços femininos. Apolo com pele dourada, cabelos no mesmo tom ouro que os de Jimin e olhos amarelos laranjado. Ambos olharam os sete na sala. Seokjin ficou de pé para comprimenta-los m*l escondendo a ansiedade. Nos filmes humanos e nos livros que fazia referência a mitologia grega os deuses eram retratados sempre como misoginos que possuíam mulheres com ou sem sua autorização, tendo assim uma lista extensa de belezas. O que os filmes não contavam no entanto, era que os deuses nunca se importou com sexualidade. Suas listas são extensas, mas há nelas belezas femininas e masculinas também. Apolo teve muitos amantes ao longo da história, mais no caso dele seus amantes nunca o rejeitou, sua beleza sedutora. Dionísio também representava os homens com traços femininos, portanto deus dos transexuais. Seokjin sempre quis conhece-los e sempre teve muitas perguntas a fazer, mais se conteve. Tanto Dionísio quanto Apolo olharam fixamente para Seokjin. A voz de Dionísio era potente mas meio feminina: – Seokjin, é mortal, mais também não é. É bom conhecê-lo, você tem uma beleza magnífica, me deixou encantado. Caso esteja interessado, você sabe como me chamar. Seokjin o olhou sem palavras, totalmente chocado para responder. Apolo sorriu radiante pra Seokjin: – Nenhum elogio a você é exagero. — Ele se virou para Taehyung. – Deixe-me vê-lo Taehyung, você o guarda como um tesouro. Jimin sabia com quem Apolo falava, então tirou os cabelos de Taehyung de seu rosto. Os olhos de Apolo e Dionísio brilharam em curiosidade. – Ho ho, veja só que fascinante, é tão belo quanto a lua. Taehyung se mexeu desconfortável e seus cabelos cobriram Jimin novamente. Internamente Jimin agradeceu a Taehyung: – A última vez que o vi Apolo, fazia poemas falando da minha beleza maligna. O coração de Jimin se apertou. Apolo não pareceu abalado e até sorriu convencido: – Eu estava tão perto de tê-lo finalmente. Ainda não desistir. Taehyung sorriu e voltou a comer as uvas que eram parte da oferenda a Dionísio. Hoseok mostrou para eles as mesmas duas cadeiras vermelhas ocupadas anteriormente pelos visitantes mortais. E mais uma vez alguém caiu sobre os sete pares bicolores e misteriosos de olhos. Após sentar com suas roupas gregas e aceitar a garrafa de vinho servida por Sebastian, Dionísio disse: – Meu lorde Meste da Vida, poderia pelos menos nos chamar separadamente. Chamar Hoseok de meste da vida não estava certo, já que como mestre ele representaria a vida, mais Hoseok era a vida em si. Hoseok não se incomodou com essa falha todavia: – Dionísio já sabias que seria chamado por nós? Dionísio sorriu: – O anjo contou das sete maravilhas e desde então toda criatura de deus a demônio segue seus passos, todos querem um vislumbre dos sete selos. E essa floresta onde vivem é inlocalizavel, só posso estar aqui porque fui convidado. Hoseok concluir o óbvio: – Esse é o motivo para chegada de vocês tão rápido? Apolo decretou: – Vamos a isso, não tenho tempo a perder. Hoseok estendeu a palma direita virada pra cima e acenou com dois dedos esquerdo: Na sua palma surgiu duas coroas de flores e penas brancas. Jimin não conhecia mas Apolo reconheceu: – Essa é sua coroa de flores que impede de contar mentiras? Quer que usemos? O olhar de Hoseok foi gentil mais inquestionável: – Não é uma arma, apenas um dispositivo espiritual. Você como um deus é ocupado e não tem tempo a perder, e eu como Vida? – Acho que não irá funcionar comigo meu lorde. Hoseok o tranquilizou: – Funcionará, não pense muito nisso. Apolo pareceu supreso mais até mesmo ele não tinha poder para medir com a vida em pessoa. A contra gosto ambos deixaram suas cabeças serem envolvidas pelas coroas de flores, suavizando sua beleza. Hoseok continuou: – Se sabem porque estão aqui, vou direto a questão. As pessoas da cidade sem luz morreram pelo sol e calor extremo, depois de fome e no fim foram obrigados a comer a si mesmos. Onde vocês estavam? Apolo ainda tocava na coroa de flores com infelicidade mais respondeu: – Eles pararam de rezar para mim e provavelmente me trocaram por outro deus, cabia a esse deus seja lá quem for, protege-los. Aviso de antemão que eu a início acreditei que Dionísio os roubou, mais Dionísio não era o culpado no fim. Dionísio estava demasiado ocupado virando a garafa de vinho, mais Hoseok esperou pacientemente. O líquido da garafa desapareceu rapidamente e só então ele disse: – No início achei que Apolo os roubou, mas não me importei, diferente de meu pai, não brigo por qualquer motivo, rapidamente esqueci deles, lembrando apenas depois do m******e. Eram humanos afinal, há tantos agora que pouco importa. Hoseok trocou um olhar com Yoongi antes de dizer: – As pessoas da cidade não pararam de rezar a vocês. Apolo sorriu: – Como poderia eles rezarem e eu não os ouvi? Namjoon quem respondeu: – Simples. Alguém impediu que as orações chegassem até vocês. Eles eram um povo antigo numa civilização antiga, não parariam de adorar um deus por qualquer motivo. E eles temiam os deuses também, com medo de receber um castigo eles rezariam a qualquer deus. Hoseok completou, como se ele e Namjoon compartilhassem a mesma mente brilhante: – Mesmo quando Dionísio se tornou o deus a quem eles mais adoravam, eles ainda rezavam a Apolo. Se vocês se preocupassem mais com o bem estar de seus adoradores talvez aquelas mortes não teriam acontecido. Hoseok e Apolo compartilhavam uma ligação, se conheciam a séculos, então sua relação era bastante boa, por essa razão o olhar decepcionado de Hoseok abalou Apolo até certo nível. Após um longo silêncio Dionísio tomou a palavra: – Quem poderia impedir orações de chegar aos deuses? Hoseok circulou as tatuagens da mão direita com o dedo esquerdo enquanto divagava: – É uma boa questão. Vocês afirmam serem inocente? – Eu não tenho motivos e nem posso mentir. – Sou absolutamente inocente. Hoseok insistiu: – Sabem de alguém específico que teria motivos pra fazer tal coisa deixando as consequências para vocês, alguém que os odeie, em palavras mais claras. Apolo respondeu sinceramente: – Não, há muitos. Hoseok suspirou enquanto acenava para os dois deuses, fazendo as coroas desaparecerem: — Neste caso, obrigado pelo tempo. Apolo e Dionísio não esperaram serem convidados a se retirar e ficaram de pé, ainda olhando os sete com extremo interesse. Mais então Dionísio olhou Yoongi com um sorriso, pareceu indeciso sobre algo mas no fim das contas falou: – Lorde Yoongi, soube que tem estado com problemas. Ninguém entendeu suas palavras mais Yoongi acariciou os próprios lábios com o dedo indicador. – Não sei a que se refere. – Seus ceifadores não estão respondendo corretamente, estão negligenciando o trabalho então milhares de almas estão perdidas agora. Meu lorde já não tem muitos e a metade de pouco... Jimin olhou para Yoongi, afinal ele tinha estado muito silêncioso e mais frio que o habitual. Ele também tinha estado trabalhando enquanto os demais partiam para cidade sem luz. Além disso Jimin viu um ceifador mais cedo e seu olhar perdido era no mínimo estranho. Dionísio falou de forma contínua e inconsequente: – Ao longo das eras você só escolheu a dedo alguns míseros ceifadores já que é tão difícil ter o critério para ser selecionado. Não me admira você e Taehyung estarem juntos, ambos são tão misteriosos, intocáveis. Apolo jogou para trás os cabelos: – Dionísio... Seu irmão não deu ouvidos e falou com i********e: – Talvez agora que parte de seus ceifadores o ignoram você mude as regras um pouco, é tão difícil morrer puro hoje que você nunca terá ceifadores o suficiente... As palavras seguintes do deus Dionísio foram cortadas quando uma adaga voou na sala e cravou em seu pescoço. O Icor dos deuses deslizou pelo seu pescoço, belo e chocante. Dionísio pareceu extremamente chocado e puxou a adaga longe, o corte em seu pescoço se fechou como pedra sob água. Jimin nunca viu Yoongi em ação, então não poderia dizer se seu poder superava o de um deus. Mais se uma pequena adaga cortou o pescoço de Dionísio imagine o que uma espada poderia fazer. Vestido em preto com correntes douradas Yoongi era a própria imagem do anjo vingador: – Achas que pode dizeres o que quiseres só porque permitir que entre em meu território e fale com minha família? Cuidado com suas palavras, podes ser o deus do vinho mas eu sou A Morte! Dionísio deixou que a adaga caísse no carpete sob seus pés e deu meia volta, desaparecendo como um fantasma. Todos olharam para Yoongi e Apolo sorriu: – Meu irmão é meio selvagem, não levem para o lado pessoal. Hoseok suspirou desviando o olhar do Yoongi doce-amargo: – Dionísio é tão rude. Você pode ir Apolo, não disse que tinha coisas a fazer? Apolo acenou então caminhou para porta, no entanto ele parou no último segundo e olhou Jimin ainda oculto pelas madeixas de Taehyung. – Jimin... Jimin, já ouvi este nome antes. Bom, eu vi muitas coisas afinal. Alguém já disse que seu cabelo tem a exata cor do meu? Ele não esperou resposta e desapareceu com os raios de sol da floresta. Assim que ficaram novamente sozinhos Yoongi se apressou em falar: – Não entendam errado, eu disse o que precisava ser dito. Se de fato viveremos juntos precisamos ser cauteloso e não deixar que outros encontre falhas ou pontos fracos para usar contra nós. Nossa inimizade pode ser uma arma para os inimigos. Satisfação dominou Jimin antes dele se lembrar: – Os ceifadores estão mesmo ignorando você Yoongi? Yoongi olhou pra Jimin, sua mente parecia calcular o que dizer e o que omitir. Mais todos já sabiam e mesmo que ele negasse uma resposta a Jimin, Hoseok ainda insistiria e no fim ele não teria escolha. Yoongi fez final para ser seguido e atravessou a sala e salão até as escadas. Jimin o seguiu pelo correr e os demais seguiu ambos em silêncio. Yoongi subiu as escadas até o telhado que era usado pra olhar a vastidão da floresta nefasta. Eles pararam lado a lado em silêncio, esperando Yoongi fazer algo. Yoongi bateu palmas e uma névoa desapareceu de repente, ela parecia cobrir o mundo, omitindo a visão de certas criaturas, com o aceno de Yoongi ela desapareceu deixando para trás três ou quatro figuras esvoaçantes de branco para trás, um deles sendo o ceifador que Jimin viu mais cedo. Ceifadores! Yoongi explicou: – Pelo menos cinquenta por cento dos meus ceifadores pararam de responder minhas ordens e cumprir com seu dever, já fazem dois dias. Eles não estão respondendo porque sequer me ouvem, apenas vagam por aí sem sentido. Ainda não tive tempo pra investigar, mas alguém está por trás disso já que é quase impossível meus ceifadores não me obedecerem. Mesmo conhecendo tão pouco o trabalho dos ceifadores Jimin sabia a importância de recolher as almas para atravessar o véu, almas deixadas para trás poderia se dissolver, torna-se um espírito ressentido ou ser devoradas. Havia trabalhos que não poderiam deixar de ser feitos e recolher almas era um deles. Yoongi tinha pouco mais de quatrocentos ceifadores atendendo uma demanda gritante de mortos diariamente, se eles fossem menos da metade então certamente não dariam conta. Jimin se voltou para Yoongi, determinado e resoluto: – Deixe-me ajudá-lo, posso ser ceifador por algumas horas, não tenho nada mais arriscado para fazer. Yoongi olhou Jimin como se nunca tivesse o visto antes, Jimin sustentou o olhar. O vento forte bateu contra os cabelos escuros como a noite e os loiros como o sol, um par de olhos escuros e outro castanho avermelhado. Jimin sorriu para Yoongi que o olhou confuso, ao lado deles os outros cinco permaneceram em silêncio, parados contra o vento, belos como o melhor dos sonhos, frios como pinturas. No fim Yoongi susurrou: – Se insiste, farei de vocês ceifadores por um dia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD