Conciliação

1654 Words
Thomas Queen narrando. Pago os cupcakes mesmo sob seu protesto; ela só para quando recebe a caixa que contém seis deles. Nunca vi graça nesses bolinhos. Apenas sujam o rosto com tanta cobertura, mas, pelo jeito, ela ama essas coisas — principalmente se forem rosa, com granulado de estrelas. Acho que ela vai ser muito amiga do meu sobrinho, pelo menos. Ele ama essas coisas também, mas seu sabor preferido é baunilha. — Vamos para a empresa? — ela pergunta ainda sorridente, e estranho seu comportamento. É isso? Eu só precisava alimentá-la? — Não, eu tinha pensado em almoçarmos — falo, e ela faz um biquinho, olhando a caixa que segura. — Posso levar isto para o restaurante? — Comigo ao seu lado, você pode tudo — falo, e ela sorri, mas apenas olha para seus bolinhos. Essas coisas rosas desgraçadas estão roubando o sorriso que era para a minha direção. — Então vou comer isso antes do prato principal — ela diz, animada, andando até o carro. É mais fácil do que eu imaginei. Abro a porta para ela e a vejo segurar a caixa rosa incrivelmente feliz. Acho que, se eu tivesse comprado uma joia, a mulher não teria ficado tão contente. [...] Saio do carro primeiro e ela me espera pacientemente abrir a porta. Ajudo-a a sair e recosto minha mão em suas costas, guiando-a. Pela primeira vez, ela não se afasta de mim, e sinto vontade de colar minha mão naquela forma, assim ela nunca mais iria embora. — Mesa para dois — falo com o maître, que me conhece e nos guia até a mesa que gosto. — O mesmo de sempre, senhor? — Confirmo com a cabeça e, antes que eu puxe a cadeira, minha Cereja se senta. — E o Josué e o Thiago? — ela pergunta, e me irrito. Não gosto desse conforto que ela sente perto deles. Ela sempre busca ficar próxima, mas nunca perto de mim. — Eles irão comer juntos depois. Agora ficam atentos à minha segurança. — Certo — ela diz, sentando-se e finalmente abrindo sua caixa preciosa. Ela retira um e começa a comer feliz. Olho chocado. Como uma adulta gosta disso? — Quantos anos você tem, Cherry? — Vinte e três. — Uau, mais nova. — Nem todos têm trinta, senhor. — Oi? Eu acabei de fazer trinta — falo, e ela faz um olhar de quem acredita. — Estou falando sério, foi mês passado. — Eu sei. Planejei sua viagem em família para comemorar e sua festa com os sócios — ela diz, e, com raiva, pego seu cupcake. — Nossa, muito maduro, senhor. — Eu queria provar — falo e mordo apenas para não ficar feio. Coisa r**m. — Achei que o senhor não dividia comida. — Você ainda tem muito para saber sobre mim — falo, terminando de comer seu bolinho. Com ela, eu posso dividir. — Você tem cobertura — ela fala, e tento limpar. — No canto da sua boca. Aproximo-me dela, que apenas me entrega seu próprio guardanapo. Tá legal… foi cedo demais. A comida chega e vejo sua expressão. Tento entender, mas ela apenas me olha antes de falar com o garçom: — Desculpa, mas eu não pedi isso. — É o de sempre do senhor Queen — ele diz, sorrindo para mim, e não entendo. O que ela não gosta? — Pode levar o meu, por favor. Ele olha para mim, e confirmo com a cabeça. — O que a senhorita gostaria? — Apenas um suco de laranja. — Claro, com gelo? Ela assente com a cabeça, e não entendo. — Você não vai almoçar? Ela n**a, agora totalmente séria, e não entendo. — Vai ficar com fome? Temos um dia todo de trabalho. Você não vai viver de bolinhos. — Não vou — ela fala apenas o básico, e fico confuso. O que mudou? Por que está irritada? — Não vai comer nada? Você quer escolher? É isso? Eu peço o cardápio. — Eu não quero, obrigada, senhor Queen. Ok… voltamos ao início. Mas, desta vez, é ela quem não me olha. Como devagar, esperando que ela faça algo, mas nada acontece. Seu suco chega, ela agradece, mas não bebe. Sinto a raiva na garganta, dificultando minha ingestão. Aperto os talheres e respiro fundo, buscando paciência. Largo tudo devagar e seguro o guardanapo de pano. — Seja honesta, Cherry. O que aconteceu? — Nada, senhor Queen. Olho para meus seguranças, que não comeram por estarem em vigília. Eles vão comer quando eu estiver na empresa ou em casa. Levanto a mão e peço a conta. Pago, levantando-me, e espero que ela se levante também. Não quero mais nada. Ela não fala nada, o que me irrita ainda mais. Droga… eu não sei o que aconteceu, mas também me irritou. [...] Bato a porta do meu escritório, dando continuidade aos outros planos do dia. Deu tudo errado também. Se não for para ser do meu jeito, eu também não quero. Batidas na porta, e, antes que eu negue, a senhora Cida abre sorridente: — Oi, senhor, seu café. Assinto com a cabeça, e ela se aproxima, entregando-me. Estranho sua permanência, e ela sorri: — Eu sei que posso estar passando dos limites, mas, antes de a Cherry ir embora, eu gostaria da sua autorização para uma festinha para ela. Seria algo rápido, trinta minutos no máximo. Apenas as pessoas que gostam dela de verdade: os seguranças e algumas meninas desses andares. Eu faço um bolinho e café, só para ela se despedir propriamente. — Ela não vai embora, mas guarde isso em segredo — falo de forma simples, e ela sorri, ainda confusa. — Ela aceitou ficar? — Ainda não, mas vai. — Obrigada — ela se aproxima, mas recua, apenas acenando com a cabeça enquanto se retira. Começo a trabalhar de verdade, finalmente me distraindo. Não foi fácil criar essa empresa e não é fácil mantê-la, mas é isso que eu realmente amo. Por isso levo tudo tão a sério. Sou um workaholic, mas não tenho ninguém para segurar o barco por mim; então confio apenas em mim mesmo. [...] Termino apenas quando percebo que já é noite. Estou com fome. Levanto-me, me espreguiçando, e recolho minhas coisas para ir. Amanhã tentarei novamente com a Cherry. Tenho que aprender a conciliar os dois. Não sei largar a empresa, mas também não quero largar dela. Preciso saber como fazer isso dar certo e, pelo jeito, o que evitar perto dela. Ainda não sei que coisa a irritou tanto. Começo a abrir a porta, mas paro ao escutar minha Cereja conversando com a Cida. Se essa mulher contar algo para ela… — Eu acho que não teve por que agir assim — a Cida fala, e fico apenas escutando. — Teve sim, Cida. Primeiro ele me levou a uma loja só para ver ele flertar com aquela atendente. Eu tive que ficar assistindo a tudo, achei uma vergonha alheia. Depois, quando eu fico feliz, percebo que ele me levou ao restaurante de “presas” dele. — Que coisa é essa, menina? — O restaurante que ele leva as acompanhantes dele, sabe? Todos os funcionários lá eram cúmplices. Me irritei… me desculpa pela palavra, mas eu não ia comer a comida de f**a dele. Sorrio, contente por finalmente entender. Ela está com ciúmes de mim. — Mas por que ele te levou lá? — Então… no início achei que era punição por eu estar me demitindo, mas acho que ele queria me seduzir. — E deu certo? — não entendo o tom de felicidade da senhora Cida. — Não. Ele pode até ser gostosinho, mas foi muito rude comigo todos esses anos. Fora que foi um babaca hoje. Sabe qual foi o pior de tudo? — Ele não entender? — Não. Eu deixei meus cupcakes lá. Que saco. Abro a porta finalmente e mantenho uma expressão séria: — Senhoritas. Elas apenas me olham. — Senhorita Miller, sei que está passando do seu horário, mas podemos jantar juntos? Falhei no almoço. Queria conversar sobre sua demissão. — Não poderei, tenho compromisso hoje à noite — ela fala, e seguro meu ódio mais uma vez. — Não pode remarcar? Temos assuntos importantes para conversar. — Realmente não posso. Olha, deu meu horário. Até amanhã, senhor Queen. — Vamos descer juntos. Boa noite, Cida. — Você não vem? — a Cherry pergunta à senhora, que n**a. — Ainda tenho que me trocar e ir pegar minhas coisas. Podem ir. Boa noite. No instante em que chamo o elevador, vejo meus seguranças virem ao meu encontro. Eles se mantêm em silêncio, e entramos todos juntos. Quando a Cherry aperta o térreo, sei que vou descer junto. — Thiago, busque o carro e nos encontre na frente da empresa. — Sim, senhor. Percebo minha Cereja quieta. Eu realmente a magoei. Não era minha intenção. Vou ter que pensar em uma nova maneira de me tornar atraente sem ser com outras pessoas me desejando. E tenho que comprar doces para ressarcir os que ela esqueceu hoje. Saio na frente, mas fico esperando ao lado dela. Vejo-a ir até o ponto eletrônico da empresa e passar sua digital. Ela se despede dos poucos seguranças do local, que lhe desejam boa noite. Não entendo… toda essa i********e com ela. — Boa noite, senhor. Josué — ela fala para nós dois, e olho para ele com ciúmes. Eu também quero ser chamado pelo nome. — Você vai sozinha? Posso te dar uma carona — falo, mas ela n**a. — Obrigada, não precisa. Ela se vira, me dando uma bela visão de seu corpo, com a parte triste de vê-la partir. Um carro comum encosta, e vejo um homem ruivo descer. Ele parece ser seu pai pela idade. Eles se abraçam, e ela sorri quando ele beija sua cabeça. Trocam poucas palavras e entram juntos no carro. — Vamos, senhor? — Vamos, Josué.
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