Sedução

1576 Words
Cherry narrando. Entro no elevador mais um dia e estranho o Josué, segurança do senhor Queen, estar aqui. — Bom dia — digo, adentrando a caixa de metal, e ele responde simplesmente. Nunca o tinha visto pegando o elevador comum, apenas o presidencial com seu chefe. Ele nunca sai de perto. Saímos juntos no andar presidencial e imediatamente sorrio para a Cida: — Café, minha linda? — Obrigada, Cida. Eu preciso muito, não acordei bem hoje — falo, abraçando-a rapidamente, mas percebo o Josué prestando atenção. — Você deveria ir ao médico. — Não precisa, só não dormi direito. Ele segue seu caminho até o escritório do seu chefe e sorrio para a Cida. — O que foi? Agradeço o café que ela me entrega e dou o primeiro gole. — A nova empresa já pediu meus documentos. Agora caiu a ficha, Cida. Fiquei a noite toda escaneando quase que minha vida, mas consegui enviar tudo o que pediram. — Eu vou sentir saudades, minha ruivinha — ela fala, me abraçando. — 27 — tremo de raiva ao ser chamada por esse número novamente. — Pegue suas coisas, vamos. A Cida se afasta de mim e sai sutilmente do ambiente. Me viro, observando o senhor babaca me olhando. Ainda é estranho ver isso. — Sua agenda hoje é completa na empresa — falo, e ele não muda sua expressão mandona e presunçosa. Eu nunca o acompanhei em algo fora deste prédio. Não entendo sua súbita mudança. — Vamos sair, agora — ele fala, mandão, e desvio minha concentração para pegar meu café novamente e bebê-lo com calma. — Eu estou cumprindo minha vigência. Marquei uma rápida reunião com o Recursos Humanos para acertar meus últimos dias e o treinamento da nova pessoa. — Você vai ficar até que eu precise — ele fala, irritado, e disfarço meu divertimento bebendo o final do meu café preto. — Meus dias estão literalmente contados, senhor Queen. Ele fica apenas um instante em silêncio, e já me considero vitoriosa. — Mas, no momento, é minha. Vamos. Me arrepio com sua fala grossa e xingo meu corpo pela reação. Pego minha bolsa e o tablet, me levantando. Ignoro seu olhar sobre meu corpo, percebendo a face curiosa do Thiago, que intercala o olhar entre nós dois. — O Thiago vai na frente hoje — o senhor Thomas diz e se aproxima de mim. Quando ele tenta encostar em minhas costas para me guiar, me esquivo de seu toque. — Eu o sigo, como sempre — falo, e ele demonstra sua irritação com um grunhido. Ele tenta esperar, mas no fim desiste, indo na frente. Nunca andei no elevador privativo. Quando ele chega, me surpreendo: há um vaso de flores, um tablet preso à parede mostrando tudo sobre nossa empresa e um botão para o terraço. O comum não tem essa opção. Quando vou apertar o térreo, o Josué me impede, colocando o subsolo. — Vamos juntos — o senhor Queen diz, e concordo com a cabeça, ainda curiosa sobre a tela. Será que é um tablet mesmo? Deve ser muito legal se for interativo. — Cherry — olho surpresa para ele por me chamar assim e tento segurar o sorriso que quase sai. — Por que tanto olha a tela? — Desculpa, eu só achei diferente — falo, constrangida pelos três homens me olhando. — Pode mexer — ele fala, mas não se afasta. — Não, tudo bem — respondo, mas o Thiago se afasta, me dando espaço. Morrendo de vergonha, ando devagar e fico bem pertinho. — É uma tela interativa. Está programada para mostrar nossas informações publicitárias. É ótimo para quando sócios e investidores chegam para uma reunião — ele fala, mexendo e mostrando as diversas pastas. — Legal — digo, e quando vou me virar ele começa a mexer novamente. — Temos outra tela, com jogos e até uma câmera. Meu sobrinho chama de celular gigante. Ele tem um sobrinho? Eu nunca soube da sua família. Bem, tirando seu pai, que às vezes aparece aqui, mas nunca cheguei a encontrá-lo ou vê-lo. Eu apenas marcava seus horários com o filho. Ele me mostra a câmera e sorrio ao ver que dá para usar filtros de cor. — Continue sorrindo — ele fala, se juntando a mim, mas continua sério enquanto tira a foto. — Ficou linda. Ele volta à página normal como estava e, quando menos espero, o elevador para, abrindo as portas. Saímos em silêncio e vejo um carro enorme e preto. É lindo e deve custar uma fortuna. Os seguranças entram primeiro e o senhor Queen abre a porta para mim, entrando ao meu lado. Pego meu tablet, refazendo a agenda dele para os próximos dias. — Senhor, temos previsão de volta à empresa para que horas? — Desmarque tudo o que tenho hoje — ele diz sem me olhar, mas obedeço, mordendo a língua. A demissão sendo preparada me dá a falsa impressão de liberdade de fala, mas ainda não posso responder tudo como quero. Ah, se eu pudesse... Espero irmos para outra empresa ou algo do tipo, mas eles param em frente a uma loja de alta alfaiataria. — Me espere — o senhor Thomas diz, saindo e dando a volta no carro. Sem esperá-lo, abro a porta e saio sozinha. — Você pode me obedecer? — Não — digo, ajeitando minha bolsa, e ele indica com a mão para eu andar. Vejo-o quase em surto e dou uma risadinha. É divertido até. Ele é tão esquentadinho. O Josué fica em retaguarda enquanto o Thiago sai com o carro. Entramos no lugar quase vazio e uma moça muito elegante vem ao nosso encontro. — Senhor Thomas — ela diz, toda seduzente para ele, e dou um passo para o lado, fingindo estar superentretida nos ternos expostos em manequins e araras. Eles conversam baixinho e o Josué se põe atrás de mim como uma parede, me separando dos dois. — É sempre assim? — pergunto, e ele abaixa o olhar para mim. — Assim como? — Ele vem para esses lugares ficar com as acompanhantes dele? Eu preferia ficar na empresa. — Bem... o silêncio é uma ótima coisa, sabia? — ele fala, e dou risada do seu constrangimento ao responder. Ando pela loja por um tempo até ficar entediada. Pela vitrine, consigo ver uma doceria simples do outro lado da rua. — Senhor Queen — falo, me aproximando, e ele começa a tirar o paletó. — Sim, Cherry? — ele se vira para mim enquanto desabotoa a camisa. O desgraçado até que é bonito. — Eu posso sair do seu evento e ir ali do lado? — Para fazer o quê? — Coisas pessoais — falo, e ele n**a com a cabeça. — Não pode. Vai ficar aqui. Preciso de uma opinião sobre meu terno. — Com você tirando a roupa? Eu posso fazer coisas mais produtivas na empresa. — Ela só vai tirar minhas medidas. Você pode opinar sobre o que cairia bem em mim: cores, modelos... — Não faz parte das minhas funções. Eu vou ali do lado agora. Não tem sentido essa sua saída me levando junto. — Não vai sem eu permitir — ele fala, e cruzo os braços. — Você é meu chefe, mas não meu dono, senhor Queen. Eu vou ali comprar meu doce — falo, e ele ri. — Viu? Não foi difícil dizer o que queria. Eu vou com você. É só esperar. Pode sentar-se. Em cinco minutos sairemos. — Tá bom — respondo. Vou até o Josué, que me olha assustado. Me recosto ao seu lado e o senhor Thomas nos encara seriamente. Vejo-o retirar a camisa e me concentro na minha respiração. O desgraçado é gostoso para caramba. Meu Jesus. Eu perderia uma tarde toda em cima disso se ele não fosse tão arrogante e babaca. Ah, como eu ficaria com ele. Mas daqui a alguns dias eu não serei mais sua funcionária, então poderei pensar — apenas pensar — sobre matar minha vontade passageira. Isso eu ia gostar. Mas, para isso, ele teria que me agradar muito. Amo ser mimada. — Cherry? Paro de pensar em coisas impossíveis quando ele me chama. — Sim? — Que cor você gosta? Vejo-o cheio de amostras verdes na mão. — Todas são bonitas, senhor. — Seja sincera — ele fala, secamente. — Não gosto de roupas em verde-claro, mas talvez no senhor fique bonito. — Por que não gosta? — Sou ruiva, senhor. Todos iriam me remeter à Ariel. Prefiro evitar — falo, e ele solta um risinho. — Então será azul. Ele finalmente coloca a roupa e me olha. — Gosto de preto também. Justo. Tento fingir que não entendi sua referência ao meu vestido e, quando o Josué começa a andar, eu o sigo. — Onde você quer ir? — ele me pergunta e oferece o braço, mas não aceito. — Ali. Começo a andar e os dois me seguem. Sorrio ao adentrar a doceria e uma senhora sorri para nós. — Bom dia. Vocês têm cupcake de chocolate? — pergunto, e ela sorri. — Sim, com diversos recheios e coberturas. Foram feitos hoje, mas meu filho está finalizando alguns. Falta confeitar. — Esse parece uma delícia — falo, me curvando sobre o balcão e vendo que ele passa uma cobertura rosa sobre eles. — Vou buscar para a moça. Quantos, querida? — ela pergunta, e sorrio para os dois emburrados. — Vocês querem?
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