Vendo-a

1304 Words
Thomas narrando. Vejo o pequeno furacão ruivo deixar a sala sorrindo, confiante, como se tivesse acabado de ganhar uma guerra. Eu não entendo. Ela simplesmente anunciou sua demissão… e saiu lindamente, como se nada pudesse tocá-la. Puta merda. Que mulher perfeita. Que corpo é esse, que voz é essa, que sorriso insolente… Sigo pelo caminho decidido a buscá-la, o impulso quase me domina, mas vejo apenas o elevador se fechando diante dos meus olhos. Droga. Eu preciso vê-la de novo. Preciso. Nunca pensei que a número 27 fosse tão… eu nem sei o que pensar direito. Tudo parece fora do lugar agora. Mas eu a quero. Quero completamente. Ela é minha. Não vai deixar de ser justamente agora que a vi de verdade. Retorno para o meu computador, ignorando completamente o almoço. Não sinto fome nenhuma. Preciso saber tudo sobre ela, cada detalhe, cada informação esquecida. Principalmente seu nome. É melhor que ela não seja de ninguém. Eu odiaria a demora de ter que roubá-la para mim, embora admita que seria divertido. Muito divertido. [...] Após descobrir tudo o que posso sobre ela, passo a esperá-la voltar do almoço. Está atrasada nos meus termos. Demorar mais de vinte minutos para comer é uma perda de tempo inútil. Ela vai ter que comer mais rápido do que isso. Ainda preciso decidir quais serão nossos termos. Por enquanto, não quero deixá-la ir. Ela é minha secretária e precisa gostar do seu emprego. Não há nada, absolutamente nada, para ela reclamar. Cherry. Uma escolha de nome interessante. Quase doce demais. Seria engraçada se eu não tivesse visto sua raiva mais cedo. Aquela fúria guardada não nasce do nada. Parece que ela vinha acumulando aquilo há muito tempo, e isso me intriga mais do que deveria. Escuto minha porta abrir e olho rapidamente, esperando vê-la, mas me desaponto ao encontrar apenas a senhora do café. Ela coloca a xícara sobre a mesa em silêncio, mas percebo sua confusão ao notar meu olhar atento. O que há nas pessoas? Se eu não olho, sou frio. Se olho, sou estranho. Nunca estão satisfeitas. Assim que ela sai, escuto o barulho do elevador. Espero, atento, até que minha Cereja entre… mas me decepciono outra vez. Saio com raiva e a encontro conversando com a copeira. Ela tem trabalho a fazer. O trabalho dela é cuidar de mim. — 27, para a minha sala, agora! — falo. Ela se vira assustada, os olhos arregalados. Anda devagar, quase me fazendo perder a paciência e carregá-la até lá. Aponto para a cadeira de visitas e ela se senta nervosa. Percebo que aperta um pote com força excessiva, os nós dos dedos ficando brancos. Nervosa. Boa observação. Aproveito o silêncio para olhá-la com calma. Ela é perfeita. Me perco observando sua pele, tão lisa, tão clara. Parece macia demais. Será que minhas mãos a machucariam? Tenho medo de feri-la apenas por encostar… mas talvez o risco valha a pena. — Desculpa, mas sobre o que o senhor deseja discutir? — ela pergunta. Continuo em silêncio, ponderando cada palavra. Sinto que ela não esquecerá nada do que eu disser aqui. Tento imaginar como mandá-la ficar sem ofendê-la. Vejo quando começa a se levantar e a interrompo no mesmo instante. — Eu vou embora, senhor Queen. Se você não vai dizer nada, tenho coisas para fazer. — Sente-se — ordeno, e sorrio mentalmente quando ela obedece por puro instinto. Me levanto e contorno a mesa devagar, apreciando cada passo, cada detalhe. Paro em sua frente, próximo o suficiente para sentir seu perfume doce, quase provocante. — Você não vai se demitir — digo, firme. Vejo seus olhinhos brilharem de ódio. — Você é minha secretária. — Pelo tempo do RH arrumar minha demissão e colocarem alguém no meu lugar — ela diz, mas m*l escuto. Só consigo observar sua pele agora exposta pela maneira como se senta. Ela se levanta tentando ser intimidadora, mas m*l chega ao meu peito. Podemos ajustar nossas alturas na cama, penso automaticamente. — Não adianta falar grosso comigo. Eu já fiz o que eu queria. Agora vou terminar meu serviço e irei embora. Tchau, senhor. Ela se vira, o cabelo batendo contra mim, e sai desfilando. Sorrio enquanto a observo ir embora. Eu aceito o desafio. Vou montar o melhor plano possível. Ela vai ficar. Ela não pode decidir quando me deixar, ainda mais agora que é totalmente minha. [...] Fecho o notebook cansado, mas satisfeito. Foi difícil, exigiu paciência e cálculo, mas consegui. Montei o plano perfeito. Não tem como ela não se apaixonar por mim. Sei que sou bonito e gostoso. Só falta tratá-la bem, dar atenção, e pronto. Isso começa amanhã. Mas, se não der certo, também tenho meu plano B. Julgo necessário ao menos quatro dias de tentativas seguidas. Se não funcionar, vamos precisar mudar o cenário. No primeiro dia, vou mostrar meu físico. Almoçaremos em um restaurante incrível perto da minha casa. Conversaremos bastante. Por ser mais perto do que a empresa, iremos até lá depois, e vou mostrar a ela uma das minhas muitas posses. No segundo dia, derramarei café nela assim que chegar à empresa. Comprarei roupas caras, fingirei preocupação com sua falsa queimadura e, logo em seguida, irei colocá-la sentada ao meu lado em uma reunião, mostrando que ela é importante para mim. No terceiro dia, quando ela já estiver mexida, vou tratá-la formalmente na empresa, mas farei meus seguranças falarem bem de mim para ela. À noite, a chamarei casualmente para jantar comigo. Iremos ao meu apartamento e, finalmente, ficaremos juntos. No quarto dia, cancelaremos sua demissão. Ela perceberá que não consegue viver sem mim. Vai correr até mim, vai me agarrar, e ficaremos oficialmente juntos. Talvez em outra situação ela se apaixonasse mais facilmente. Mas, se precisar que eu seja o último homem do mundo para isso, eu faço acontecer. Pego minhas coisas e sigo para casa. Amanhã ela vai cair de amores por mim. Já tomei o cuidado de fazer com que seu pedido de demissão tenha o maior tempo possível para ser processado. Mais de um mês e meio até sequer cogitarem desligá-la da empresa. Minha Cereja nunca vai saber. Melhor assim. Ela acha que está fazendo o melhor para si, mas não está. No fim, ela vai entender. Vai saber que eu fui incrível. Meus seguranças particulares se levantam assim que abro a porta. Dou boa noite e sou acompanhado até o estacionamento. — Josué. — Sim, senhor? — Sobre a 27… você conversa com ela, certo? — Às vezes. A senhorita Cherry nos passa todas as informações de locais e horários de saída que precisamos — ele diz formalmente. Olho para o mais novo, que sorri. — Algo a dizer, Thiago? — questiono, irritado. Se ele tiver qualquer interesse nela, é o fim. — Ela é muito bonita, senhor. Todos os funcionários dizem isso. Muitos empresários com quem o senhor faz negócios dão investidas nela. — Investidas? — pergunto, quase engasgando de raiva. — Sim. Elogios, ofertas de emprego, jantares… — Ela aceita? — Nunca vi. Mas, se quiser, posso perguntar. — Como? — encaro-o com ódio. Só o que faltava. — Na hora do café. A Cida sempre conversa com a gente. Sou muito amigo dela, dou meu jeito de descobrir. — Não precisa, por enquanto, Thiago. Mas me conte depois. Então… ela é bonita? — É. Não do tipo que me daria uma chance, eu sei. Mas ela é bonita, sim. Meu corpo esquenta de ódio. Josué manda, disfarçadamente, ele calar a boca. — Não se aproximem dela. Não quero contato físico. Respondam apenas o que ela perguntar. A partir de hoje, ela é minha. Entenderam? — Certo, senhor. — Para casa? — Josué pergunta. — Sim. Amanhã me busquem quinze minutos antes. — Sim, senhor. Entramos no carro e mantemos o silêncio que tanto aprecio.
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