Gustavo
Chegamos a Nova Iorque, as ruas movimentadas sempre me fazem lembrar de alguns momentos com a minha mãe. Gostaria de tê—la por perto, creio que não passaria a metade do que eu passei na minha infância.
Olho para o meu relógio impaciente, não sei por que Débora insiste em vir atrás de mim. Faz quase uma hora que ela está se arrumando para uma reunião para a qual ela não foi convidada. Débora fez faculdade de direito apenas como status, ela não gosta de se envolver em caso algum a não ser que o caso tenha flashes e seja glamoroso. Chego ao quarto, olho para Débora, uma mulher que antes me enchia os olhos com seu corpo bonito, p****s empinados. Agora não me atrai em nada, ela pode ser até boa de comer, mas é apenas um sexo mecânico e sua futilidade irrita de um jeito que não consigo explicar.
Reviro meus olhos, por que merda está pensando nisso?
—Débora, mais dez minutos de atraso e eu saio sozinho! —digo irritado.
Ela se vira para mim sorrindo e diz.
—Bebê, ainda preciso secar meus cabelos, só mais meia horinha.
Parece que ela faz de propósito! Não é possível! Pego minhas coisas e passo por ela abrindo a porta.
—Para você isso aqui pode parecer algum tipo de brincadeira, mas é trabalho. São negócios Débora! —digo irritado.
—Gustavo! Ela me olha com a cara fechada—não precisa ser um grosso!
—Você sabe como eu sou! Sabe que vim por que era preciso, já você veio por que quis! —grito.
—Estou saindo—digo.
Abro a porta e saio a passos largos até o elevador. Sei que já estou atrasado, hoje é a reunião com o Richard um cliente dono de uma empresa automotiva, entro no carro dizendo ao motorista o endereço do prédio.
Saio correndo, fiquei sabendo que Richard é um porre com horários! p***a! Meu celular vibra em meu bolso e vejo que é o número de Débora, sinto que esbarro em alguém, mas a distração com o celular e a corrida para entrar no elevador aberto me faz não perceber em quem esbarrei.
Mas quando as portas do elevador se fecham, o perfume que emana na pessoa de quem esbarrei faz meu coração acelerar mais do que o normal. Não poderia ser! Agarro meus cabelos nervoso. Talvez fosse apenas a minha saudade falando mais alto, o elevador chega e Richard já me esperava na porta de seu escritório, ainda me sinto distraído com aquele perfume! Coisa que me faz trazer à tona vários momentos que eu sempre tento bloquear.
Balanço minha cabeça tentando apagar tudo isso da minha mente.
Chegamos à sala de Richard e conversamos sobre todos os trâmites para assinar um bom contrato, saio de lá satisfeito e com um convite para jantar e dar uma esticada para boate. Resolvi aceitar mesmo sabendo que terei dor de cabeça para passar por Débora que anda colada em mim feito chiclete. De qualquer jeito terei que voltar ao hotel para trocar de roupa, bufo cansado dessa merda toda! Queria muito que minha vida fosse diferente, mas ao mesmo tempo gosto de ser assim.
Passo pelas portas do quarto encontrando tudo uma bagunça de sacolas e sei que Débora foi às compras para se vingar da forma com a tratei.
É sempre desse jeito, respiro fundo vendo—a sair do banheiro.
— Oooi amor! —ela diz com sua voz animada
— Oi—digo passando por ela indo para o banheiro e vejo que ela vem atrás de mim.
—Bebê, você poderia ter me esperado! Poxa, me arrumei tanto para nada, acabei aproveitando para ir fazer umas comprinhas já que você me deixou aqui no tédio—ela diz tentando colocar as mãos em mim, mas às seguro.
— Débora, me dá licença, eu preciso tomar banho e descansar um pouco—digo tirando as mãos dela de mim.
—Você é um grosso, sabia?! Eu tento chegar perto de você e você fica se esquivando de mim! Não aguento mais isso! —ela diz com lágrimas nos olhos.
—Se não aguenta, diga ao seu pai que não, que não vai se casar comigo e deixe o contrato milionário entre nossas famílias para trás! —digo e ela abaixa os olhos e faz que não com a cabeça. —Eu sabia! Você não quer largar as regalias, não tem coragem de colocar a mão na massa para ter algo próprio! —digo.
Viro—me rapidamente e vou em direção ao banheiro a sinto vir atrás de mim.
—Você é meu Gustavo! Você pode ficar com a p**a que você quiser, mas sempre volta para mim!—ela cospe as palavras e eu tenho que controlar a minha ira.
—Não volto por você. Volto por conta de tudo o que eu conquistei e por que sou obrigado a isso, a sustentar essa mentira!—grito e ela se assusta, fecho a porta atrás de mim, ligo o chuveiro e deixo a água escorrer pelo meu corpo .
Não estou aqui por que quero, estou aqui por que preciso, por que fui obrigado pelo meu pai a assumir isso tudo, por motivos que prefiro não lembrar, chega ser ridículo um homem feito como eu ter que ficar atrás do meu pai e obedecendo tudo o que ele me pede. A família de Débora não é flor que se cheire, por trás daquele ar de família de comercial de margarina existem muitos podres e existe muita gente que gostaria de ver eles no chão. Mas não posso fazer isso, pois tenho meus amigos e tenho alguém que mesmo eu não sabendo onde está agora é muito importante para mim e Débora sabe disso, ninguém tem que sofrer por minha causa.
Olho minha imagem no espelho, os cabelos maiores e a barba maior, tão diferente do que eu era quando tinha 20 anos, quantas coisas eu já passei até aqui. Prefiro não pensar nisso agora, vou aproveitar que aquela doida está fora e me arrumar para o jantar com Richard pelo menos assim consigo esfriar um pouco minha mente que não para de trabalhar.