Gustavo
Coloco minha calça social e um blazer mais casual por cima de minha blusa em formato v. Pego minhas coisas e saio ao encontro de meu sócio. Chego a um restaurante chamado Le Meridien de comida francesa que fica próximo ao Central Park, nunca tinha vindo a este restaurante, mas só pelo lugar creio que a comida seja boa.
Avisto Richard em uma mesa já sentado me aguardando.
Ele se levanta quando me avista.
—E ai Gustavo! — Richard me cumprimenta amigavelmente.
Aperto sua mão.
—Senhor Richard—digo seguindo para a mesa.
—Que isso cara sem essa de Senhor!—ele diz divertido—Só por que tenho esses cabelos grisalhos não quer dizer que sou velho—ele diz se sentando.
Escolhemos o vinho e logo vem à entrada conversamos sobre o contrato e sobre quantas pessoas precisam vir do Brasil para sua empresa.
—Fiz a lista dos melhores advogados—digo me servindo de mais uma taça de vinho.
—Eu estou realmente muito satisfeito com nossa parceria—ele diz.
Aceno um sim.
—Também estou feliz com isso, tenho certeza que será uma parceria promissora! —digo.
O garçom vem trazendo o cardápio e fazemos nosso pedido.
—O que vai fazer depois do nosso jantar? —ele pergunta.
—Ir para o hotel—digo desanimado pensando que terei que ficar junto com Débora no mesmo quarto.
— Que tal ir a uma boate que gosto de frequentar ?—ele diz animado e acho que não seria tão r**m assim.
—Seria uma boa—concordo com ele.
Nossa refeição é servida, comemos falando sobre os negócios e os planos para ele quando Richard para no meio da frase olhando para algo atrás de mim.
Fico curioso com o que roubou o interesse de meu sócio de forma tão forte e olho na mesma direção que ele. Minha boca seca e fico perdido nas lembranças dançando entre o passado e o presente, ela está linda e acompanhada de um homem. Tento me recompor, mas não consigo tirar os olhos dela, tudo estava em seu perfeito lugar, seus cabelos um pouco maiores e suas malditas covinhas que tinha vontade de beijar toda vez que ela sorria ainda estavam ali. Viro—me para frente novamente tentando me controlar e Richard percebe que estou aflito.
—O que se passa? Gustavo? —diz preocupado olhando por cima de meu ombro. Fico puto e com vontade de mandá—lo tirar os olhos da minha mulher.
Mas onde eu estou com a cabeça? Quanto tempo faz que ela foi embora da minha vida sem nem dizer para onde? Ela não é minha.
Peço licença e me levanto para ir ao banheiro pensando em uma forma de chegar perto, ou falar. Entro, fecho a porta, molho meus pulsos e meu rosto.
Ela estava lá fora! Fazia tanto tempo que pensava nela, mas nunca pensei no que faria se a encontrasse novamente meu coração bate descompassado e me sinto a merda de um adolescente. Saio do banheiro e vejo que ela se levanta para ir ao toalete sem pensar duas vezes eu a sigo, encosto na parede ao lado da porta do banheiro e espero ela sair com meu coração na mão. Muitas mulheres passam ali sorrindo para mim e se insinuando, mas nada dela sair daquele maldito banheiro.
Ela finalmente sai arrumando os cabelos e para quando me vê, eu nem sei o que fazer nesse momento, apenas murmuro.
—Oi—lhe dou um sorriso, ela me olha com os olhos assustados , é inevitável ver o vinco que se forma no meio de suas sobrancelhas.
—O que está fazendo aqui? —ela diz ríspida, o que eu queria? Um beijo? Bom, eu queria mesmo porque ela estava tão gostosa! p***a!
—Mundo pequeno não é?—digo chegando mais perto, vejo que ela fica sem ação e recua, seu telefone toca e ela ainda está olhando para mim quando atende.
—Oi mamãe, está tudo bem? O que tem a Katie? Ai meu Deus, já estamos indo para casa, Katie, meu amor à mamãe já está indo! —ela fala apressada.
Quem era Katie? Mamãe? Não posso acreditar nisso! Ainda pego em seu braço, mas Ana me dá uma última olhada e vai em direção à mesa que estava com seu acompanhante. Ela diz algo a ele e lhe afaga o rosto, o que me deixa muito puto! Ele a ajuda a colocar o casaco e os dois saem do restaurante.
E eu fico parado do mesmo jeito como uma pedra. Esses anos todos eu não tirei essa mulher da minha cabeça que sumiu como se fosse uma alucinação minha. E hoje constato o que eu mais temia. Ana seguiu em frente, sem mim.