Capítulo 5

1605 Words
Na véspera da festa Ella estava na frente de seu computador, uma taça de vinho para dar alguma coragem e o endereço da igreja mais perto caso ela sentisse necessidade de se confessar. Ella abriu o a página de busca e antes de digitar a primeira palavra, tomou mais um bom gole de vinho e estralou os dedos gelados. Se a intenção era criar coragem, não estava funcionando. — Qual é Ella, você não vai fazer o que eles fazem é só curiosidade natural. — Repreendeu-se — Não seja tão puritana. Ela digitou a primeira palavra, e se assustou com a definição do termo. BDSM; “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo” O termo refere-se a relações sexuais baseadas no prazer da dor. É uma prática que exige respeito e consentimento de quem está envolvido nela e que requer conhecimento dela como um todo. — Prazer em sentir dor? Como alguém pode gostar de apanhar, ser espancado amordaçado e todas essas coisas que colocam na boca e em outros orifícios? — perguntou para a tela do computador, não que esperasse alguma resposta, afinal ela só havia bebido uma taça de vinho — até agora. A prática do b**m é otimizada com o uso de acessórios. Existe uma infinidade de acessórios para incrementá-la a prática como algemas, chicotes, kits para Bondage e muito mais. Bondage; é a prática de amarrar ou restringir de alguma forma os movimentos do parceiro. Muitos dos jogos eróticos b**m passam por dominar o parceiro por meio da imobilização. Ella se lembrou da mulher no vídeo presa pelos pés e mãos e com os olhos vendados, os gemidos dela fizeram certa região ao sul de sua barriga pulsar de uma forma desconhecida para ela. Disciplina/Dominação e submissão; faz referência ao controle que um dos parceiros assume sobre o outro, estabelecendo regras e comportamentos que deve ser obedecido, seja em uma cena, uma atividade ou o tempo todo. Sadomasoquismo/ Sádicos; são aqueles que têm prazer em provocar sofrimento, seja fisicamente, seja mentalmente ou emocionalmente. Masoquistas; são os que encontram satisfação em ser o alvo dos sádicos. — Sabe Miah, acho que tem que ser muito doente para gostar disse esse tal de sadomaso-sei-lá-o-que — a pequena felina teria uma ou duas coisas a dizer sobre esse respeito, mas ela era uma gata de família. O próximo item da lista compilada por ela tinha um nome estranho. Ménage a Tróis, ela digitou a expressão estranha e pensou que nunca poderia ficar mais chocada com o que via. Ménage à Tróis ou simplesmente ménage é uma expressão de origem francesa que significa ― mistura a três, e é utilizada para designar os relacionamentos sexuais entre três pessoas. E podem ser dos seguintes tipos: Dois homens e uma mulher com bissexualidade masculina; Duas mulheres e um homem com bissexualidade feminina; Dois homens e uma mulher sem bissexualidade; Duas mulheres e um homem sem bissexualidade; Três homens em ato homossexual; Três mulheres em ato homossexual. Gang-bang; Modalidade s****l na qual apenas uma única mulher transa com vários homens, e vice e versa. Sexo Grupal, ou Swing ou troca de casais; é um relacionamento s****l entre dois casais estáveis que praticam sexo grupal como uma atividade recreativa ou social. Clube de swing; São locais destinados à prática de swing. Em algumas festas temáticas pode ser permitida a entrada de pessoas sozinhas, de um ou ambos os sexos, para fins de ménage. Os clubes podem ser exclusivos para casais swingers, ou terem outras atividades (boate erótica, por exemplo), reservando um dia da semana para eventos swingers. Ella continuou lendo e quanto mais aprendia mais curiosa ficava não que desejasse fazer qualquer uma daquelas coisas, mas por que queria estar preparada pra o que poderia ver na noite seguinte. Os termos eram infinitos. Camão ou tatame; cama enorme onde vários casais praticam sexo simultaneamente. Darkroom ou jogo do quarto escuro, ambientes completamente escuros, nos quais os casais trocam carícias ou mesmo relacionam-se sexualmente. O estímulo é mais auditivo que visual, e permite grande privacidade. Aquário; quartos com paredes de vidro nos quais os casais se relacionam a portas fechadas enquanto do lado de fora outros assistem; Confessionário; salas com camas ou poltronas individuais, separadas do ambiente externo por treliça. Permitem a quem está de fora assistir a relação s****l; Labirinto; sala com pouca iluminação, estruturada na forma de labirinto, cujo objetivo é encontrar a saída. No trajeto, os casais trocam carícias e encontram pequenas surpresas, como confessionários, espalhados pelo ambiente; Cadeira Erótica; cadeira especialmente projetada para facilitar grande número de posições sexuais. Daniella pensou se não estava dando a si mesma uma dose muito forte aprendizado s****l, principalmente por nunca ter feito sexo, não que isso fosse alguma pressão ou escolha, nada disso. Ela ainda não tinha tido tempo para namorar, no colégio todos a achavam feia e esquisita, na cidade dela eram todos trogloditas, afinal os poucos solteiros da idade dela eram amigos ou queriam fazer parte do grupo de amigos de seu primo Gero. Ela não via problemas em f********o quando o momento chegasse, mas daí a t*****r com a torcida do Cantareira Futebol Clube era outra história. Ela continuou a sua pesquisa, pois não podia arriscar ficar assustada e sair correndo do palco. No dia do evento, Ella acordou cedo, e como sempre foi correr com a sua gata Miah, tomou café da manhã na rua para não ter que tirar nada do lugar, o almoço estava programado na casa do Fred de onde a banda sairia. Passou rapidamente para dar um beijo no Capitão e na Sonia, pois não teria muito tempo para parar. Ele insistiu mais uma vez para que ela aceitasse o dinheiro, mesmo que fosse como um adiantamento, mas ela estava irredutível. — Menina teimosa, nem pense em nos deixar. Você faz parte da família Bucanero — o homem tentou soar autoritário, mas sempre falhava miseravelmente com ela. — fique para almoçar, assim poderá conhecer meus sobrinhos! Ella negou, alegando estar atrasada para um compromisso, e até jurou que viria em outra ocasião. Sonia dizia que ele se preocupava tanto com ela que às vezes parecia seu o seu pai, a prova era as broncas que ele sempre dava. — Não chegue tarde, cuidado com bebida vinda de estranhos, você está muito magra, etc. — Ella ria e beijava o velho pirata agradecendo por cuidar dela. Na casa de Fred, o almoço foi praticamente para tentar fazer Ella relaxar, brincadeiras, piadinhas de sexo, insinuações que a deixavam tão vermelha quanto o seu cabelo. — Se a intenção é me fazer desencanar, não está funcionando, eu estou apavorada. — Você vai é gostar bebê, e vai torcer para que eu não volte nunca mais. — brincou Bea, acariciando a quase imperceptível barriguinha. O sotaque maranhense era acentuado, soava macia, era quase sexy ouvi-la falar. — Espero que vocês tenham razão, eu sei que não vou fazer feio, mas não posso prometer que não vá jogar os bofes para fora quando sair do palco. — Ella brincou. — Você se saiu bem, sei que é novidade pra você, a gente está brincando, mas todos passaram pela mesma coisa, o fato de ser homem não significa que não reagimos a toda aquela exposição. — disse Alfredo, Ella pensou que gostava dele, ele era muito sério, parecia muito profissional, mas também era divertido. — Ella, se o bicho pegar, pense na grana, na faculdade, pense que vai sair do vermelho até a seu curso terminar e você poder "trampar" na sua área. — disse Pedro com todo o charme do sotaque e da gíria de um paulistano da garoa. Nas últimas semanas, essas pessoas se tornaram uma espécie de família para Ella, e Júlia e João como seus irmãos. Claro que nada disso seria permanente, Bea voltaria um dia e o Bucanero‘s seria reinaugurado em alguns meses. Quando chegou a hora de sair, a última regra foi dita e repetida várias vezes para Ella. Embora fossem um tanto estranhas, ela entendeu a necessidade de manter a privacidade dos clientes do clube, pois se tratava de pessoas muito ricas e algumas muito poderosas, pessoas de quem não era aconselhável ser inimigo. — Você entendeu certo? Não fale com ninguém, evite encarar os convidados, alguns bebem e se drogam e podem achar que você quer um pouco mais do que cantar. Não tire a masca, sob nenhuma hipótese, proteger a sua privacidade é tão importante quanto proteger a deles. Apenas um de nós conhece o local da festa, todos os outros estarão de olhos vendados até entrarmos no recinto, no camarim você vai se trocar e pôr a sua máscara, você pode pedir qualquer bebida do bar e qualquer refeição do cardápio, mas a regra de não ter contato com nenhum cliente é imutável. — Entendi, eu vou conseguir. — disse ao respirar fundo. — Vamos arrasar nessa noite pessoal, vamos deixar aqueles filhos da p**a excêntricos, um pouco mais pobre — gritou Fred e todos foram para a Van escura. Apenas Fred foi na frente, pois era o motorista, o restante dos músicos dividia os assentos com os instrumentos. Ella que sempre mantinha seu violoncelo ao seu lado, passou a maior parte do trajeto olhando para a parte de trás onde seu tesouro estava. — Não se preocupe linda, acredite a Áurea tem mais ciúmes do violino dela que todos nós juntos, e ela o deixa lá atrás na boa. — disse Júlia tentando acalmá-la. — Hora de entrar em cena pessoal, Ojos bien cerrados — disse João fazendo referência ao filme De Olhos Bem fechados de Stanley Kubrick.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD