V

1108 Words
ROTA DE FUGA  Descer do táxi em meio a multidão não foi difícil a porta do carro m*l se abriu para a ruiva se esgueirar e soerguer-se entre os pedestres, o táxi seguiu a viagem como se tivesse parado por causa do movimento a frente, dois carros atrás passou o seu veículo perseguidor ela tomou nota da placa e modelo e num digitar rápido repassou a informação para um colega que poderia investigar o carro.  De modo furtivo, soltou o cabelo e acrescentou uma echarpe e óculos escuros ao visual, se virou para pegar o metrô, diferente da maioria das pessoas ela sempre opta por usar as escadas fixas e ao fazer isso pode notar que um dos homens que estivera na mansão no dia anterior seguia pela escada rolante, estava no telefone gritando com a pessoa que falava do outro lado e Amara pode perceber que falavam dela.  -- Não consigo entender como você perde uma mulher de taxi neste trânsito. Ela ruiva fácil de perceber quando ela descesse do carro você é incompetente e a chefe não vai gostar de saber disso. Temos ordens para ficar na cola dela, volte para a mansão não relata nada.  A sensação de ser uma sombra atrás do homem era até divertida. Amara tratou de esconder seus cabelos sob o lenço que trazia no pescoço.  E falou baixo olhando para o homem que ia a frente.  -- Me guia... O jogo virou.  Ela era muito boa na arte de perseguição furtiva, os anos de treinamento lhe renderam méritos, estava no mesmo vagão de trem que o seu suspeito e já tinha fotos de todos os ângulos,  mais fotos enviadas para a central assim como sua posição em tempo real. Tinha certeza que estava lidando com algo maior que ela e precisava de cobertura.  O homem seguia a sua frente focado no celular e em instruções que passava para alguém.  A viagem no metrô havia sido curta entre trocas de trem, quando saíram do subsolo Mayra se viu numa região mais afastada do centro,  ainda assim muito movimentada, o que poderia ajudar em caso de fuga necessária,  colocou o ponto no ouvido e buscou comunicação.   -- Vou precisar de apoio na minha localização,  pessoal a paisana e material de vigia fixa. O elemento se dirige para um possível quartel. Segue ignorando a minha presença.   -- Amara você deveria estar aqui na central.  -- Irei assim que a equipe chegar. Acredito que estejam aquartelados neste lugar, quero me certificar, também estou sob investigação,  não posso me aproximar mais.  -- Ok, tem uma equipe a cinco minutos do seu ponto, repasse as últimas informações e venha para a central.  Assim que a conversa foi encerrada, mais dois suspeitos conhecidos adentraram o prédio, estes também foram fotografados e as fotos enviadas, quando o carro descaracterizado chegou, Amara trocou rapidamente informações com a equipe e orientou que buscassem posição dentro do prédio ou nas referências próximas que tivesse visão clara.  Recebeu as chaves do utilitário e seguiu para o seu destino original.  Do outro lado da cidade, no escritório central da corporação Schultz, Gil estava tentando acessos a sua sala, mas os escritórios estavam fechados e com agentes à frente de cada porta.   -- Vocês sabem quem eu sou? Eu trabalho nesta empresa há anos e tenho acesso livre.   -- Entendo Sra. Mas a ordem é para todos, somente os Schultz poderão entrar, assim como pessoas autorizadas. Seu nome não esta na lista.  -- Eu vou entrar, eu preciso entrar. Meu serviço está aí.  -- Me desculpe Sra. O prédio está sob investigação se insistir terei que te prender.  O agente falava sério,  era patético a insistência desta Sra. em querer entrar, foi orientado a reportar toda tentativa insistente de entrar nos escritórios, até ali cinco pessoas tentaram a entrada forçada.  As informações estavam sendo repassadas para o FBI, que compartilhou a informação para a unidade de Amara.  Um grande industrial tinha morrido de forma suspeita, as investigações seriam cuidadosas.  -- Sra. Mayra tem o report de cinco pessoas que forçaram a entrada entre elas a Srta. Hollander como o previsto, qual o próximo passo? -  perguntou um agente. -- Seja lá o que for que estão fazendo, Hollander não está nisso sozinha, é uma coisa grande e eu quero o líder. Me enviem o dossiê dos outros barrados, eu vou me juntar aos Schultz.  -- Você não vai chegar a tempo. -  Scoth sempre atento aos horários tentava alertá-la sobre a distância de onde estava até o centro empresarial.  -- Minha carruagem me espera amor, meu personagem desta vez tem aporte financeiro.   O  voo de helicóptero até o conglomerado não levou vinte minutos e pousou justamente no heliponto da empresa. Após descer da nave, Mayra soltou os cabelos de fogo e desceu pelo elevador interno que dava na ante sala da sala de reunião onde todos esperavam para a leitura do testamento, ali tinha alguns rostos conhecidos, oficiais que trabalharam com ela em outras operações.   Ela os olhou como se fossem manequim de uma store e se dirigiu para a recepção se apresentou e falou alto para que todos ali pudessem ouvir que era esperada por Amanda e a família.  Gil ficou indignada não conseguiu disfarçar o desconforto, já estava incomodada por saber que ela tinha descido pelo elevador do heliponto, mais uma vez se perguntava quem era esta ruiva, de qual inferno ela tinha saído pra chegar com tanto poder. m*l terminou de formar seus pensamentos e viu a grande porta se abrir e dela sair uma Amanda toda sorridente e corada de felicidade. Ela estava mais bonita e feliz, muito diferente da garotinha que um dia ela seduziu. Se a situação fosse outra provavelmente ela se apaixonaria.  Viu as duas atravessarem a porta que se fechou atrás delas. Deveria ser ela, uma raiva surda tomou conta dela. Ela precisava ouvir o que seria dito naquela sala. Mas estava de mãos atadas.  Pouco antes do início foi feito uma varredura na sala e todos os equipamentos de câmera e escuta foram retirados ou inutilizados, assim como todo o andar estava com bloqueio para tecnologias,  exigência do falecido.  Amanda tinha que seguir o protocolo e sentar-se à frente junto com a mãe e reservou também do seu lado um aceno para a ruiva desconcertante que segurava sua mão ao seu lado.  -- Me conta como foi. - Perguntou ansiosa.  -- Muita coisa, mas te falo quando estivermos a sós. Não posso desviar sua atenção neste momento.   O magistrado e o advogado entraram na sala. Agradeceram a presença de todos, deu os pêsames para os membros da família.  Tomou assento e deu início à leitura.
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