IV

1062 Words
Do outro lado da cidade, apesar da noite já ir alta. Gil e sua equipe tentavam desvendar o mistério das escutas que tinham em mãos. Muitas das conversas que ouviram naquele dia, das gravações colhidas estavam com estáticas ou cortadas impossibilitando o claro entendimento das conversas, ainda precisavam filtrar o que eram burburinho e conversas corriqueiras, do que era o real objetivo da busca. A raiva que ela tinha guardado durante o dia ainda não tinha sido expelida de maneira a deixar ela aliviada, a cena presa na retina de Amanda beijando a ruiva e logo em seguida repelindo o seu beijo, loga ela que sempre teve a outra eu suas mãos a estava enlouquecendo. Não era ciúmes, ela desconhecia este sentimento com relação a Amanda que sempre foi o seu brinquedo, era posso, e o que sentia era a certeza da falta de controle que ela pensou ter um dia, sobre a garota. Ainda não tinha retorno da investigação que pediu sobre Amara, sabia que era cedo e por mais recursos que tivesse à sua disposição ainda não era a NSA. Mas precisava saber quem era sua concorrente e derrubá-la. Ela tinha a sua frente, várias fotos de Amanda, fotos tiradas ao longo das viagens que a morena fez pelo mundo, em sua maioria apenas na companhia da moto, buscava achar ali algum indício da ruiva, para comprovar que elas já estavam juntas antes e seus homens não tinham lhe dado esta informação, claro que ela sabia que a morena teve envolvimentos rápidos ao longo do tempo em que estiveram separadas, mas nada que lhe causasse preocupação, mas o olhar que viu Amanda trocar com Amara tinha algo mais, algo que ela não sabia decifrar e isso a estava deixando louca. Numa das fotos, recente, do dia em que Amanda chegou a NY, ela viu a ruiva em seus braços na entrada da casa, pareciam íntimas, junto a elas o garotinho que tinha visto na cerimônia fúnebre e a senhora que sabia ser mãe de Elle, talvez seu quebra cabeças pudesse ser desvendado a partir deste ponto. O dia despontava calmo na mansão Schultz, já fazia alguns minutos que Amara estava acordada e olhava para a bela morena ainda adormecida em seus braços, muitas coisas passava pela sua cabeça naquele momento, mas o que mais a prendia era a beleza inocente que dormia calma em seus braços, os traços marcantes do seu rosto, a boca carnuda que pedia para ser invadida e beijada, mesmo dormindo a outra despertava desejos, Amara suspirou pesado, para si, sabendo que seria um ato heroico não se apaixonar, a atração era forte, tanto que não queria se desgrudar da mulher que se encaixava perfeita em seu corpo. Aos poucos Amanda foi acordando, ao abrir os olhos deu de cara com os verdes que lhe encarava, devolveu um sorriso. – Bom dia Amor – Disse e beijou Amara a pegando de surpresa. Foi um beijo rápido, mas de muitos significados e respostas que o corpo de ambas queriam compartilhar, mas o bom senso ou o medo da rejeição impedia ambas de seguir em frente. – Acordada faz tempo? – Só o tempo de poder te admirar enquanto dormia. – Temos planos para hoje? – Eu tenho lugares para ir, e você se não me engano, tem reunião no escritório e a leitura do testamento. Está preparada? – Eu já sei o que está escrito, fugi disso a vida toda, mas a vida me alcançou. Disse Amanda num suspiro pesado. – Você vem comigo não é? – Te encontrarei lá, como disse tenho coisas para resolver. Agora vou tomar um banho. Me acompanha? - A pergunta veio, com um sinal de silêncio com Amara gesticulando mostrando a escuta e um piscar de olhos indicando que era para os ouvidos curiosos ouvir e não um convite de verdade. Um misto de desejo e decepção perpassou pelos olhos de Amanda. – Pode ir na frente, vou ver se ainda tem café. Amara se levantou e virou as costas, não percebendo a mulher que deixava cabisbaixa na cama, a que também não viu o misto idêntico de decepção se a outra tivesse dito sim. Enquanto tomava banho, fazia notas mentais das coisas que tinha para resolver neste dia. Primeiro contatou seus parceiros, pois precisava de seguranças discretos para seguir Amanda e Clara, uma vez que desconfiava que Gil já vinha fazendo isso. Neste primeiro momento não se preocupava com sua mãe e J, pois ambos estavam em casa, e não tinham planos de sair. Iolanda não conhecia a cidade e falava pouco o inglês para se aventurar só pelas ruas, e J automaticamente só sairia na companhia de uma ou outra. Estava no quarto terminando de colocar por cima da camisa branca que tinha escolhido para compor junto com a calça preta e a bota estilo coturno um colete, que esconderia o coldre da arma que ia às suas costas, o cabelo de fogo estava amarrado num r**o de cavalo, quando Amanda entrou no quarto perdeu um pouco o fôlego e seu coração pulou uma batida. – Esta linda! Saiu naturalmente, sua boca atropelando o cérebro que não queria ter dado esta bandeira. – São seus olhos. Olha não vou poder tomar café, estou atrasada. Nos vemos no escritório. Lançou um beijo, para a outra e saiu com o casaco nos ombros. Nova York é uma cidade insone, o vai e vem constante dia e noite, é o que movimenta a economia da cidade, andar de carro é um exercício de paciência, pensando no tudo o que tinha para fazer, chegou no portão da mansão olhou para os lados e pediu um táxi. Esta olhada para o lado, pode ver que do outro lado da rua tinha um carro escuro, que se pôs em movimento assim que o táxi deu partida, poderia ter passado desapercebido, se agora a três quadras o seu perseguidor não estivesse tão colado. “Vamos brincar de gato e rato então”, pediu para o motorista parar próximo ao metrô, deixou uma nota de 100 dólares, que pagava e deixava uma gorjeta bem gorda para o motorista que sorriu feliz. – Só peço para o senhor parar junto a multidão, quero descer sem ser percebida e em seguida siga para uma avenida congestionada. – Isso não será difícil aqui senhora, muito obrigada. E assim foi feito.
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