III

1345 Words
Quando Gil sentou no banco de trás do seu luxuoso carro, dando ordens ao motorista para seguir direto para o Hilton, ela ainda guardava em si a frustração de saber que Amanda já não estava em suas mãos. – Eu preciso me livrar daquela ruiva maldita. - De posse do celular discou um número para ela já conhecido. - Oi, preciso que você me levante tudo o que conseguir sobre Amara, não, não sei o sobrenome dela, e para isso que eu te pago, descubra. Já era um pouco mais de 22h, a casa já estava em silêncio o jantar foi servido apenas ao pequeno J, pois os demais não estavam com disposição para refeições completas. Em seu quarto, Amanda remexia em seu equipamento de fotografia, só agora tinha tido o tempo necessário para separar o material e revisar. Estava se dirigindo para o seu escritório estúdio que ficava ao lado do quarto, quando encontrou Amara, ela sorriu para a mulher que vinha em sua direção e sentiu o coração fora de compasso, a sensação de tempestade e borboletas voando em seu estômago em perfeita harmonia. – Estou indo trabalhar algumas fotos. Me acompanha? - Perguntou timidamente. – E ter permissão de entrar em seu santuário? Adoraria. As duas adentraram a sala. – É mais um refúgio, na verdade. – Acredito, seu pai nunca deixou que se entrasse nesta sala. – Seja bem vinda. - disse a moça estendendo os braços como se fosse o mestre de cerimônias. Era um espaço amplo guardado as proporções da casa, de um lado um pequeno escritório montado com uma mesa ampla, uma cadeira confortável, estantes com livros a maioria sobre artes e fotografia, um sofá no estilo divã próximo de um janelão que se abria para uma varanda, do outro lado, já num espaço bem maior a área dedicada a fotografia, tinha as características de um miniestúdio com espaço para fotografia, e uma mesa de metal que Amanda explicou que usava para fazer as revelações de algumas fotos. – Apesar de hoje as pessoas serem bastante digital, eu gosto de revelar fotos nos padrões clássicos, acho que por isso ainda me mantenho no mercado. – Oi, se mantém porque o seu trabalho é realmente bom. - A ruiva disse, enquanto segurava em suas mãos uma das fotos reveladas. Amanda sorriu para ela, que absorta a imagem não percebeu o gesto da mulher ao seu lado. – Esta foto é do Chile, certo? – Sim, uma das últimas que tirei, eu tinha um roteiro a seguir, e coincidente muitos dos lugares apontados pelo cliente, que agora sei era Elle, foram lugares que já estive com meus pais, então tem um toque todo especial, um que de dejavú na maioria. – Entendo. Você já havia fotografado estes lugares antes. – Sim, mas são fotos amadoras que fiz quando ainda era jovem. Por que? – Por que eu acho que nosso quebra-cabeças começa a se resolver por aí. Amanda a olhou com um olhar interrogativo mas de certa forma, começava a entender a linha de raciocínio da investigadora. Acenando positivo confirmando que entendeu o que a outra lhe dizia. Pegou o celular, agora o novo com decodificador e pressionou a tecla para embaralhar a conversa, ao que foi interrompida. – Por incrível que pareça este ambiente não foi monitorado, provavelmente por você não vir a casa durante anos e não fazer uso deste espaço. – Então podemos falar abertamente sobre tudo? – Quase tudo, melhor não sermos óbvias. – Certo. Meu quarto? – Diferente dos outros cômodos, tem escuta, mas não câmeras, provavelmente ele pode ter sido usado por hóspedes na sua ausência. – Sim ele era, não estou muito presa a nada material, e sempre deixei isso claro, nesta casa o único que me interessa mesmo é o meu estúdio e por isso meu pai o mantinha intocado. – Sei, e haverá problemas se dormirmos nós duas lá? Ontem não fiz menção a isso, era seu primeiro dia na casa, você voltava de uma viagem longa e precisava descansar, também não tinha sob vigilância os elementos que tenho hoje, e exatamente por isso a história, nossa história mudou. Nós precisaremos fazer esta cena, e ela precisará ser real para todos. Você vai conseguir? – Se ao final disso, tivermos a resposta ao que aconteceu com meu pai e Elle, não vou me importar em fingir. Claro que isso muda algumas coisas que eu tinha planejado, mas sei que este imbróglio não será para sempre não é. Ao terminar de dizer tais palavras, ambas se viram diante de sentimentos conflitantes. Amara, não pensou num futuro para elas, mas saber que Amanda tinha outros planos, a fez sentir como se uma flecha estivesse atingindo o seu coração de forma dolorosa, já Amanda, apesar de dizer ter outros planos, usou a palavra mais como um escudo, para não se ver tão vulnerável aos sentimentos que a bela ruiva despertou nela em tão pouco tempo. Ambas sorriram uma para outra, era claro o desconforto, sem opções ou vontade de continuar aquela conversa, Amara se levantou. – Neste caso, vou arrumar as minhas coisas, me mudo para o seu quarto. – Ok. Ah, eu costumo ficar com o lado direito da cama. – Pode ficar com ela toda, eu vou fazer uma no chão. – Não mesmo. Se o que vamos fazer tem que ser real, quero dormir e acordar com você nos meus braços. No fundo as duas queriam isso. Um acordo silencioso foi selado naquele momento, apenas entre os olhares de ambas. Amara, olhou para Amanda, delineou cada parte do corpo da outra, sorriu enigmática, piscou e saiu do estúdio, se dirigiu ao quarto que ocupava e pegou as suas coisas, para não levantar suspeitas retirou dali apenas o básico. O quarto de Amanda era amplo, uma suíte muito bem decorada, apesar de a casa ser um casarão centenário, ainda assim tinha espaços para as modernidades que as constantes reformas proporcionaram. Arrumou suas roupas num canto vazio do closet, lembrando que a outra havia dito que ocupava o lado direito da cama, se posicionou em todos os lados opostos do quarto, no banheiro não foi diferente, colocou seu kit de higiene pessoal do lado esquerdo da bancada, trazia consigo uma arma, mas não queria que os demais habitantes da casa soubessem da existência da mesma, esta ela escondeu atrás do encosto da cama, um lugar onde supostamente ninguém mexeria. Feito as devidas arrumações, olhando a hora que informava que já era tarde, optou por um banho rápido, colocou um pijama curto, que em seu corpo esguio tomava proporções bem sensuais, mas desprovida de quaisquer pensamentos maliciosos, se permitiu deitar no lado reservado da cama para si. Acontece que após relaxar e dormir pesadamente, ela fez o que está acostumada a fazer, se espalhou na cama. Amanda ao entrar no quarto, deu de cara com aquela mulher maravilhosa totalmente relaxada dormindo em sua cama, a olhou com desejo e tentou desviar o olhar das curvas que aquele corpo formava sob o lençol, se dirigiu ao banheiro e viu o kit higiene da outra metodicamente arrumado do lado esquerdo, com um misto de brincadeira, bagunçou tudo e depois o colocou ao lado do seu. “Se somos um casal, temos que misturar as coisas e brigar por isso.” Tomou o seu banho, ficou em dúvida de como dormiria ao lado daquela bela mulher, tinha o hábito de dormir nua, mas não queria causar uma situação. Sendo assim optou por uma camiseta e somente ela e foi se deitar. Esta também não foi uma tarefa fácil, pois Amara ocupava noventa por cento da cama, e seria impossível deitar sem acordá-la. – Amor? - Chamou baixo, ao que ouvi apenas resmungos – Amor me deixa deitar, você está em toda a cama. Mais resmungos e Amara apenas levantou os braços para que ali a outra se aninhar. – Sim… Dormir e acordar nos seus braços para sempre. Falou mais para si, com um sorriso contido, mas a outra ouviu e a trouxe mais para si.
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