MIKHAIL VOLKOV
Eu não gostava de viagens longas Não gostava de ficar horas dentro de um avião, longe do controle das coisas, sem poder verificar pessoalmente o que acontecia em Moscou, nem de depender de pilotos, funcionários e sistemas para garantir que tudo funcionasse como deveria.
Mas, naquela noite, eu não me importava, porque estávamos voltando para a Rússia, e dessa vez, não estávamos voltando sozinhos.
Meu olhar percorreu o interior silencioso do avião particular dos Volkov antes de parar novamente na garota adormecida no banco à minha frente.
Elina, minha noiva.
A palavra ainda parecia estranha na minha cabeça. Não porque eu não soubesse o significado dela, mas porque, olhando para aquela garota, eu não conseguia imaginá-la ao meu lado como uma mulher preparada para ocupar o lugar de esposa de um homem como eu.
Ela parecia... pequena demais, frágil demais, embora tivesse dezenove anos e um corpo de mulher, havia alguma coisa nela que fazia com que eu tivesse vontade de protegê-la, não de reivindicá-la. Ela era inocente demais, uma mulher formada com mente inocente. Ela dormia encolhida contra o banco, com as mãos próximas ao rosto e os cabelos espalhados pelos ombros.
Ou talvez fosse a expressão tranquila que finalmente havia tomado conta de suas feições depois de horas de agitação, eu a observei em silêncio, era impossível não notar sua beleza.
O rosto levemente arredondado tinha uma delicadeza perfeita. Havia um pequeno furinho no queixo que aparecia quando ela fazia determinadas expressões. As maçãs do rosto estavam naturalmente avermelhadas, contrastando com a pele clara, o nariz era fino.
E a boca...
Desviei os olhos imediatamente, não era necessário ficar encarando, ainda assim, alguns segundos depois, olhei novamente.
A boca dela era perfeitamente desenhada, carnuda e rosada. Estava entreaberta enquanto dormia, parecia um convite a um beijo, e alguns fios loiros caíam sobre seu rosto, os cabelos eram longos, lisos e muito claros. Ela era linda, mais do que eu esperava.
E isso era um problema, porque beleza nunca tinha sido algo importante para mim, eu precisava de lealdade, disciplina, inteligência, controle. Não precisava de uma mulher bonita.
Muito menos de uma mulher que parecia ter sido criada em um mundo completamente diferente do meu. Elina tinha sido entregue a mim como parte de um acordo.
Um casamento que deveria unir interesses. Só que ela fugiu. Fugiu de mim, fugiu do próprio destino, e nós fomos buscá-la, não porque eu quisesse puni-la, mas porque, depois que ela desapareceu, descobrimos coisas que mudaram completamente o modo como eu enxergava aquela situação.
Ela não estava simplesmente recusando um casamento.
Ela estava com medo, medo de nós, medo da Rússia, medo do que poderia acontecer com ela, mas m*l sabe ela que aqui é o lugar mais seguro que ela poderia estar.
E pela primeira vez em muito tempo, algo dentro de mim não aceitou a ideia de deixar uma pessoa desamparada. Principalmente ela.
— Acha que exageramos na dose?
A voz de Nikolai me tirou dos pensamentos.
Olhei para meu irmão. Ele estava sentado ao meu lado, com os braços cruzados e os olhos fixos em Elina.
— Creio que não. — respondi — Foi apenas um calmante para ela dormir. Estava muito agitada.
Nikolai ergueu uma sobrancelha.
— Ela praticamente tentou fugir do avião.
— Ela tentou fugir de nós. — corrigiu Andrei, sentado do outro lado. — E quase conseguiu.
Ele soltou uma risada baixa.
— Não vejo graça.
— Eu vejo. Ela é corajosa, quem ousaria tentar fugir de nós quatro, mesmo se for desconhecidos, nossa genetica é ótima, alem de lindos, eu mais que todos, somos grandes e você com essa cara de doido, assassino, assusta qualquer um. Mesmo em outro país.
Olhei para ele. Andrei levantou as mãos.
— Tudo bem. Eu parei, mas que ela é uma Smélaya króshka(Pequena audaciosa).