"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor." - Joseph Addison
Catarina
Ele segurou minha cintura e começou a me guiar, estávamos saindo do meio do pessoal e então seguimos por uma escada, e ele permanecia atrás de mim. As pessoas passavam pela gente e olhavam curiosas, pelo jeito muita gente aqui conhecia ele.
- Ignore os olhares - Ele diz, parecia até saber os meus pensamentos. - Vire a esquerda! - Ele diz após a gente chegar em um enorme corredor.
- Essa casa é sua?? - Pergunto curiosa.
- Não, de um amigo muito próximo - Ele diz e eu concordo.
Seguimos andando e então ele para em frente a uma porta, ele abre ela e consigo ver um enorme quarto. Entramos e observo melhor o quarto, tem uma grande cama de casal, duas mesinhas uma de cada lado da cama, um grande guarda roupa e outros detalhes bem luxuosos. Mas, sou tirada dos meus pensamentos com o Miler me puxando e colando o meu corpo no dele.
- Esse seu cheiro tá me deixando doido! - Ele diz e começa a beijar meu pescoço enquanto sua mão vai passeando pelo meu corpo, me deixando completamente atiçada.
Ele para de beijar meu pescoço e me encara, ele começa a percorrer os olhos por todo o meu rosto, como se eu fosse uma obra de arte e ele um analisador.
- Sabe que isso que estamos fazendo é errado, senhorita Rodrigues? - Ele pergunta e segura meu rosto.
- Sei sim, senhor Miler! - Digo e ele vai se aproximando ainda mais do meu rosto, deixando nossas bocas em poucos centímetros de distância.
- Porém, ninguém precisa saber disso além de nós - Ele diz e então me beija ferozmente.
Coloco minha mão ao redor do pescoço dele enquanto ele segura meu rosto com uma mão e com a outra aperta minha cintura. Os lábios dele pareciam se encaixar perfeitamente com os meus. O beijo estava cada vez ficando mais intenso, suas mãos agora estavam em minha b***a, enquanto eu dava leves a arranhadas em suas costas por baixo de sua jaqueta e blusa.
De repente ouvimos passos no corredor e aparentemente alguém vindo em passos rápidos. A porta do quarto é rapidamente aberta e uma mulher entra, eu e o senhor Miler já não estávamos mais nos beijando e agora ele estava em minha frente.
- O que você tá fazendo aqui, Matteo? - A mulher pergunta com a voz irritada.
Meu Deus! Ele tem companheira? Que safado!!!
- Eu que te pergunto, Charlotte! Quem te deu o direito de falar assim comigo? - Ele pergunta friamente.
- Eu tenho todo o direito de falar assim com você! Esqueceu do que temos juntos? - Ela pergunta com uma voz manhosa e insuportável.
Tento olhar melhor ela, mas o senhor Miler tampava um pouco a minha visão. Porém, vejo que ela é uma mulher muito bonita, tem os cabelos ruivos, um corpo magro e curvilíneo, diria que ela seria uma ótima modelo, tem todo um físico para isso.
- Charlotte, não me estresse! Já disse que não temos nada, vá embora! - Agora ele já não falava em um tom calmo, seu tom era grosseiro e estressado.
- Não acredito que está fazendo isso comigo - Ela diz com a voz chorosa - Ainda mais com essa aí!
Essa aí? Ela está mesmo tentando me diminuir?
Eu não sou a pessoa com a maior auto estima do mundo e a mais corajosa, porém, por conta do álcool no meu sangue, sinto uma coragem subindo em minhas veias e saio de trás dele, encarando ela. Sou brasileira, meu amor!
- O que você quis dizer com isso, querida? - Pergunto encarando a mesma que se assustou com minha pergunta - Se o Matteo está comigo aqui e não com você, acho que o problema não está em mim!
Vejo seu semblante se fechando e a raiva sendo estampada em seu rosto.
- Como ousa, sua vadi@?! - Ela diz e vem em minha direção, mas Matteo entra na frente e segura ela. - Você nunca chegará aos meus pés, se ele está com você é porque estava entediado e quis brincar com alguém!! Olha pra você!!
Resolvo sair do quarto e deixar eles para trás, apesar de tentar não ligar, suas palavras foram cruéis e me afetaram. Sempre sofri muito com a questão da minha aparência na adolescência e mesmo depois de muitas mudanças, as vezes essas inseguranças voltam e me assombram. E após ouvir tudo o que ela disse, me trouxe memórias do passado e que me afetam até hoje.
Vou descendo as escadas tentando não chorar, mas as lágrimas estavam tentando cair a qualquer custo. Vou passando pela multidão em busca de achar Mia e avisar que estou indo embora. Procuro por toda a casa e não acho, então vou para o lado de fora e também não encontro minha amiga.
Nesse momento as lágrimas já estavam caindo com força e eu não sabia o que fazer, então procuro o lugar mais afastado para ficar e me acalmar. Vou então até uma parte do jardim mais afastada e me sento na grama, tentando conter as lágrimas que ainda insistiam em cair.
Me lembro bem de quando tinha completado meus 17 anos, fui convidada para sair por um menino que eu era apaixonada no ensino médio, eu não era feia, pelo menos agora vendo as fotos antigas posso dizer isso, mas na época sempre insistiam em dizer meus defeitos, lembro que sofri muito com acne naquela época e as pessoas aproveitavam para me diminuir. Enfim, eu aceitei o convite dele e fui, me lembro de ficar super animada e tentei ficar o mais bonita possível para o dia, porém chegando lá, ele não foi e eu fiquei plantada esperando. Depois ele me mandou algumas mensagens dizendo que ele não era louco o suficiente pra sair comigo e que eu teria que mudar muito fisicamente para alguém se interessar por mim de verdade.
Aquilo me machucou tanto, que passei anos em terapia para me aceitar e entender que tudo que ele disse não era verdade. Tive que construir uma autoestima do zero e até hoje tenho algumas turbulências com ela. Então ouvir aquela mulher falando aquilo de mim, me trouxe uma sensação horrível.
- Catarina? - Ouço uma voz logo atrás de mim e rapidamente limpo o meu rosto. Dou uma olhada para trás e vejo o senhor Miler.
- Me deixe sozinha, por favor! - Peço com a voz baixa.
- Por que está chorando? Foi pelo que Charlotte lhe disse? - Ele pergunta, ignorando totalmente o que eu disse.
- Não é da sua conta, só me deixe sozinha - Digo rispidamente e depois me arrependo amargamente, em lembrar que eu estava falando com o meu chefe. - Desculpe pela grosseria, senhor Miler! Só não quero conversar.
- Ignore o fato de eu ser seu chefe, por hoje! E estou aqui como uma pessoa que está querendo que você fique bem - Ele diz e se senta do meu lado, ele segura meu rosto e move ele lentamente, me fazendo olhar para ele - Agora sou só o Matteo, e quero saber o que te deixou assim, Catarina!
- CAT - Ouço uma voz femina gritando atrás de mim e olho para trás, vendo Mia me dando tchau e sorrindo, aparentemente bem alcoolizada.
- Sabe o que é melhor, Matteo? - Pergunto me levantando e ele continua a me encarar - Deixarmos a noite de hoje no passado ou melhor, fingir que nada disse aconteceu! Será melhor para os dois e peço desculpas por ter afetado sua relação com a mulher de mais cedo! Tenha uma boa festa!
Saio de lá e sigo em direção a Mia, e logo sinto as lágrimas querendo voltar a cair, porém permaneço firme.
- Vamos? - Pergunto a Mia e ela concorda rindo.
- Amiga, eu tô muito maluca! - Ela diz me abraçando e não consigo conter o sorriso.
Só essa maluca pra me tirar um sorriso agora.