Lorena dormia tranquilamente, enquanto eu em pleno sábado, estava acordada às 6h26min da manhã, meus pensamentos estavam um turbilhão. Imaginava se Thiago iria me ligar para marcamos de ir ao parque que sempre íamos, ou talvez aquele café que ele me levava nas manhãs em que acordava de bom humor.
Mesmo todos dizendo que tenho que esquece-lo, não dá. Meu coração teimoso grita por ele. Thiago era imprevisível, nos dias que menos esperava ser surpreendida, ele aparecia com flores, ou me dizia que iríamos a um restaurante sofisticado.
Levanto-me com o maior cuidado para não acordar Lorena, tiro sua mão que está sobre minha barriga, e finalmente me liberto, vou até o banheiro faço minhas higienes, e volto ao quarto para trocar de roupa, optei por uma calça jeans de lavagem escura, uma blusa branca sem detalhes, e meu moletom, após me aprontar sai porta a fora.
Sabia exatamente aonde queria ir.
A passos lentos, caminho sobre a selva de pedras, adolescentes correndo para a escola, carros buzinando, não aguento mais esse transtorno, então vou para o único lugar onde eu me desligo desse mundo.
O ar fresco de verão envolve as árvores do parque em uma seriedade incrível, vez ou outra passa ventos frios, e me aperto ainda mais na minha blusa. Por uma fração de segundos tenho uma leve tontura, sento-me em um banco próximo, coloco as mãos nas têmporas e abaixo a cabeça para ver se passa, deve ser um breve m*l-estar.
Levanto a cabeça percebendo que já estava um pouco melhor, voltei a andar e sentir a brisa leve e suave. Parei para observar o riacho que ali passava, não sei quanto tempo eu fiquei parada, mas quando resolvi retomar meu caminho, foi como se o chão sumisse aos meus pés, não sei quando lágrimas começaram a escorrer.
Thiago andava abraçado com outra mulher. Foi tão rápido não havia nem um mês que havíamos terminado, meu coração está partido em milhões de pedaços, nossos olhares se cruzam e sua boca se forma em um “o”, antes que ele viesse até mim, eu segui o caminho contrário às lágrimas ainda insistiam em rolar, e de pensar que no meu coração ainda existia esperança de voltarmos, me sinto uma tola.
Fecho a porta do meu apartamento e me encosto na mesma, e aos poucos vou me sentando ao chão, o homem que eu amei durante anos, agora está nos braços de outra. Agora mais do que nunca quero somente esquecer Thiago, tirar de uma vez por todas essa dor insuportável. Chega! Limpo minhas lágrimas e recomponho-me, invado o quarto e vejo Lorena procurando algo desenfreadamente.
— Está tudo bem? — Pergunto, e vejo Lorena dar um pulinho de susto, sorri com a cena.
— Ah! Que susto. — Ela diz colocando a mão sobre o peito esquerdo e respirando lentamente. — Onde você estava Lívia?
— Estava caminhando, no parque aonde sempre ia... — Digo abaixando a cabeça, pois senti minha garganta formar um nó.
— Foi lá porque estava pensando no Thiago, estou certa? — Ás vezes era estranho, no quanto Lorena me conhecia.
— Não, claro que não! — Minto. Muito m*l por sinal.
— Não adianta mentir, eu conheço sua cara de choro, e sei muito bem quando está mentindo. Convivemos juntas há anos Lívia. — Realmente, Lorena me conhecia melhor do que eu própria.
— Sim, eu fui até lá para lembrar dele, e talvez ver ele. E eu vi. — Lorena expressou confusa. Então eu continuei. — Eu o vi Lô. Só que... — Eu soluçava, nem havia percebido que chorava. — Ele estava ao lado de outra mulher.
— Aquele, aquele... Filho de uma égua. Quer que eu o mate ou apenas o torture? — Sorri, a única capaz de me fazer sorrir em momentos como esse. — Se o destino te afastou dele, talvez seja porque vem coisa melhor, algo bem melhor.
— Mas enquanto esse “melhor” não chega, dói Lô. E não é pouco. — Disse levantando-me.
— Sabe do que você precisa? — Ele me lançou o olha de quem esta aprontando. — De uma noitada, conhecer homens novos, bonito, gostosos. — Ela deu ênfase à palavra gostosos e sorriu maliciosa.
— Concordo. — Eu pensei em recusar, mas eu nunca conseguiria superar se ficasse enfurnada dentro de um quarto, chorando, ouvindo Jorge e Matheus e vendo as nossas fotos.
— Isso ai, essa é minha menina. Hoje a noite vai ser a nossa noite. — Apenas sorri, e me dirigi ao banheiro para tomar um banho.
Entrei embaixo do chuveiro, deixando a água levar meu suor e minhas lágrimas, talvez demorasse, mas eu esqueceria Thiago, eu querendo ou não.
A noite logo chega. Lorena passou o dia comigo, mesmo tendo um trabalho de faculdade para fazer, ela alegou que poderia fazer isso amanhã. Eu realmente tinha a melhor amiga existente.
Já tínhamos tomado banho, e agora nos arrumava.
— Gatinha, isso aqui fica mais sexy em mim do que em você. — Lorena gargalhou, exibindo um vestido preto de paetê colado, que ia uns dois dedos acima da metade da coxa. O vestido marcava as curvas exageradamente perfeitas dela.
— Literalmente. — Sorri. — Hoje você desencalha. Fé no pai.
— Ouvi um amém igreja? AMÉM! — Rimos juntas.
Eu ainda revirava minhas roupas, em busca de uma roupa que me chamasse à atenção, já estava desistindo quando achei o vestido. Ele era um azul quase preto, não era curto nem longo, era justo. O vesti e olhei-me no espelho, meu corpo não é espetacular, minhas curvas são todas no lugar, não tenho nada exagerado. Soltei meus cabelos que batia na metade das minhas costas, o joguei de lado de uma maneira simples — porém sexy.
— Ui, tá maravilhosa. — Lorena está encostada no batente da porta, toda maquiada, e com meu salto 15 de sola vermelha, que comprei mês passado. Ela perdeu o juízo?! Eu nem havia usado. Mas é como diz o ditado: Fazer o que?
— Obrigada! Você também.
— Maravilhosa? Sempre fui! — Ela sorriu e eu a acompanhei, da mesma forma que tinha melhor amiga do mundo, eu tinha a mais convencida também.
Passei apenas um rímel para destacar meus olhos, peguei uma bolsa pequena onde coloquei minha identidade, dinheiro, meu celular e seguimos rumo a uma boate próxima.
— Olha o tamanho dessa fila, Lô. — Apontei para a fila que se estendia por quase uma calçada inteira.
— Juro que vai valer a pena. — Ela disse já me puxando para ocuparmos lugar na fila.
— Tomara.
Após ficarmos 30 minutos na fila, finalmente éramos as próximas, um homem de estatura alta — bem alta — nos analisou, da cabeça aos pés.
— Identidade! — Pronunciou com uma voz de trovão, e estendendo a mão.
Entregamos, ele analisou e liberou a passagem.
Assim que entramos a música alta invadiu meus ouvidos, e o cheiro de álcool tomou conta das minhas narinas. Lorena logo começou a se soltar, e foi para a pista de dança em busca de uma “presa”.
Enquanto eu me dirigi ao balcão de bebidas. Um homem moreno estava atrás do balcão.
— Boa noite! — Cumprimentou-me. — Gostaria de alguma bebida?
— Olá! Só água, por favor. — Ele abriu um sorriso lindo. Muito lindo.
— Só um instante. — Ele se dirigiu a uma pequena geladeira, que se posicionada atrás dele. — Aqui esta. — Ele depositou a garrafa da água e um copo de vidro.
— Obrigada! — Sorri, e avistei Lorena na pista de dança, colada com um homem dançando, sorri ao ver a cena, quando foi que Lorena ficou solta desse jeito?
— O que uma moça tão bonita quanto a você faz sozinha aqui? — Alguém disse me tirando do meu devaneio. Só então percebi que era o barman.
— Acompanhando a amiga. — Sorri, tomando mais um gole da água gelada.
— Ah sim! Logo aparece alguém por aí. — Ele tinha aquele sotaque carioca maravilhoso. Permiti-me observa-lo. Ele usava uma camisa cinza que no centro destacava o logo da boate, a camisa destacava perfeitamente os braços musculosos, seus olhos pareciam ser mel. Realmente, um homem de m***r qualquer uma.
— Não estou com muita vontade de conhecer homem. — Digo. — Mesmo precisando. — Essa última fala saiu como um sussurro, só eu consegui ouvir.
— Decepção amorosa? — Ele perguntou. Acho que isso está estampado na minha testa.
— Talvez. Não. Sim.
— Eu lido com mulheres de corações partidos todo fim de semana. A única diferença é que você está sóbria. — Ele sorriu.
— Não gosto de bebidas alcoólicas, são desnecessárias. Bom, obrigada pela atenção, mas acho que já vou indo.
Levantei-me sem esperar sua resposta e me dirigi a saída, depois envio uma mensagem para ela. Não estava no clima de ficar em um lugar agitado. Assim que sai daquele lugar, enchi meus pulmões com o ar puro.
Tirei meus saltos, e estava decidida a voltar para casa descalça. Como se já não bastasse meu problema com Thiago, segunda-feira teria um exame de ultrassonografia, para ver como esta meu útero. Uma pontada de dor atingiu meu peito, ao pensar nesse assunto. Quando é que algo de bom vai acontecer na minha vida?