Natalie
O restaurante dele é chique com “C” maiúsculo. Eu me destaco como um polegar dolorido, graças ao meu suéter vermelho-tomate — ainda mais chamativo quando contrastado com meu cabelo vermelho brilhante. Digo a mim mesma: é apenas um almoço. Certamente posso aguentar uma ou duas horas de conversa educada e contato com colegas de trabalho, certo?
Os irmãos da tecnologia formaram uma espécie de grupo. Uma aliança. Nate, Buck, Steven, David e Timothy se unem como cola, ocupando todas as cadeiras vazias da mesa, uma massa inseparável.
Os irmãos Freeman também se juntaram a nós, sentando-se do outro lado da mesa, enquanto ocasionalmente... respondiam às perguntas esporádicas dos irmãos da tecnologia. Só me resta um lugar.
Bem ao lado de Dominic.
Sento-me em completo silêncio. Ele também não fala. Os irmãos dele falam de negócios, enquanto os irmãos da tecnologia falam de trabalho — sem tentar me incluir na conversa. É tão constrangedor e desconfortável que tenho vontade de me contorcer, mas resisto à vontade e finjo interesse enquanto a simpática garçonete recita os pratos especiais.
Dominic está se esforçando ao máximo para me ignorar. Acho que ele nem sequer me olhou escondido. Para ser bem sincera, não sei se devo ficar grata ou se devo me sentir insultada. Tudo o que sei é que estou definitivamente confusa... e um pouco assustada. E se eu perder meu estágio? E se... a notícia se espalhar?
— Acho que ele tem algumas boas ideias — diz Nate com um sorriso indiferente.
— Ele é um dos homens mais ricos do mundo por uma razão. Eu planejo investir em criptomoedas como ele. O cara é um gênio.
Um pequeno sorriso irônico me escapa. Não é minha intenção fazer esse som, mas a maneira como Nate fala sobre um homem que fez fortuna com uma série de investimentos muito lucrativos — convenientemente omitindo o fato de que seu pai era dono de uma mina de ouro e financiou seus projetos anteriores — faz com que ele pareça merecedor de ser colocado num pedestal. De ouro maciço.
Nate inclina a cabeça, com um sorriso divertido no rosto.
— Algo engraçado aí, Natalie?
— Não, nada.
— Por favor, fale mais alto. m*l consigo te ouvir.
Eu respiro fundo.
— Eu simplesmente não concordo com essa afirmação.
Nate cruza os braços e se recosta na cadeira. Há uma presunção nele que eu não aprecio. Uma energia do tipo “meu pai vai ficar sabendo disso”. Ele está até usando uma camisa polo branca impecável da Ralph Lauren.
— Por que isso, Hawkings?
— Criptomoeda é notoriamente instável. Você teria mais sorte apostando seu dinheiro em corridas.
E em segundo lugar, o homem não é infalível. Você viu a bagunça que ele fez quando assumiu a Chipper? Levou a empresa à falência em duas semanas.
— É — diz Timothy, meio perdido, mas concordando. — Foi um desastre do qual não consegui desviar o olhar.
Nate estala a língua e lança um olhar furioso. Timothy imediatamente se fecha em si mesmo. Aparentemente, eu já descobri quem é o líder dos irmãos da tecnologia.
— Você não entenderia — ele diz com um desdenhoso aceno de sua baguete.
— Cripto exige um certo nível de conhecimento. Eu não espero que você entenda.
— O que há para não entender? — eu retruco.
— É uma forma alternativa e instável de moeda. Existem opções mais seguras… lugares melhores para investir seu dinheiro.
— Vou buscar aconselhamento financeiro com alguém qualificado, querida, mas obrigada pela contribuição.
Seu tom quase me faz cuspir fogo. O restante da sua... pequena comitiva de babacas ri, enquanto eu fico sentada ali, silenciosamente enfurecida. E aqui eu achando que poderia me dar bem com meus novos colegas de trabalho.
— Hm. Hawkings está absolutamente certa, e você faria bem em não chamá-la de "querida" na minha presença novamente, se quiser durar o ano todo.
Dominic atrai a atenção de todos como um ímã. Uma única frase, e ele domina a mesa inteira. Caramba, tenho quase certeza de que ele conseguiria controlar a sala toda, se quisesse.
Dominic não acrescenta mais nada. Não precisa. Em cinco segundos, os irmãos da tecnologia mudam rapidamente de tom.
— Agora que penso nisso, ele disse algumas coisas bem ruins online e nunca se desculpou — comenta Buck.
— Sim, e os mercados de criptomoedas podem ser bem predatórios — acrescenta Steven.
Há murmúrios de concordância.
— Com licença — murmuro, desocupando minha cadeira e indo em direção ao banheiro.
O banheiro feminino é tão chique quanto o restaurante, com espelhos altos e luxuosos e penteadeiras de granito. Vou até a pia e passo as mãos na água fria, meio em transe. Não era assim que eu imaginava que seria meu primeiro dia de trabalho. Entre colegas babacas e a descoberta de que vi meu novo chefe pelado, minha mente gira em círculos sem fim. Sei que terei que voltar lá em breve, mas minhas míseras duas horas de sono finalmente estão me afetando.
Droga, Sophia. Eu te amo, mas te odeio. Tudo isso é culpa sua.
— É culpa sua — digo ao meu reflexo no espelho. — Mantenha sua cabeça baixa e faça seu trabalho.
— Vai se esconder aqui para sempre?
Eu uivo, girando rapidamente ao encontrar Dominic parado na porta. Ele não parece muito incomodado pelo fato de estar no banheiro errado.
— O que você está fazendo aqui?
Dominic não responde de imediato. Ele olha para mim por um momento.
— Estou verificando você.
Apoio as mãos na cintura.
— Você achou que eu estava aqui chorando?
— Não — ele diz com a mais leve das risadas. — Você é mais forte do que isso.
— Você não precisava mesmo — insisto. — Eu já sou uma menina grande, Dom. Ou será que eu deveria…
— Chamar você de Dominic? Ou talvez de senhor?
Levanto as mãos.
— Que bagunça.
Sua expressão se escurece um pouco quando a palavra “senhor” escapa da minha boca. Juro por Deus que o ouço rosnar como um animal no cio. Ele se aproxima, diminuindo o espaço entre nós pela metade.
— Sobre isso…
— Deixa eu adivinhar, você quer fingir que isso nunca aconteceu? Vamos seguir com as nossas vidas.
— Você certamente deve.
Eu franzo a testa.
— O que você está tentando dizer?
Dominic range os dentes, o maxilar impecavelmente afiado. Não consigo decifrar seu olhar. Ele está perto o suficiente para me tocar agora.
— Aqui está o que vai acontecer — ele declara, com a cabeça erguida e o peito orgulhoso. — Vamos seguir em frente com uma ficha limpa. Esquecemos a noite passada e nunca mais tocamos no assunto. Entendido?
— O que você estava fazendo lá? — pergunto, ignorando sua fala inicial. Preciso tirar essas perguntas que me queimam o peito.
Ele se irrita.
— Isso não é da sua conta.
— Você não acha que isso é um conflito de interesse?
Dominic dá um último passo à frente. Ele está tão perto. Posso sentir o cheiro das notas terrosas da sua colônia, o calor do seu corpo irradiando pelo terno. Ele poderia me beijar, se quisesse.
— Isso só acontece se eu te conheço — ele murmura, os olhos grudados nos meus. Nos meus lábios. — Eu não te conheço.
Não vou mentir. Suas palavras me ferem como um tapa na cara. Não vou fingir que temos uma conexão mágica, única na vida, que nos une, mas havia algo entre nós. Uma atração inegável. Ele não encostou um dedo em mim, mas eu podia ver o quanto ele me desejava. Me queria. Mesmo agora, seus olhos estão escuros de luxúria, seu olhar ardente e pesado sobre meu corpo.
Podemos realmente ignorar essa atração?
— Você vai ser um problema para mim, Sra. Hawkings?
Eu zombo.
— Não. Eu preciso deste emprego. Você vai ser um problema para mim?
Dominic se vira nos calcanhares para sair. Eu odeio o modo como quase o persigo com os olhos, meu corpo se inclinando em direção ao seu calor como uma flor voltada para o sol.
— Manteremos o contato no mínimo — diz ele. — Todos os seus relatórios devem passar por Aiden, de qualquer maneira.
— Tudo bem.
— Bom.
— Mas tenho uma última pergunta.
Ele suspira e olha para mim.
— O quê?
Engulo em seco, meu coração disparando como uma pedra sobre gelo fino. Não sei por que sinto tanto prazer em provocá-lo. É emocionante tentar fazê-lo ceder.
— Valeu a pena? — eu pergunto. — Valeu a pena pagar por mim? Um milhão?
O olho de Dominic se contrai. É um movimento quase imperceptível. Ele sai sem responder. Fico decepcionada, mas infelizmente não surpresa.
A comida já chegou à mesa quando volto. A ausência de Dominic é óbvia.
— Disse que precisava atender uma ligação importante — explica David, ao notar que estou olhando para a cadeira vazia ao meu lado.
— Claro que sim — digo secamente.
Começo a comer e tento não pensar em todo o encontro.
Será que vou sobreviver a isso?