Capítulo 6

1461 Words
Dominic A análise dela retoma com ótimo interesse. Eu selecionei pessoalmente todos os estagiários este ano, então me lembro vividamente do nome dela cruzando minha mesa. Uma graduada pelo MIT em Ciência da Computação e Engenharia. Não era exatamente a melhor da turma, mas me lembro de ter pensado que ela não era menos capaz. Impressionante. Seu portfólio falou por si. Organizado, conciso, com programas que eram completamente operacionais, sem bugs perceptíveis ou problemas de desempenho. Mantenho a calma, ponderando minhas opções. O lógico é deixá-la ir. Se se espalhar a notícia de que eu não só a vi nua, mas também a mandei gozar enquanto se esfregava em mim, isso pode prejudicar a carreira dela. Pode prejudicar a minha empresa. Se eu a interromper agora e mandá-la embora, poderemos evitar mais complicações e constrangimentos desnecessários. Só que isso não me agrada muito por uma série de razões. Uma delas: não foi como se nós estivéssemos quebrando qualquer regra. Eu não era chefe dela ainda. Ela não era minha funcionária. O que acontece no nosso tempo livre não é da conta de ninguém. Nós dois consentimos, nós dois nos divertimos. Por que a única hora que passamos juntos custaria a ela um estágio de um ano? Segundo, ela seria claramente uma ótima adição à equipe. O currículo dela fala por si. Ela é inteligente, apaixonada. E terceiro... Quero que ela fique. É egoísmo, eu sei, mas, no fundo, quero saber mais sobre ela. Tenho tantas perguntas. Por que ela mentiu para mim sobre o nome dela? Sobre estar presente no evento da Madeleine Fox? E por que diabos há uma aliança no dedo dela? Eu identifico a aliança de ouro num instante. Ela a mantém girando ansiosamente entre os dedos, o pânico claro nos olhos dela. Ela é casada. Isso não é possível. Imagino que ela tenha contado histórias na festa. Essa nova informação me perturba mais do que eu gostaria de admitir. Que desgraçado sortudo é o cara que pode chamá-la de esposa? E por que diabos ela está desfilando quase nua numa festa? Por que ela precisa trabalhar, afinal? Se eu tivesse uma mulher na minha vida, garantiria que ela nunca precisasse levantar um dedo. Uma das muitas lições que meu pai me ensinou foi cuidar da família, prover o sustento. Que tipo de babaca vagabundo ele deve ser para a Natalie sentir a necessidade de trabalhar como garçonete? Natalie. Penso no nome dela. É lindo, assim como ela. Combina muito mais com ela do que Sophia. Combina. Afasto esses pensamentos. Preciso parar de pensar nela. Quando se trata de negócios, há pouquíssimas linhas que eu não cruzo se tiver certeza de que posso me safar. Mas, pessoalmente, traição é algo que não posso tolerar. Mesmo que não tenhamos levado as coisas adiante, ainda fomos longe demais. Decido engolir qualquer que seja esse sentimento estranho no meu peito. Se nós dois conseguirmos ser civilizados e agir como se nada tivesse acontecido, não vejo motivo para Natalie não poder manter o emprego. Preciso manter distância — pelo bem de nós dois. Há uma batida na minha porta. Susan enfia a cabeça para dentro. — Desculpe a interrupção, Sr. Freeman — ela diz. Ela é uma senhora simpática. Parece muito com a minha mãe, só que a minha mãe, Catherina, é tudo menos simpática. Eu amo aquela mulher até a morte, mas não há ninguém na Terra capaz de me causar tanto medo no coração quanto a minha mãe. — O que é isso? — eu pergunto, empurrando as lembranças de Natalie da minha mente. — Sr. Young enviou uma papelada. Apenas precisa da sua assinatura. Eu encaminhei uma cópia eletrônica para você, por sinal. — Ótimo. Eu cuido disso. — É realmente emocionante ver caras novas por aqui — comenta Susan educadamente, lançando um olhar rápido para os estagiários na sala principal. De onde estou sentado, tenho uma visão clara de Natalie. Não sei se isso será um problema ou não. — Precisa de mais alguma coisa, Susan? — pergunto. — Ah, sim. Tem um senhor na linha um esperando por você. O mesmo que ligou ontem e na semana passada. O nome começava com K? Cerro os dentes. — Klaus. Susan estala os dedos. — Sim, isso mesmo. — Obrigado por me avisar. Feche a porta ao sair e espere lá fora. — Ok, Sr. Freeman. Uma vez que ela fecha firmemente a porta do meu escritório, eu pego o telefone com um suspiro pesado. Não quero lidar com isso agora. Já deixei bem claro que não quero nada com ele. Seguro o fone no ouvido e sibilo: — Já te disse para parar de ligar. — Vou parar de ligar quando você concordar em se encontrar comigo — diz Klaus casualmente, com seu sotaque russo tão carregado que levo um momento para registrar suas palavras. — Isso nunca vai acontecer. Vai se f***r. — Vamos, vamos, Dom — ele repreende. — Isso é jeito de falar com seu querido tio? — Você não é meu tio. — Sangue é sangue. Você sempre fará parte da família, não importa quantos quilômetros nos separem. — Este é o seu último aviso — eu retruco. — Pare de me ligar. Não incomode minha família. Nunca vamos aceitar sua oferta. Foi você quem baniu nosso pai. — Meu irmãozinho cometeu o erro de me trair — diz Klaus calmamente. Talvez calmo demais. — As regras da Bratva Freeman devem ser respeitadas. Eu deveria tê-lo matado na hora por tentar me entregar à polícia. Ele escapou fácil. — Meu pai morreu por sua causa — sibilo. — Eu tinha oito anos quando seus homens nos expulsaram de Moscou. — Deixe o passado para trás, Dom. Preciso que você e seus irmãos voltem para casa. Juntem-se a nós mais uma vez. É seu direito de nascença governar ao meu lado. — Qual a p***a da parte que você não entendeu? Klaus dá uma risadinha. É um som nojento. Molhado e arrogante demais. — Seu sucesso, sua empresa... Você me deve tudo. — Nosso sucesso se deve ao nosso trabalho duro. Você se certificou de não ter tido nada a ver com isso quando expulsou meu pai da Rússia sob a mira de uma arma. — Você precisa pensar com clareza, Dom. Pense em tudo o que poderíamos alcançar juntos. A Bratva Freeman e as informações que o Zentryx poderia fornecer... Seríamos imparáveis. Eu me inclino para frente no meu assento, a raiva escorrendo em forma de suor pelo meu pescoço. — Eu não vou falar com você de novo, tio. Pare. De. Ligar. Batendo o telefone no gancho, sento-me na cadeira, furioso. Klaus tem me ligado sem parar desde que saiu da cadeia quatro meses atrás. Ele estava cumprindo pena por uma lista impossivelmente longa de crimes. Eu era jovem demais para entender por que tivemos que deixar a Rússia no meio da noite, em pânico. Mamãe ainda estava grávida de Aiden, e os gêmeos tinham apenas seis anos. Eu tinha oito anos. Meu pai me declarou o homem da casa. Eu não sabia o que estava acontecendo. Tudo o que eu sabia era que tínhamos quatro passagens aéreas para Nova York. Nosso pai não veio conosco. Nunca mais o vimos, mas mesmo naquela idade, eu não era ingênuo o suficiente para esperar que ele sobrevivesse. Sei que ele está morto, provavelmente morto a tiros pelo próprio irmão. Não tenho vergonha da nossa linhagem, do nosso legado familiar. Para mim, somos duas famílias distintas que por acaso compartilham o mesmo sobrenome. Não vou aceitar nenhuma dessas besteiras da Bratva. Meus irmãos e eu somos empresários, pioneiros no campo de tecnologia, não tatuados brutos com uma propensão para a violência. Três batidas pesadas em direção à minha porta. Meu irmão caçula, Aiden. — Você está bem? — ele pergunta rudemente. — Tudo bem — eu minto com naturalidade. Não há necessidade de contar a ele sobre Klaus. Meus irmãos não precisam saber sobre aquele maníaco. Vou lidar com ele sozinho. — Você está pronto para ir? Belisco a ponta do meu nariz. — Onde? — Recepcionar os estagiários no almoço, lembra? Isso é uma tradição anual. Respiro fundo. Quase tinha me esquecido. Foi ideia do Viktor levar os novos contratados para almoçar no primeiro dia para levantar a moral, porque depois que os colocamos para trabalhar, é trabalho duro. Normalmente, não me importo com saídas da empresa, mas… Mas desta vez ela vai estar lá. Levanto-me lentamente. Não há como evitar Natalie. Não posso passar o próximo ano escondido no meu escritório só para evitar a chance de um encontro constrangedor. Além disso, ela está na posição única de saber que eu não escondo absolutamente nada. — Vamos indo — eu digo ao meu irmão.
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