Capítulo 5

1941 Words
Natalie Consegui dormir um total de duas horas ontem à noite. Vou contar como uma batalha vencida, especialmente considerando que passei a maior parte da noite em claro com memórias da última noite. Esse evento me manteria acordada por toda a eternidade. Ele deve ter lançado um feitiço sobre mim. Essa é a única maneira que consigo explicar. Uma palavra dele, um pequeno comando... Foi tudo o que bastou para eu me perder. A voz dele é inebriante, um remédio ao qual eu não conseguia resistir. Dom criou uma névoa maravilhosamente quente em minha mente. Éramos estranhos, mas eu nunca me senti tão segura. Só com suas instruções e seu olhar inebriante, ele fez eu me sentir incrivelmente sexy e desejada, e com total perda de controle. Não me arrependo, mas meio que me arrependo. Por mais estranho que tenha sido o nosso encontro, sinto-me amargurada por não termos passado mais tempo juntos. A gata curiosa dentro de mim quer saber o que aconteceria depois. Até onde eu o teria deixado ir? Deveria ter-lhe dito o meu nome? Ter dado o meu número? Acho que não tem mais volta. As chances de nos encontrarmos de novo são mínimas. Admito que foi divertido enquanto durou. Eu não posso negar seu charme, seu mistério, seu poder. O quão lindo ele é. Gostaria de poder passar o resto do dia sonhando com ele, mas infelizmente estou atrasada para o meu primeiro dia. Depois de um rápido banho de quinze minutos, eu visto um jeans e um suéter vermelho brilhante — tomo uma xícara de café preto do Starbucks local e viro tudo, queimando a garganta enquanto corro pelas ruas para chegar à estação de metrô mais próxima. O trem está lotado e abafado, piorando em dez vezes o suor que eu havia acumulado. Quando entro em disparada pelas portas da frente da sede da Zentryx, pareço uma louca. — Olá, querida — uma velhinha me cumprimenta na recepção. Uma placa com seu nome está bem em frente às suas canetas organizadas: Susan. Ela tem um sorriso doce, os cantos dos olhos se enrugando enquanto ela sorri. Seu cabelo branco está preso em um coque respeitável, e um par de óculos quadrados faz seus olhos verdes parecerem duas vezes maiores. Ela cheira a canela. — Oi — digo, tentando recuperar o fôlego. — Espero não estar atrasada. Sou Natalie Hawkings. Estou estagiando aqui a partir de hoje. — Ah, mais uma estagiária! — ela diz com uma risadinha doce. — Não precisa se preocupar, você chegou na hora certa. — Graças a Deus. — Gostaria de vir comigo? Posso te mostrar a sua mesa. Acho que os irmãos Freeman vão reunir vocês em breve para as apresentações. Eu sorrio. — Isso seria maravilhoso. Agradeço a você, Susan. O prédio da Zentryx é enorme, com pelo menos cinquenta andares, a maioria deles dedicada principalmente às suas enormes salas de servidores. Os escritórios propriamente ditos ficam do trigésimo andar em diante, abrigando os departamentos de estratégia e marketing, contabilidade, pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos e operações. Susan me leva ao quadragésimo quarto andar, onde fica a pesquisa e desenvolvimento. Saímos juntas do elevador para um espaço amplo e aberto. Sem cubículos abafados à vista. Em vez disso, grandes estações de trabalho abundam com amplos assentos. É evidente que os chefes da Zentryx investiram bastante no design de interiores. É iluminado e acolhedor, um lugar onde consigo me imaginar trabalhando por longas horas sem me cansar da vista. Um grupo de jovens está reunido em uma das estações de trabalho, alguns sentados em cadeiras de escritório, enquanto outros encostados à mesa. Eles parecem despreocupados, conversando ruidosamente sobre o clima ou o mais recente jogo de PS5 que será lançado e tudo mais. Nenhum deles me dá a mínima, mesmo quando Susan me leva até lá. — Aqui está — ela me diz. — Apresento seus colegas estagiários, Natalie. Esses são Nate, Buck, Steven, David e Timothy. Aceno educadamente para todos e sorrio. — Oi, prazer em conhecê-los. — E aí — diz Nate, o mais barulhento do grupo, inclinando o queixo casualmente. — Oh, obrigado, Deus, há uma garota aqui — David diz com uma risada maliciosa. O cabelo dele é tingido de verde-neon. — Eu estava preocupado que isso estava se tornando um verdadeiro festival de salsichas. — Garota? — eu digo, sem rodeios. Meu estômago se contrai enquanto absorvo tudo isso. Percebo, com amarga, mas nada surpresa, decepção, que sou a única mulher que foi contratada para a equipe de estagiários. Também não posso dizer que o cenário seja novo. É um fato bem conhecido e lamentável que haja significativamente menos mulheres interessadas na área de ciências da computação — e em sistemas em geral. Digo a mim mesma que está tudo bem. Essas pessoas não me intimidam. Na verdade, espero mesmo que possamos nos dar bem e fazer um ótimo trabalho juntos. No fim das contas, só quero fazer o meu trabalho e ganhar o meu sustento, guardando o que sobrar na minha conta poupança. Quanto mais eu puder economizar para encontrar meu pai, melhor. — Que turma animada — diz um homem ao sair da esquina. Ele é alto, com cerca de 1,80 m, cabelos castanho-escuros e olhos igualmente castanho-escuros. O homem veste um terno elegante, completo com um blazer esportivo cinza-escuro e sapatos de couro envernizado. — O que você acha da carne fresca, Mikhail? — pergunta ao homem que o segue. Em muitos aspectos, Mikhail se parece com o primeiro cara. Poxa, quanto mais eu os encaro, mais me pergunto se são gêmeos. Há pequenas diferenças em sua aparência: o cabelo de Mikhail é recortado mais curto, e ele ostenta uma barba espessa, bem cuidada e aparada. Seus olhos são os mesmos, assim como seus físicos magros. Mas, ao contrário do primeiro, Mikhail está vestido de forma mais casual, com uma camisa branca abotoada, mangas arregaçadas até logo abaixo do cotovelo. — Você não deveria chamar eles de carne fresca, Viktor — é o plano dele responder. Viktor olha nos olhos dele. — Você não é engraçado. Eu estou apenas provocando. — Ele se volta para nosso grupo e nos cumprimenta com um sorriso encantador. Ele esbanja confiança. — Olá a todos. Meu nome é Viktor Freeman, chefe de relações públicas. Esse é meu irmão, Pytor. Ele está encarregado da contabilidade. E Lucas… — Viktor olha em volta e franze a testa. — Cadê aquele merdinha? Mikhail suspira. — Aiden é nosso irmão mais novo e chefe de pesquisa e desenvolvimento. Vocês trabalharão em estreita colaboração com ele durante o próximo ano. Ele está em uma reunião com nosso CEO, mas logo estará disponível. Um dos estagiários, Steven, levanta a mão. — Vamos conhecê-lo também? Viktor bufa. — Não precisa levantar a mão. Isso aqui não é escola primária. Mas sim, Dominic também vai se apresentar. Logo mais, no entanto, tirem quaisquer dúvidas que vocês possam ter. Vamos dar a vocês um tour também. Forneceremos laptops fornecidos pela empresa a todos vocês assim que começarmos a operar. Um murmúrio irrompe entre os estagiários. Compartilho da empolgação deles. A Zentryx pode não ter sido minha primeira escolha, mas ainda estou animada para aprender o básico e colocar as mãos nas tecnologias mais recentes. Estou ansiosa para descobrir que tipo de... de projetos eles trabalham aqui. Agora que estou oficialmente jogando nas grandes ligas, vou garantir que darei o meu máximo. Viktor verifica o relógio dele. Um Rolex prateado. Se ele é o chefe de Relações Públicas de uma das cinco maiores empresas de segurança cibernética do mundo, não tenho dúvidas de que está nadando em dinheiro. — Aiden está demorando muito. Vamos preparar seus crachás de identificação e levá-los para aquele passeio. Fiquem por perto, pessoal. Tentem não se perder. Nós nos movemos como um grupo, embora seja difícil para mim ignorar a forma como os outros estagiários se agrupam. Eu não me encaixo, sou facilmente expulsa do círculo deles. Não tenho escolha a não ser seguir atrás. Tento não me sentir desanimada. Afinal, fui a última a chegar. Eles provavelmente já se uniram por causa de Halo 3 ou seja lá o que for que une os caras da tecnologia. Vamos trabalhar em equipe por um ano inteiro. Tenho bastante tempo para me familiarizar com eles. O passeio é impressionante. Assim que cada um de nós recebe seus crachás de identificação, todos codificados para destrancar várias portas do prédio, Viktor e Mikhail nos mostram as salas dos servidores. Fico maravilhada com a complexidade. — Nós temos uma política de portas abertas aqui — Viktor continua. — Encorajamos todos vocês a passar por aqui, caso tenham qualquer pergunta. A Zentryx se orgulha de sua liderança lateral. Isso é o que nos diferencia de outras grandes empresas de tecnologia. Ele tem falado muito. Tenho a impressão de que Mikhail realmente não se importa. Não acho que o vi sorrir uma vez sequer. Estou começando a me preocupar — o esforço pode estar matando ele. Por fim, retornamos ao quadragésimo... Voltamos ao início. Todos nós ganhamos MacBooks novinhos em folha, com nossas informações de login já preenchidas. Ao retornarmos, encontramos um terceiro homem à espera. Ele é de longe o mais casualmente vestido, com uma calça jeans azul-escura simples e um moletom preto grande com capuz. — Aiden! — diz Viktor com uma risada calorosa. — Finalmente saiu da sua masmorra lá no nono, não é? O terceiro irmão Freeman lança um olhar furioso para Viktor. Ele é mais pálido do que todos eles, com escuros círculos sob os olhos. Ele é ainda bastante bonito, no entanto, com traços igualmente marcantes e um peito largo. Vejo um vislumbre de uma tatuagem subindo sorrateiramente pela lateral do pescoço dele. — Achei que era melhor me apresentar — resmunga ele. — Sou Aiden. Serei seu supervisor. Distribuirei as tarefas dos projetos nas próximas horas. Não tolero erros, então peçam esclarecimentos se tiverem dúvidas. Viktor ri, dando um tapinha no ombro do irmão. — Você precisa passar menos tempo com o Dom. Está começando a falar como ele. Meu coração dispara. Dom? Com certeza é coincidência. Ou talvez eu esteja tão exausta que esteja ouvindo coisas. Não tem a mínima chance de eu encontrá-lo de novo. — Então, esses são os novos recrutas? — uma voz familiar flutua em minha orelha. Eu congelo. Oh, meu Deus, não. — Todos — Mikhail diz. — Esse é o CEO da Zentryx, Dominic Freeman. Tentem não irritá-lo e vocês podem durar o ano. Eu ouso espiar ele e imediatamente me arrependo. É ele. Meu comprador misterioso. Além de ser meu chefe, ele está vindo para cá. — Espero grandes coisas de todos vocês — diz Dominic sem sorrir. Ele parece cansado. Estressado, até. Será que tem a ver com o nosso quase encontro ontem à noite? Ele observa a fila de estagiários e para ao me ver. E então ele olha fixamente. É enervante. Não sei se devo dizer alguma coisa. Sorrir, talvez? Será que tenho coragem de fingir que não me lembro dele? Se alguém pudesse acionar o alarme de incêndio agora mesmo e causar uma distração, eu ficaria imensamente grata. — Você — ele diz, depois de um momento, com a voz tensa. Ele estende a mão amigavelmente, mas seus olhos... Ele está puto da vida. — Dominic Freeman. E você? Eu sacudo a mão dele, meu coração pulando na garganta quando sinto o contato da sua palma quente. Ele não me tocou ontem, mas agora está. — Natalie Hawkings — eu sussurro. Ele acena, mas não diz nada, e então vai embora sem uma palavra. Estou tão ferrada.
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