CAPÍTULO 10

964 Words
Eu fico apreensivo pra caramba o resto da tarde inteirinha, evitando o máximo possível sequer chegar perto de Lucas. Ele parece ter aumentado o volume daquela música irritante vinda do seu quarto ainda mais só para me irritar, e eu fico bem alegre quando ouço Laura bater na porta do quarto vizinho ao meu para dar um esporro nele devido ao barulho absurdo. Nunca a vi tão zangada como hoje, e sei que ela ligou pro meu pai pra dizer pra ele vir pra casa assim que der, porque nós quatro precisamos ter uma conversa séria. Eu tô apreensivo pra caramba em relação à isso. Quero dizer que a culpa de nada disso é minha, e que se tiverem que punir alguém, que seja aquele nojento do filho dela!! Que culpa eu tenho se ele é tão insuportável assim?? Quer dizer que eu tenho que aguentar essa m***a toda calado?? Isso nem pensar!! Já passa das 9:00 da noite quando meu pai finalmente chega, então Laura vem nos chamar para "a conversa", que terá como campo de batalha a nossa sala. Eu não me sinto nem um pouco culpado por nada do que fiz, mas fico meio triste ao ver o olhar cansado no rosto do meu pai. Ele e Laura estão ocupando um dos sofás, deixando o outro vago pra gente. Eu sento bem no canto, o mais distante possível desse merdinha, enquanto tento à todo custo não fazer contato visual com ele. — Vocês vão me explicar que m***a está acontecendo, ou vou ter que tirar minhas próprias conclusões? — Laura cruza os braços e alterna o olhar entre a gente. Ela ainda está zangada pra caramba, mas assim como meu pai, está cansada. Eu resolvo não falar nada, porque sei que se falar um "a culpa é dele!!" De novo, é capaz dela explodir à qualquer instante (literalmente). Lucas parece pensar o mesmo, porque não fala nada. — É o seguinte. Vou começar com você, Lucas. Eu não te criei desde jeito, filho. Você está sendo irritante de propósito só pra incomodar o Nicolas. — Mãe, eu... — O Merdinha começa, mas basta um olhar assassino vindo da mulher sentada na nossa frente pra ele falar a boca de novo. — Eu cuidei e morei junto com você por 18 anos. Sei que você não é esse garoto que está se mostrando aqui nessa casa. Você tinha um banheiro só pra você no nosso antigo apartamento, e eu entrava todo santo dia nele e sempre o via limpinho da Silva e sem nada fora do lugar. Você sempre foi um garoto limpo e organizado, e eu tô tentando não pensar que você está bagunçando o banheiro do Nicolas de propósito só pra irritar ele, até porque você não tem motivos pra isso. — Laura respira fundo, como se ainda tivesse de concentrando para não surtar — A partir de agora Nick, não limpe nem uma gota caso ele faça alguma coisa no seu banheiro, eu mesma vou me encarregar de fazer ele deixar tudo brilhando. Estamos estendidos? — Sim, mãe. — Lucas responde, embora seu tom seja meio sarcástico. — Outra coisa. Se eu pelo menos escutar uma música alta o suficiente pra incomodar alguém dessa casa, a próxima coisa que você vai ganhar é aquela bendita JBL espatifada no chão em um milhão de pedaços. — Ela termina, antes de olhar para meu pai, como se passasse a vez de falar para ele. O olhar azul do meu pai cai diretamente em cima de mim, me fazendo engolir em seco. — Você deu um t**a no Lucas? — Estávamos no chão. Ele me empurrou e puxou o meu cabelo. — Levo na defensiva, cruzando os braços e escutando Lucas bufar ao meu lado. Mas pelo menos ele não fala sobre o pano que eu joguei nele e o soco no peito. — Não foi isso que eu perguntei. Nicolas. — Meu pai continua, com uma calma sobrenatural. — Dei sim. — Respondo. Dei e daria outros mil se tivesse a oportunidade. Eu bateria naquele rostinho bonito até a pele descolar da carne, ou até meus dedos estarem cansados e inertes de tanto bater. — Não quero que isso se repita nunca mais. Isso vale pra vocês dois, okay? Vamos viver sob o mesmo teto à partir de agora. Não quero vocês dois se espancando dessa forma. — Eu abro a boca pra falar alguma coisa, mas ele ergue a mão, me impedindo de fazer isso. — Da próxima vez que um de vocês fizer algo assim, espero que o outro não exite em contar para mim ou para Laura. Minha casa não vai virar um campo de batalha, e se aplicar castigos severos for necessário para impedir isso, nenhum de nós vai pensar duas vezes antes de fazer isso. Um silêncio desconfortável paira sobre a gente logo depois que meu pai para de falar, e eu olho para Lucas pela primeira vez, encontrando os seus olhos escuros também. eu quero tanto mandar esse garoto e tomar no cu que preciso desviar o olhar para conseguir me concentrar. — Dessa vez, só queríamos conversar com vocês. Mas se acontecer de novo: Nick, você vai ficar sem poder sair por algum tempo. E você Lucas, Vou tomar a chave do carro. — Podemos sair agora? — Lucas pula do sofá. — Ainda não. Temos mais uma coisa pra contar. — Meu pai o para. — Decidimos que vocês precisam se dar bem o quanto antes. E pra isso precisam passar um tempo juntos. — Laura diz, fazendo um calafrio subir pela minha espinha. — Como assim? — Pergunto, levantando do sofá também. — Amanhã vocês vão sair pra acampar juntos, como bons amigos. E a gente não aceita um não como resposta.
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