CAPÍTULO 11

1045 Words
Não importa a desculpa que eu dou para não fazer essa maldita viagem junto com Lucas, meu pai parece completamente inflexível sobre o assunto. Dor de cabeça? Leve um remédio. Muito sol? Protetor é usado justamente pra isso. Não quer ir? Ah, que pena. Durante a manhã, eu tentei pensar absolutamente todas as alternativas possíveis para me livrar disso, até cogitei pedir a ajuda de Lucas para me ajudar a fingir um desmaio, mas percebi que não estou tão desesperado assim à ponto de falar mais do que o necessário com ele. Umas 2:00 da tarde, eu encontro uma mochila enorme e típica de acampamento encostada no sofá da sala.. — Fiz questão de arrumar pra você, Nicolas. Tem tudo que você precisa aí dentro. — Meu pai explica, me dando um sorriso adorável. — Pai. — Solto um suspiro, porque é impossível ficar zangado com ele. Frustado sim, zangado nunca. É como se a própria existência do meu pai reprimisse qualquer sentimento negativo ou de raiva perto dele. — Nem comece, mocinho. Vocês saem em quinze minutos. — Ele senta no sofá e me observa, como se estivesse apreciando o método mais c***l de tortura que poderia ter arranjado para mim. Eu definitivamente queria ter herdado a paciência dele também, não só os olhos azuis. — Nem tem lugar pra acampar aqui, pai. — Hahaha. Esqueceu das vezes que nós dois saímos pra acampar? Estamos no Rio, floresta é o que não falta por aí. — Ele dá de ombros, e como se seguisse a deixa, Lucas surge no topo das escadas vestindo um short cargo, uma camisa de mangas compridas e com uma mochila enorme nas costas. Parece que até ele aceitou o nosso destino trágico, apesar de está com uma cara amarrada, como se estivesse chupado limão. Parece que Laura fez com ele o mesmo trabalho que meu pai fez comigo. — Vamos, Nanico? — Ele diz, então eu lanço um último olhar para os nossos progenitores, como se estivesse esperando que eles dissessem que isso tudo foi uma piada de m*l gosto e que eles só queriam saber se a gente realmente estava disposto à acatar as suas decisões, mas o único movimento que eu ganho do meu pai é um gesto de mão, como se ele dissesse "xô, Nick". Eu solto um grunhido de desgosto e pego a mochila do chão, que não está tão pesada quanto aparenta. Estou vestindo uma calça de moletom, uns tênis velhos e uma camisa branca, além de um boné que era do meu pai e estar com dois litros de repelente e protetor no corpo. Sigo Lucas em silêncio, percebendo que a sua Hillux prateada já está estacionada na rua, fora da garagem. O sol está bem quente, mas essa é a menor das minhas preocupações. Eu sento no banco de trás do carro, como da outra vez. Lucas dá a volta e entra no carro também. — Para onde vamos? — Seu querido papai me ensinou um lugar onde acampar. — Ele responde, me encarando pelo retrovisor e revirando os olhos, porque pelo visto, compartilharmos o mesmo sentimento em relação a esse passeio. (***) A viagem demora quase duas horas, e à medida que as casas e prédios ficaram para trás, dando lugar à árvores e lagos, o meu sorriso foi morrendo ainda mais. — Vamos, Nanico? — Lucas estaciona no fim de uma estrada de terra, com uma floresta densa se espalhando em todas as direções. — Tô estranhando essa sua aceitação sobre essa viagem. — Pulo do carro e coloco a minha mochila nas costas. O "clim clim" do carro sendo travado ecoa pelo ar, então eu começo a seguir Lucas pela trilha fina que adentra na floresta. — Você deve ter conhecido a minha mãe por tento suficiente pra saber que quando ela quer uma coisa, nada tira da cabeça dela. — Ele responde com uma voz repleta de humor, mas sem olhar para trás. — E agora ela quer que a gente fique amiguinho. — Completo para ele, tomando cuidado para não escorregar ao passar por umas pedras. A trilha é um pouco inclinada, o que indica que a gente tá subindo uma espécie de morro. — Pelo visto, sim. — Lucas olha para mim e para por alguns instantes, esperando eu chegar mais perto. — Eu não gosto de você, mas acho que podemos pelo menos parar com essas atitudes de m***a um com o outro, não é? — passo por ele e sigo na frente, sentindo o seu hálito no meu pescoço, o que indica que ele tá perto pra caramba. — Okay okay. Só vou ficar um ano mesmo. — Lucas tenta passar por mim, mas eu acelero o passo para permanecer na frente, só porque gosto da paisagem. As árvores verdinhas, com raios de sol que atravessam as copas delas deixa tudo ainda mais bonito. — Como assim só um ano? — vou pra faculdade no próximo ano. Então só tô aguentando tudo isso porque é o meu último ano morando com ela. — Lucas Responde, desviando de alguns galhos. O s****o fica ainda mais bonito vestindo essas roupas de acampamento. — Entendi. — não sei como me sentir em relação à isso. A resposta de Lucas quer dizer que eu só vou ter que aguenta-lo por um ano, né? Nós continuamos andando e conversando (trocando farpas de vez em quando), até chegarmos numa clareira, no alto do morro, nos dando uma bela visão da cidade e da praia daqui de cima. — É lindo! — Exclamo, sem conseguir desviar os olhos da paisagem. Ouço Lucas murmurar alguma coisa e mexer na sua bolsa, e quando olho para trás novamente, ele já está observando as peças da sua barraca e montando a parte metálica que à sustenta. — Vou montar a minha, e depois monto a sua. — Ele diz, me fazendo revirar os olhos. — Eu consigo sozinho, já fiz isso antes. — Coloco a minha mochila no chão e já começo a puxar a lona e os pedaços de ferro para fora. — Okay okay, se você se garante, Nanico. Vá em frente. — Lucas provoca, e eu preciso engolir os xingamentos e palavrões no seco mesmo, porque estamos tentando ser civilizados aqui.
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