CAPÍTULO 12

880 Words
Montar a barraca sozinho foi mais difícil do que parecia, até porque da última vez que fiz isso, meu pai estava presente pra ajudar. Mas depois de muito esforço, eu finalmente consegui colocá-la de pé (apesar dos olhares avaliativos do ser maligno que está me acompanhando nessa viagem). São exatamente 6:00 da tarde quando eu termino e jogo para dentro da barraca a minha mochila com as roupas e coisas aleatórias que meu pai enfiou dentro dela. E enquanto Lucas junta uns gravetos e acende uma fogueira, eu pego uma toalha e vou tomar um banho rápido num laguinho que eu vi próximo daqui. Realmente foi o banheiro mais rápido que eu já tomei na minha vida, porque: 1) a água era meio suja. 2) tinha mosquito pra c*****o. 3) medo de Lucas aparecer do nada. 4) EU VI UNS SAPOS LÁ DENTRO!!! Quando volto para a clareira, já há uma fogueira acesa entre as nossas barracas, e Lucas está olhando para mim com um sorriso largo no rosto, como se esperasse que eu elogiasse o trabalho. — Você usou um isqueiro. Qualquer tapado consegue fazer isso. — Reviro os olhos e tento conter a gargalhada quando o seu sorriso convencido morre instantaneamente, e ele se limita a mostrar o dedo pra mim. — Vou tomar banho agora. — Cuidado com a cobra que eu vi lá!! — Minto, secando o meu cabelo com a toalha e entrando na barraca para pegar roupas secas. E como já está anoitecendo, resolvo optar por um pijama de algodão macio e quentinho. — Hahaha. Se tivesse mesmo uma cobra lá, você tinha saído correndo e dando gritinhos histéricos. — Ele responde, jogando uma toalha por cima do ombro e já começando a entrar na imensidão de árvores que levam até o lago. Eu não respondo a sua provocação, porque é exatamente isso que eu faria. (***) Quando Lucas volta, eu tento a todo custo não olhar para ele, já que o i****a está só com uma toalha enrolada na cintura, bem mais baixo do que é o minimamente descente, deixando à mostra aquelas linhas em formato de "V" e os músculos da sua barriga, que ficam ainda mais visíveis quando estão molhados e com a luz do pôr do sol incidindo contra eles. — meu pai colocou biscoito e marshmallows pra gente na minha mochila. — Murmuro, encarando o fogo laranjado e hipnotizante. Já está completamente escuro, mas não estou com nem um pouco de medo por estarmos aqui no meio do nada. Ouço sons vindo da barraca de Lucas enquanto ele veste suas roupas, voltando a aparecer aqui do lado de fora com um short curto e fino e uma camiseta, porque o desgraçado é um exibido mesmo quando estamos só eu e ele num lugar deserto. — Passa pra cá. — Ele diz, apontando para o pacote de biscoitos recheados na minha mão. Eu reviro os olhos e pego outro pacote dentro da minha barraca, porque esse aqui é meu, e eu já havia comido praticamente metade mesmo. — Então... Estamos iniciando uma trégua? — Jogo o pacote por cima da fogueira, e ele o pega no ar com uma agilidade impressionante, sem tirar os olhos de mim. — Depende muito do que você considera uma "trégua". — Significa que agora a gente precisa ser mais discreto quando for tentar m***r um ao outro, e nada de ir contar pra eles dois. — Explico, enfiando um biscoito inteiro na boca. O gosto bom do recheio de chocolate me faz gemer baixinho, e eu sequer havia percebido o quão faminto eu estava. — Não sei se você se lembra, Nanico, mas foi você que saiu correndo pra contar pra minha mãe. — Cê me empurrou no chão!! — Tu jogou um pano sujo na minha cara!! — FOI VOCÊ QUE PUXOU MEU CABELO!! — TU ME DEU UM t**a!! — Ele exclama, acariciando a mandíbula, como se ainda sentisse a dor. — E daria outro. Não sei se você já percebeu, mas é sempre você que vive me provocando! — Jogo um biscoito nele, acertando diretamente no seu peito. — Não era tu que tava falando de trégua agorinha mesmo, Nanico? — Ele ergue uma das sobrancelhas grossas e escuras. — Não me chama de Nanico. E eu falei em trégua quando estivéssemos perto dos nossos pais. — Bom... Sendo assim... — Ele ergue a mão tão rápido que eu não vejo nada direito, mas a próxima coisa que sinto é um biscoito batendo na minha testa e se espatifando pra todo lado. — EU VOU TE m***r!! — Rosno, pegando outro biscoito pra jogar nele, mas dessa vez Lucas desvia facilmente. — Epa epa, acho melhor a gente comer agora. Porque vai chover daqui a pouco. — Ele tira um biscoito do pacote e o encara por longos segundos, como se estivesse considerando se vale mais a pena socar na boca ou jogar em mim. — Não vai não. — Olho para o céu e vejo uma imensidão de estrelas brilhantes, tão bonitas que me faz suspirar baixinho. — Veremos, então. — Ele dá de ombros e continua comendo os seus biscoitos de forma tranquila, então faço o mesmo. A conversa continua fluindo de forma calma, mesmo que sejam apenas provocações.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD