De madrugada, acordo com um barulho estranho de trovoadas, me fazendo pular do colchonete na velocidade da luz, porque foi alto pra caramba. O interior da minha barraca está completamente escuro, então tateio entre as bordas do lençol até encontrar o meu celular, ligando a lanterna dele logo em seguida.
É pouco mais de meia noite, e alguns pingos de água contra a lona da barraca já podem ser ouvidos. Como aquele mané tinha tanta certeza de que ia chover?! Não tinha uma nuvem no céu!!
Eu engatinho até a entrada da barraca e abro só um pouquinho do zíper, apenas o suficiente para conseguir ver do lado de fora. Nuvens negras agora tocam conta de cada centímetro do céu, iluminadas pelos relâmpagos que não cessam por um segundo sequer. E além de tudo isso, tá ventando pra caramba, e os pinos metálicos da minha barraca estão bem frouxos, fazendo ela balançar e ameaçar cair à qualquer instante.
— AAAH!! — grito de susto quando uma relâmpago clareia tudo ao nosso redor, e o som ensurdecedor que o segue faz os meus ouvidos ficarem zumbindo e um medo frio cruzar o meu corpo, subindo pela minha espinha. A chuva se intensifica ainda mais, e eu tenho certeza de que essa barraca vai desabar à qualquer momento.
Maldita hora que nossos pais obrigaram a gente à fazer isso!!!
Eu uso a lanterna para me ajudar a ver aqui dentro, enquanto enrolo os meus cobertores e os enfio de qualquer jeito dentro da mochila impermeável de acampamento, quase morrendo do coração à cada estrondo dos trovões.
Jogo a mochila debaixo do colchonete e engatinho até a saída da barraca novamente, observando através da fresta do zíper aberto, que mostra a barraca daquele desgraçado, completamente imóvel em meio à ventania. E como se estivesse sentindo a minha presença, Lucas abre o zíper da sua barraca e espia pelo buraco.
— VEM PRA CÁ, NANICO!! — Ele grita, embora o som seja engolido pelo barulho da chuva forte e dos trovões. Eu sequer penso direito, antes de calçar as minhas chinelas e me atirar para fora da barraca molenga e m*l montada, fazendo os pingos frios de chuva me atingirem em cheio.
Felizmente, não são mais do que alguns segundos até eu praticamente mergulhar de cabeça na a******a do zíper, caindo de quatro no colchonete macio do interior da sua barraca, que é completamente escura.
— Eu disse que era pra ter deixado eu montar. — Lucas solta uma risada e fecha o zíper da barraca, que é pequena demais para duas pessoas, e eu consigo sentir seus joelhos roçando nos meus.
— não enche. — Sussurro, abraçando o meu próprio corpo, encharcado com a água fria. Os relâmpagos do lado de fora clareiam um pouco aqui dentro, e os trovões fazem eu me encolher um pouco, morrendo de medo. Os sons são tão altos que eu estou sentindo as vibrações no ar e no chão.
— Tira a camisa molhada. — Ele manda, se aproximando de mim e puxando a camisa do meu pijama para cima sem mais nem menos. Eu não consigo vê-lo direito, mas consigo sentir seus dedos quentes roçando a minha pele.
— O que? Não. — Tento impedi-lo de fazer isso, mas só consigo me deixar um pouco preso, com a borda da camisa enganchada nos cotovelos.
— Se tu ficar resfriado, vou dizer que a culpa é inteiramente sua.
— como vão te culpar por eu ter ficado resfriado, mané? — Reviro os olhos, porquê isso não faz nenhum sentido. Acho que o desgramado só queria me distrair, porque consegue retirar a camisa de mim com facilidade, jogando-a no canto da barraca logo em seguida.
O som dos pingos de chuva contra a barraca são até um pouco relaxantes, mas os trovões quebram completamente o clima calmo.
— Deita. Vamos dormir. Quero ir embora amanhã cedo. — Lucas diz, deitando ao meu lado e tomando praticamente 90% da barraca.
— Deitar onde? Você toma todo o espaço. — Tento me encolher no canto da barraca, mas mãos fortes agarram a minha cintura e me puxam para a frente bruscamente, me fazendo colidir com o seu peitoral largo e quente.
— Não falaremos sobre isso, entendido? Agora dorme, Nanico. — Ele sussurra, provocando arrepios na minha nuca. Um cobertor quente é jogado sobre a gente, e o colchonete macio deixa bem gostosinho aqui dentro, apesar das trovoadas e do mané pressionado contra mim.
Eu consigo sentir cada centímetro do corpo dele contra o meu, e tenho quase certeza de que ele está só de cueca, mas estou tão cansado que tudo que faço é fechar os olhos e me entregar ao sono.