CAPÍTULO 16

1017 Words
No dia seguinte, eu meio que pego uma carona com Lucas para ir para a escola, embora suma de vista e saia de perto dele assim que saímos de dentro da sua Hillux, porque o i****a chama atenção demais, e eu não gosto disso. Eu caminho pelos corredores rapidamente, desviando de todos que aparecem no meu caminho até encontrar Rafaella, no banco onde a gente sempre fica. — Ei. — Sento ao lado dela e lhe dou um abraço rápido, ignorando totalmente o "hey v***o" que ela sussurrou no meu ouvido. — Como foi seu acampamento? — Ela pergunta, com um sorrisinho malicioso no rosto. Hoje o cabelo dela não está em tranças, fazendo aquele volume lindo e castanho que vai até pouco abaixo dos ombros. — É... Foi suportável. — Dou de ombros e abro um sorriso amarelo, não querendo falar muito sobre isso, embora saiba que ela vai me atazanar até eu falar pra ela (e eu vou cuidadosamente esconder a parte mais vergonhosa dessa viagem, porque não quero a minha melhor amiga me atormentado pelo resto da vida sobre isso). A gente vai pra sala quando o sinal está prestes a bater, aproveitando que os corredores ainda estão um pouco vagos. (***) Na aula de biologia, a nossa turma vai para o laboratório fazer alguns experimentos básicos sobre separação de misturas, e como as mesas são divididas em pares, a professora que escolhe quem vai fazer dupla com quem (e faz questão de separar os amigos, pra gente não ficar conversando). Eu fico um pouco irritado ao ver essa velha chata colocando Rafaella pra fazer dupla com uma menina aleatória com quem nunca conversamos, mas o meu coração dá um salto assim que ela anuncia com quem eu vou ficar. Pedro, o garoto n***o e absolutamente lindo que eu estava secando no primeiro dia de aula, vem até a minha cadeira e senta ao meu lado, enfiando a mochila debaixo da mesa compartilhada. — Oi, eu sou o Pedro. — ele diz de forma calma e gentil, abrindo um sorriso tão lindo que me faz suspirar baixinho. — O-oi. Meu nome é Nicolas. — respondo, sem conseguir desgrudar os olhos dos seus. Ele tem as maçãs das bochechas super altas, e lábios absurdamente grossos e bonitos, além de olhos tão escuros que parecem absorver a luz. Ele abre a boca para falar alguma coisa, mas a professora começa a explicar a aula com uma voz séria e bastante alta, calando-o e o impedindo de falar. Eu olho para trás e encontro Rafaella lá no canto, olhando fixamente para mim com uma expressão maliciosa, alternando o olhar entre mim e o cara sentado ao meu lado. Nós passamos o resto da aula com nossas pernas coladas uma na outra, e a sensação do contato é ótima, principalmente quando eu o vejo me encarando de canto de olhos algumas vezes (talvez só porque eu esteja fazendo o mesmo repetidas vezes também, mas na minha cabeça eu estou sendo super discreto). Quando o horário do intervalo finalmente chega, a professora nos libera e eu faço menção de levantar da cadeira, mas Pedro coloca gentilmente a mão na minha coxa. — Você pode me dá o seu número, Nick? — Ele diz, mordendo aquele lábio carnudo e me encarando com aqueles olhos escuros. O meu coração dá um salto, e eu tenho certeza de que estou corando pra caramba aqui. — C-claro!! — Gaguejo, observando-o tirar o celular do bolso e estende-lo para mim. Os nossos dedos se encontram quando eu pego o aparelho, me fazendo arfar baixinho. Acho que estou tremendo um pouco de tanto nervosismo, então apoio as mãos na mesa para disfarçar isso, enquanto digito o meu número no celular. — Obrigado, Nick. — Pedro dá uma piscadinha e coloca uma mecha do meu cabelo ruivo atrás da minha orelha, antes de pegar a sua mochila do chão e levantar para sair da sala, me deixando aqui, completamente em pane. (***) — O QUE FOI AQUILO?! — Rafaella rosna assim que começamos a andar pelo corredor lotado, entrelaçando nossos braços e abrindo um sorriso tão grande que tenho certeza de que suas bochechas estão doendo. — Ele só pediu meu número. — Dou de ombros, sem conseguir evitar o meu próprio sorrisinho de alegria. — p**a m***a Nick!! Ai meu Deus!! — ela exclama, praticamente saltitando de alegria. A gente está tão alegre que nem percebemos as pessoas na nossa frente, e eu esbarro com força em alguém bem mais alto do que eu. — Qual é, Nickzinho, é melhor olhar por onde anda. — A voz irritante de Henrique diz, me fazendo dá um passo para trás apressadamente e encarar a sua cara irritante. O cabelo loiro está meio assanhado de um jeito descolado, e é agonizante que ele seja tão insuportável e bonito ao mesmo tempo. — Não enche, seu i****a. — dou um passo para trás, levando Rafaella comigo, mas ele dá um passo para frente também e ergue o braço na velocidade da luz para agarrar o meu cabelo e... — É bom não tocar nele, cara. — Lucas se materializa ao meu lado e agarra o braço de Henrique, impedindo-o de agarrar o meu cabelo. A cena acontece em câmera lenta, e eu observo o os dois se encararem, franzindo o cenho um para o outro. — Qual foi, Lucas? Protegendo esse balofinho? — Henrique pergunta, encarando um moreno ao meu lado, que é alguns centímetros mais alto que ele. Lucas solta o braço dele bruscamente, fazendo-o soltar um silvo baixinho, como se fosse um gato acuado e irritado. — os nossos pais estão juntos, e ele é meio que um irmão postiço para mim agora, então é bom não tocar nele. — Lucas explica, dando um passo para frente empurrando o seu 'amigo' pelos ombros em direção ao corredor, deixando eu e minha amiga aqui completamente atônitos, encarando as costas largas dos dois, enquanto eles caminham para longe da gente. — O que foi isso? — Rafaella murmura baixinho. — Não faço ideia. — Respondo, sem entender absolutamente nada.
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