Linda

531 Words
Assim que deixou o saguão do prédio, Santiago atravessou a calçada com passos longos e calculados. Seu olhar estava fixo em nada, mas sua mente fervilhava. Fingiu não notar os olhares curiosos da recepcionista. Fingiu não escutar a voz de Heleonora. Fingiu bem demais. Richard o aguardava encostado no carro preto, braços cruzados, óculos escuros e aquele jeito despojado típico dele, mesmo sendo um investigador federal de elite. “Atrasou, hein?” Richard comentou, abrindo a porta do passageiro. “Foi necessário.” Santiago respondeu, entrando no carro e batendo a porta com mais força do que devia. Richard ligou o carro, mas o olhou de lado, curioso. “Te conheço. Quando você fala pouco, tem coisa grande acontecendo. O que rolou lá dentro?” Santiago manteve o olhar fixo na rua. “Solomon Scannell vai morar aqui. Com os irmãos.” “Ah,é Isso. Mas não é isso que te deixou assim.” Richard deu um sorriso de canto. “Você ficou diferente desde que saiu do prédio.” Santiago manteve o silêncio por mais um minuto. Mas então... “Ela estava lá.” “Ela…? Ah. Ela.” Richard entendeu imediatamente. “A filha da Belinda.” “Heleonora.” O nome escapou da boca de Santiago com uma certa resistência, como se engolido por orgulho, mas ainda assim presente. Richard assobiou devagar. “E como ela tá?” “Igual. Linda.” Ele respirou fundo, irritado com a própria confissão. “Ela me olhou como se esperasse alguma coisa. Mas eu não dei. Não vou dar.” “Vai fingir que ela não significa nada?” “Ela não pode significar nada.” Santiago foi seco. Mas o maxilar cerrado, as mãos apertando o próprio joelho, entregavam a verdade que ele queria esconder. “O pai dela me odeia. O irmão, mais ainda. E ela...” “Ela te provoca.” Richard completou, sorrindo. “Você gosta disso.” “Ela é problema. Do tipo que entra na sua vida e vira tudo do avesso.” Santiago olhou pela janela, o olhar perdido por um instante. “Ela tem o sangue do Thomas. E a alma da Belinda. Não existe salvação para isso.” Richard riu, dando um tapa no volante. “Você é mesmo um caso perdido. Quer dizer que você agiu como se ela fosse uma planta no canto da sala, mas aqui dentro... tá pegando fogo?” “Eu me controlei.” Santiago murmurou. “Porque se eu não tivesse feito isso, teria beijado aquela maldita boca no meio da recepção.” O carro ficou em silêncio por um segundo. Depois, Richard comentou com um sorriso divertido: “Tô começando a achar que essa missão vai ser mais divertida do que eu imaginava.” Santiago soltou um suspiro pesado e passou a mão pelo rosto. “Ela vai ficar nesse apartamento. E eu tenho que fingir que não vejo. Fingir que não sinto. E, principalmente, fingir que não quero.” “Boa sorte com isso, parceiro. Porque pelo jeito... você já perdeu.” “Fala sério o fato de eu acha ela gostosa,não quer dizer nada,ja tive minha dose de Scannell”,ele fala sério
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