A mansão no alto da colina. A claridade era quase ofuscante, refletindo nos vidros das janelas, nas paredes claras e no portão de ferro. Santiago ajeitou o colete, os óculos escuros protegendo os olhos da intensidade da luz.
A equipe estava pronta, em posições. Ricardo, sempre ao lado, ajustava o fuzil com calma profissional.
“Hoje não tem breu para esconder ninguém. Vamos entrar como raio e deixar que a luz faça o resto.” murmurou Santiago pelo rádio.
As viaturas estavam estrategicamente afastadas, disfarçadas atrás de árvores e muros vizinhos. O silêncio era pesado, só cortado pelo zumbido dos insetos no calor. Então, de dentro da mansão, um barulho metálico ecoou. Portas se abrindo, vozes. Eles sabiam.
“Avança!” gritou Santiago.
O portão arrebentou com a força da equipe de arrombamento, e imediatamente a primeira rajada de tiros cortou o ar.
O estampido ecoou pelo bairro como trovão em céu azul. Pássaros levantaram voo em desespero, enquanto o pátio da mansão se transformava em campo de batalha.
Bandidos surgiram de trás dos carros importados estacionados na entrada, metralhadoras cuspindo fogo.
O sol refletia no metal das armas, e o som dos disparos parecia ainda mais brutal sob a luz clara do dia.
Santiago se jogou atrás de uma mureta de pedra, respondendo com tiros certeiros. Dois criminosos caíram quase ao mesmo tempo, seus corpos pesados batendo contra o chão ensanguentado do jardim.
Ricardo dava cobertura da lateral. Avançava em movimentos curtos, fuzil colado ao ombro, cada disparo calculado. Uma rajada atingiu o vidro da varanda, estilhaçando-o em milhares de cacos que cintilaram como cristais no ar antes de caírem sobre o chão coberto de sangue.
“Equipe Alfa, pela esquerda! Bravo, comigo no hall principal!” a voz de Santiago ecoava pelo rádio, firme, mesmo sob fogo cerrado.
O corredor principal virou um inferno. As paredes brancas logo estavam marcadas por buracos de bala e respingos vermelhos.
Um homem tentou resistir com uma escopeta, mas Santiago o neutralizou com dois tiros rápidos no peito.
Ele caiu de costas, o sangue escorrendo pelo mármore que refletia a luz solar que entrava pelas janelas quebradas.
Do lado de fora, os criminosos tentavam recuar, mas eram encurralados pela equipe que fechava todas as saídas.
Alguns largaram as armas e ergueram as mãos, cegados mais pelo medo que pelo sol ardente. Outros insistiram em lutar e tombaram um a um no gramado já tingido de vermelho.
O cheiro de pólvora se misturava ao calor do dia, criando uma atmosfera sufocante. Suor escorria pelo rosto dos policiais sob os capacetes, mas ninguém parava. Era avanço constante.
No segundo andar, encontraram uma sala trancada. Santiago chutou a porta com força, revelando uma mesa carregada de dinheiro em pacotes, armas de grosso calibre alinhadas e computadores ligados com mapas de rotas.
Provas vivas do império criminoso que se escondia atrás da fachada luxuosa.
Ricardo assoviou baixo:
“Aqui tem coisa grande, Santiago.”
“Coleta tudo. Isso fecha meio mundo de processos.” respondeu ele, ofegante, mas sem perder a clareza do comando.
Quando o último disparo cessou, o silêncio que se seguiu foi ainda mais perturbador. Corpos espalhados pelo gramado ardiam sob o sol escaldante.
O branco das paredes da mansão agora estava manchado em tons de vermelho e preto. Crianças e vizinhos espiavam de longe, chocados com o espetáculo c***l que o dia iluminava sem pudor.
A operação havia sido bem-sucedida. Presos algemados eram colocados de joelhos no jardim, suor e medo escorrendo pelo rosto. O calor castigava a todos igualmente, culpados e inocentes, vivos e mortos.
Ricardo se aproximou de Santiago, respirando fundo, o fuzil ainda quente nas mãos.
“Dia longo, meu amigo. Mas valeu cada gota de suor.”
Santiago encarou a mansão, o sol refletindo em seus óculos escuros. No fundo, sabia que aquela vitória era só um capítulo de uma guerra que ainda estava longe do fim.