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1214 Words

Ester Narrando A porta do galpão rangeu alto quando foi aberta à força pelos vapôs. A lanterna na mão de um deles tremia. Mas eu, eu tremia por dentro. Meus pés pareciam flutuar no concreto sujo. Cada passo ecoava mais alto que o último. O cheiro de ferrugem, sangue e mofo cortava o ar, mas o que queimava minhas narinas era o medo. O desespero. A raiva. Eu andei. Rápido. Sem pensar. Só sentindo o coração bater feito martelo no meu peito. E quando eu vi ele, quando meus olhos encontraram aquele corpo amarrado, o rosto inchado, o sangue seco na testa, eu congelei. Ester: Davi Ele tava desacordado, a cabeça caída pro lado, os braços presos nas correntes. Os dedos machucados. O rosto, irreconhecível. Ester: Davi! gritei de novo, e corri até ele, caindo de joelhos no chão frio, sem me im

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