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DV narrando A caminhonete subiu o Vintém em alta velocidade, os pneus cantando no asfalto quente e rachado. O motor urrava, mas o silêncio dentro do carro era mais alto. Ester apertava minha mão como se pudesse impedir que eu desabasse ali, no meio daquelas ruas que sempre foram minhas. O rosto ainda ardia. O corte na testa tinha sido costurado às pressas, mas o sangue seco escorria pela lateral. O corpo todo doía. Mas a dor que queimava mais forte era a outra. Aquela que nascia no peito, onde o coração já tinha virado pedra. Quando a caminhonete virou a última esquina e apareceu na viela principal, o morro congelou. Os vapôs pararam o que estavam fazendo, as crianças correram pra calçada, as mulheres olharam das janelas. Todos viram o estado em que eu estava. Um dos vapôs correu à fr

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