DV narrando O céu tava com aquele tom de fim de tarde, meio alaranjado, meio cansado, e eu encostado na janela do quarto, sentindo a dor do lado ainda queimando. O tiro que me derrubou dias atrás deixou mais que uma marca na carne, deixou um silêncio estranho na alma. O morro tava quieto demais desde então. Ninguém falava nada, só os olhar que se cruzava rápido, como se tivesse medo até de lembrar que eu quase fui pro saco. O médico vinha todo dia, botava agulha, falava pouco, dizia que eu precisava de repouso. Eu só queria silêncio. Ligeirinho, sempre do meu lado, com cara de quem queria falar, mas respeitava meu tempo. Minha mãe andando pela casa como quem carrega o mundo nas costas. Aquela tarde, o sol se enfiou pela fresta da cortina e me deu um estalo. Uma lembrança antiga, um qui

