*Michael PoV*
Ao retornar para casa, eu me jogo no sofá. Coloco as mãos sob o pescoço e fico olhando para o teto.
Ethan parecia bem, porém ele não é o tipo de cara que se deixa abalar na frente dos outros, não importa a merd@ que esteja acontecendo. Por dentro, ele deve estar em pedaços.
Penso no Sunny, não sei nem mesmo porquê. Estar em um funeral, depois de tanto tempo, ter falado sobre o Raphael com a Amber, talvez, essas coisas tenham despertado algo que, no momento, só consigo nominar como culpa.
Sunny ficou arrasado com a morte do meu irmão, ele era o preferido. Embora, no que se refere à bebida e violência, aquele c@nalha sempre foi assim. Não me lembro dele agindo de outro jeito. Pelo menos, não até eu voltar de viagem. Ele pareceu arrependido ao tentar se aproximar de mim.
Sento-me, passando as mãos pelo rosto e expirando longamente. Puxo o celular do bolso e observo a tela.
Talvez, eu devesse ligar para saber como ele está...
Sacudo a cabeça e decido que é uma péssima ideia.
Sunny pode entender errado e vai ficar me enchendo o saco.
Deixo o celular sobre o sofá e decido ver como está o estúdio. Antes porém, me lembro de algo importante. Pego o aparelho correndo e busco o número da Amber na agenda.
Melhor eu mandar uma mensagem avisando que cheguei. Não quero fazer merd@ de novo.
Fico encarando o teclado virtual na tela, sem saber o que digitar.
Acabei de chegar de um funeral. Não estou muito inspirado. Como eu começo?
Escrevo várias coisas, para depois apagar e iniciar de novo. Ou era formal demais, ou vulgar demais. Urro de frustração, levantando as mãos para o alto.
ㅡ Por que mulher é um bicho tão complicado?
Rio comigo mesmo e me sento no sofá de novo.
Que ótimo! Estou falando sozinho agora…
“Little bunny, acabei de chegar em casa. Vou ver como está o estúdio. Sonhe comigo.”
Acho que assim está bom. Sinto-me até orgulhoso de conseguir juntar essas três frases. Aproveito para mandar um emoji com uma carinha mandando um beijo. Adorei essa coisa.
Minha alegria acaba quando entro no estúdio. Está uma bagunça de cabos e instrumentos. Olho para o teclado da Amber em seu suporte, a única coisa no lugar, e vejo um bilhete sobre ele.
“Parceiro, amanhã eu volto para ajudar a organizar tudo. Rico teve que resolver um assunto com o Juan e estão precisando de mim no restaurante. Pete.”
Eu faço uma bolinha com o papel e arremesso na cestinha de lixo no canto do cômodo. Erro por um centímetro.
É melhor eu ver o estado da minha Fender...
Assim que entro no quarto, a resposta dela chega.
“Achei que os rapazes iriam fazer isso. Quer ajuda?”
Se ela vier, com certeza sequer chegaremos no estúdio. Além do mais, estou pregado. Quase não dormi e o funeral deixou uma sensação ruïm. Não quero que ela me veja nesse estado.
“Não precisa. Descanse. Eles vão voltar amanhã de qualquer forma. Boa noite.”
Ela responde com um “Boa noite” e eu desligo a tela.
*Amber Lee PoV*
Que estranho… Será que aconteceu alguma coisa?
Não comentei com Michael que descobri quem é o tal amigo que ele mentiu ao dizer que eu não conhecia.
Tudo isso é muito suspeito… Bom, já que ele não quer me dizer o que está acontecendo, vou ter que apelar para algumas investigações na segunda. Começando pela sala dele.
No domingo pela manhã, saio com a Lauren para fazer compras no shopping. Quero ter mais alguns acessórios para os shows. Fiquei empolgada quando Michael me mandou uma mensagem sobre como as vendas do disco estão indo bem e que iremos até viajar de avião.
É maravilhoso!
Nós duas paramos para almoçar em uma lanchonete no shopping e colocar a fofoca em dia.
ㅡ Não acredito nisso!
ㅡ Pois é, amiga! Quem diria que a Megan, com aquela carinha de santa, era tão assanhada? Foi pega em flagrante com o Edward no estacionamento!
ㅡ Pensei que ele tivesse um caso com a vaca…
ㅡ Ele tem um caso com todo par de peïtos nos quais consegue pôr as mãos. Quase caí na lábia dele uma vez.
Fico chocada. Lauren é pegadora, acho que só perde para o Michael, porém jamais imaginei que ela fosse se arriscar com um colega de trabalho. Então, eu rio de mim mesma.
Quem sou eu para julgar, certo?
ㅡ O que é tão engraçado?
ㅡ Sinceramente, estava me perguntando porque raios você iria querer se envolver com um colega de trabalho.
ㅡ Olha só quem fala…
Eu dou risada e sacudo os ombros.
ㅡ Pois é…
ㅡ De qualquer forma, quem não iria querer se envolver com aquele deus nórdico? Sério, o cara parece que saiu de um filme, de tão lindo que é. Aliás, vamos concordar, temos a sorte de trabalhar em um lugar onde só há colírios para os olhos! Do faxineiro ao CEO, é um mar de homens bonitos!
ㅡ Disso não posso discordar!
Nós rimos juntas e a menção do nosso chefe atiça a minha curiosidade.
Talvez, ela saiba de algo…
ㅡ Lauren, o que você acha do senhor McGregor?
ㅡ Como assim?
ㅡ Tipo, ele me pareceu um chefe acessível e atencioso nas poucas vezes que tive contato com ele.
ㅡ Bom, ele realmente é muito gentil e educado. Um verdadeiro lord. Muita gente quer trabalhar na McGregor Corporation por causa da fama dele de ser justo com seus funcionários.
ㅡ Bom, uma pessoa assim deve ter muitos amigos, não é?
ㅡ Não sei. Para ser honesta, ele me parece um pouco solitário nesse ponto.
ㅡ Solitário?
ㅡ É… O cara é podre de rico, é o homem mais poderoso do país, tirando o presidente, obviamente. Pessoas assim vivem cercadas de gente que só quer puxar o saco para se dar bem. É difícil dizer quem realmente é sincero, sabe. Então, os amigos que ele tiver, deve tratar ainda melhor que seus funcionários.
Confesso sentir muita pena do meu CEO nesse momento. Ter tanto dinheiro e poder e não saber em quem realmente pode confiar.
Talvez, seja por isso que Michael não tenha dito nada. O senhor McGregor não me conhece direito, tirando os nossos “encontros” casuais no elevador. Deve preferir discrição com relação ao seu círculo de amizades.
Apesar do sentido que isso faz, a curiosidade dentro de mim é maior. Quero saber mais sobre o homem por quem me apaixonei. E ainda mais sobre as pessoas que o cercam.
*Michael PoV*
De manhã cedo, antes do Pete chegar, eu decido checar meus e-mails. Tem um monte de coisas do trabalho, que com certeza só vou abrir amanhã no escritório. Um do nosso produtor me chama a atenção. Ele está marcando um grande show em Tampa, na Flórida. Como o disco está vendendo bem, Winchester vai dispor mais recursos para nós, como equipamentos no local e passagens de avião. Sequer acredito que não vamos mais precisar enfrentar ho®as de estrada.
Céus! Isso está indo melhor do que eu poderia imaginar!
Mando uma mensagem para Amber, não apenas para dar bom dia, porém, também para contar sobre as boas novas. Ela fica tão contente, que me avisa que vai fazer compras com a Lauren. Quer estar apresentável para o próximo show.
Ela é uma graça…
Recebo uma ligação do Rico, avisando que não virá por causa de um problema com o irmão. A campainha toca e eu sigo para a porta. Pete surge com olheiras e uma expressão cansada.
ㅡ Cara, você foi atropelado?
ㅡ Antes fosse. Tive que aturar o Caio e a Flora quase a noite toda. Aquele sacana ainda me fez provar os novos coquetéis que inventou.
ㅡ Você tem condições de me ajudar a arrumar tudo? O Rico já me ligou dizendo que não vem. O irmão dele aprontou de novo.
ㅡ Estou de boa, desde que não queira tocar nada. O que o Juan fez?
Eu dou de ombros e caminhamos para o estúdio.
ㅡ Rico não entrou em detalhes, no entanto, tratando-se do Juan, certamente pegou a filha ou a grana de algum gangster.
Pete ri e começa a desempacotar as partes de sua bateria. Eu ficaria perdido se tivesse que montá-la sozinho, entretanto para ele parece algo simples, como pentear o cabelo. Depois da pausa para o almoço, relaxamos um pouco no sofá, tomando uma cerveja e conto para ele a novidade sobre o novo show.
ㅡ Eu não acredito nisso! O álbum deve estar vendendo horrores!
ㅡ Sim, Winchester me mandou o balancete de vendas. É surreal. ㅡ Percebo que ele me encara com um sorriso convencido. ㅡ O que foi?
ㅡ Você sabe que é graças a Amber Lee, certo? Quero dizer, nós éramos bons, porém parecia estar faltando uma peça fundamental.
ㅡ Eu sei. Ela... Preencheu o que faltava.
Ele percebe que há um duplo sentido no que digo e fica curioso.
ㅡ Vocês se entenderam?
ㅡ É... Fizemos as pazes.
Ele sacode os braços no alto e eu sorrio.
ㅡ Aleluia! Estou feliz por vocês! Bom, vamos terminar de arrumar os equipamentos?
Ele se levanta do sofá e segue para o estúdio. Por uma fração de segundo, penso ter visto tristeza em seu rosto. Isso me incomoda terrivelmente.
Eu devo estar imaginando coisas.
Decido não falar nada, acho que a minha insegurança já causou problemas demais. Desembalamos e posicionamos os amplificadores, conectamos os cabos. Agradeço por não ter que fazer isso novamente. É muito exaustivo. Quando ele se vai, aquela sensação esquisita retorna. Pego o celular e afundo no sofá, colocando os pés na mesinha. Penso duas vezes antes de ligar para Amber.
É melhor não voltar nesse assunto com ela. Só vou criar mais confusão. Justo agora que as coisas estão começando a dar certo outra vez. Nem ela, nem o Pete, merecem essa minha neurose...
Respiro fundo e fico vagando o olhar pelas mensagens. Vejo a que Mayra me mandou para avisar sobre o funeral do Clyde. Alterno para a agenda e procuro o contato do Sunny.
Talvez eu devesse ligar... Faz semanas que ele não dá sinal de vida.
Sacudo meus pés nervosamente, com o dedo travado acima do botão “Chamar”. Por fim, eu desligo a tela e solto o aparelho no sofá como se estivesse me queimando. Passo minhas mãos lentamente pelo rosto e urro de frustração.
Merd@! Por que eu deveria me importar? Eu o odeio!
Levanto-me e sigo para o quarto. Vou até o guarda-roupa, pego uma caixa de sapato na parte mais alta dentro dele e a coloco sobre a mesa do computador. Eu a abro e retiro o pendrive com os dados do Grupo MEI. Ligo um laptop e conecto o dispositivo.
Vou me concentrar nisso por agora…