*Michael PoV*
ㅡ Michael, que ho®as você vai me levar para casa? A Mylla deve estar enlouquecida de saudades. Também quero trocar de roupa, antes do Pete e do Rico chegarem. Estou com essa desde ontem.
ㅡ Considerando que você não ficou dez minutos vestida depois que chegou, sua roupa deve estar limpa, certo? ㅡ Eu a encaro com um sorriso sacana e ela me retribui com um olhar fatal. ㅡ Já vou te levar, só estou fazendo uma seleção para minha playlist.
Volto a me concentrar nos meu fones de ouvido. Sentado no sofá, eu começo a batucar instintivamente nas coxas. Então, sinto que os fones são retirados da minha cabeça e um peso recai sobre meu colo. Amber se joga de bruços sobre minhas pernas, sacudindo os pés no ar, enquanto escuta as minhas músicas com os meus fones.
ㅡ Que audácia, little bunny!
ㅡ Só estou te ajudando... Hei, essa daqui é boa!
Observo divertidamente essa garota abusada. Meus olhos percorrem suas costas, traseiro, pernas. A camisa está decente, mas esse shortinho... Não resisto e dou-lhe um tapa na bund@. Também é uma forma de puni-la por sua ousadia. Ela rapidamente dá um pulo, como uma gata fugindo da água fria, e se vira para me encarar.
ㅡ Hei, seu pervertido!
ㅡ Não sou nada disso. A essa altura, tenho total direito de passar a mão em qualquer parte do seu corpo.
Ela revira os olhos e sai do meu colo, sentando-se do meu lado de braços cruzados. O sorriso discreto que ela tenta esconder com um bico de birra não me escapa.
ㅡ Idïota...
Viro-me para ela, puxo os fones de sua cabeça e os coloco na mesinha de centro. Depois, acaricio seus lábios com o polegar de forma vigorosa.
ㅡ Sabe, little bunny, esse beicinho que você faz quando está irritada, me deixa com uma vontade enorme de beijá-la.
ㅡ Jur...
Antes que ela termine, eu me jogo em sua boca. Seu corpo desaba sobre o sofá com o peso do meu. Porém, ela me empurra gentilmente.
ㅡ O que foi, little bunny?
ㅡ Você não vai me enrolar.
Eu rosno frustrado e me levanto.
ㅡ Vou só colocar uma camiseta e nós vamos.
*Amber Lee PoV*
Passamos na casa da Stefani para pegar a Mylla, que faz uma festa enorme ao me ver. Eu a seguro no colo, apreciando suas lambidas no meu rosto e o feliz som do seu ronronar. Michael permanece perto da saída, como se estivesse muito deslocado. O apartamento da Stefani é todo adaptado para os gatos, então há todo tipo de acessórios para eles até onde a vista alcança.
Acho que ele nunca viu algo assim…
Seguro a risada para não deixá-lo mais incomodado, coloco minha gata em sua gaiola de transporte, pego sua mala com seus acessórios e seguimos para o meu apartamento. Assim que entramos, solto minha filhota na sala. Ela imediatamente vai para sua almofada preferida no canto. Então, eu começo a arrumar suas coisas.
Coloco suas tigelas com água e comida perto de onde ela está. Espalho alguns brinquedos pela sala e não resisto em jogar uma bolinha com sino na direção dela. Sua cabeça imediatamente se ergue e ela corre atrás da bola, mordendo-a e jogando-a de um lado para o outro. Eu dou risada.
ㅡ Estava com saudades de casa, não é, meu bem?
Ela continua a brincar, enquanto eu rio. É quando ouço um pigarrear e me dou conta do Michael parado perto da porta, com as mãos nos bolsos da calça.
ㅡ O que está fazendo parado aí?
*Michael PoV*
Que pergunta é essa? Seria uma visita rápida, no entanto ela tem todo um ritual com a gata. Uma gata preta, cheia de vontades.
ㅡ Você não tem medo dessa bola de pelos, little bunny?
ㅡ Ah, não me diga que Michael Denver é supersticioso e está receoso por causa de uma inocente gatinha preta?
Eu debocho do sarcasmo que ela demonstrou em sua pergunta abusada.
ㅡ Faça-me o favor... Ande logo, little bunny. Pete e Rico já devem estar a caminho do meu apartamento para descarregar a van e você ainda nem se trocou.
ㅡ Mylla é sensível. Não nos apresse.
Amber vai para a cozinha arrumar não sei o quê e a gata volta a se deitar em uma almofada no canto da sala para se lamber. Eu me aproximo e me agacho, observando-a. Do nada, ela olha para mim e rosna. Afasto-me rapidamente. Amber retorna sorridente e a criatura peluda mia docemente.
Inocente? Bicho do m@l de duas caras...
ㅡ Vou tomar um banho rápido e já fico pronta.
ㅡ Por que não fez isso lá em casa?
ㅡ Para vestir a mesma roupa? Nem pensar!
ㅡ Quer ajuda, little bunny? ㅡ Ela se limita a sacudir o dedo negativamente, enquanto entra no quarto e eu rio. Volto a olhar para a gata, que me encara curiosamente. ㅡ Melhor ir se acostumando comigo, bola de pelos. Sou o namorado da sua dona.
O bicho me ignora solenemente e volta a se lamber. Eu suspiro e me sento no sofá, de braços cruzados. Depois de alguns infindáveis minutos, que me pareceram ho®as, Amber sai do quarto. Calça jeans, camiseta e jaqueta. Básico, mas encantador. Tudo nela cai perfeitamente bem. Quando eu me levanto, meu celular vibra com uma mensagem da Mayra que me deixa perturbado.
ㅡ Ah, não...
ㅡ O que foi, Michael?
Olho para ela, ainda surpreso pelo impacto da notícia.
Ethan tinha Clyde Foster como um pai. A morte dele deve tê-lo abalado. A coitada da Nancy também deve estar inconsolável por perder o marido. Eu tenho que ir.
ㅡ Sinto muito, little bunny. O pai de um amigo faleceu. Vou dar uma força para ele.
ㅡ Nossa, que coisa triste... Eu conheço?
Acho melhor não expor o Ethan. É uma situação muito delicada.
ㅡ Não.
ㅡ Está bem. E os rapazes com a van?
ㅡ Pete tem a chave do meu apartamento. Vou mandar uma mensagem para ele. ㅡ Aproximo-me dela e a beijo, apertando seu quadril contra o meu. ㅡ Queria ficar mais tempo com você, curtir o feriado, no entanto não posso deixar de dar o meu apoio nesse momento para esse amigo.
ㅡ Não se preocupe. Vou aproveitar e dar um jeito no apartamento. Ficou fechado um mês. As teias de aranha no teto são dignas de um filme B de terror.
Eu acho graça de sua simplicidade. Só mesmo ela para arrancar um sorriso de mim agora. Saio de seu apartamento e sigo para o meu, para vestir algo mais formal.
Fui a três funerais em toda a minha vida. O da mãe do Pete, da namorada do Rico e do meu irmão, porém me lembro exatamente de como é desolador.
Eu coloco um terno preto e, quando estou de saída, Pete e Rico chegam.
ㅡ Nossa, você está tão elegante, apesar da cara amarrada. Parece até que vai para um enterro.
ㅡ Exatamente.
Rico, que tinha no rosto um sorrisinho b&sta até agora, fica completamente surpreso e sem graça.
ㅡ Foi m@l, parceiro. Quem foi?
Essa pergunta de novo...
ㅡ Sinto muito, Rico, mas é pessoal. Eu... Eu não sei quanto tempo vou demorar, então podem começar a levar os equipamentos para o estúdio. ㅡ Viro-me para o Pete. ㅡ Coloque a minha Telecaster sobre a minha cama.
ㅡ Ué, o lugar dela não é na parede?
ㅡ Vocês são muito desastrados, tenho medo que a deixem cair porque já têm muita coisa para fazer.
Rico finge um espirro e murmura algo. Eu entendo muito bem.
ㅡ Chato... ㅡ Dou-lhe um cascudo e ele se faz de inocente. ㅡ Credo! Não se pode nem espirrar? Cadê a ojitos para te dar um trato e te deixar mansinho?
Reviro os olhos, rosnando.
ㅡ Ela foi para a casa dela... Tinha que cuidar daquele bicho que ela cria.
ㅡ Bicho? ㅡ Rico pisca algumas vezes antes de entender a que me refiro. ㅡ Ah, está falando da Mylla?
ㅡ Então, você conhece a bola de pelos…
ㅡ Ah, sim. Fui ao apartamento dela várias vezes, cuidar da gatinha quando ela estava enrolada no trabalho ou, então, só para dar um “oi”.
A pontada de inveja que sinto por ele fazer parte da vida dela muito antes de mim é frustrante.
Se eu não tivesse viajado, poderíamos ter ficado juntos há muito mais tempo.
ㅡ Vocês dois ficaram muito amigos, não é?
ㅡ Claro, nós... Ai! ㅡ Pete lhe dá uma cotovelada na costela, provavelmente tentando alertar ao Rico do possível ciúme que eu possa sentir. Dessa vez, ele está enganado. ㅡ Vocês dois hoje tiraram o dia para me bater?
ㅡ Rico, às vezes me pergunto se você se faz de bobo de propósito. Simplesmente não é possível alguém ser tão desligado assim.
ㅡ O que foi que eu fiz, Pete? ㅡ Ele olha dele para mim, confuso. Sua boca se abre em um “oh” e ele desata a gargalhar. ㅡ Porr@! Você está com ciúmes por eu ter ido na casa da ojitos? Parceiro, ela é como uma irmãzinha para mim. Gostosa... Mas, quem é que pega a irmãzinha gostosa?
Reviro os olhos nas órbitas. Sei que ele está só de gozação com a minha cara, mesmo assim, é irritante.
ㅡ Put@ merd@, Rico! Um dia, eu ainda perco a paciência… ㅡ Respiro fundo e encaro os dois. ㅡ Não é nada disso. Os dois estão errados… Eu só queria tê-la conhecido antes.
Rico se aproxima, todo sorridente, e me abraça pelos ombros.
ㅡ Pois é, talvez já estivessem até casados!
Arregalo os olhos e me livro dele. Limpo a garganta para disfarçar o susto que levei.
ㅡ Menos, Rico… Menos…
Então, Pete decide embarcar no time do Rico para terminar a sessão de me deixar sem graça com chave de ouro.
ㅡ Rico, você está dizendo uma grande besteira. Nosso irmão apaixonadinho provavelmente já teria até um pequeno rebento no forno.
Eu rosno levando minhas mãos para a nuca.
ㅡ Você dois são terríveis! ㅡ Eu suspiro derrotado e sigo para a porta. ㅡ Eu volto assim que puder. Por favor, não quebrem nada!
Enquanto ligo o carro para ir ao enterro do marido da Nancy, que foi a figura paterna que Ethan conheceu, as palavras do Rico e do Pete ficam martelando na minha cabeça.
Casamento… Filhos… Família… Não creio que eu seja digno desse tipo de felicidade…
*Amber Lee PoV*
Faxinei o apartamento todo só para me manter ocupada. Deixei as janelas abertas para arejar o ambiente também. Mylla ocupou minha atenção o restante do tempo, mesmo assim, meus pensamentos voltavam para o Michael.
Será que ele está bem? Queria ligar, mas não sei se seria apropriado. Ele foi a um enterro, um dia depois de ter ficado tão abalado por se lembrar da morte do irmão caçula. Esse amigo deve ser muito importante para ele.
Fico imaginando que amigo seria esse. Rico e Dorothy são órfãos, então estão fora de questão. O pai do Pete está vivo, mesmo que os dois não se entendam muito bem.
Não me lembro de nenhum outro amigo que ele tenha.
Então, me recordo de um nome que Michael deixou escapar uma vez, quando estivemos naquele lindo chalé durante o festival.
Ethan… Por que me parece tão familiar…
Concluo que só pode ser o pai desse tal Ethan que faleceu.
Os dois devem ser muito ligados, afinal quem emprestaria uma propriedade como aquela para um simples conhecido?
Conforme meu cérebro tenta juntar as peças, surfo na internet do meu celular. Uma manchete chama a minha atenção e fico boquiaberta.
“Clyde Foster, mordomo da família McGregor por décadas, faleceu ontem em virtude de um câncer terminal. A presença do magnata Ethan McGregor é esperada hoje durante o velório.”
Ethan… McGregor? O CEO? Será o mesmo Ethan que Michael falou? Não pode ser… Mas, quantos Ethan meu namorado conhece, que possam ter um chalé exuberante disponível? Se for ele mesmo, por que Michael não quis me contar? Tem algo estranho nessa história e eu vou descobrir!