114 - O beijo da vingança

1112 Words
*Amber Lee PoV* Ponto final. Realmente é isso. O fim da nossa história. Tenho raiva das lágrimas que caem por causa da última mensagem que recebi dele. Enquanto perambulo pela minha sala, vejo Mylla dormindo tranquila, completamente alheia aos caos que reina desenfreado dentro de mim. Eu queria gritar e quebrar tudo o que está na minha frente. Porém, nem para isso eu sirvo. O ar do apartamento é sufocante demais e sinto uma náusea tão grande, que corro para o banheiro. Mas, eu não vomito nada, apesar do embrulho horroroso no estômago. Eu não vou ficar aqui sentindo pena de mim mesma por causa daquele idïota! Tomo um banho para espantar o cansaço do corpo e me arrumo para sair. Tudo o que eu menos preciso agora, é ficar trancada nesse apartamento, onde há tantas lembranças dele. Assim que abro a porta, dou de cara com o Pete. Sua mão está quase na campainha e eu bufo. ㅡ O que você quer? Ele levanta as mãos em sinal de rendição. ㅡ Calma, Amber Lee. Só vim ver como você está. Michael disse que terminaram e fiquei preocupado com você. Vai sair? Dou uma curta risada debochada. ㅡ Isso definitivamente não é da sua conta, Pete! Sou uma mulher solteira! Posso fazer o que eu bem entender! Tento forçar meu caminho, porém ele me segura pelos ombros. ㅡ Olha, não sei o que aconteceu de tão grave para as coisas entre vocês dois azedarem desse jeito. Mas, eu sei que não é uma boa ideia sair sozinha por aí no estado em que está. Não consigo conter a ironia na minha voz. ㅡ Oh! Ele não te contou? ㅡ Pete sacode a cabeça e eu continuo, debochando da situação. ㅡ Aparentemente, eu sou uma traidora, pois traí a confiança do seu amigo. Foi a desculpa esfarrapada que ele deu para me jogar fora como se eu fosse as sobras do jantar! Pete franze a testa e balança a cabeça em negativa. ㅡ Não pode ser… Deve ser algum m@l-entendido. ㅡ Eu não quero nem saber! Agora, pode me dar licença, por favor? ㅡ Tudo bem. Você quer sair, não vou te impedir. Mas, eu vou com você. Jamais me perdoaria se algo te acontecesse. ㅡ Que seja! Nós seguimos na van da banda, que ele usa quando ela não está transportando equipamentos. Paramos em uma boate que nunca vi antes, porém Pete a conhece. Foi pedido meu, não quero esbarrar em pessoas conhecidas. Minha cara desamparada renderia diversas explicações que não quero dar no momento. Tive que carregar na maquiagem para tentar disfarçar o desastre no meu rosto. O lugar é legal, tem música e bebida. Estou precisando muito de tudo isso. Pete traz uma sequência de shots, que eu tomo um atrás do outro. ㅡ Vai com calma, Amber Lee. Assim você vai ficar bêbada rápido. ㅡ Por favor, Pete. Só por hoje, eu não quero me segurar. Ele suspira alto e dá de ombros, completamente desamparado. ㅡ Já escutei isso antes de outra pessoa e não acabou bem. Ignoro seu comentário, continuo minha rodada de drinques e Pete me acompanha. Ele é um bom amigo e escuta minhas lamúrias o tempo todo. Quando uma música que gosto começa a tocar, eu me levanto para ir dançar. Minha cabeça está leve como uma pluma e o álcool me faz ter vontade de rir. Acabo arrastando o coitado do Pete para a pista, mesmo sob seus protestos. Chacoalho o meu corpo ao ritmo da música, que fica martelando no meu crânio. Sou levada de um lado para o outro pela multidão de pessoas que faz a mesma coisa. Em um certo momento, levo uma trombada por trás de alguém e perco o meu equilíbrio. Quando penso que vou beijar o chão, Pete me segura. ㅡ Hei, você está bem? Agarro com força sua camisa e levanto meu olhar para encará-lo. Seus olhos verdes claros estão fixados em mim e ele engole saliva, enquanto seu rosto se aproxima do meu. O calor do seu abraço se mistura ao álcool na minha cabeça. Eu não penso em mais nada, a não ser punir aquele homem que tanto me fez sofrer. Sinto seus lábios tocarem os meus de forma gentil e inocente. É quando me dou conta da maior burrice que já cometi na minha vida. É o amigo dele, Amber Lee! Eu me afasto do Pete como se tivesse levado um choque. Ficamos nos encarando de olhos arregalados. Ele coça a nuca, muito sem graça. ㅡ Sinto muito por isso… Não sei o que dizer, apenas me viro e retorno para a nossa mesa, sem respirar o caminho todo de volta. O que foi que eu fiz! O que foi que eu fiz! Pete se senta ao meu lado, com a culpa estampada em sua face. ㅡ Amber Lee, me desculpe! Foi sem querer! Acho que a bebida me deixou um pouco alto! ㅡ Não é culpa sua, Pete… Você tinha razão. Eu não deveria ter saído. Vamos fingir que nunca aconteceu, está bem? Ele fica espremendo os dedos das mãos uns nos outros, cheio de nervoso. ㅡ Temos que contar para o Michael… Giro meu rosto na direção dele, completamente aturdida. ㅡ O quê? Nem pensar! ㅡ Não se esconde uma coisa dessas! Porr@, ele é o meu melhor amigo, meu irmão! Não posso esconder que beijei a garota dele! ㅡ Garota dele? Eu e Michael terminamos! Não devo satisfação nenhuma da minha vida para ele! Você sabe como ele é, Pete! Certamente vai me acusar de te seduzir enquanto ainda estava com ele! ㅡ Ele não pensaria isso, Amber Lee! Cass&te! Ele sabe que você não é assim! Por favor! ㅡ Não! Se você contar, juro que nunca mais falo com você! ㅡ Pego minha bolsa e me levanto. ㅡ Quero ir para casa. Pode me levar? Ele bufa desanimado e se levanta. Ao me deixar na frente do meu prédio, o Sol está quase nascendo. Vou ter uma ressaca daquelas e o trabalho vai me matar. ㅡ Como ficamos? Olho para ele no volante, em pé do lado de fora do veículo. ㅡ Não entendi. ㅡ Pelo amor de Deus! O beijo! ㅡ Eu já disse que não! Tchau, Pete! Entro correndo no prédio para não dar a ele qualquer chance de resposta. Jogo-me na minha cama, depois de entrar no meu apartamento, soluçando de tanto chorar. O que você fez, sua tonta! Mas, não importa… Michael nunca vai saber se o Pete não contar. Mesmo que conte, isso não interessa. Nosso namoro acabou e vou dar um jeito de seguir em frente. Mesmo que o meu coração sangre pelo caminho.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD