20 - A inspiração dela

1435 Words
*Amber Lee PoV* Não é da minha natureza "caçar" como a Lauren faz, ou me oferecer como aquelas tietes. Não sou puritana, só um pouco… Inexperiente e medrosa. O caos de sensações que Michael me causa ainda é muito confuso para mim. E, quando me vejo perdida em seu olhar, realmente não sei o que fazer. Rico começa uma conversa esquisita, sobre estarem sozinhos e Michael fica se gabando da quantidade de mulheres que irão abordá-los, enquanto olha indiscretamente para os morrinhos que os meus s&ios formam. Será que ele realmente acha que quantidade é melhor que qualidade? É tão fácil para ele dormir com alguém que nem conhece e não se apegar a ninguém? S&xo pelo s&xo, sem sentimento algum? ㅡ Você não se importa de ser tratado como carne? Pela primeira vez, vejo algo diferente passar em seus olhos. Uma sombra de dúvida. Não… Foi algo mais. A certeza da solidão. Pete continua a conversa sobre garotas e Michael volta a pôr sua máscara de garanhão de plantão. É, percebo agora que é uma máscara todo esse teatro que ele faz. Não entendo a razão ainda disso, pois me lembro do Rico tomando sua defesa e dizendo que ele é um cara legal. Meu amigo não iria defender alguém que fosse um completo bab@ca. Só posso imaginar que, em algum momento, ele tenha se machucado, e essa é a forma que encontrou para se proteger. Eu suspiro, desprezando sua fachada arrogante e Michael entende de forma errada. ㅡ O que foi, ruivinha? Ficou ofendida só por que eu usufruo do que me é dado? Esse apelido acende uma centelha na minha cabeça, onde vejo aquele homem nojento se esfregando em mim. Estava no meio de um gole e sinto uma ânsia tão grande, que engasgo e cuspo no copo. Bato com o objeto na mesa, sem me importar se o quebraria ou não. ㅡ Ruivinha? Rico reclama com Michael, cujo confuso olhar encara o meu cheio de irritação. É quando me dou conta que ele não é aquele monstro que invadiu a minha cama ou me encurralou em um beco. Apesar disso, fico na defensiva, mesmo quando ele tenta ser educado. ㅡ Não queria te ofender, mas não sei o seu nome. Você não se apresentou. ㅡ Você definitivamente não me deu a chance. ㅡ Vamos recuperar o tempo perdido, então. Meu nome é Michael. E o seu? Fico tão surpresa com a forma gentil que ele está colocando as coisas, que sinto dificuldade em encontrar a minha voz. Não esperava isso do senhor arrogância em pessoa e meu nome sai em um semi sussurro pelos meus lábios. ㅡ Amber Lee. Rico tem essa mania de falar qualquer bobagem quando lhe dá na telha, porém quando ele sugere que a mudança de atitude do Michael é uma nova tática de sedução, eu reviro os olhos, sem conseguir não menosprezar a situação. Ele falou brincando, entretanto não posso deixar de achar que haja um fundo de verdade nisso. ㅡ Funciona? Michael não se deixa abater e me responde sem o menor pudor o que eu estava morrendo de curiosidade para saber, porém jamais perguntaria abertamente. ㅡ Já perdi a conta dos corações partidos. E de garotas tão satisfeitas, que m@l conseguiam caminhar na manhã seguinte, ou falar por estarem roucas de tanto gritarem o meu nome durante o ápice… Eu não esperava que ele fosse tão direto assim. Ele já está em pé, se exibindo como um pavão, enquanto eu permaneço de olhos esbugalhados e queixo caído. O calor que sobe pelo meu corpo e atinge meu rosto me diz que devo estar vermelha. Cruzo meus braços para me resguardar e me recompor antes de abrir a minha boca. ㅡ Humpf! Detesto sedutores baratos… São sempre uma perda de tempo! Quando penso que ele não tem mais munição para me provocar, ele me dá a última pedrada, antes de se afastar com Rico para ir até o bar. ㅡ Bem, melhor assim, pois não estou planejando te seduzir. Essa doeu... Pete está tentando puxar conversa comigo, contudo eu apenas sorrio e aceno com a cabeça de forma automática. Meu olhar vaga do meu copo para aquele metaleiro que me fascina totalmente, porém n&go a mim mesma qualquer oportunidade para que ele se aproxime. Não que eu esperasse ter alguma coisa com ele, mas esse encontro com Michael só me lembrou do que tanto tenho fugido desde que conheci Fabian Caster. Apesar de tudo, sinto falta de um corpo me aquecendo à noite. Saber que me privei de explorar mais o mundo masculino por causa daquele traste me enfurece, pois, no final, deixei aquele nojento tirar isso de mim. Kevin também não era o melhor amante do mundo, porém era o que eu tinha. Perceber que eu me conformei com tão pouco por tanto tempo me entristece, ao ponto da minha garganta secar e fechar. Fica pior quando vejo Michael ser abordado por duas garotas, que se esfregam nele sem qualquer vergonha. Não é que eu queira agir da mesma forma, eu apenas queria ter mais desenvoltura e coragem quando se trata do s&xo oposto. ㅡ Acho que não sou uma boa companhia, não é? Encaro o baterista da Everlasting e sorrio. O coitado está fazendo de tudo para me animar e eu m@l lhe dei atenção. Outro efeito Michael Denver. Quando ele está por perto, tudo parece desaparecer. ㅡ Desculpe, Pete. Só que hoje não está sendo um bom dia. Acho que já bebi demais. É melhor eu ir para casa. Meu corpo estremece quando Michael retorna e se esparrama em seu assento, com uma garota no colo e outra ao seu lado. Não quero ter que vê-lo sair daqui com qualquer uma delas para, como ele mesmo disse, desfrutar do que lhe é oferecido. Despeço-me educadamente de todos e vou embora. Rico se prontifica para me levar em casa usando a van da banda, que eu aceito. Com a cabeça girando como agora, não sei onde poderia parar se fosse sozinha. Assim que entro em casa, meu olhar vaga pela sala. Mylla está dormindo em sua caminha no canto como uma boa gatinha. No entanto, a presença do instrumento intocado por tanto tempo me chama. Engulo em seco, largo minha bolsa no sofá e caminho lentamente até ele. Removo a capa que o protege da poeira e o ligo. Respiro fundo e fecho meus olhos, pousando minhas mãos trêmulas sobre as teclas. Somente hoje percebo porque não era capaz de tocar. Não era a pendência com meus pais ou Kevin. Era uma pendência comigo mesma, a total falta de inspiração, desde a morte da minha avó. Ela era meu pilar, meu porto seguro. Todo o meu mundo ruiu com sua partida. No entanto, hoje, apesar da forma estranha como aconteceu, encontrei outra inspiração. Então, deixo meus pensamentos me levarem de volta àquele olhar claro como o gelo e, ao mesmo tempo, quente como brasa, que alimentou uma chama esquecida dentro de mim. Notas sem propósito escapam pelo teclado, a princípio, sem qualquer pretensão de ser qualquer coisa. Ainda sinto o perfume e o calor daquele corpo perfeito tão próximo, como se estivesse bem ao meu lado. A voz poderosa sussurrando em meu ouvido coisas que só existiram na minha imaginação. Até mesmo suas provocações que, quando paro para pensar, me instigaram mais que irritaram. É insano como tudo se encaixa harmoniosamente em forma de notas e, depois, palavras. Minhas mãos arrancam acordes seguros agora, sem freios ou medos, impulsionadas pela atração que senti por aquele ogro. Freio a música de forma repentina, com uma vontade louca de compor. Minha cabeça continua a girar, com palavras não ditas e desejos ocultos que nem eu mesma sabia que poderia ter. Pego um bloco e um lápis dentro de uma caixa de sapatos na estante de liv®os e me jogo sobre a cama. Há muito tempo parei de escrever canções e eu revejo algumas letras nesse velho caderno. Procuro uma página em branco, mordendo a bund@ do lápis com a boca. Quando a ponta toca o papel, tudo vem de forma mágica e as palavras ganham vida. Eu escrevo, pensando nesse homem intrigante e em todas as suas facetas. Sua fúria, sua arrogância, sua sensualidade, sua solidão. Não sou mais uma adolescente cheia de sonhos, sou uma mulher adulta repleta de vontades ocultas, que agora liberto nessa canção. São versos que refletem tudo o que sinto nesse momento. Quando termino de escrever e leio o que está no papel, eu arregalo os olhos com a realização. Oh, merd@, Amber Lee! Você se envolveu demais com ele…
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