*Michael PoV*
Não pensei que ela fosse nos acompanhar, porém o Pete tinha que convidar o Rico e sua amiga. Dorothy deu uma desculpa, assim como Lauren, para ir embora.
Fod@-se. O que não falta é mulher querendo pular na minha cama. Não é uma abusada qualquer que vai me tirar do sério hoje.
Tive a amarga impressão do Pete ser gentil com ela. Exageradamente gentil.
Eu não estou interessado nessa louca, então por que me incomoda a atenção que ela recebe de outros homens?
Ela é a única mulher no meio de nós três e me pergunto o quão escandalizada ela ficaria se eu coçasse o meu saco. Faria qualquer coisa só para tirá-la do sério. Ainda estou entalado com sua pergunta malcriada de antes e louco para dar o troco. Não desgrudo meus olhos dela, na tentativa de fazê-la sentir-se desconfortável. Ela me devolve o olhar provocativamente. Então, meu genial amigo Rico acrescenta mais uma de suas pérolas à essa situação de merd@:
ㅡ Vocês não estão se sentindo sozinhos?
Sei que ele falou dele mesmo e do Pete, pois, tanto eu como a ruiva, estamos praticamente ignorando os dois. Recosto em meu assento, com um pé sobre o joelho. Meus olhos vagando pela curva dos s&ios dela.
ㅡ Nós nunca ficamos sozinhos por muito tempo. Aposto que as hordas de garotas virão em breve.
ㅡ Você não se importa de ser tratado como carne?
A pergunta dela me atinge um nervo crucial e baixo um pouco meu olhar para a mesa. Algo que sempre senti, porém sempre guardei para mim. Solidão.
Posso estar no meio de uma multidão ou na cama com uma mulher, porém nunca me entreguei de verdade a ninguém. Sempre estive só.
ㅡ É bem verdade que ser o cara sexy que todas as meninas olham não é sempre a praia de todo mundo. Certo, Michael?
Não consigo evitar sorrir com o comentário do meu baterista e deixo a presença feminina impertinente diante de mim para provocá-lo.
ㅡ Ninguém está olhando para você, Pete. Está tudo na sua cabeça.
ㅡ Hei! Eu distribuí muitos autógrafos!
ㅡ Consegui três números de telefone.
ㅡ Que você nunca vai ligar!
Realmente nunca liguei para garota alguma, por melhor que o s&xo fosse. Eu sequer me prestei ao papel de saber seus nomes. Sinto-me seguro dessa forma. Sem apego, sem sentimentos, sem elos, pois, no final, todos se vão. Do meu jeito, dói menos.
ㅡ Por que me dar ao trabalho de ligar? Em alguns minutos posso escolher quem eu quiser. ㅡ Ela suspira desdenhosa e sinto que acertei no alvo. Agora ela vai saber o que é provocação. ㅡ O que foi, ruivinha? Ficou ofendida só porque eu usufruo do que me é dado?
Ela engasga com sua bebida e até baba no copo, colocando-o de volta na mesa com força.
ㅡ Ruivinha?
Ela parece genuinamente irritada. Rico intercede antes que ela exploda comigo.
ㅡ Hei, cara! Não fale assim com ela!
Não entendo as reações exageradas, tanto dela, quanto dele. Até parece que a xinguei. Apoio os cotovelos sobre os joelhos e a encaro. Resolvo que é melhor mudar a minha abordagem, pois tudo até agora tem dado errado.
ㅡ Não queria te ofender, mas não sei o seu nome. Você não se apresentou.
ㅡ Você definitivamente não me deu a chance.
ㅡ Vamos recuperar o tempo perdido, então. Meu nome é Michael. E o seu?
Seus olhos se abrem em surpresa e sua voz é um sussurro. Acho que ela não esperava minha mudança de atitude tão repentinamente.
ㅡ Amber Lee.
Lindo nome. Lindo rosto. Lindo corpo. Porém, teimosa e irritante como uma mula.
É a vez do Rico e de suas piadinhas fora de ho®a.
ㅡ Tome cuidado, Amber Lee. Ele sempre faz isso.
ㅡ Faz o quê?
ㅡ Chicas irritantes... Melhor seduzi-las…
Os verdes olhos dela reviram nas órbitas e ela me dá um meio sorriso m@ldoso.
ㅡ Funciona?
Eu sorrio e respondo, pois sei que a pergunta foi para mim.
ㅡ Já perdi a conta dos corações partidos. ㅡ Levanto-me, passando a mão pelo cabelo, exibindo meu porte. ㅡ E de garotas tão satisfeitas, que m@l conseguiam caminhar na manhã seguinte, ou falar por estarem roucas de tanto gritarem o meu nome durante o ápice…
Agora sim vejo uma reação. Dura só um segundo, mas ela cora violentamente com a boca aberta. Então, ela se recompõe e cruza os braços.
ㅡ Humpf! Detesto sedutores baratos… São sempre uma perda de tempo!
Put@ merd@! Será possível que ela tenha uma resposta malcriada para tudo? Não vou deixar isso barato!
Gesticulo para o Rico se levantar e me acompanhar até o bar.
ㅡ Bem, melhor assim, pois não estou planejando te seduzir.
O que é uma enorme mentira, porém não vou dar essa confirmação para ela. Sigo rapidamente com meu amigo para o bar e me apoio no balcão. Não queria dar a ela a chance de responder minha provocação. Peço um uísque, ele uma garrafa de cerveja. Chegou a ho®a de colocar tudo em pratos limpos.
ㅡ Rico, por que tive a impressão dela ter se ofendido quando a chamei de "ruivinha"?
Ele suspira pesadamente e me encara, depois de olhar rapidamente na direção dela.
ㅡ Por que foi como o c®etino do Fabian a chamou antes de tentar estuprá-la. Então, sabe, esse apelido não está ligado a uma boa lembrança…
Fecho meus olhos um momento, passando a mão pelo rosto.
Que mancada a minha… Por essa eu não esperava. A maluca do parque é realmente a tecladista que me encantou tanto. Para quem disse estar enferrujada, ela é fantástica. Pena que tenha um gênio do cão!
ㅡ Eu não sabia que era ela, Rico. Ela também está sempre na defensiva.
ㅡ Quem não ficaria depois do que ela passou? Pelo menos, ela teve ajuda e refez a vida. Você faz parte disso. Ela está indo muito bem na empresa.
ㅡ Você contou a ela sobre mim?
ㅡ Não. Você sabe que não quebro promessas. E olha que ela insistiu bastante em saber. Por que não conta a ela que foi você quem conseguiu o emprego para ela? Garanto que ela vai mudar de opinião a seu respeito, pois, mano, até agora, você só deu bola fora.
Nunca precisei usar nenhuma artimanha para conquistar uma garota. Não vou começar agora.
ㅡ É uma questão de honra, Rico. Que tipo de cara eu seria, se abusasse da minha posição para conseguir favores de alguém?
Ele me encara com cumplicidade e gira a cerveja dentro da garrafa.
ㅡ Um can@lha…
ㅡ Exatamente.
Analiso meu amigo por cima da borda do meu copo, criando coragem para entrar no próximo assunto. Conheço Rico, ele vai tirar sarro de mim se eu for muito direto. Então, jogo apenas uma isca para ver se ele morde.
ㅡ Essa sua garota é esquisita.
ㅡ O que quer dizer com isso? Somos só amigos.
ㅡ Qual é? Vai querer me convencer que nunca rolou nada entre vocês?
ㅡ Nunca. ㅡ Uma inexplicável sensação de alívio toma conta de mim, que eu não deixo transparecer. Apenas o encaro com indiferença. ㅡ Michael, você realmente deveria abrir a sua mente e sair um pouco da defensiva. Amber Lee não é esse tipo de chica.
ㅡ Como assim?
ㅡ Mesmo que ela esteja interessada em você, e eu acredito que esteja, ela jamais se renderia para uma aventura de uma noite. Ela é do tipo que só fica com alguém quando se envolve emocionalmente, sabe? Paixão, amor? Você se lembra dessas coisas?
Ele me encara de forma desafiadora. Eu abro a boca para responder com um desaforo, porém desisto no meio do caminho e suspiro.
ㅡ Não lembro porque jamais tive o azar de sentir, Rico. Além do mais, mulheres assim não existem. Ninguém ama ninguém realmente. Isso é fogo de palha que dá e passa.
ㅡ Nossa, sua descrença no amor é preocupante.
ㅡ Só por que não estou a fim de quebrar a minha cara? Vai por mim, parceiro. Amor é uma ilusão. No final, você sempre está só.
Duas garotas se aproximam e encerramos o assunto. Fico como uma fatia de presunto no meio de dois pães entre elas. Percebo o olhar furtivo de Amber Lee, me secando de vez em quando, enquanto troca uma conversa fiada com Pete. Ele está flertando com ela na maior cara de p@u.
Eu não sei o que ela pretende me olhando desse jeito e dando ideia para ele ao mesmo tempo. Ou, talvez, ela nem esteja percebendo o interesse dele. Seria muito mais fácil se ela parasse de fingir e simplesmente se jogasse no meu colo. Porém, sabendo o horror que ela passou por causa de um bab@ca, entendo suas ressalvas, mesmo que seja uma pena. Eu lhe daria uma noite inesquecível. Aquela rapidinha no avião só serviu para abrir meu apetite.
Retornamos para a mesa, dessa vez, estou acompanhado de duas morenas. Amber Lee vai embora pouco tempo depois e tenho certeza que é por causa das duas tietes que ficaram se esfregando em mim.
Poderia ser ela quem eu estaria acariciando. No entanto, ela preferiu bancar a difícil, como se eu fosse igual ao monstro que a machucou. Que seja! Não corro atrás de mulher. Mesmo que não consiga tirar a imagem dela da minha cabeça.
Saio com as duas morenas da boate direto para um motel. Não sou maluco a ponto de levar desconhecidas para a minha casa. É uma loucura de noite, principalmente porque desconto nelas tudo o que queria fazer com Amber Lee, porém me foi negado.
Isso está virando uma obsessão…
Tomo um banho e me visto, pegando minha carteira e as chaves do carro em cima do móvel ao lado da porta de saída. Deixo uma grana para o quarto e olho uma última vez para as duas garotas nuas dormindo sobre a cama.
Completas estranhas...
Uma sensação de solidão me toma de repente. Lembro-me das palavras que disse ao Rico sobre o amor. Acredito nelas, nunca tive motivos para crer o contrário. Isso não quer dizer que eu goste.
Saio, fechando a porta do quarto do motel com um certo cuidado. São quase quatro da manhã e não estou a fim de acordar ninguém. Sigo de carro de volta para o meu apartamento no Chelsea. Eu gosto deste bairro. Os inúmeros armazéns que foram transformados em moradia dão um ar pitoresco ao lugar. Chega a ser nostálgico.
Quando finalmente chego em casa, jogo minha mochila de viagem para um lado e caio sentado sobre o sofá, com o case da minha guitarra sobre o colo. Abro-o e retiro minha Fender, colocando-a sobre minhas pernas. Passo meus dedos pelas cordas, fazendo alguns acordes.
Já faz algum tempo que não componho nada que eu goste… Talvez…
O rosto dela retorna à minha mente como uma assombração. Seus olhos brilhantes e doces me perseguem, assim como seu perfume. O que é irônico, já que tomei banho depois de traπsar com aquelas duas. Eu suspiro profundamente e continuo a dedilhar meu instrumento, com Amber Lee em meus pensamentos. Seus cabelos cor de fogo reluzentes, sua voz provocativa e indiferente ao mesmo tempo, seus quadris ao ritmo da minha música. E aquele olhar… Um olhar repleto de emoções tão febris, que a própria natureza não ousaria perturbar.
O que fez comigo, Amber Lee? Um feitiço?
Rio para mim mesmo e me digo que é apenas frustração. Nunca fui rejeitado antes. É como se o meu instinto de caçador tivesse sido despertado. Ela é um desafio. Um delicioso desafio.
Talvez eu devesse pegar o número dela com o Rico. Porém, para dizer o que exatamente? A julgar por essa noite, ela com certeza desligaria na minha cara. Reconheço que fui estüpido. No entanto, ela foi tão irritante...
Estou perdido em pensamentos, todos por ela. Quando me dou conta, tenho uma melodia harmoniosa nas mãos praticamente completa, uma balada romântica, cheia de intenções que ficaram perdidas na minha imaginação, tendo apenas Amber Lee como centro. Entretanto, a letra não me vem à cabeça. Nunca fui bom em escrever canções de amor e, os temas sombrios que normalmente abordo, não combinariam com o que acabei de compor. Decido pegar uma partitura em branco e anoto toda sequência de acordes.
Seria um desperdício perder isso. Quem sabe eu consiga escrever uma letra que combine?
Levo minha Fender para o estúdio e a penduro na parede com as minhas outras guitarras. Enquanto guardo o case em um canto do cômodo, me recordo das palavras dela que, na ho®a, guardei dentro de mim a resposta real como sempre faço. Contudo, estão repletas de uma grande verdade.
"– Você não se importa de ser tratado como carne?"
Sempre…