*Michael PoV*
Dorothy saiu faz um bom tempo. Ficamos apenas eu, Pete e Amber na minha sala. Ele não para de falar, sentado na poltrona.
Qual é, cara? Dê o fora! Quero ficar sozinho com a minha gata!
ㅡ Acho que não vou conseguir dormir de tanta ansiedade! Amanhã vamos pôr o pé na estrada!
ㅡ Eu estou bem cansada. Trabalhei o máximo que pude para deixar as coisas mais fáceis para o Rico. Sinto até remorso por deixá-lo sozinho.
O quê?
Ela me encara e ri, quando nota minha expressão incrédula. Pete também começa a gargalhar.
ㅡ Calma, Michael! Aposto que ela está brincando!
ㅡ Claro que estou!
Os dois continuam rindo e eu me levanto.
ㅡ Espero que a revisão da van esteja em dia, Pete.
ㅡ Eu e Rico cuidamos de tudo.
ㅡ Ótimo. ㅡ Vou até a porta e a abro. ㅡ Boa noite.
ㅡ Cara, não escutou o que eu disse? Não vou conseguir dormir! Vamos tocar mais um pouco!
Reviro os olhos e cruzo os braços.
ㅡ Boa noite, Pete!
Meu tom incisivo faz com que ele saia da poltrona.
ㅡ Sua educação é primorosa como sempre, parceiro. Até amanhã.
Ele acena para nós dois e se retira. Eu bato a porta com certa força. Volto para o sofá e me deixo cair ao lado dela, jogando o ar para fora dos pulmões.
ㅡ Michael, por que essa grosseria com ele?
ㅡ Ele não se manca! Quase não tivemos tempo para ficarmos juntos nos últimos dias por causa do trabalho.
Ela cora um pouco e sorri, arrumando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
ㅡ Isso é verdade... Hoje, saí tão tarde, que m@l tive tempo de tomar um banho antes de vir para cá.
Lembro-me da recomendação de Ethan e me viro para ela, encarando-a seriamente.
ㅡ Eu te pedi para não sair sozinha de noite. Por que não me ligou? Eu iria te buscar.
ㅡ Seria muita contramão para você. Eu peguei um táxi.
ㅡ Mesmo assim, é perigoso. Não faça mais isso.
Seu olhar confuso me diz que deixei espaço para perguntas que não posso responder totalmente.
ㅡ Michael, o que está acontecendo? Você parecia irritado, mesmo durante o ensaio.
Não quero contar a ela sobre a minha conversa desagradável com a Katherine. Já está resolvido. Tampouco, posso contar que alguém está tentando matar o CEO ou ferir aqueles que o cercam. Porém, não posso deixá-la achar que as coisas estão normais. Não até derrubar o Grupo MEI.
ㅡ Fiquei sabendo que uma funcionária foi atacada na saída da empresa. ㅡ Seus olhos se arregalam. ㅡ Ela está bem, por sorte o segurança do McGregor viu e a salvou. Por sorte. Não quero que você fique contando com a sorte, entende?
ㅡ Sim, entendo. Eu não imaginava... Que horror!
ㅡ Pois é...
Agora, como eu pulo desse assunto de merd@ para um tema mais romântico? Eu sou muito cru com isso ainda.
*Amber Lee PoV*
Sinto de longe seu nervosismo. Eu acho extremamente fofo quando ele fica assim, sem saber o que fazer. Obviamente, não vou dizer isso abertamente. Ele é orgulhoso demais para admitir.
Decido tomar a iniciativa e me sento em seu colo, repousando meus braços em seus ombros. Os dele seguram minha cintura e sua sobrancelha se levanta.
ㅡ O que está fazendo, little bunny?
Passo meus lábios sobre os dele, sussurrando em sua boca.
ㅡ Se você não quiser, posso ir para casa…
Faço menção de me levantar, contudo ele não deixa, segurando-me firmemente no lugar. Ele crava os dentes no lábio inferior, o olhar cheio de malícia.
ㅡ Tenho certeza que podemos fazer algo muito mais interessante com o nosso tempo aqui.
ㅡ Ainda tenho que pegar a minha mala…
ㅡ Eu te levo de manhã…
Sua boca encontra a minha, provando meus lábios lentamente. O fogo crescente entre nós me queima por dentro, enquanto nos livramos de nossas roupas. Eu me entrego de corpo e alma a essa relação, mesmo que, bem fundo dentro de mim, eu tema o dia em que tudo possa acabar.
Michael jamais confirmou se me ama e eu não tenho coragem para me declarar com medo de espantá-lo. Ele gosta de mim, eu sei, e tem se esforçado ao máximo como namorado. Contudo, será que isso é suficiente para nos manter juntos? Um dia, ele pode enjoar ou se cansar. Não sei como vou suportar se isso acontecer…
*Michael PoV*
Na manhã seguinte, nos reunimos cedo para carregar a van e cair na estrada. Pete se aproxima e sussurra para mim.
ㅡ Pegou sua medicação?
Olho rapidamente para a minha namorada, distraída com sua mala, e coloco o indicador nos lábios.
ㅡ Shish... Eu não quero assustar a Amber.
Ele me encara confuso.
ㅡ Do que está falando, cara? Você não é menos homem por causa de uma diabetes e ela com certeza sabe que você deve tomar certos cuidados.
Eu dou de ombros. Realmente, não sei a razão. Eu o encaro e suspiro.
ㅡ Você não tem uma bateria para desmontar?
Ele dá uma risada contida e entra no meu prédio. Rico também veio dar uma mão, é muito equipamento. Amber está tentando fechar a mala que trouxe de casa. Sinceramente, não sei como as mulheres acham que precisam de tanta coisa. Trocamos olhares e sorrio de forma sacana para ela, o que a faz resmungar. É quando o rei das tiradas desconcertantes resolve dar o ar da graça.
ㅡ Eles são tão fofos! Se estamos perturbando vocês, podemos deixá-los sozinhos.
Esse Rico...
ㅡ Está com ciúmes?
A pergunta dela foi para ele e eu rosno de desgosto, enquanto carrego uma caixa. Dorothy dá um cascudo nesse palhaço e me sinto vingado.
ㅡ Cale a boca, idïota!
ㅡ Eu venho ajudar e é assim que sou tratado? Estou sendo explorado e isso é um abuso!
ㅡ Cale a boca, Rico!
Eu repito as palavras da minha baixista para que ele entenda que foi inconveniente. O que é impossível. Ele zomba e a minha namorada lhe mostra a língua.
Essa língua deliciosa...
Pete começa a trazer as partes de sua bateria e ela volta a se concentrar em sua mala. Puxo Rico para me ajudar com outra caixa e Dorothy se oferece para auxiliar Amber. Ouço uma gargalhada e vejo Dorothy sentada sobre a bendita mala fazendo pressão para baixo, enquanto Amber tenta fechar o zíper. O esforço que faço para não rir da situação é imenso.
*Amber Lee PoV*
Observo de soslaio como Michael tenta segurar a risada, ao invés de vir me ajudar. Eu bufo irritada com essa porcaria de zíper que emperrou.
Por que eu tive que abrir esta merd@ para colocar o meu secador?
Dorothy não facilita em nada, mantendo o sorrisinho irônico no rosto. Então, eu reparo em suas roupas. Ela está bem arrumada, no seu estilo punk-gótico de ser. Saia preta de couro, um corpete preto, uma gargantilha de couro com pirâmides de metal. Maquiagem pesada sempre. Já, eu, pareço um espantalho. Sempre de calça ou short jeans e uma camisa clara básica folgada. Quase nada de maquiagem.
ㅡ O que está olhando, princesinha?
Já me acostumei com seu jeito de me chamar, pois ela deixou para trás o tom m@ldoso. Agora é pura zoação.
ㅡ A princesinha anda mais desleixada que a miss punk. Sou tão antiquada perto de você…
Ela dá risada e me observa de lado.
ㅡ Realmente, às vezes, parece que você está enfiada em um saco de batatas.
Nós duas damos risada e o Rico se mete na conversa.
ㅡ Ojitos, você é tremendamente s&xy no seu saco de batatas!
Michael lhe dá um cascudo e sua mão com certeza é mais pesada que a da Dorothy.
ㅡ Lembre-se de que está falando da minha namorada, Rico. Mostre mais respeito!
Nosso amigo geme, coçando a cabeça, e lhe devolve um chute na canela.
ㅡ Ela é minha colega de trabalho e, por causa dessa viagem, estou com serviço extra. Tenho direito a uma compensação.
Homens… Parecem duas crianças birrentas…
Meu namorado me encara pedindo socorro. Eu reviro os olhos para o Rico e sorrio para o Michael. Sei que ele já quase bateu no amigo por minha causa, então quero evitar atritos desnecessários. Dou as costas para os dois e volto a me agachar para finalizar a mala. É quando o comentário do Michael me alcança e eu fico roxa de vergonha.
ㅡ É, saco de batatas ou não, seu traseiro é de tirar o fôlego.
O idïota se afasta rindo para terminar de colocar a última caixa na van. É quando uso minha energia extra e o zíper destrava.
ㅡ Consegui fechar!
ㅡ Finalmente!
Vejo Michael levantar as mãos para o alto, enquanto vem pegar a minha mala para colocá-la na van. Levanto-me e limpo o suor da testa. Rico me abraça pelos ombros e me dá um beijo no rosto.
ㅡ Boa sorte, ojitos. Divirta-se. Pense em mim se, em algum momento, esse ogro te aborrecer.
Rico aponta na direção do Michael, cujos dentes e punhos estão cerrados. Sussurro em seu ouvido.
ㅡ Você ainda vai ganhar uns dentes quebrados com a sua palhaçada.
ㅡ Vale a pena só para deixar ele esperto.
É o que ele sussurra no meu ouvido e eu o afasto rindo. Pete começa o primeiro turno na direção, com Dorothy ao seu lado. Eu e Michael nos sentamos em lados opostos no banco de trás. Ele permanece carrancudo, resmungando de vez em quando. Só não entendo a razão.
Pete liga o rádio alto pra caramba, o que me incomoda um pouco. Eu gostaria de tentar conversar com o Michael e descobrir porque ele está se mantendo na defensiva comigo, porém com esse som fica difícil. Piora quando Pete começa a cantar.
Dou graças a Deus quando ele desliga o rádio e pára em um posto para ir rapidamente ao banheiro. Quando ele retorna, tenho a brilhante ideia de brincar com o meu namorado estressado para quebrar o gelo. Tiro meu sapato e subo meu pé por sua coxa. Noto como ele fica tenso e desisto da ideia.
Acho que tenho que fazer uma outra abordagem…
Tento tirar meu pé, porém Michael o segura, Seus dedos fazem carícias no meu tornozelo e até vejo um discreto sorriso em seus lábios, contudo seu olhar me observando insistentemente não me dá nenhuma dica sobre o que está acontecendo.
O que será que deu nele? Tudo parecia bem até pouco antes de sairmos…
*Michael PoV*
Eu sequer me despeço do Rico. Entro na van, irritado. Pete assume a direção, com Dorothy ao seu lado e Amber Lee se senta diante de mim na parte de trás. A van parte e eu fico encarando-a aborrecido. Ela me observa e parece não entender o quão put0 estou. A música alta e a voz de gralha do Pete também não me ajudam a relaxar. De repente, meu baterista exclama:
ㅡ Parada pro xixi!
ㅡ Nós saímos só faz meia ho®a! Não poderia ter feito antes?
Dorothy tirou as palavras da minha boca.
ㅡ Antes eu não precisava!
Eu e Amber Lee continuamos a nos encarar em silêncio quando Pete retorna. Ainda estou esperando que ela se explique.
Será que ela não percebe o quanto me aborrece quando ela deixa outro cara tocá-la?
Ela tira o sapato e desliza um pé na minha coxa. É um gesto inesperado e fico tenso com a surpresa. Seguro seu tornozelo e ela tenta tirá-lo, o que eu não permito. Fico acariciando sua pele um instante e, aos poucos, dou um sorriso involuntário.
Bom, já que ela não diz nada, eu falo.
Inclino-me na sua direção e faço um gesto para que ela se aproxime. Sussurro para que os dois na frente não nos ouçam.
ㅡ Eu odeio... Odeio quando você se deixa ser tocada... ㅡ Ela não entende e tenta retirar a perna de novo. Eu praguejo e seguro seu pé. ㅡ Não agora, tolinha...
ㅡ Tolinha?
Eu sorrio de forma indecente. Na verdade, estou gostando do seu pé no meio das minhas pernas, tocando a minha virilha.
ㅡ Odeio que você deixe outro cara te tocar, entendeu?
Ela me encara incrédula.
ㅡ Não deixei ninguém me tocar. Por acaso você enlouqueceu? ㅡ Suas costas voltam a se acomodar no banco e eu não acredito que não tenha entendido. Eu balbucio “Rico” e ela fica surpresa. ㅡ Rico?
Seu tom alto denúncia nossa conversa, que não passa desapercebida pelos dois na frente. Resmungo de frustração, inclino-me de novo para ela e pergunto ironicamente.
ㅡ Você não poderia ter dito isso mais alto?
ㅡ Mas, eu não sei do que está falando!
Rosno irritado e o palhaço do Pete, que nos observa pelo retrovisor, tira sarro da minha cara.
ㅡ Oh... Parece que temos um cara ciumento na van!
ㅡ Cale-se!
Solto o pé dela e cruzo os braços no peito.
Merd@! Parece um m@ldito complô para me tirar do sério!
Ela tira a perna do meu colo, surpresa. Depois, também cruza os braços e permanece me encarando. Ficamos assim por umas duas ho®as.
Eu não vou ceder! Foi ela quem se deixou abraçar!
Logo, Pete precisa ir ao banheiro de novo e paramos em um posto. Ficamos os dois sozinhos, já que Dorothy aproveita para fumar no estacionamento. Minha namorada faz algo que eu não esperava. Ela sai de seu lugar e se senta no meu colo. Ainda estou irritado, então mantenho a carranca. Ela beija o canto da minha boca e eu tremo.
É uma merd@ estar apaixonado…
Sua língua deliciosa faz o contorno dos meus lábios, enquanto seus dedos se apertam no meu pescoço. Já estou para me render quando ela dá o golpe de misericórdia, sussurrando na minha boca.
ㅡ Não há motivos para ter ciúmes do Rico. Ele é nosso amigo. Na verdade, não precisa ter ciúmes de ninguém porque, o único homem que eu quero, é o que eu estou beijando agora.
Lá se vão todas as minhas defesas...
Ela continua a me beijar carinhosamente. Levo minhas mãos até seu quadril e o aperto contra mim. Abro minha boca e lhe roubo um beijo apaixonado que ela retribui da mesma forma.
Eu provavelmente exagerei...
ㅡ Sinto muito. Sou um pouco ciumento.
Sua sobrancelha se arqueia divertidamente.
ㅡ Jura? Tudo bem. Eu também sou.
Então, a porta lateral da van se abre com um estrondo e Pete e Dorothy surgem.
ㅡ Já estava na ho®a! Eu estava cansado de ter que ficar cantando para cobrir os sons das suas queixas!
Ele ri espalhafatosamente e Amber tenta sair do meu colo, o que eu não permito. Ela acaba escondendo o rosto no meu peito.
ㅡ Vai à merd@, Pete!
Ele ri do meu xingamento e fecha a porta novamente. Os dois voltam a assumir suas posições na frente do veículo.
Tenho certeza que ele fez de propósito...
Olho para a minha little bunny, ainda aninhada no meu peito e sorrio. Levanto seu queixo com o indicador. Ela me sorri de volta quando seu olhar encontra o meu.
ㅡ Vai continuar resmungando por causa do Rico?
ㅡ Quem é Rico?
Nossos lábios se encontram e não posso deixar de desejar estar sozinho com ela nessa van. Um lampejo da inspiração divina me acomete.
Vou fazer algo especial para te compensar, little bunny...