*Michael PoV*
Passamos no lugar da apresentação, a Etess Arena no Hard Rock Hotel e Cassino, bem em frente ao parque de diversões do Steel Pier em Atlantic City, para descarregar nossos equipamentos, deixando tudo com o pessoal contratado pela produtora. O local é lindo, a decoração é iluminada e toda voltada para o rock, com até uma guitarra gigantesca como placa de recepção. Eu e Pete ajudamos as meninas com as malas até os quartos. Quer dizer, eu ajudo Amber com sua mala de concreto.
Acho que deve ter colocado até a pia da cozinha nessa coisa…
Apesar disso, ela faz um pedido a Dorothy, que está jogada sobre uma das camas do quarto que irão dividir.
ㅡ Você pode me ajudar a comprar um vestido para a apresentação?
Nossa baixista se senta, um pouco confusa. Eu e Pete, encostados na parede, também não entendemos nada.
ㅡ Você não trouxe um monte de roupas, Amber Lee?
ㅡ Sim, Dorothy. Eu trouxe, mas... Ah, quando eu paro para pensar, nada vai ficar bom o suficiente. Você viu como esse lugar é incrível? É o nosso primeiro show da turnê para divulgar o álbum. Eu não quero parecer uma bonequinha de pano… ㅡ Pete e Dorothy olham solícitos para mim, na esperança de que eu interprete a metáfora. Confesso que, às vezes, é difícil até para mim acompanhá-la. Então, ela completa. ㅡ Toda desengonçada...
Dorothy explode em uma risada. Eu e meu amigo sorrimos. Amber fica vermelha como uma cereja.
ㅡ Tudo bem, senhorita bonequinha de pano. Eu ajudo com uma condição...
Lá vem...
ㅡ Qual?
ㅡ Eu vou escolher e você não vai poder reclamar. Se eu escutar um único “ai”, juro que r***o seu vestido no palco! ㅡ Prevendo que eu iria protestar, ela aponta um dedo para mim. ㅡ Você fique quieto! É conversa de garotas!
ㅡ Deixá-la nua no palco é conversa de garotas?
ㅡ Só se ela reclamar do que eu escolher!
ㅡ Nem pensar!
Olho desesperadamente para minha namorada, que parece pensativa. Dorothy rasgaria sua roupa, mesmo sem reclamação, só pela diversão.
ㅡ Tudo bem. Se eu não aguentar o look que você escolher para mim, pode rasgar minha roupa, no entanto, vai me deixar colocar um esmalte rosa bebê, cheio de strass e glitter, no lugar desse preto pelo resto da turnê!
ㅡ Que audácia! ㅡ As duas riem uma para a outra e pegam suas bolsas para ir às compras. ㅡ Comportem-se, rapazes.
Juro que nunca vou entender as mulheres. Então, me viro para o meu amigo.
ㅡ Quanto tempo você acha que elas vão levar?
ㅡ Eu não sei, depende se elas vão encontrar o que querem na primeira loja, o que é muito pouco provável. Umas duas ho®as, talvez?
ㅡ Ótimo. Quero fazer uma coisa e, provavelmente, vou precisar de um favor seu.
ㅡ É só pedir, parceiro.
ㅡ Primeiro, eu tenho que fazer uma ligação e resolver uns detalhes. Quando tudo estiver pronto, eu te aviso.
Ele acena para mim e saio do quarto, já puxando o celular.
ㅡ Oi, Ethan! Qual o seu grau de influência em Atlantic City?
*Amber Lee PoV*
ㅡ Você só pode estar de s@canagem com a minha cara…
Fico observando o manequim na vitrine da loja com o vestido que Dorothy quer que eu use. É um modelo de couro vermelho sangue, sem alças, cheio de fivelas, justo, até o meio das coxas.
Eu jamais usaria algo assim, nem nos meus pesadelos mais loucos!
Dorothy me olha de lado, com os braços cruzados e um sorriso triunfante.
ㅡ Você não disse que queria a minha ajuda? Então, esse vestido é perfeito para a ocasião. Fora que a cor vai combinar com seus cabelos e ressaltar seus dotes.
Disso não posso discordar. A roupa é tão apertada que não sei nem como eu faria para respirar dentro dela. Eu suspiro derrotada, afinal, a ideia foi minha, e entramos na loja. Dorothy também escolhe meias arrastão e botas até os joelhos, tudo da mesma cor do vestido para combinar. O tempo passa rápido e sequer noto que se foram quase três ho®as quando retornamos para o hotel.
Nós nos trancamos no quarto e começamos a nos aprontar. Dorothy hoje não quer usar preto, não que o tom de verde escuro de seu macaquinho de couro seja muito diferente. Quando pego minha maquiagem, ela me encara de olhos arregalados.
ㅡ Minha nossa… Parece maquiagem da Disney!
Confesso que as cores não são lá grande coisa, mas ela não perde uma oportunidade para me zoar.
ㅡ Está bem, espertinha… O que sugere?
Ela puxa seu kit toda orgulhosa da mala e eu fico de boca aberta. É mais completo que o da Lauren, cheio de repartições.
ㅡ Bom, dona princesa, ho®a da transformação!
Dorothy me trata como um manequim, virando meu rosto para todos os lados, enquanto faz a minha maquiagem. Bochechas coradas pelo blush, esfumado preto nos olhos para realçar. Ela também aplica um produto no meu cabelo e passa uma prancha para deixar os fios no lugar. Não me reconheço quando me olho no espelho.
ㅡ Essa sou eu?
ㅡ Eu sou ou não sou incrível? Nem o Michael vai te reconhecer! Só está faltando uma coisa: O batom. Porém, eu o conheço e sei que ele não vai resistir.
Ouvimos batidas na porta. São os rapazes, que já devem estar prontos. Dorothy berra para eles irem na frente, pois ela ainda não terminou seu processo criativo.
Ela batuca sobre o queixo e pega mais algumas coisas em sua mala. Faz uma mistura vermelha em um potinho com um pincel e aplica nos meus lábios. O negócio parece uma cola e seca rapidamente, formando uma segunda pele sobre a minha boca, que ela remove. Minha boca está vermelha e eu fico boba como não sai quando passo os dedos por cima.
ㅡ Como eu vou tirar isso depois, Dorothy?
ㅡ É só corante, sua tonta. Água e sabão vão remover… Eu acho.
ㅡ Você acha?
Eu a encaro embasbacada e ela começa a rir. Grunho de desgosto ao perceber ter caído em sua fanfarronice.
ㅡ Bom, agora não posso mais te chamar de bonequinha de pano… Que tal princesa do metal?
Primeiro, eu tento conter a gargalhada. Depois, desato a rir e ela me acompanha.
ㅡ É melhor a gente ir logo, senão vamos nos atrasar.
O hotel é perto da arena, na verdade, é como um grande complexo, hotel e cassino juntos, então vamos caminhando. É uma prova de fogo, pois me sinto muito estranha nessa roupa. Olhares de todos os tipos caem sobre mim, dos invejosos aos desejosos.
Encontramos com o nosso contato da gravadora e ele nos leva pelos fundos da arena até a parte de trás do palco. Vejo meu lindo metaleiro e nosso baterista conversando em um canto. Caminho em sua direção e, quando ele finalmente me vê, sua reação é de total surpresa.
Acho que exagerei…
*Michael PoV*
M@l consigo acreditar no requinte da arena onde vamos nos apresentar e na quantidade de gente que está aqui. A minha experiência de anos tocando me traz certa segurança, caso contrário estaria tremendo na base. Winchester fez um ótimo trabalho promovendo a banda. As pessoas gritam, ansiosas pelo show. Uma música toca pelos alto falantes, para manter o público distraído enquanto nos concentramos.
As garotas chegam quase em cima da ho®a e eu fico de boca aberta. Amber está com um vestido justo de couro vermelho sem alças, até o meio daquelas coxas torneadas. O movimento dos seus quadris enquanto caminha na minha direção é hipnotizante. Seus cabelos estão soltos e, eu não sei se é por causa da cor da roupa, porém eles parecem mais quentes que o próprio fogo. Seu olhar envolto em preto parece deixá-lo mais vivo que nunca. Uma boca vermelha que derrubaria até o di@bo. É a visão mais s&xy que já vi.
Acho que me apaixonei de novo pela mesma mulher.
ㅡ Parceiro, a baba vai escorrer até o chão...
O sussurro gozador de Pete no meu ouvido quebra o feitiço. Eu limpo a garganta e me aproximo dela, que parece muito sem graça e preocupada com sua aparência.
ㅡ Está demais, não está? Sabia que não deveria ter deixado a Dorothy...
Eu a interrompo com um beijo. Não de língua, para não acabar com o batom. Apenas pressiono meus lábios contra os dela para lhe dar segurança. Em seguida, uno nossas testas, colocando uma mão em sua cintura e a outra em seu pescoço, sorrindo sinceramente.
ㅡ Você está perfeita...
Ela me retribui com um sorriso amplo. Nós nos separamos quando a Dorothy dá uma tossida leve.
ㅡ Bem, eu não mereço algum crédito? Afinal, fiz um milagre!
ㅡ Venha aqui, sua cabeçuda.
Eu a abraço pelos ombros e esfrego meu punho fechado em sua cabeça.
ㅡ Argh! Chega, seu mané!
Ela se livra de mim e me mostra a língua. Volto meu olhar para Amber, que está mais tensa que um cabo de aço. Suas mãos tremem como se estivesse no meio de uma tempestade de neve. Talvez, seja exatamente assim como se sinta.
Quero fazer com que ela se sinta segura, comigo ao seu lado.
Aproximo-me dela, a abraço pela cintura e deixo meu queixo repousar em seu ombro.
ㅡ Você não parece bem, little bunny.
ㅡ Medo do palco…
ㅡ Isso é normal. Respire fundo.
ㅡ Fácil falar... Meus pulmões parecem presos.
Eu lhe ofereço um sorriso terno e faço uma massagem nos seus ombros. Estão rígidos como pedra.
ㅡ Feche os olhos, respire fundo e solte o ar devagar. ㅡ Ela segue o que digo e, pouco a pouco, começa a relaxar. Seu corpo se apoia contra o meu. Roço meus lábios na pele do seu pescoço e mordo levemente seu ombro. ㅡ Sentindo-se melhor?
ㅡ Nem sei porque estava tão estressada...
Sorrio contra sua pele e me afasto um pouco.
ㅡ Que bom, porque está na ho®a.
Pisco para ela, que faz um beicinho irritado. Eu a agarro pela cintura e puxo sua boca contra a minha. Dessa vez, mando o batom para o espaço. Ela finge uma resistência não muito convincente. Pego seus braços e os prendo nas suas costas.
ㅡ Nem pense nisso, little bunny. Esses lábios são meus, agora mesmo.
Tomo sua boca de forma impiedosa. Percebo flashes disparados em nossa direção, não sei sequer quem fotografou, porém não me importo. Quando encerro nosso beijo, noto que o batom está perfeito.
Como isso?
ㅡ Esse batom é feito de quê? Cola? Nem borrou!
ㅡ Ah... Foi uma mistura com corante que a Dorothy fez. Não importa o que eu faça, não vai sair até lavar com água e sabão.
Sorrio para ela e seguro sua mão, guiando-a até a entrada do palco. Respiro fundo para me concentrar, um pequeno frio na barriga começa a surgir, porém nada desconfortável. Estou mais excïtado que nervoso. A adrenalina só aumenta quando olho para essa ruiva estonteante do meu lado.
Vai ser uma noite memorável..