*Michael PoV*
Eu e Amber seguimos para o palco de mãos dadas. Luzes recaem sobre nós e o público uiva de euforia. É um sonho se tornando realidade. Estou no meu elemento, onde amo estar e ao lado de quem amo também. Soltamos as mãos e ela segue para seu instrumento. Não vou pedir para que cante comigo hoje, só aumentaria seu nervosismo e ela ficaria muito desconfortável. Quero que fique à vontade. Dorothy pega seu baixo e Pete se posiciona em sua bateria animadamente. Eu enlaço minha Fender no peito.
ㅡ Vamos!
Nosso baterista começa a contagem com suas baquetas e encaro minha tecladista desafiadoramente, com um sorriso devasso.
Vamos, little bunny. Mostre do que é capaz.
Amber ergue uma sobrancelha e sorri para mim da mesma forma. Aproximo-me do microfone e solto a minha voz, concentrando-me no público agora. É uma atmosfera eletrizante. Passeio por toda a extensão do palco, dedicando piscadas e algumas notas aos fãs mais próximos, que deliram. De vez em quando, olho para Amber, que está completamente envolvida nesse nosso mundo. E o que eu sinto no meu peito é sublime. Meu coração bate forte, no ritmo da bateria.
Deixamos “Wishes” para o final. A bateria do Pete muda, ficando mais lenta, como uma pulsação harmoniosa. Eu já me movimentei tanto, que o suor escorre pela minha testa, meus cabelos grudados na minha nuca. Livro-me do meu instrumento, fica apenas o som da bateria, do baixo e do teclado. Tiro o microfone do pedestal e fico bem na frente do palco. O público parece hipnotizado, esperando por mim.
ㅡ Eu quero dedicar essa próxima canção à sua autora. Amber, você acha que não é importante nessa banda, porém está errada. Sem você, provavelmente não estaríamos aqui essa noite.
Encaro-a solenemente e o público grita histericamente. Quando começo os versos de nossa música, fãs acendem isqueiros na multidão. É uma das visões mais belas que já vi. Só perde para a luz que vejo naquele olhar cor de jade, que me cativou desde o primeiro instante. Amor assim eu achava ser coisa de contos de fadas. Jamais imaginei que pudesse viver algo tão pleno e profundo. E é com esse amor que embalo as palavras que saem da minha boca.
Ao final da música, sorrio para ela com um misto de tudo o que senti. Estou em estado de graça, enquanto saímos do palco e nos dirigimos para os bastidores, ao som de aplausos estrondosos. Amber também parece se sentir da mesma forma. Eu passo meus dedos em seu pescoço e beijo sua bochecha ternamente.
ㅡ Você gostou do show, little bunny?
Quando ela abre a boca para responder, Pete nos atropela como de costume, o celular em mãos e um sorriso no rosto.
ㅡ Caramba! Vocês viram isso?
Olho surpreso para a tela e vejo que uma das redes sociais da banda ganhou mais de três mil seguidores apenas nesse tempo que o show durou.
ㅡ Essa outra rede aqui também está uma loucura, com um monte de fãs falando sobre o Michael!
Abraço minha namorada pelos ombros e mostro o celular do Pete com dezenas de fotos nossas. Em especial, uma na qual estamos devorando a boca um do outro. Ela cora instantaneamente.
ㅡ Os pombinhos vão ser famosos!
O comentário do meu baterista não poderia ter sido pior. Amber lhe dá um chute na canela e Dorothy, completamente sem graça, segue para o vestiário.
ㅡ Eu… Eu preciso ir ao banheiro…
Não gosto da tristeza que vi nos olhos dela.
ㅡ Porr@, Pete! Você precisa ser mais cuidadoso. Ela está fazendo um esforço enorme para se enturmar e você faz um comentário que a exclui?
ㅡ Foi m@l… Fiquei tão animado, que não me dei conta disso. Eu vou falar com ela.
Meu amigo se afasta e eu tento dar-lhe um chute na bund@, porém Amber não permite, segurando-me pela cintura.
ㅡ Você me impede de bater nele quando você fez o mesmo!
Ela ri e me agarra pelo pescoço, roubando-me um beijo. A medida que seguimos para o vestiário tomar banho e nos trocar, recebo uma ligação do produtor. Meus companheiros de palco ficam me observando andar para lá e para cá, tentando adivinhar o teor da conversa. É uma notícia muito boa, o álbum está vendendo como água no deserto e Winchester está nas nuvens. Quando a ligação termina, eu me deixo cair sobre o sofá do camarim. O meu lado gozador fala mais alto e faço um suspense enorme. Deixo escapar um sorriso arrogante e Amber entende tudo.
ㅡ Nós arrasamos!
ㅡ Na mosca, little bunny! O produtor disse que vamos receber um cheque bem gordo ao término da turnê, pois o disco está vendendo como bolos quentes!
ㅡ Porr@!
O palavrão do Pete resume toda nossa euforia. Trabalhamos duro para chegar até aqui e, finalmente, vamos começar a colher os frutos plantados com tanto suor e sacrifícios. Amber dispara de um lado para o outro de excitação. Eu rio e apoio os cotovelos nos joelhos.
ㅡ Seremos famosos! Está pronta para isso, little bunny?
ㅡ Não mesmo!
Nós rimos de sua sinceridade exasperada e ela nos acompanha. Depois de um abraço em grupo e um banho, não em grupo, é claro, Pete sugere ir para o cassino gastar o dinheiro que ainda não recebemos. Ele sabe de parte dos meus planos e sabe que tem que distrair a Dorothy. Quero evitar que fique magoada, já que está se esforçando e isso merece um pouco de consideração da minha parte. Amber fica na dúvida se deve ir com eles. Eu apenas pego sua mochila e jogo sobre um dos meus ombros, junto com a minha, e seguro seu braço, sussurrando duas palavras em seu ouvido:
ㅡ Diga não.
Eu me viro para pegar minha jaqueta, com um sorriso concretado no rosto, que só aumenta ainda mais quando ela dá a desculpa de estar cansada demais para acompanhá-los. Pete não insiste, pisca para ela e me dá um olhar sugestivo. Estendo a mão para minha namorada, que a segura prontamente. Pete ri baixinho, abraça Dorothy pelos ombros e começa na guia-la para fora.
ㅡ Hoje, somos só eu e você, babe.
Ela não parece muito feliz, porém cede e o acompanha. Sigo com Amber na direção oposta, para a porta dos fundos que dá no estacionamento onde deixei a van.
*Amber Lee PoV*
Observo curiosamente o rosto do meu namorado, enquanto caminhamos até a porta dos fundos da arena.
ㅡ Por que me pediu para recusar, Michael?
ㅡ Porque quero ficar sozinho com você. Isso é um problema?
ㅡ Mas é claro! Ficar sozinha com você é um pesadelo!
ㅡ Sempre poderemos alcançá-los se você preferir ir ao cassino…
Ele parece muito ansioso… Apesar de nunca ter estado em um cassino, tenho certeza que, o que quer que ele tenha planejado, será muito melhor.
Eu n&go com a cabeça e seguro seu antebraço.
ㅡ Para onde você vai me levar?
Um sorriso presunçoso nasce em seu rosto.
ㅡ É uma surpresa…
Fico me perguntando o que será e se estou vestida de acordo. Coloquei um short e uma camiseta depois do banho. Michael também está à vontade como eu, então acredito que não seja nada chique.
Saímos do prédio e entramos na van, onde ele coloca nossas mochilas com nossas roupas do show na parte de trás. Michael toma o caminho da orla, parando bem em frente a um píer com um parque de diversões. Tem até uma roda gigante e eu sorrio.
ㅡ Essa é a surpresa?
ㅡ Talvez, em um outro momento, porém não hoje. ㅡ Ele respira fundo e retira do bolso uma máscara de dormir toda preta. ㅡ Little bunny, vou te pedir uma coisa crucial. Quero que confie em mim…
Levanto uma sobrancelha desconfiada na direção dele.
ㅡ Tenho que ficar vendada?
ㅡ Por favor, little bunny…
Seu olhar suplicante me derrete e eu suspiro, concordando com a cabeça. Ele me dá um belo sorriso, coloca gentilmente a máscara no meu rosto e dá a partida de novo. Fico remexendo os dedos uns nos outros de nervoso.
Não rodamos muito, só uns dez ou quinze minutos. Ele estaciona a van e sai, abrindo a porta do carona para mim e segurando minhas mãos para me ajudar a desembarcar.
ㅡ Cuidado com o degrau.
Ele fica do meu lado, me segurando pelos ombros e me guiando sei lá para onde. A brisa do oceano é refrescante e faz cócegas no meu rosto, assanhando os meus cabelos. Ouço Michael conversar com alguém e a curiosidade aumenta.
ㅡ Está tudo pronto, senhor Denver.
ㅡ Ótimo, só um minuto. ㅡ A presença de Michael se aproxima de mim e ele sussurra no meu ouvido. ㅡ Não se assuste, little bunny. Vou te carregar no colo, está bem?
Aceno com a cabeça febrilmente e ele faz justamente isso. Eu me agarro ao seu pescoço e enfio meu rosto no seu peito. Não estou vendo nada mesmo. O terreno parece instável, como se o chão balançasse. Ele me coloca sentada em um banco e eu acomodo minhas costas no que parece ser uma mureta. Michael se senta ao meu lado e mantém seu abraço ao redor de mim. Ouço o ligar de um motor e o local todo começa a se mexer. Respingos de água me atingem com a velocidade crescente.
ㅡ Estamos em um barco?
ㅡ Sim.
ㅡ Posso tirar a venda agora?
ㅡ Little bunny curiosa… Ainda não.
Eu bufo frustrada e cruzo meus braços. Ouço a risada discreta dele e sinto seus lábios dando um estalinho na minha bochecha. Após mais alguns minutos, a velocidade diminui até o barco parar completamente.
ㅡ Chegamos.
ㅡ Jura? Nem tinha percebido…
Michael ri da minha ironia, afinal estou vendada e não sei onde estamos. Ele novamente me carrega no colo e sai do barco. Ouço seus passos na água e depois na areia. É quando ele me coloca no chão. O som do motor do barco começa a se afastar e eu me pergunto porque concordei com tudo isso. Percebo que ele se coloca diante de mim e respira profundamente.
ㅡ Primeiramente, desculpe pela minha ciumeira com o Rico. Fico possesso com ele e com o Pete, porque os dois adoram pegar no meu pé. Estão sempre inventando uma forma de me tirar do sério quando o assunto é você. Eles sabem como eu sou e sabem como me atingir em cheio.
ㅡ Isso eu percebi. Eles são nossos amigos, Michael. Não há motivo algum para ter ciúmes deles.
ㅡ Eu sei, porém é mais forte que eu. Então, para te compensar, eu preparei uma coisa…
Michael começa a tirar a minha venda e permanece diante de mim quando abro os olhos. Ele está segurando nossas mochilas com uma das mãos pelas alças, respira fundo para o alto e se afasta para o lado. Nada mais está à vista, além do oceano lindamente iluminado pelo luar e o céu estrelado. Eu me viro e perco o fôlego. Acho que estamos em uma pequena ilha, ou uma praia deserta. Há coqueiros e vegetação além da faixa de areia, um cenário paradisíaco, entretanto não é isso que faz meu coração disparar.
Uma espécie de acampamento está erguido na areia. Uma linda e enorme tenda branca, atrás de uma fogueira trepidante. Entre eles, há uma pequena mesa de madeira com pratos cobertos, circulada por almofadas coloridas. Porém, o que mais me emociona, são as pequenas velas vermelhas formando um coração ao redor de tudo. Levo minhas duas mãos ao peito e caio sobre os joelhos. Michael se assusta e se agacha ao meu lado.
ㅡ Você está bem, little bunny? Não gostou?
Eu o encaro boquiaberta, tentando encontrar a minha voz.
Preciso saber…
ㅡ Você… Por que se deu a todo esse trabalho?
ㅡ Não é óbvio? Fui muito estüpido contigo sem razão nenhuma.
ㅡ Só por isso?
ㅡ Não é o suficiente?
Ele fica me encarando muito confuso. Confesso estar decepcionada, apesar de também estar extasiada com a surpresa.
O que eu estava querendo? Não é como se ele fosse se jogar aos meus pés e se declarar, dizendo que me ama e que me quer ao lado dele para sempre. Tenho que encarar a realidade. Um dia, tudo isso irá acabar. No entanto, até esse momento chegar, vou aproveitar o máximo que puder…
Sorrio para ele e acaricio seu rosto delicadamente.
ㅡ Você é sempre tão exagerado quando quer ser romântico…
Michael dá uma breve risada e pisca para mim.
ㅡ Faz parte do meu charme… Com fome?
Confirmo com a cabeça e ele me ajuda a me levantar. Paro no limite do coração e pego uma das velas. Percebo que são iguais às de led que ele usou em seu quarto, diferindo apenas na cor. Não resisto em provocar.
ㅡ Reciclando velas?
ㅡ Temos que pensar no meio-ambiente, certo? Troquei as cores das lâmpadas de led. Velas comuns não ficariam acesas com o vento marítimo e achei que vermelho combinaria mais.
ㅡ Quando você decidiu trazê-las? Não me lembro de ter visto.
ㅡ Eu as deixei encaixotadas faz tempo e foi uma das caixas que coloquei na van. Queria fazer algo para você durante a turnê, só uni o útil ao agradável.
Eu me aproximo dele e envolvo seu rosto com minhas mãos, dando-lhe um beijo suave nos lábios.
ㅡ O que eu faço com você, Michael Denver?
A malícia toma conta de sua face e eu já me preparo para a provocação.
ㅡ Quer mesmo que eu responda?
Nós rimos juntos, ele joga nossas mochilas para dentro da tenda e nos sentamos nas almofadas diante da mesa. Michael começa a descobrir a comida e me deparo com um enorme salmão grelhado, legumes cozidos no vapor e arroz com passas. Minha boca enche de água. Ele pega uma garrafa de vinho rosé de um balde de gelo e nos serve duas taças. Acho graça quando ele fica circulando o líquido dentro dela, como se fosse um expert, antes de provar. Eu encaro minha bebida e bebo um pequeno gole. A cor é linda e o sabor é fabuloso.
Nós comemos com a sinfonia da natureza ao nosso redor, conversando sobre a apresentação, a turnê. Ele até pergunta sobre a Mylla, que deixei aos cuidados da Stefani durante esse período fora. No final, eu me deito sobre a areia, com uma almofada apoiando a cabeça, olhando para as estrelas. Ele faz o mesmo e segura a minha mão. Ficamos observando nossas mãos unidas no alto por alguns momentos.
ㅡ Como vamos voltar?
ㅡ Marquei com o barqueiro às sete ho®as para vir nos buscar.
ㅡ Os outros não vão ficar preocupados com o nosso sumiço?
ㅡ Pete sabe mais ou menos. Não entrei em detalhes, só disse que iria passar a noite fora com você e pedi a ele que tomasse conta da Dorothy.
ㅡ Bom, já que a noite é nossa, vamos aproveitar…
Solto sua mão e me ergo do chão, retirando a minha camiseta. Ele se apoia sobre os cotovelos, enquanto já estou tirando o short.
ㅡ O que está fazendo, little bunny?
ㅡ O que acha? Estamos em uma linda praia deserta. Vamos nadar!
Um sorriso malicioso aparece em seu rosto e ele se levanta, retirando os sapatos e a camisa. Chuto minhas sandálias para fora dos pés e começo a abrir o soutien. O olhar descarado dele sobre mim é intenso, enquanto eu babo quando ele tira a bermuda.
Ele nunca usa roupa de baixo…
ㅡ Quer ajuda, little bunny?
Michael aponta com o queixo para a minha calcinha, cravando um dente no lábio inferior. Sacudo minha cabeça e a tiro sozinha. Sinto um arrepio provocado pela brisa e o olhar faminto dele pára nos meus s&ios. Os bïcos estão pontudos e eu os cubro com as mãos instintivamente.
ㅡ Você poderia ser mais discreto…
ㅡ Por quê? Vai ficar com vergonha de mim agora? Venha aqui.
Ele tenta me pegar, porém pulo dois passos para trás, rindo como uma garotinha.
ㅡ Eu quero nadar!
Dito isso, eu corro para a água. Quando penso em olhar para trás, Michael me agarra em meio às ondas do mar. Sinto sua e®eção crescendo no meu traseiro e suspiro profundamente. Viro-me imediatamente e me penduro em seus ombros, ambos ofegantes e sorridentes. Dou uma breve olhada para o céu estrelado que nos cobre e faço um pedido silencioso.
Gostaria que essa noite nunca acabasse…