91 - A briga

2613 Words
*Michael PoV* “ㅡ Vocês m@l se conhecem! Não tem medo que ela te magoe?” As palavras da Dorothy ficam ressoando na minha cabeça, enquanto observo o “casalzinho” feliz se aproximar. Eu me levanto do banco e saio da van. Em um certo momento, eles percebem minha presença e param de s@canagem. Ação típica de quem tem culpa. Não tenho como disfarçar a reação em cadeia dentro de mim, a raiva extrema que circula junto com meu sangue. Amber me encara como se estivesse indignada, como se eu não tivesse o direito de estar put0 da vida com essa cena patética. Corro meus olhos por seu corpo. Ela está quase nua, exibindo suas curvas para ele nesse biquíni! Meus músculos estão tão tensos, que tenho a impressão de que irão se partir a qualquer momento. ㅡ Parece que vocês estão se divertindo bastante… Ela me devolve um meio sorriso debochado. ㅡ Sim, tivemos um ótimo dia, não é, Pete? Ele pigarreia e responde com uma voz afetada, como se estivesse muito incomodado. ㅡ Sim, foi legal. ㅡ Pete é um cara incrível para se ter por perto, Michael. Eu franzo a testa, irritado. Seguro um palavrão e quase mordo a minha própria língua. ㅡ Nós conversamos e rimos um pouco. É como o Pete continua de forma insegura. Ela se posiciona diante de mim, me desafiando com o olhar. ㅡ E você? Seu sarcasmo venenoso me atinge em cheio e eu desvio o olhar. Não consigo sequer olhar para ela, tamanha é a fúria que sinto. ㅡ Eu me diverti pra ca®alho! O clima tenso é tão extremo que, se fosse físico, poderia ser cortado com uma faca. ㅡ Cadê a Dorothy? A pergunta do Pete é relevante, afinal ela foi o pivô de toda essa confusão. Não... Espera... Talvez a Dorothy sempre estivesse certa a respeito da Amber Lee e eu fiquei cego demais pelo o que sinto por ela para perceber. ㅡ Dormindo. Ela estava tão nervosa, que tive que lhe dar um calmante. ㅡ Falo apontando a van com o queixo. Meus olhos voltam a percorrer as curvas dessa mulher diante de mim. Parece uma maldita obsessão. ㅡ Então, como foi a noite de vocês? Eu devo ser masoquista para fazer uma pergunta dessas. No entanto, eu preciso saber. Não consigo acreditar que estivesse tão errado. ㅡ Está interessado, Michael? ㅡ Muito, Amber Lee. Agora sou eu quem apela para o sarcasmo e um duelo começa entre nós. Infelizmente, não é o jogo excitante que costumamos fazer. É algo sufocante, doloroso e desesperador. ㅡ Eu dei risada, fiquei bêbada e o Pete me levou para a cama. O quê? Algo dentro de mim se quebra. Eu me aproximo, encarando-a furiosamente. Ela dá dois passos para trás. ㅡ Você levou a minha namorada pra cama? Apesar da minha pergunta ser direcionada ao Pete, não consigo tirar meus olhos dela. ㅡ Eu a levei de volta para o hotel e a coloquei na cama. Só isso. O tom dele é impaciente. Analiso a pele dela. Pescoço, barriga, coxas... Só para ver se há alguma marca. ㅡ E? ㅡ Eu não estava passando bem, aparentemente extrapolei meu limite alcoólico, entretanto meu namorado estava ocupado demais em outro lugar. Pete foi gentil o suficiente para trocar a minha roupa. Um sorriso irritante surge no canto de sua boca e eu olho para o meu baterista. ㅡ Você a viu nua? Pete me encara consternado. ㅡ Não, porr@! Só troquei a camiseta dela porque estava suja de vômito! Ela ficou de soutien e eu não fiquei conferindo nada! ㅡ Ele é um verdadeiro cavalheiro, não precisa se preocupar com ele. Encaro-a solenemente. ㅡ E quanto a você? Preciso me preocupar? Não parece perturbada por ter ficado seminua na frente de outro homem… Ela fica ofendida com a minha pergunta, porém eu não estou nem aí. ㅡ Oh, eu sou só mais uma no seu caderninho... O baterista ou o vocalista, tanto faz, certo? Cerro os punhos e os dentes. Não reconheço essa pessoa diante de mim. Onde está a mulher por quem me apaixonei? Viro para o cara que tem sido como um irmão desde que eu tinha nove anos, mas, hoje, eu o encaro como um inimigo. ㅡ Pete, pode nos dar licença? ㅡ Ele olha para ela, como se tivesse medo de deixá-la sozinha comigo, o que é extremamente irritante. ㅡ Cai fora! Ele concorda com a cabeça e volta para a praia. Retorno minha atenção para essa estranha e dou um passo em sua direção. Minha vontade é sacudi-la, só para ter certeza de que ela realmente está ciente do que está destruindo. ㅡ Ele tocou em você? Seus olhos se abrem de surpresa. O que ela esperava depois dos absurdos que me disse? ㅡ Ele me carregou e trocou a minha camiseta, então, tecnicamente falando, ele me tocou. Fazemos um jogo de gato e rato aqui. Eu me aproximo e ela se afasta na mesma proporção. A ideia de que outro homem a tenha visto quase nua, gera um véu de raiva na minha cabeça. Não estou conseguindo pensar mais claramente. Eu deixo escapar um grunhido baixo de desgosto. ㅡ Ah, então, parece que se divertiu muito com ele! ㅡ Ele é um bom ouvinte, se importa com as pessoas que ele gosta e me ajudou a tirar você da cabeça hoje! ㅡ É mesmo? Como exatamente ele fez isso? Dessa vez, é ela quem se aproxima e coloca um dedo no meu peito. ㅡ Como você se atreve a ter ciúmes e se comportar como se algo tivesse acontecido entre Pete e eu? Você está se comportando como um grande caf@jeste! ㅡ Você passou a noite com ele... ㅡ Você passou a noite com a Dorothy! ㅡ Estava resolvendo um problema com ela, e aí você resolve bancar a v@dia com o Pete para me punir? É isso o que estou entendendo? *Amber Lee PoV* Que audácia! ㅡ Como você pode pensar isso de mim? ㅡ Não é você quem está usando meu amigo contra mim? Eu gaguejo um momento e respiro um pouco para recobrar o controle. Isso está ficando esquisito… Ele está virando a situação contra mim, como se a culpada disso tudo fosse eu! Não vou permitir! ㅡ Não aja como se fosse inocente! Eu não sei o que você fez na noite passada. Você me largou sozinha em um lugar estranho e sequer se preocupou com isso! Saiu correndo atrás da miss punk, como o bom cãozinho adestrado dela que é! ㅡ Não te deixei sozinha, cass&te! Pete estava com você! A Dorothy é quem estava só! Não consegue ver a diferença? ㅡ Oh, sim, claro… Você se mandou, mas deixou seu fiel escudeiro me vigiando… Que grande consolo! Não parece que eu seja tão importante assim para você! A respiração dele, que não estava muito controlada, agora perde o ritmo de vez. ㅡ Isso é um pesadelo... Todo o carinho e respeito com os quais tenho te tratado não significaram nada? Bastou um dia sozinha para você correr para os braços de outro? Você dormiu com ele? Acho que se eu pudesse, bateria nele. ㅡ Aos seus olhos, sou só mais uma, certo? Tenho que ficar calada e quietinha no meu canto, como uma cadelinha esperando sua boa vontade, não é? Você tem o direito de me deixar por outra garota e só o que eu deveria fazer seria esperar sozinha no meu quarto de hotel como uma boa menina? É isso? ㅡ Put@ que pariu! Eu não estava na s@canagem! Como você pode ser tão insensível? *Michael PoV* Aproximo meu rosto do dela, sem entender como chegamos nesse ponto de estresse. É inconsciente e automático. Sou atraído por sua boca, como um mosquito pela luz. Massacro seus lábios com os meus, tentando mostrar onde está meu coração, já que as palavras não estão surtindo efeito. Ela corresponde ao meu beijo de forma tão intensa quanto a minha, apesar de tentar se livrar do meu abraço por um momento. Eu só a aperto ainda mais contra mim. Sou ciumento e possessivo. Nunca tive nada na vida que viesse de forma fácil. Tudo o que eu construí, foi dando o meu sangue. No entanto, há uma maldita sina que arranca de mim todas as coisas que me parecem boas e preciosas. Como essa garota, que me encantou desde o primeiro momento em que a vi e que, agora, é de uma maldade sem par. Eu repito a minha pergunta, preciso de uma resposta direta. ㅡ Você dormiu com ele ou não? Ela me empurra com força e grita: ㅡ Não, eu não dormi com o Pete! Ao contrário de você, eu não brinco com os sentimentos dos outros! Não sei como encarar sua reação. Ela simplesmente cuspiu suas palavras na minha cara, como se eu fosse um maldito c@nalha. Como se eu não a respeitasse. Eu sou um idïota por achar que o que a gente tinha era especial... Urro de raiva e soco a lataria da van. O metal afunda com o impacto, porém eu não sinto meu punho doer. Meu corpo parece estar anestesiado por outra dor muito mais exasperante. Então, ela faz a pergunta. ㅡ Você dormiu com ela? Viro-me para ela, sem conseguir acreditar no que acabei de ouvir. ㅡ Você acha que te deixei para tr@nsar com a Dorothy? ㅡ Tudo o que eu sei, é que você me trocou por ela. O que eu deveria imaginar, quando você mesmo pensa que eu estava te traindo com o Pete? ㅡ Ah, não! Você não vai virar esse jogo contra mim! Não fui eu quem ficou elogiando alguém que tirou sua roupa quando estava bêbada! Eu não dormi com a Dorothy! Ela estava enlouquecendo e precisava da minha ajuda. ㅡ E quanto a mim? ㅡ Como assim? Passo as mãos pelos cabelos para disfarçar meu incômodo. Que merd@ de pergunta é essa? Quem está sendo acusado injustamente sou eu! ㅡ Você me deixou sem dizer nada, agiu como se eu fosse invisível. Droga, Michael! Você passou a noite com ela sem sequer me avisar! O que você pensa que eu sou? Achei que estivéssemos juntos. ㅡ Nós estamos juntos. Nessa ho®a, percebo que todos os esforços que fiz não significaram nada. Ela não confia em mim o suficiente para entender o caos que foi a situação de ontem. Eu me afasto um pouco para racionalizar e é quando ela me dá o golpe final. *Amber Lee PoV* Estamos juntos… Não sei até que ponto posso confiar nisso, já que, ao menor sinal de problemas, ele me abandona por ela. ㅡ Nesse caso, você vai ter que escolher. ㅡ Como é que é? ㅡ Você me ouviu. Não pode dizer que está comigo, para depois agir como se estivesse com a Dorothy e me largar como se eu fosse um saco de lixo! Até o Pete se sentiu incomodado e, ao contrário do que pensa, ele me tratou com respeito, quando o meu namorado deu no pé! Então, escolha! Vejo um músculo de seu maxilar repuxar de tensão, provavelmente está roçando os dentes uns nos outros. ㅡ Não faça isso… A Dorothy é frágil demais. Não vou deixá-la na merd@ só porque você está surtando. Nada aconteceu entre nós e nunca vai acontecer. Eu pensei que você fosse capaz de entender… A mesma conversa de sempre, a qual eu já não tenho mais paciência para ouvir. É muito claro que estou em segundo lugar. ㅡ Você está certo. Ceda a todos os caprichos dela… Já está na ho®a de irmos. Vou pegar minhas coisas. Ele fica em silêncio, me encarando de forma suplicante. Conheço essa cara, sempre me derreto por ela, porém, se eu fizer isso agora, toda vez será a mesma coisa. Então, é melhor não ter uma próxima vez, mesmo que signifique acabar com tudo. Dou-lhe as costas, com uma dor de cabeça horrível. A do coração, nem se fala. Passo no quarto que eu e Michael iríamos ficar só para me certificar de não ter esquecido nada. Um aperto no peito me atinge quando olho ao redor. Por que as coisas tinham que ser tão complicadas? Depois, vou para o quarto que divido com a Dorothy. Assim que termino de arrumar tudo, ela chega. Eu a ignoro e ouço o seu suspiro de desaprovação da porta. ㅡ Você é tão teimosa, Amber Lee… Largo minha bolsa sobre a cama e dou uma breve risada desdenhosa. ㅡ Olha só quem fala…. Não estou a fim de conversar com você. ㅡ Pego minha mala e bolsa e vou para a saída, porém a baixista coloca um braço impedindo a minha passagem. ㅡ Com licença? ㅡ Não. ㅡ Eu rosno bufando. ㅡ Você não precisa ter ciúmes de mim com o Michael. Pelo menos, não no que se refere aos sentimentos dele. Sim, ele foi atrás de mim, no entanto é com você que ele quer ficar. Não vou negar, tentei seduzi-lo e até o beijei. Nesse momento, viro meu pescoço na direção dela, com tanta força, que quase o quebro. ㅡ Vocês se beijaram? ㅡ Na boca… O olhar malicioso dela é o suficiente para mim. Cedo a minha vontade e levanto meu punho. Por pouco não a acerto, pois ela percebe e segura o meu braço. Então, a agarro pelos cabelos e a sacudo violentamente. ㅡ Sua v@dia! Vou te ensinar uma lição! Dorothy dá um berro e segura meus pulsos, apertando-os e me sacudindo para me obrigar a soltá-la. ㅡ Hei, calma! Eu tentei beijá-lo, mas ele me rejeitou de novo! ㅡ E você diz isso com essa calma toda? Quer morrer? Ela me empurra para se livrar de mim e se afasta. Cruza os braços e me encara com muita raiva. ㅡ Você sabe como é a sensação da rejeição, Amber Lee? Eu senti na pele, inúmeras vezes! E, agora, por sua culpa, não tenho a menor chance com ele! ㅡ Ah, não! Não venha com essa para cima de mim, Dorothy! Michael já não queria nada com você muito antes que eu aparecesse! ㅡ Jura? Se você sabe disso, então, por que brigou com ele por minha causa? Fico sem palavras diante de sua pergunta. ㅡ Eu… Eu… ㅡ Vou responder por você, princesinha de meia tigela. Porque você é burra e cega! Será que não consegue enxergar o quanto você é importante para ele? Dou uma risada irônica forçada. ㅡ Hunf! Sou tão importante, que ele me deixou sozinha a noite toda e sequer se deu ao trabalho de me ligar! ㅡ Você tem algum problema… É sério! Não percebeu o hiperfoco com que ele faz tudo? É compulsivo! Quando ele está no palco, no computador, correndo atrás de mim ou quando está com você… O resto do mundo desaparece! Até terminar o que está fazendo, ele não pára. Não sei nem como ele se lembrou de comer ontem, porque normalmente ele esquece… Confesso que agora a conversa chamou a minha atenção. Pete disse que o Michael se cuidaria porque ele me prometeu isso… Engulo o bolo na garganta e me viro para ir embora. Dorothy me embarreira de novo e sussurra. ㅡ Você não faz ideia da sorte que tem e como eu te invejo… Eu a empurro para o lado e saio pelo corredor. Não sei nem como cheguei na van, caminhei no automático, meus pensamentos sufocantes nublando meu trajeto. Jogo minha bagagem para dentro e me sento no banco de trás. Do que ela tem inveja? De que eu já fui pra cama com ele? É atrás dela que ele vai toda vez! Não sou tão sortuda assim como ela pensa…
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