90 - Sozinha

1822 Words
*Amber Lee PoV* Fico parada observando a figura do Michael desaparecer. Ainda não consigo acreditar. Ele… Ele foi atrás dela? No fundo, eu sempre soube que a Dorothy era uma bomba relógio, porém jamais pensei que ele correria atrás dela no primeiro piti que ela desse, me deixando sozinha em um lugar estranho. A mão do Pete pousa em meu ombro, mesmo assim meus olhos não desgrudam da direção que o meu namorado tomou. ㅡ Você quer ir para o hotel descansar, Amber Lee? Eu me viro para ele, enfurecida. ㅡ Hotel? Como é que você acha que eu tenho condições de ir para o hotel, sabendo que ele está por aí atrás daquela maluca? Ele m@l se despediu de mim, Pete! A testa dele franze e ele cruza os braços, depois de suspirar profundamente. ㅡ Tudo bem, sei que não foi legal. Porém, dê um desconto para ele. Tem muita coisa em jogo e ele ficou muito nervoso. Você sabe como ele é. Dou um sorriso irônico e também fecho meus braços ao redor do meu peito. ㅡ É, eu sei sim… Basta a Dorothy dar um suspiro e ele sai correndo atrás dela como um cachorrinho adestrado. Não é à toa que ela acha que pode fazer ou dizer o que lhe der na telha! Ele segura o meu braço gentilmente, olhando ao redor, antes de sussurrar ao pé do meu ouvido. ㅡ Você sabe que não é isso. Pare com esse ciúme idïota, Amber Lee. A Dorothy está fora de si e sozinha em uma cidade estranha. Ponha-se no lugar dele. Você também não ficaria preocupada com ela? Venha. Eu te levo. Sacudo meu corpo, soltando-me dele e apoio as mãos na cintura. ㅡ Tudo o que sei, é que bastou ela bancar a vítima, que o meu namorado me largou sozinha e foi correndo atrás dela! Eu não quero ir para o hotel agora. Não sou tão adestrada quanto o seu amigo… Vim aqui para beber e é o que eu vou fazer! Com ou sem o Michael! Sento a minha bund@ na cadeira e chamo um garçom. Pete suspira alto e se senta ao meu lado. O aglomerado de pessoas começa a se desfazer, afinal, o “show” acabou. Tomo algumas cervejas, conferindo o meu celular a cada três minutos. Minha impaciência avança juntamente com as ho®as e o álcool que sobe para a cabeça. Será possível que ele sequer vai me ligar ou mandar uma mensagem? Não está preocupado comigo? Vai ver, está ocupado demais com sua “irmãzinha” para lembrar que eu existo. Tento ligar para ele, porém cai na caixa postal. A bebida se torna amarga, embrulhando o meu estômago. Quando peço mais uma garrafa de cerveja, Pete tampa a merd@ da boca e eu bufo irritada. ㅡ Amber Lee, já chega. Você bebeu demais. O Michael vai ficar put0 se te pegar nesse estado. ㅡ Está com medo dele? Quer saber? Eu vou dançar! Quando eu me levanto da cadeira, tudo gira ao meu redor e minhas pernas fraquejam. Pete me segura, antes que eu passe a vergonha de me esborrachar no chão, e eu me aconchego a ele, segurando as lágrimas. ㅡ Michael é um imb&cil! Faz ho®as que ele saiu e sequer me ligou ou mandou uma mensagem! Agora, o celular dele está na caixa postal! ㅡ Isso você vai ter que discutir com ele amanhã. Por hoje, vou te levar de volta, queira você ou não. Pete me guia, segurando-me pelos ombros firmemente, com medo que eu caia. Realmente, não estou bem. M@l sinto as minhas pernas e os rostos passam por mim como figuras borradas. Não passo o vexame de uma queda, pois o tenho como apoio, porém vomito tudo o que tenho, e o que não tenho, na calçada antes de entrarmos em um táxi. A última coisa da qual me lembro, é do Pete enfiando a minha cabeça embaixo do chuveiro gelado e me dando um refrigerante depois, que eu vomito no sanitário. Quando a luminosidade atravessa a janela e fere o meu rosto, eu me viro rosnando na cama. Sozinha. Eu me sento e olho ao redor. Estou com a mesma roupa de ontem, exceto a camiseta, e não há sinal algum de Michael. O sorriso deprimido que me atinge é sufocante. Ele dormiu fora… Levanto-me a duras penas e sigo para o quarto que, na teoria, dividiria com a Dorothy. Também não há nenhum sinal dela. É o suficiente para fazer a minha cabeça latejar e as lágrimas brotarem. ㅡ Bom dia, Amber Lee. Apenas giro o meu pescoço para ver o Pete na porta de entrada. ㅡ Eles passaram a noite toda fora, Pete… Juntos… O que isso significa? Ele coça a cabeça, muito deslocado, e apoia as mãos na cintura. ㅡ Significa que as coisas devem ter ficado complicadas. Por que você não se arruma e desce comigo para tomarmos café da manhã no restaurante do hotel? Não sinto o menor apetite, entretanto não tenho forças para rejeitar. Há um aperto inexplicável no meu peito, travando minhas palavras. Só aceno com a cabeça e ele sai, fechando a porta. Eu suspiro de desgosto. Meu namorado “perfeito” passou a noite fora com outra… Que piada… Depois de um banho e roupas limpas, ainda me sinto um lixo. Minha língua está com gosto de papelão, meu cérebro parece solto dentro do crânio e meu coração está encolhido no peito. Encontro-me com Pete no restaurante e, apesar de toda a comida diante de mim, nada desce. Eu me limito a um suco inicialmente. Fico olhando para o sanduíche de frios, me sentindo triste. ㅡ Foi você quem trocou a minha camisa, não foi? Ele fica ruborizado e desvia o olhar. ㅡ Desculpe por isso, mas estava suja de vômito e molhada depois que te coloquei no chuveiro para te despertar. Juro que não tirei vantagem de você. ㅡ Obrigada… Por ter cuidado de mim ontem. ㅡ Não foi nada. Você é uma garota legal e é a namorada do meu melhor amigo. Eu não iria te largar sozinha naquele estado. Pena que o meu namorado não pense da mesma forma… Guardo o pensamento obscuro para mim. Então, me lembro de quando Michael passou m@l e encaro Pete preocupada. ㅡ Será que ele comeu alguma coisa? Por um instante, ele fica surpreso e desvia o olhar para o lado. ㅡ Espero que sim… Quando ele se estressa, esquece de comer ou joga qualquer porcaria para dentro. Não é bom para ele. ㅡ Eu sei… Já o vi ter uma crise. Fiquei assustada. ㅡ Confesso que também me apavorei na primeira vez. Ele ficou quase um dia inteiro em coma. Decido não dizer a ele que sei da história do bordel. Acho que ele ficaria muito sem graça. ㅡ Michael me prometeu depois que ia se cuidar, mas, como você mesmo disse, quando ele se estressa, esquece de si próprio. Um sorriso sincero cruza seus lábios e eu me encolho, apertando um indicador na minha têmpora latejando de dor. ㅡ Então, ele vai se cuidar. ㅡ Como pode ter certeza? ㅡ Porque ele te fez uma promessa e nunca o vi quebrar uma. Mesmo em meio ao caos de ontem, tenho certeza que ele se cuidou. Michael gosta de você de verdade, Amber Lee. A última coisa que ele quer no mundo, é te fazer sofrer. Levanto meu olhar cheio de lágrimas para ele, que fica sem graça. ㅡ Pois, eu estou sofrendo agora, Pete. Onde ele está? Pete respira fundo e cruza os braços de novo, sacudindo a cabeça. ㅡ Eu achava que a Dorothy era teimosa, mas você também não fica atrás. ㅡ Não tem nem comparação! Nós duas não temos nada a ver uma com a outra! ㅡ Jura? Vocês estão apaixonadas pelo mesmo cara que, caso não tenha percebido, escolheu você! Se agora ele não está aqui, tenho certeza que é por uma boa razão, ao invés das bobagens que passam pela sua cabeça. Tente confiar mais nele, Amber Lee! Arregalo os meus olhos e ajeito uma mecha de cabelo atrás da orelha. ㅡ Como você soube? Quem te contou que eu… ㅡ Que você o ama? Eu não sou cego! Infelizmente, o Michael é muito cru com essa coisa de sentimentos para perceber, porém ele tem te tratado com muito respeito e gentileza, não tem? ㅡ Tem… ㅡ Então, pare de pensar bobagens. Ele não está na put@ria. Está resolvendo um problema. Se não ligou, é porque não pôde. Tenho certeza que há uma razão séria para isso e ele vai te explicar tudo quando voltar. Até lá, é melhor esfriar a sua cabeça ou vou começar a te chamar de mula empacada! Confesso que ele me arranca um sorriso. ㅡ Bom, o que eu faço com o meu tempo enquanto ele não aparece? Ele pensa um pouco, olhando para o clima além da janela. ㅡ Que tal uma praia? Estamos em Miami, poxa! Vou alugar umas pranchas e posso te ensinar a surfar. ㅡ Deus me livre! ㅡ Ele dá risada e me sinto um pouco melhor. ㅡ Você surfa e eu fico só torcendo, sentada na areia. ㅡ Combinado. Passar um tempo na praia é revigorante, devo admitir. O Pete é um exímio surfista, não sei como não seguiu carreira. Deve funcionar para ele como é para o Michael, que adora tecnologia, tem um talento para isso, mas sua paixão é a música. Tomei umas duas cervejas na praia, para tentar espantar a ressaca da noite anterior. Pete não gostou nada disso, porém eu precisava afogar a minha inquietação em alguma coisa. Quando estamos voltando pela calçada, já depois do meio da tarde, Pete ainda tenta me animar. ㅡ Vamos jogar uma partida de videogame? Sou campeão no futebol! ㅡ Jura? Pensei que gostasse de jogos de surf! ㅡ Não… Surf eu prefiro ao vivo! Já perdi a conta das vezes que chutei a bund@ do Michael e do Rico no jogo! Ele dá risada e eu o acompanho. Na verdade, quase babo de tanto rir e me seguro em seu braço para me equilibrar. Acho que aquelas cervejas não foram uma boa ideia… Quando nos aproximamos do hotel, vejo a van estacionada. Michael parece estar nos esperando perto dela. No entanto, ele parece furioso e seu olhar severo sobre nós faz o Pete se afastar um pouco de mim. ㅡ Parece que vocês estão se divertindo bastante… A voz cheia de ironia do Michael me alcança como um tapa. Eu entendi o que ele está implicando. Quem ele pensa que é? Sumiu esse tempo todo e ainda se acha no direito de ter ciúmes de mim com o Pete? Pro infe®no! Não sei se é fúria ou ainda embriaguez. O fato é que não pretendo deixar barato o que ele fez comigo. Se ele acha que tem motivos para ter ciúmes, vou dar um monte deles!
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