71 - De mulher para mulher

2352 Words
*Michael PoV* O tempo passa rapidamente, a ho®a da nossa apresentação se aproxima e temos que voltar para nos preparar. Jamais imaginei que fosse achar ruïm me aprontar para um show. Porém, sei que lá em cima, no palco, também nos entenderemos tão bem quanto aqui embaixo. Enquanto atravessamos o terreno do festival, curtimos esses últimos momentos passeando de mãos dadas, bebendo e comendo alguma coisa. De repente, dou-me conta de que gosto da ideia de ter uma namorada de verdade, ao invés de uma piriguete, da qual sequer vou lembrar o nome depois. Namorada e companheira. Percebo que ela parece preocupada. Imagino se a minha pequena confissão tenha algo a ver com isso. Eu também não fui muito claro. É difícil para mim ainda. Até hoje, só tive que lidar com a raiva e a decepção. Amor é um terreno totalmente novo. Eu paro no meio do festival e passo um dedo na ruga de preocupação que se formou em sua testa. Ela se aproxima de mim, me abraçando. Resisto por um segundo, é o máximo que consigo. ㅡ Temos que nos preparar para o show, little bunny. Não sei que estupidez está pensando, porém pode parar com isso. ㅡ Não pensei em nada estüpido. ㅡ Ah, sim, você pensou. Está escrito na sua testa. Então, está chateada ou o quê? ㅡ De modo algum! ㅡ Mentirosa... Ela me encara ironicamente. ㅡ Está tudo bem. Só estou com um cara incrivelmente s&xy, que provavelmente vai me deixar em pedaços. Ah, e sua melhor amiga deve dar um piti quando nos ver aos beijos. Para completar, vou fazer uma turnê com esses dois e tocar diante de centenas de pessoas. Suspiro rapidamente, enquanto a observo. ㅡ Em primeiro lugar, no palco você é perfeita. Não deveria se preocupar com isso. Eu não estou. Com relação à melhor amiga, pode levar um tempo, mas tudo chega para aqueles que sabem esperar. Ela vai se acostumar. Quanto ao cara s&xy, bem, não posso fazer nada a respeito, a não ser garantir que a última coisa que ele quer, é partir seu coração. Eu a puxo contra o meu corpo e cubro seu pescoço de beijos. Ela se agarra a mim, passando as mãos pelos meus cabelos. Adoro esse contato. Desço minhas mãos para sua bund@ carnuda e firme e a pressiono ainda mais contra mim. Se o Rico pôde, eu também posso! Eu temia por um instante que ela me afastasse por estarmos em público, no entanto, ela apenas se derrete mais ainda nos meus braços. Estou nas nuvens. Mergulho em sua boca, que também anseia pela minha. Estamos deixando medos e barreiras para trás, conforme descobrimos juntos o quanto gostamos do contato um do outro. Sinto o volume dos seus s&ios roçando contra o meu peito, seu quadril se pressionando contra o meu. Perco o controle momentaneamente, interrompo nosso beijo, mas a mantenho abraçada a mim para esconder minha ereç@o. ㅡ Porr@, Amber... Se continuar se esfregando desse jeito em mim, não vou conseguir subir no palco. ㅡ Não inverta os papéis. É você quem está se esfregando em mim. S@fada! Provoco sua boca com a minha, porém uma voz conhecida e irritada perturba nossa paz. ㅡ Merd@! Vocês bem que poderiam procurar um motel para a sua put@ria, não é? Essa não... O tes@o que estava sentindo cai por terra e cede lugar à irritação. Olho por cima do ombro de Amber e vejo Dorothy, com uma expressão aborrecida. Fico put0 com o fato da minha gata se afastar um pouco de mim. Porr@, não cometemos nenhum crime! ㅡ Pelo amor de Deus, Dorothy! Você não tem nada a ver com o que acontece entre eu e ela! Dito isto, pego a mão da minha namorada e a puxo contra mim, abraçando-a. Liguei realmente o fod@-se para a minha baixista, que parece ter raiva transbordando por seus poros. ㅡ Sim, já entendi que estou sobrando aqui. Para variar… Ela sai, dando uma ombrada no Pete, que fica aturdido. Eu permaneço olhando na direção em que aquela teimosa seguiu, sem soltar a mão da razão de toda essa confusão. Não… Na verdade, Amber não tem culpa. As coisas com a Dorothy sempre foram complicadas. Só posso culpar a mim mesmo por não ter lhe dado um limite antes. Lembro-me da conversa com Winchester, no dia que elas se acertaram em teoria. Que ótimo! Era tudo o que precisávamos... ㅡ Sinto muito que ela veja as coisas dessa forma... Amber me encara com um ar triste. Eu suspiro longa e profundamente. Enterro uma mão em seus cabelos e beijo sua testa. É só o que eu preciso para me manter calmo, seu contato. ㅡ Acho que foi uma grande estupidez da minha parte, acreditar que ela aceitasse essa situação de forma tranquila. ㅡ É estupidez querer que a sua família participe da sua vida? Fico emocionado com o jeito dela encarar essa situação. Pete se aproxima de nós, também tentando dispersar a tensão. ㅡ Então, é assim que vocês tratam o tio Pete? Fugindo para dar uns amassos como se fossem dois adolescentes? Deveria punir vocês... Eu abraço minha namorada mais forte e entro na brincadeira. ㅡ Amber tem urticária por minha causa, já é castigo o suficiente. Ele fica confuso, enquanto ela sorri de forma g0zadora. ㅡ E o Michael está condenado a cantar canções de amor para sempre. Você está vingado! Gosto de ouvi-la falando sobre nós a longo prazo, me traz uma sensação de satisfação enorme, pois penso da mesma forma. Pete nos olha estranhamente surpreso. Entendo sua surpresa. Eu sempre lhe disse que jamais me envolveria com alguém seriamente. Aquele ditado que diz para nunca cuspir para cima me define totalmente, pois caiu tudo bem na minha cabeça. ㅡ Ainda não acredito que vocês dois estejam namorando e tenham se entendido sem que eu soubesse de nada, Michael. Você e Amber Lee viviam como cão e gato. ㅡ Você não é muito observador, parceiro. Amber se mete no assunto e não perde a oportunidade de me provocar. ㅡ É verdade. Michael nunca foi muito discreto... ㅡ Eu? É você quem está grudada em mim como cola. Pior que uma tiete. ㅡ Foi você quem pulou em mim no backstage quando nos vimos cara a cara pela primeira vez. Você estava pronto para me beijar, não negue! Eu me posiciono entre ela e Pete, escondendo-a dele. A Telecaster me deu o impulso, porém é verdade que eu estava atraído por ela. ㅡ Você está certa, little bunny. Eu queria te beijar, mas só porque você parecia ansiar por isso. ㅡ Bom, primeiro eu queria arrancar os seus olhos e, depois, te beijar. Passo a língua pelos meus lábios e depois a beijo. Desço minhas mãos por suas costas e pressiono seu quadril contra o meu. Uma tosse faz com que eu interrompa meu assédio. Eu olho para trás, por cima do ombro e vejo um Pete constrangido. ㅡ Existem lugares melhores para isso, cara. Eu ainda estou aqui... Sou só um bebê, vou ficar traumatizado. Até parece que entrei no quarto dos meus pais e os peguei fazendo s&xo. É nojento! Nós caímos na gargalhada. Desfaço nosso abraço, porém não solto sua mão. Viro para o meu amigo, aperto seu ombro e brinco. ㅡ Seu idïota... ㅡ Vamos, parceiro. Temos um show para fazer e uma Dorothy para acalmar. *Amber Lee PoV* Percebo como Michael fica tenso quando Pete cita a Dorothy. Eu o conheço, ele pode acabar brigando com ela se ela me atacar. E nenhum de nós está precisando disso. ㅡ Deixe-me falar com ela. Sabe, uma conversa de mulher para mulher. ㅡ Tem certeza, little bunny? Não precisa fazer isso. Posso falar com ela. Eu suspiro, pensando um pouco e depois o encaro com determinação. ㅡ Eu realmente não quero, mas preciso fazer isso. Porém, se der algo errado, eu grito pedindo socorro! Acabamos rindo e começamos a procurar por Dorothy. Nós a encontramos na área atrás do palco onde tocaremos mais tarde. Ela parece um animal ferido, andando de um lado para o outro, chutando tudo o que encontra pelo caminho. Eu e Michael soltamos as mãos e sigo em direção à fera. Sinto pena da Dorothy, porém não posso deixar de temer sua reação. Acho que os rapazes também, pois percebo de relance que eles se mantêm por perto. Eu e ela já quase saímos no tapa uma vez, embora, agora, ela pareça mais triste que com raiva. Talvez, ela esteja começando a aceitar o inevitável. Que ele está seguindo com a vida dele com outra pessoa. Eu me sento em uma caixa diante dela e aguardo. Dorothy acaba se sentando no chão, de frente para mim, depois de um pesado suspiro. ㅡ Juro que estou tentando, Amber Lee. Não queria sentir nada quando vejo vocês juntos, mas é tão difícil… ㅡ Não vou dizer que te entendo, Dorothy, porque eu estaria mentindo. Nunca passei pela sua situação. Nunca soube o que é gostar tanto de alguém e não ser correspondida. No entanto, eu senti na pele o que é querer tanto alguma coisa e não poder ter. Sim, eu sou de família rica, mas eu era uma marionete. Eu vivia para as outras pessoas e sufocava todos os meus sonhos. Até eu não aguentar mais e fugir. ㅡ Fugir? ㅡ Sim, de casa. Fugi dos meus pais, do meu ex-namorado que eu nem gostava, contudo nossas famílias acertaram nosso casamento muito antes de eu entender o que isso significava. Eu não era dona da minha vida. Eu tinha um piano de cauda maravilhoso em casa que era proibida de tocar, a não ser que fosse em uma festa para divertir os convidados. Quando fui embora, me senti perdida por algum tempo. Sequer sabia o que fazer comigo mesma. Estava finalmente livre, porém só. Então conheci o Rico, a Lauren, o Michael… ㅡ Ah, sim, claro… Ela fica visivelmente aborrecida e eu suspiro. ㅡ Nós não caímos de amores um pelo outro à primeira vista. Brigávamos muito. Somente depois que eu entrei para a banda, é que as coisas começaram a fazer algum sentido para mim, pois percebi que estava fugindo de novo. Dessa vez, do que eu sentia por ele. Dorothy morde o lábio inferior e respira profundamente. ㅡ Eu vi a maneira como ele te olha, Amber Lee, não pude suportar. Isso sempre me incomoda, droga... Realmente, não tenho nada contra você. Tenho uma queda por esse idïota desde sempre, eu te contei. Mas, ele não sente o mesmo por mim, sabe? Ele me vê como uma irmãzinha. Ele sempre me tratou como uma maldita irmã, sempre me tirando das encrencas, sempre presente por mim, porém nunca do jeito que eu gostaria. ㅡ Você sabe que, se ele fizesse isso, não seria sincero, não sabe? Dorothy, você não acha que merece mais do que as migalhas dele? Será que não está na ho®a de olhar para si mesma e começar a se amar mais? Minha avó costumava dizer uma coisa: Que para amar alguém, primeiro nós devemos nos amar. *Michael PoV* Amber Lee se senta em uma caixa e Dorothy acaba se sentado diante dela no chão. Pete e eu disfarçamos, fingindo mexer nos equipamentos que rodeiam o lugar. O barulho não nos deixa ouvir toda a conversa, porém tudo o que escuto traz tranquilidade ao meu coração. Eu sempre vou estar presente por você, Dorothy, contudo eu também tenho direito de viver a minha vida e ser feliz. Somente agora encontrei razão para tal. ㅡ Eu vi mais garotas nos braços dele que ratos em um esgoto. No entanto, ele nunca me tocou... Nenhuma vez. A mágoa é visível em seu tom. Não me orgulho disso e me incomoda terrivelmente que ela fale essas coisas para Amber. Só espero que ela saiba que com ela é diferente. ㅡ Acho que você tem razão, Amber Lee. Ele nunca vai me olhar do jeito que ele te olha. Percebi como você era especial para ele desde o início. Ele não pulou em você e isso foi um sinal. ㅡ Não fazia ideia de como Dorothy se sentia, ou que ela havia notado, muito antes de mim, o quanto Amber me encantava. Elas sorriem uma para a outra. ㅡ Na verdade, fico feliz que seja você, porque não é tão idïota quanto as outras. Você não vê o metaleiro. Você conhece o cara por detrás da máscara. ㅡ Quer dizer “o insuportável”? Tenho que me segurar para não rir e estragar o clima de cumplicidade que está se formando entre as duas. O que eu mais desejo, é que elas se dêem bem. ㅡ Esse mesmo… Fico com medo que ele se apegue a você, pois aí eu daria adeus à qualquer chance de rolar algo entre nós. No entanto, talvez seja mais fácil assim, pode me ajudar a conseguir superá-lo. O barulho irritante de uma serra irrompe e eu não escuto mais nada, a não ser a gargalhada delas depois. Olho para Pete, que dá de ombros. Novas gargalhadas chamam nossa atenção. Sinceramente, eu esperava um homicídio aqui. ㅡ Eu já tive a minha cota de coisas difíceis de se lidar na vida. ㅡ Se você se sente assim, por que está com o Michael? Ele pode ser um pé no saco às vezes. Minha namorada pensa um momento e suspira. ㅡ Tudo bem, entendi. Você prefere os caras que são... ㅡ Sombrios e torturados. ㅡ Então, temos mais coisas em comum que pensávamos... ㅡ Dorothy a encara com um sorriso sincero. Amber estica a mão para ela. ㅡ Estamos de boa? ㅡ O quê? A punk e a princesinha? Você é louca! ㅡ Seu tom é visivelmente de gozação e ela aperta a mão que lhe é estendida. ㅡ Mas, eu quero tentar... Pelo Michael. Agora, se você pisar na bola, juro que chuto a sua bund@! Elas riem uma para a outra. Sinto como se um peso enorme saísse dos meus ombros. Obrigado, little bunny, por ser compreensiva. E obrigado, irmãzinha, por fazer um esforço por mim.
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