64 - Conselhos e a comemoração

2520 Words
*Amber Lee PoV* Michael me deixa na portaria do meu prédio. Eu o espero ir embora para sair de novo e correr até o edifício da Lauren. Preciso de muitos conselhos e sei que ela vai guardar segredo. Ela abre a porta timidamente, meio que se escondendo. Até entendo porque está agindo assim. Liguei para ela da rua, avisando que queria vê-la e que já tinha pegado com Michael o conjunto de joias que havia emprestado para ela. Fiz de propósito, só para ver a reação dela. Deve estar com medo que eu brigue por causa do favor que fez ao Michael. Não estou chateada, quero até agradecer. Porém, isso não me impede de brincar um pouco com o suspense. Limpo a minha garganta e ela suspira, abrindo espaço para eu entrar. Permaneço em pé no meio da sala, enquanto ela fecha a porta e me encara. ㅡ Amiga… Eu… Levanto minha mão e ela se cala. Então, eu a abraço forte. Demora um pouco para ela se render e me abraçar de volta. ㅡ Obrigada, amiga. De verdade. Ela me encara confusa. ㅡ Não está chateada por eu ter agido pelas suas costas? ㅡ Foi por uma boa causa. Por que concordou em ajudá-lo? ㅡ Bem, quando Michael me pediu um anel seu para ter as medidas, eu perguntei o que ele queria fazer. Ele não teve escolha a não ser me contar e, pareceu tão determinando, que não pude negar. Eu nunca o tinha visto tão empolgado por alguém antes, a ponto de me pedir ajuda, então, acreditei que estava sendo sincero. Ele disse que queria fazer uma surpresa para você e me pediu para não contar. Sinto muito por isso, meu bem. Porém, é claro que dei um ultimato nele quando lhe entreguei as joias, só por garantia. Ela pisca para mim e eu sorrio. Então, levanto meu braço direito e mostro o anel-pulseira. Ela fica encantada. ㅡ Ele estava falando sério mesmo. ㅡ Que lindo! Então, ele realmente te pediu em namoro? ㅡ Sim! Ela dá um gritinho eufórico e me abraça. Depois, me arrasta para o sofá. ㅡ Minha nossa! O Rico vai pirar quando souber! Lembro-me imediatamente do que eu e Michael combinamos. Não deveria nem ter falado para Lauren por enquanto, entretanto ela é a única pessoa a quem posso recorrer. ㅡ Não conte para ele ainda. Michael quer conversar com a Dorothy primeiro, então vamos ser discretos até lá. ㅡ Oh, entendo. Rico está sempre na casa do Michael e ajudando com os equipamentos da banda. Ele vê a Dorothy com uma certa frequência. ㅡ Bom, ele sabe como guardar um segredo, mas, talvez ficasse tão empolgado por nós dois, que poderia deixar algo escapar sem querer. Se o Michael quiser contar para ele, eu não me oponho, porém acho que a decisão é dele. ㅡ Está certo… Como foi? Conto todos os detalhes, inclusive a briga na cozinha, como nos entendemos depois e as coisas lindas que Michael me falou. Lauren dá uma risada discreta. ㅡ Só vocês dois mesmo… O que mais? ㅡ Eh… Ele recebeu uma ligação do senhor McGregor e teve que ir trabalhar. ㅡ O quê? Não rolou nada? ㅡ A gente se beijou, mas não tivemos tempo para muita coisa. Eu não quis pressioná-lo hoje, porque ele passou a noite anterior toda trabalhando. ㅡ Seguro suas mãos entre as minhas e respiro fortemente. ㅡ No fundo, isso foi até bom, pois eu preciso de uns conselhos. ㅡ Conselhos? ㅡ É… Você sabe… Minha experiência com o Kevin não foi lá grande coisa. Michael é um cara que experimentou de tudo. Tenho medo de decepcioná-lo. Lauren me encara como se eu tivesse um terceiro olho, enquanto absorve o que falei. ㅡ Ah! Em primeiro lugar, não podemos chamar o que você teve com aquele fulaninho de experiência, certo, querida? É melhor riscá-lo da sua mente e se concentrar no que interessa. Acho que deveria conversar com o Michael sobre isso. Ele está caidinho por você e nunca o vi tão atencioso com ninguém. Ele tem experiência de sobra para te guiar. ㅡ A experiência dele é tanta, que eu nem precisei falar. Ele percebeu no ato como eu sou crua. Até achou que eu era virgem, pode isso? Quase morri de vergonha… ㅡ Jura? Ela começa a rir e eu suspiro. ㅡ Não ria, Lauren. Eu não quero fazer feio quando as coisas esquentarem, sabe? Por favor, me ajude… Faço cara de pidona, com minhas mãos unidas diante do peito. O olhar dela se compadece e sua cabeça acena confirmando. Ela se levanta do sofá e vai até sua cozinha, retornando depois com um cacho de bananas. Ela separa a maior e me mostra, com a malícia estampada no rosto. Eu fico estarrecida. ㅡ Será que é do tamanho certo? ㅡ Lauren! ㅡ Dou-lhe um tapa no ombro e ela ri. ㅡ Eu nem vi direito, a maior parte estava dentro da calça. ㅡ Desculpe, não pude evitar! Falando sério agora. Pratique sua pegada com isso. Lembre-se que será um p@u, não uma fruta. Se for forte demais, poderá machucá-lo. Fraco demais, será decepcionante. Vamos lá! Tente! Seguro a banana e a encaro com incredulidade. Não acredito que vou fazer isso. Enfim, é melhor praticar antes, que passar vergonha depois. Pelos minutos seguintes, Lauren me guia nesse “processo”. Dá conselhos, usa as próprias mãos para me mostrar como se faz. Quando chega o momento de colocar na boca, quase tenho um troço. ㅡ Tenha cuidado com os dentes. É legal usar para provocar, mas não morda forte. Você não vai querer prejudicar a sua área de lazer, não é mesmo? Eu reviro os olhos rosnando alto. Apesar das brincadeiras, sou grata pela paciência dela. ㅡ Obrigada, Lauren. Minha mãe deveria ter me ensinado essas coisas, mas… ㅡ Oh, não, amiga! Duvido que qualquer mãe no mundo queira ensinar uma filha a segurar um p&nis e fazer b0quete. ㅡ Ela apoia a mão no queixo, pensando. ㅡ Bem, a não ser que sejam pro$titutas… Eu rio junto com ela e mordo minha boca. Analiso a banana, já sem casca e toda babada. ㅡ O que você faz quando o homem… Sabe… ㅡ Quando ele g0za? Querida, você tem que parar com esses pudores e dizer as palavras. Os homens gostam de uma s@canagem de vez em quando, sabia? Quanto ao que fazer quando ele g0za na sua boca, vai depender do parceiro. Eu só engulo quando tenho interesse e conheço o cara. Isso deixa os homens pirados. No mais, babo no p@u mesmo. ㅡ Engolir? Isso não parece muito higiênico… Que sabor que tem? ㅡ Sabor? Não estamos falando de um sorvete, querida. Como eu disse, tudo depende do seu parceiro. Se ele é alguém que vale a pena, se tem hábitos saudáveis e, com relação a ser higiênico ou não, s&xo é o ato de maior intimïdade entre duas pessoas. O ideal é que o casal converse primeiro, sobre o que ambos gostam de fazer. ㅡ Esse é o problema… Eu não faço ideia do que eu gosto porque nunca fiz nada dessas coisas! ㅡ Quer sentir prazer? Quer dar prazer para ele? ㅡ Isso é óbvio, né? ㅡ Então, relaxe. Esqueça as perguntas e as fórmulas. Diga a ele como se sente com relação ao que ele fizer. Se ele teve tanto cuidado com você até agora, é porque está mais interessado em te agradar que qualquer outra coisa. O resto se encaixa com o tempo. Ela sorri sinceramente para mim e eu retribuo. Relaxar… Acho que esse é o melhor caminho. *Michael PoV* O pessoal marcou uma comemoração no Star Club. Eu não sou de festas e, sinceramente, preferiria ficar sozinho com Amber Lee. Porém, Pete e Rico pareciam tão eufóricos no telefone, que não pude dizer não. Busco Amber Lee na porta de seu prédio para irmos juntos. O silêncio foi nosso companheiro praticamente a viagem toda. É desconcertante como cantar o que sinto é mais fácil que falar. Três simples palavras. No entanto, eu não consigo. Ela também não me disse nada, é muito confuso. Estou às cegas. Somos os últimos a chegar e eu vou direto para o bar. Preciso de algo forte. Amber Lee se junta a Lauren e Rico em uma mesa e ele parece ter tirado a noite para me provocar. Eu o vejo passar a mão na bochecha e nos cabelos cabelos dela meia dúzia de vezes. Para que isso, cara? Eu suspiro forte, viro meu copo de uísque de uma vez só e peço outro. Sinto uma mão amiga no meu ombro. ㅡ Vai com calma, parceiro. ㅡ Pete, só por hoje, eu não quero me regular. Ele e Dorothy se sentam comigo. Eu não costumo beber com frequência e estou estressado. Tudo isso somado, faz com que o álcool me suba rápido à cabeça em apenas três doses. Olho de canto de olho para a mesa onde está a razão de toda minha confusão mental e vejo Rico apontar o indicador na minha direção enquanto fala com ela. Oh, Deus! Que merd@ ele estará dizendo? Ela se levanta depois de um minuto e vem na nossa direção. Dorothy fecha a cara, Pete sorri, e eu me apoio sobre o cotovelo no balcão, fingindo ser indiferente a tudo. Passo meus olhos lentamente por todo seu corpo, que tanto quero provar, com um sorriso nos lábios. Fico rodando um dedo na borda do meu copo, antes de tomar um gole. Quase cuspo o líquido quando ela pede um drinque. ㅡ Um “Dorme comigo esta noite”, por favor. Olho para ela com um sorriso tórrido no rosto. Ela está vermelha de vergonha. Isso merece uma provocação master, porém antes que eu abra a minha boca, ela cai na gargalhada, cutucando meu peito com um dedo. ㅡ Se você se atrever a falar algo a respeito do nome desse drinque, eu bato em você! Eu começo a rir tão alto que os músculos do meu abdômen doem de tanto que se contraem. ㅡ Tudo bem. Serei gentil com você, little bunny. ㅡ Isso não é do seu feitio. Vai me pedir algo em troca? ㅡ Possivelmente. ㅡ O quê? Finjo pensar um pouco, passando a mão no queixo só para aumentar sua ansiedade. Como eu gostaria de realmente ir para cama com ela. Tomo o resto do meu uísque e peço outro. Estou pensando em pedir-lhe algo inusitado. O álcool me dá coragem para bancar o ridículo. Vai valer a pena, pois vou ter uma desculpa para ficar abraçado com ela. Mordo internamente a bochecha e aponto para a pista. Não acredito que vou fazer isso! ㅡ Quer dançar? ㅡ Está falando sério? Pensei que odiasse esse tipo de coisa que as pessoas normais fazem. Para você ver o caos que gera em mim... ㅡ Sim, porém eu bebi e quero dançar. Vamos? Ofereço-lhe uma mão, que ela segura, e abro caminho pelas pessoas chacoalhando na pista. Eu seguro seu quadril e a pressiono contra mim. Colo minha testa na dela. Não sei se é o calor do seu corpo junto ao meu ou se é efeito do uísque, contudo, sinto-me inebriado, extasiado. ㅡ Você está bêbado? ㅡ Estou perfeitamente bem. Ela me sorri calorosamente e eu retribuo. ㅡ É, você está bêbado. Não deveria ser mais cuidadoso por causa da diabetes? Nunca te vi sob o efeito do álcool. Fico preocupada. ㅡ Little bunny, eu estou bem. Normalmente eu não bebo, porém hoje estamos comemorando. Quero abraçar a minha namorada. E você? Costuma pedir coquetéis com aquele nome? ㅡ Só quando um cantor presunçoso pode ouvir. Ponto para ela. Admito. Passo meu rosto em seu pescoço, os lábios por sua pele e depois a encaro. ㅡ Eu preciso te perguntar uma coisa. Seu perfume me entontece, coloco minha boca em seu pescoço como se provasse um doce delicioso. Sinto que ela estremece. ㅡ O que é? ㅡ Sua música... Você a cantaria comigo? Observo-a, medindo sua reação, e acomodo minha boca do outro lado do seu pescoço. ㅡ Está falando sério? ㅡ Eu nunca brinco com música. Eu gosto dela, gosto da sua voz... Quero você comigo... Sua música. Quero que a cante comigo. ㅡ Acha que ela tem chance de agradar? ㅡ É poderosa, sensual, apaixonada. ㅡ Mesmo para uma banda de metal? ㅡ Só diga sim... Ela balança a cabeça febrilmente e eu lhe ofereço o meu melhor sorriso. Aperto-a mais contra mim, descanso meu rosto em seu pescoço e continuamos no ritmo da música enquanto ela dura. Pela primeira vez, não estou desconfortável com uma dança, pois tenho o par perfeito. A música acaba e eu sinto a necessidade de outro uísque, até porque pretendo mantê-la nos meus braços até o Sol nascer. Assim que encosto no balcão, Dorothy me agarra pelo pescoço. Quase me derruba e eu sorrio para ela. ㅡ Está alegrinha, sua cabeçuda? Ela solta um grunhido desgostoso, nunca gostou desse apelido. ㅡ Você é irritante, sabia? ㅡ Ouço isso com frequência. Pete se junta a nós e eu pego meu novo copo. ㅡ Michael, já não bebeu o suficiente? Eu suspiro alto e tomo um gole. Quando volto a procurá-la com olhar na multidão, a vejo na pista de dança. Com o Rico! Calma, Michael... São só dois amigos dançando... Ele a puxa contra si, agarrando-a com seus braços de polvo. Put@ merd@! Ele está passando a mão na bund@ dela! Eu viro o rosto para o outro lado. Não quero mais ver essa cena deprimente. Dorothy resmunga alguma coisa e desaparece. Provavelmente percebeu que minha irritação é por causa da tecladista. Eu esvazio meu copo e o aperto tão forte entre meus dedos que quase estoura. Bato com ele no balcão e peço outra dose. ㅡ Já chega, parceiro. ㅡ Eu nem comecei, Pete. ㅡ Na verdade, você já acabou. A raiva me toma e eu me levanto na intenção de tirar satisfação com o Rico. Fica só na intenção. O mundo gira e praticamente vira de cabeça para baixo. Eu conheço meu corpo e conheço essa sensação. Pete me encara preocupado. Olho uma última vez para o “casal” e vejo que já voltaram para a mesa. Amber Lee está de cara fechada e braços cruzados, enquanto Rico está encolhido em sua cadeira, parecendo uma criança travessa que levou um esporro. Espero que ela tenha colocado ele em seu lugar.. ㅡ Você tem razão, Pete. Dirijo-me para a saída, um pouco grogue, com Pete no meu encalço. Minha cabeça começa a latejar. No estacionamento, puxo a chave do bolso e a entrego ao meu amigo. Não tenho a menor condição de dirigir. Pego meu celular e peço a leitura da glicose. ㅡ E então, Michael? ㅡ Ele pergunta, enquanto abre o carro. ㅡ Baixa pra cass&te. ㅡ Que merd@, cara! Eu te avisei. Vou te levar para o hospital. Eu suspiro e me deixo cair no banco do carona. Não tenho forças nem para contestar. Bem feito, seu idïota! Eu tenho que aprender a me controlar melhor quando estou com ela.
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