65 - Ciúmes

2273 Words
*Michael PoV* Passei a maior parte da noite tomando medicação intravenosa. Não perdi a consciência por sorte. Antes tivesse, só assim não ficaria remoendo na minha mente as imagens do meu amigo apalpando a minha namorada. Rio para mim mesmo desgostoso. Minha namorada... Ninguém sabe disso, apenas nós dois… Tudo por causa da Dorothy. Infe®no! Eu tenho que resolver isso o mais rápido possível! Passo no meu apartamento para comer alguma coisa e tomar uma ducha. Já estou atrasado para o trabalho mesmo, que se f0da. Quando chego no estacionamento da empresa, ouço um ronco de motor bem conhecido. Olho ao redor e noto Rico estacionando sua moto. Ele paga extra por uma garagem particular, tem um ciúme infernal daquela máquina. Vamos colocar as coisas às claras de uma vez por todas. Sigo em sua direção e, no meio do caminho, a lembrança de seu assanhamento me toma. ㅡ Hei, Rico! Ele se vira na minha direção e sorri quando me reconhece. Eu fecho o punho e parto para cima dele. ㅡ Calma aí, mano! Ele se esquiva e me agarra por trás, segurando meus braços. ㅡ Porr@, me solte, seu traidor! Não me chame de irmão! Rico finalmente me solta, empurrando-me para longe. Ambos ajeitamos as nossas roupas, encarando bem fundo um ao outro. ㅡ Dá para me dizer o que deu em você? ㅡ Eu que te faço essa pergunta! Fica aí me dizendo que eu devo investir na Amber Lee e me apunhala pelas costas? Ele faz uma cara de bobo e depois começa a rir como um idïota. Coloca uma mão na barriga e bate com a outra freneticamente na coxa. ㅡ Você está falando da dança? ㅡ Dança? Você passou a mão nela, seu imb&cil! ㅡ Para você se mancar, cara! Eu não tenho e não quero ter nada com ela. Porém, vocês dois ficam se rodeando e nada acontece! Tive que tomar uma providência. Imaginei que um pouco de ciúmes dela iria te fazer agir! ㅡ Para o seu governo, estamos namorando! Sacudo minha mão com o anel-pulseira diante dos olhos arregalados dele. ㅡ Não creio! Finalmente! Como você dá um passo desses e não me diz nada? Se eu soubesse, não teria agido! ㅡ Não tive tempo, cass&te! Tenho que falar com a Dorothy antes que a notícia se espalhe, mas não apareceu a oportunidade. ㅡ Eu aponto um dedo bem na cara dele. ㅡ Rico, nunca mais toque nela, me ouviu? Nunca mais! Ou juro que te arrebento! ㅡ Tudo bem, confesso que exagerei na dose. Estou perdoado? Ele estende a mão para mim, piscando os olhos exageradamente. Eu expiro forte com as mãos na cintura, sacudindo a cabeça de um lado para o outro. ㅡ Você é um filho da mãe... ㅡ Também te amo, seu mané! De repente, ele me abraça como um urso, mas quem rosna sou eu. É impossível ficar com raiva dele. ㅡ Já chega... ㅡ Nós nos afastamos um do outro. ㅡ O que mais me aborreceu foi o fato dela ter deixado. ㅡ De onde você tirou isso? Ela não deixou. Você não viu o que ela fez? Fico sem palavras, pois eu virei o rosto no mesmo instante. Não esperei para ver a reação dela, pois estava put0 da vida. ㅡ Eh… Não… ㅡ Posso contar? ㅡ Ah, Rico! Quer deixar de suspense e me dizer logo? ㅡ Bom, ela quase me bateu e não falou mais comigo depois. Tenho até medo de me sentar ao lado dela para trabalhar hoje. Se eu soubesse que já estavam namorando, teria trancado os dois em um quarto e jogado a chave fora, ao invés de te provocar. ㅡ Você fala muita besteira, Rico… ㅡ Ah, pelo menos ia apimentar o s&xo! Eu levanto as mãos para o alto e saio de sua garagem, enquanto ele ri como uma b&sta. ㅡ As coisas não são tão simples assim, Rico. O dia que você se apaixonar, vai entender. ㅡ Sonha! Agora, falando sério, é melhor resolver a situação com a Dorothy depressa. Uma ho®a ela vai ficar sabendo. Se não for por você, o Apocalipse vai chegar mais cedo. Eu congelo no lugar. Sei que ele está coberto de razão. ㅡ Eu tentei, só que ela fugiu de mim todas as vezes. ㅡ Isso é óbvio, cerebro! Você e a ojitos estão cada vez mais envovildos. E, mano, você não é nada discreto. Com certeza a Dorothy já percebeu algo no ar. Porém, se quer um conselho, quanto mais demorar, pior a reação dela vai ser. ㅡ Eu sei… Baixo meu olhar um momento para o chão e respiro fundo, com as mãos nos bolsos. Ele coloca sua mão em meu ombro e eu o encaro. ㅡ Eu ofereceria minha ajuda para falar com ela, mas eu sei que essa é uma conversa que vocês têm que ter a sós… Eu e você, estamos numa boa? Suspiro fortemente e a raiva que senti já não é mais grande coisa. Sei que ele não fez por maldade. Não dá para ficar zangado com ele por muito tempo de qualquer forma. ㅡ Estamos. Ele me dá outro abraço de esmagar os ossos e eu acabo rindo dessa vez. Afasto-me para pegar o elevador e, antes das portas se fecharem, eu o escuto. ㅡ Estou muito feliz por vocês dois! Obrigado, parceiro... No meu escritório, eu desabo sobre minha cadeira. É um refúgio. Sem barulho ou pessoas me rondando e perturbando minha cabeça. Quer dizer, não fossem os pensamentos sobre aquela ruiva que me tira os pés do chão. Então, é isso que acontece quando se ama? É viver em uma montanha-russa de sentimentos exasperantes? É estar completamente enlouquecido e gostar disso? É uma tortura sem fim! *Amber Lee PoV* Ouço passos atrás de mim e vejo, pelo canto dos olhos, o capacete do Rico sendo colocado em sua mesa. Mesmo assim, não tiro minha atenção da minha tela, muito menos meu bico emburrado. Não acredito que ele fez aquilo! Justamente na frente do Michael! Ele ficou tão put0, que foi embora sem falar comigo… Tenho até medo de imaginar as besteiras que passaram pela cabeça dele. Rico suspira pesadamente quando percebe que decidi lhe dar o tratamento de silêncio. No entanto, ele sempre foi muito teimoso e arrasta sua cadeira para ficar perto da minha. ㅡ Ojitos… Podemos conversar? Ainda estou de braços cruzados, sacudindo a minha perna cruzada, sem dar a ele um milésimo de atenção. ㅡ Tudo bem. Você não quer falar comigo, eu entendo. Só me escute um minuto. Eu sinto muito pelo meu comportamento ontem, porém, acredite, a minha intenção era apenas provocar ciúmes no Michael, para que ele saísse desse chove e não molha com você. Ele me disse hoje que vocês estão namorando, até me mostrou o anel-pulseira de compromisso. Se eu soubesse, teria ficado quieto. Quando ele diz o nome do meu namorado, eu desmonto meu aborrecimento e viro na direção dele, cheia de ansiedade. ㅡ Você viu o Michael? Ele está muito zangado? Ele fica confuso, noto pelas sobrancelhas unidas. ㅡ Bom, ele não estava muito feliz. Até tentou em bater. Levo minha mão até a boca, completamente chocada. Ele estava disposto a bater no Rico, que sempre foi como um irmão, por minha causa? Eu não sei se fico horrorizada ou lisonjeada com isso. ㅡ Aliás, quando você ia me contar que estavam namorando? Tive que quase apanhar para alguém me dizer… Ele espreme os lábios trêmulos, como se estivesse a beira das lágrimas. Eu grunho, não acreditando na cara de p@u dele. ㅡ Era para ser segredo até o Michael conversar com a Dorothy, seu palhaço! E, mesmo que nós não estivéssemos juntos, você não teria qualquer direito de passar a mão em mim, ouviu? A expressão dele dá lugar a uma mais séria e cheia de arrependimento. ㅡ Eu sei e eu realmente sinto muito por isso, ojitos. Na minha ansiedade de ver meus amigos juntos, eu fiz uma grande burrada. Pode me perdoar? Fecho os meus olhos um instante ao respirar profundamente. No fundo, até entendo porque ele meteu os pés pelas mãos. Eu e Michael somos realmente um casal de dar nos nervos de qualquer um… ㅡ Com uma condição. ㅡ O que você quiser, ojitos. Aproximo meu rosto do dele e sussurro minha pergunta. ㅡ O Michael teve mesmo ciúmes de mim com você? Um sorriso de entendimento se abre em seu rosto e ele confirma com a cabeça. ㅡ Ele estava roxo de ciúmes. Acho que teria explodido, se eu não tivesse conseguido explicar tudo. Agora quem sorri discretamente sou eu e decido ir falar com ele. *Michael PoV* Coloco os fones de ouvido e tento me concentrar no trabalho, pois estou finalizando o sistema que Mayra pediu. Algo para me manter são. Logo, sinto uma presença, o perfume que jamais esqueceria, e sua carícia leve no meu ombro. Devo me controlar... Não quero fazer uma cena por causa de ontem. Limito-me a erguer a mão para que ela espere, enquanto digito uma última linha de códigos. O que se torna uma tarefa árdua, já que sinto seus olhos pesando sobre mim. Fecho a tela do programa e retiro os fones, deixando-os no meu pescoço. Finjo naturalidade. ㅡ Sem café hoje? ㅡ Não sou sua secretária. Dou-lhe um sorriso atrevido. ㅡ Que pena... Eu poderia te dar ordens quando eu quisesse. Ela morde os lábios, confusa. Eu me recosto na minha cadeira para ter uma visão total dela. Percorro seu corpo de cima a baixo com o olhar. ㅡ Então, o que você quer, little bunny? Ela tenta segurar o sorriso quando falo o apelido que lhe dei. Sei que ela gosta. ㅡ Eu queria saber se está tudo bem entre a gente... Sua pergunta me pega de surpresa e eu arrumo alguns fios para disfarçar. É uma questão muito direta. Vou manter a linha ambígua aqui. É mais seguro, afinal, o quanto ela me zoaria se soubesse que quase tive um ataque por ter ciúmes dela? ㅡ Por que não estaria? ㅡ Você foi embora sem se despedir de mim ontem. Imaginei que estivesse zangado comigo por alguma razão. ㅡ Não, de modo algum. Está tudo certo entre nós. ㅡ Tudo bem, então... Eu saio da minha cadeira e me aproximo dela, repousando uma mão em seu quadril. Será que ela tem a consciência pesada por causa do Rico e está tentando medir o meu grau de aborrecimento? É uma chance única que não posso deixar passar. O problema é que não sei o que aquele doido disse a ela sobre mim. É melhor ir com calma. ㅡ Por que achou que as coisas não estavam bem entre nós? O que está se passando nessa sua cabecinha? ㅡ Da última vez que nos vimos, você estava bêbado. Aconteceu alguma coisa para ter saído com tanta pressa? Fico na dúvida se devo dizer que parei na emergência por causa da minha estupidez. Ela pode se sentir culpada, o que seria horrível. Não quero isso. É melhor desviar do assunto. Assim, nenhum de nós dois ficará constrangido. Eu volto para minha cadeira e finjo ter algo interessante na tela do computador. ㅡ O produtor vai nos encontrar amanhã às dezoito ho®as. Era o único horário que ele tinha. Esteja lá. ㅡ Claro... Amber Lee parece decepcionada, enquanto cruza os braços e encosta o corpo na minha mesa, olhando para o chão. Eu respiro fundo discretamente para me recompor. Ela não veio aqui à toa… Estou sempre pedindo que ela confie em mim e se abra comigo, no entanto também fico na defensiva. Como tendo uma necessidade enorme de me explicar, eu deixo escapar o que tanto me incomoda. ㅡ Eu não gostei... ㅡ Seu olhar surpreso encontra o meu e eu completo. ㅡ De você ter deixado ele te tocar. O sorriso que surge em seu rosto é um misto de satisfação, alívio e malícia. ㅡ Eu não deixei ele me tocar, seu bobo. Como você saiu de lá correndo, não viu que eu o afastei e fiquei sem falar com ele o resto da noite. Pelo menos, agora você sabe como eu me sentia, cada vez que você dava a entender que tinha qualquer mulher aos seus pés, ou quando alguma oferecida ficava se esfregando em você. Levanto meu olhar cheio de incredulidade para ela, com a minha boca escancarada. ㅡ Eu não faço mais isso! Inclusive, na última apresentação, eu fui gentil com as fãs, mas me esquivei de todas elas! Você viu! Ela se aproxima, se senta de lado sobre o meu colo e coloca os braços ao redor do meu pescoço. ㅡ Sim, eu vi. Só que é tão bom saber que o meu namorado sente ciúmes de mim, tanto quanto eu sinto dele… Não consigo resistir e acabo rindo, com ela me acompanhando. Envolvo sua cintura com as minhas mãos e a beijo lentamente, aproveitando o sabor que tanto adoro. ㅡ Little bunny, acho melhor pararmos por aqui. Estamos no trabalho, sabe… ㅡ Oh, sim, claro. A regra do grande desenvolvedor chefe Michael Denver de não misturar negócios e prazer. Ela está zombando de mim. Eu sei e não resisto em provocar. ㅡ Você sabe como eu sou “grande”. Quer que eu te refresque a memória? Amber Lee pula para fora do meu colo rapidamente e finge arrumar a roupa. Eu não consigo parar de exibir meu sorriso de satisfação quando vejo suas bochechas coradas como um tomate maduro. ㅡ Então, até mais tarde. Na produtora. ㅡ Sim, little bunny. Até mais tarde.
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