Capítulo 05: Visitas aos pais.

1447 Words
Jaime Beaumont Em vez de ir direto pra casa, resolvo passar na mansão do meu pai. Ele me ligou querendo conversar. E eu tenho quase certeza de que o Lipe meteu o dedo nessa história — de novo. Aquele moleque tá passando dos limites. Fica querendo se mostrar, se aproximar do trono, mas tudo que faz é acender em mim o desejo de empurrá-lo mais pra fora do círculo de decisão. Chego, estaciono o carro e entro como quem ainda pertence àquele lugar. Tenho a chave, afinal. Sou recebido com um abraço apertado da Soraia, a esposa do meu pai — e uma das poucas pessoas que conseguem me arrancar um sorriso sincero. Ela é aquela mulher elegante, de olhar doce e fala firme. Me criou como se eu fosse filho do sangue dela, mesmo tendo engravidado do Lipe depois. O amor dela por mim nunca mudou — e eu nunca esqueci disso. — Jaime, querido! Que saudade! Parece até que você mora em outro continente. Só aparece quando lembra que tem família. — diz, me abraçando com um perfume familiar. — Culpa do trabalho, Soraia. Empresa do pai de um lado, consultório do outro... Mas eu prometo que vou passar aqui com mais frequência. — Uhum. Vou fingir que acredito. — responde, sorrindo. — É sério, dessa vez é promessa de verdade. E você sabe que eu cumpro. — Isso é verdade. — Sabe me dizer qual é o assunto urgente com o meu pai? — Casamento. — ela diz, direta. — Oi? Como assim, casamento? — Seu casamento com a Rebeca. Inclusive, ela está aqui. Está na sala com o Lipe e o Ryck. — Mas... eu nunca pedi Rebeca em casamento. Nunca pensei em fazer isso. Que história é essa? — Jaime... vocês estão juntos há mais de três anos. As pessoas esperam isso. Ela espera. — Pois deveriam parar de esperar. Eu nem sei por que ainda não terminei com ela. Talvez por preguiça... ou medo de cair numa armadilha ainda pior. Toda mulher que aparece quer um anel no dedo antes mesmo do segundo date. Soraia cruza os braços, olhando pra mim com aquele ar maternal que ela domina como ninguém. — Jaime... se você não ama a Rebeca, termina. Agora. Hoje. Ela está lá toda empolgada, achando que vai se casar. Você não tem o direito de alimentá-la com esperança se sabe que não vai cumprir. — Eu sei. — murmuro, sincero pela primeira vez no dia. Soraia sempre foi meu ponto de equilíbrio. Ela me conhece até no silêncio. E, mesmo quando me odeia, ela me protege. Sem ela, eu não teria virado metade do homem que sou. — Vamos logo, já enrolamos demais. — ela diz, puxando meu braço. Respiro fundo e sigo para a sala. Assim que piso ali, Rebeca se levanta num salto e praticamente se joga nos meus braços. — Amorzinho! — ela exclama, pendurada no meu pescoço. Respondo com um sorriso educado, quase automático. Me inclino levemente e murmuro perto do ouvido dela: — Rebeca... que história é essa de casamento? Eu nunca te pedi em casamento. Por que veio aqui inventar isso? — Porque eu achei que, assim, você se tocaria e me pediria logo. — diz com aquele sorriso plastificado. — Depois a gente conversa. — corto, sério. — Filho! — Ryck se levanta. — Não ia nos contar essa novidade maravilhosa? Dou uma olhada rápida para Soraia, que retribui com um olhar que diz: Eu tentei te preparar. — Ryck... — ela se adianta. — O Jaime não comentou por causa da correria no trabalho. São muitas responsabilidades entre a empresa e o consultório. — Ainda assim, ele deveria ter falado. É um grande passo. Casamento é um marco. — É. Um marco. — respondo, forçando um sorriso, enquanto penso em todas as marcas que eu prefiro não ter. Felipe, sempre pronto para alfinetar, solta a dele: — E aí, maninho? Lua de mel em Noronha? Acho que você conhece bem lá, né? Dou um sorrisinho de canto. Filho da mãe. — Boa ideia, Lipe. Noronha é um paraíso. Lugar perfeito... pra desaparecer. — Ah, Noronha é um porre. — Rebeca revira os olhos. — Quero Paris, ou Itália. Algo mais... refinado. Mais digno da gente, sabe? Claro. Rebeca. Modelo internacional. Deslumbrada com o próprio reflexo. Tão fútil que se deixasse, trocava o arroz por glitter. Nunca pedi pra ela mudar. Não sou esse tipo de homem. Mas também nunca prometi que ela seria a mulher. Me sento no sofá, respiro fundo. A conversa vira sobre datas, listas de convidados, vestidos. Deixo rolar. Não quero fazer um escândalo. Mas Rebeca... Vai ouvir tudo o que eu penso. Hoje ainda. Porque eu posso ser muita coisa. Mas homem de uma mulher só — sem querer — eu não sou. E casamento? Não está nem no topo da minha lista. Tenho muitas bocas pra beijar, muitos corpos pra descobrir... E uma vida inteira pra viver sem algemas. (*******) — Você não vai entrar? — Rebeca pergunta, apoiando a mão na porta do carro, olhando pra mim com aquele ar manhoso que ela tenta usar como arma. — Não. Ainda preciso passar na empresa e resolver umas pendências. — Estou com saudades. — diz ela, e começa a desabotoar a blusa, lentamente, como se estivéssemos num comercial barato de perfume. — Rebeca... — Amorzinho... desde que você voltou da tal viagem de negócios, m*l olhou na minha cara. Será que eu tenho que virar uma das suas pacientes humildes pra você me dar atenção? — Rebeca, não viaja. — respondo, e antes que ela diga mais alguma coisa... a beijo. Não porque estou apaixonado. Mas porque meu corpo ainda responde. O beijo esquenta. Nossas bocas se colam com mais fome do que carinho. Começo a abrir sua blusa com pressa, massageando seus s***s enquanto ela arfa no meu ouvido. Reclino o banco com um movimento rápido e a puxo pro meu colo. Por sorte — ou premeditação dela — está de saia. Facilita meu trabalho. Abro minha calça, pego uma camisinha — porque o que menos quero nessa vida é engravidar a Rebeca —, coloco e afasto sua calcinha. A penetro com força. Ela geme alto, rebolando, enquanto sobe e desce sobre mim como se estivesse se vingando da minha ausência. Seguro sua cintura e a ajudo a acelerar o ritmo, guiando seu corpo no meu com precisão. O carro balança. O vidro embaça. Ela goza primeiro. Quase gritando meu nome. E eu venho logo em seguida, abafando o gemido no pescoço dela. Silêncio. — Desculpa, Rebeca. Sei que você queria algo mais romântico... mas o tempo é curto. Teve que ser aqui mesmo. — Você me compensa depois. Do jeitinho que só você sabe. — responde, saindo do meu colo e se ajeitando com aquele sorriso de quem acha que ganhou algo. Dou um beijo rápido em seu pescoço, coloco a camisa e sigo direto pra empresa. Hoje a noite vai ser longa. Ser CEO não é status, é peso. E meu papel aqui envolve tudo: desenvolvimento, operação, decisões estratégicas. A empresa dos Beaumont é um império, e estar à frente disso significa manter centenas de pessoas empregadas, milhões em jogo e o legado do meu pai em pé. Aceitar essa posição foi uma decisão séria. E não foi por ambição. Foi por dever. Enquanto me afundo nos relatórios e prazos, sei que uma hora vou ter que escolher. A presidência da empresa... ou a medicina. Porque, no hospital, também sou necessário. Sou cirurgião. E lá, eu salvo vidas. A parte de identificar oportunidades de negócio, tendências de mercado, análises frias e planilhas... deixo com o Lipe. Ele vive pra isso. E embora eu ache que ele esteja mais preparado pra presidência do que eu, papai e Soraia discordam. Dizem que ele ainda é imaturo, que não tem estômago para decisões difíceis. Talvez tenham razão. Mas se um dia ele quiser provar que merece... vai ter que me superar. Depois de horas de empresa, passo em casa apenas para tomar um banho gelado e um café forte. Uma emergência me espera no hospital. Um adolescente sofreu um acidente e precisa de cirurgia imediata. Banho tomado. Roupa trocada. Caneca na mão. Entro no carro e acelero até o hospital. Chego. Já me esperam na sala de cirurgia. Visto o jaleco. Luvas. Máscara. Foco total. Ali dentro, não sou o filho do Ryck Beaumont. Sou apenas o médico. O homem com um bisturi nas mãos e uma vida na mesa. Três horas de procedimento. E conseguimos. O garoto vai viver. Sem sequelas. Sem marcas físicas. Se tudo fosse tão simples de salvar assim...
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