Christian:
Ter contado toda a verdade praa Camille, me tirou um peso e tanto das costas, e ela ter acreditado em mim, me deu o gás que eu precisava pra enfrentar essa história toda de frente, esse caso todo já estava se arrastando por meses, talvez fosse hora de finalmente dar um ponto final nisso tudo.
-Tem certeza de que quer fazer isso? quando descermos desse carro, não vai ter mais como voltar atrás, você sabe que aqueles jornalistas ferozes lá fora não vão te perdoar.
-Eu tenho absoluta certeza disso, meu amor, você é a pessoa certa pra assumir a empresa nesse momento, não tenho mais nada pra pensar.
-Tudo bem, se você insiste nessa loucura,
-Senhor Hastings, estamos prontos.-Disse Henry.
Segurei forte a mão de Camille, que estava visivelmente muito nervosa, e descemos do carro, eu não gostaria de deixar que ela assumisse a empresa nessa situação, queria que ela tomasse esse posto sem nenhum problema escandaloso pra resolver, mas, eu sabia que ela daria conta.
Passamos pela maré de jornalistas e chegamos até a sala de imprensa, aonde os editores dos melhores jornais já estavam sentados, prontos para a coletiva..
-Agora, antes de começarmos, deixa eu te dizer uma coisa sobre repórteres, são sanguessugas, da pior espécie, não tem nada que eles te perguntem que não seja repleto de segundas intenções, ou completamente pretencioso, então, tome cuidado, só responda perguntas depois de pensar minimamente na resposta, se não, eles vão distorcer tudo o que você falou em 50 tons diferentes pra te fazer parecer a pior pessoa do mundo, não precisa responder todos eles, só responda o que você se sentir segura em responder, e por último, seja você mesma, você é uma mulher incrível, todo mundo sabe disso, e quem não sabe é imbecíl.
-Obrigada, Christian, por confiar em mim, eu vou fazer o possível e o impossível pra não te decepcionar.
-Não conseguiria me decepcionar nem se se esforçasse muito.-Eu disse, beijando sua mão.
Respiramos fundo e nos sentamos nas cadeiras, fiquei segurando a mão de Camille por debaixo da mesa, e percebi que suas mãos soavam.
-A primeira pergunta, por favor.-Eu disse.
Pra minha surpresa, eles foram muito organizados, e o primeiro deles se levantou, como se isso já tivesse sido ensaiado antes.
-A minha pergunta vai para a Camille...Camille, como você se sente tendo que limpar a sujeira do seu marido, quer dizer, ele está jogando uma empresa afundando mais que o titanic no seu colo, e espera que você sem experiência alguma resolva o problema dele.
Entrei em desespero naquela hora, não por mim, eu já tinha uma resposta na ponta da língua pra aquele desgraçado, mas pela Camille, pude perceber o seu nervosismo, através de suas mãos que estavam trêmulas, eu ia pegar o microfone e responder, mas antes que eu pudesse fazer isso, Camille avançou na minha frente.
-Acredito que oportunistas aparecem de todos os lados, não é mesmo? e é isso que essa menina é, uma oportunista, e isso será provado em breve, assim que o julgamento for marcado...enquanto isso, acredito que caso queira questionar minha experiência administrativa, deveria visitar a minha cafeteria no brooklyn, que já é uma das mais bem frequentadas do bairro, e inclusive saimos no new york times na semana passada, manda uma mensagem pro meu agente que eu te passo na frente da fila, próxima pergunta por favor, a respeito do meu trabalho, da minha vida pessoal, eu vou ser obrigada a ser indelicada.
Naquele momento, todos se calaram, ninguém esperava que a Camille fosse falar algo daquilo, muito menos eu, fiquei perplexo.
Depois daquilo, todas as perguntas foram de cunho profissional, todos seguiram sendo muito respeitosos com a Camille e ninguém mais fez perguntas sobre a vida pessoal dela, a coletiva acabou e subimos para a minha sala, que agora, seria a sala dela.
-Eu nem acredito que falei aquilo, quer dizer, jamais nessa vida todinha eu me imaginaria falando uma coisa daquelas com um repórter, eu surtei completamente, tenho certeza de que vão fazer a minha caveira amanhã!-Disse Camille, ainda em estado de euforia total.
-Tá zoando? aquela foi a melhor coisa que você poderia ter feito, você impôs respeito, Cami, e esse meio, isso é muito necessário, sabe? se não, ninguém te leva a sério.
-Obrigada! por ter segurado a minha mão o tempo todo, obrigada por ter ficado do meu lado, eu realmente não teria conseguido se você não estivesse ali.
-É claro que teria conseguido, você fez tudo aquilo sozinha e eu não poderia ter feito melhor, eu provavelmente teria apenas encerrado a coletiva e me levantado, mas, você não, você os enfrentou com classe, provando que é mais do que digna dessa sala.
-Quem decorou esse lugar? foi você mesmo?
-Não gostou?
-Sei lá, achei simples demais.
-Bom...pode mudar o que quiser, deixar do seu jeito, afinal, essa sala agora é sua.
-Eu ainda acho isso uma completa maluquisse, como você vai dar conta das crianças, são 3, Christian, tem horários, rotinas, é tudo muito bagunçado.
-Camille, relaxa! eu vou dar conta, afinal de contas, são meus filhos, é a minha obrigação saber como cuidar deles! agora, o que acha de estrearmos essa mesa em?
-Acha mesmo que eu transaria com você em cima da mesa do seu escritório, aonde você já no mínimo deve ter transado com umas 5 mulheres? nem a p*u! eu tenho regras e uma delas é, nada de sexo no trabalho.
-Tudo bem, você tem razão, mas, depois que trocar a mesa você não me escapa...
-A sua cara nem queima né? você precisa ir, agora! tem que colocar o George na escola e arrumar o almoço das crianças, a Sarah nunca sabe o que cozinhar sem que eu fale, é como se você precisasse apertar um botão pra ela fazer o que precisa ser feito...George odeia ervilhas, tá? então, troca por milho, ele gosta mais, e os gêmeos precisam se alimentar de 3 em 3 horas, se não a glicose deles sobe e isso pode ser muito perigoso, você entendeu ou precisa que eu anote?
-Camille! fica tranquila, tá tudo bem, nós vamos ficar bem, eu sou o pai deles, não sou nenhum estranho...agora, eu preciso ir, e qualquer coisa você pode me ligar.
-Você também, viu, Christian? me liga de passar aperto, sério.
-Pode deixar.-Eu disse, me despedindo dela com um beijo.
Sai dali não tão calmo como deixei parecer pra Camille, é óbvio que na frente dela eu precisava deixar parecer que estava tudo sob controle, afinal, eu não podia apavorar ela mais do que estava apavorada..mas, por dentro, eu estava completamente desesperado, não fazia idéia de como ia cuidar daquelas crianças, não tinha a menor prática com isso, mas, ia dar o meu melhor, o que poderia dar errado não é mesmo? eram só bebês, seres completamente inofensivos que não poderiam ser mais espertos do que um adulto inteligente como eu.