O papel amassava entre meus dedos como se eu pudesse destruir a ameaça com pura força de vontade. Mas não era papel o que me assustava. Era o que ele representava. Daniel não estava blefando. Não era só um bilhete jogado para desestabilizar. Era um lembrete de que ele estava por perto. Observando. Esperando. Alimentando alguma fantasia doentia sobre mim, sobre ela, sobre o passado. Aquela sensação de estar sendo vigiado, de que as paredes tinham olhos, voltou a se infiltrar como mofo pelas frestas da minha mente. Mas havia algo diferente em mim agora. Eu não era mais o homem descontrolado e paranoico de antes. Eu era o marido da Helena. E por ela, eu manteria minha sanidade intacta. Por ela, eu jogaria o jogo, mas do meu jeito. Nos dias que se seguiram, o bilhete se tornou um segredo guar

